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Casamento
e espiritualidade *
Evangelização nº 41/05 do LIE.
Surpresas
na morte *
Evangelização nº 42/05 do LIE.
Vida
e matéria após a morte *
Evangelização nº 43/05 do LIE.
Pregação
do sacerdote *
Evangelização nº 44/05 do LIE.
Tarefa
no umbral *
Evangelização nº 45/05 do LIE.
Visita
à Terra *
Evangelização nº 46/05 do LIE.
Amargo
regresso *
Evangelização nº 47/05 do LIE.
Acerto
de contas *
Evangelização nº 48/05 do LIE.
Examinando
o passado *
Evangelização nº 49/05 do LIE.
Perdoar
é fundamental *
Evangelização nº 50/05 do LIE.
Casamento
e espiritualidade * Evangelização
nº 41/05 do LIE.
Após
40 polígrafos da primeira parte desta pesquisa, aprendizado
e reflexão sobre a obra do Espírito André
Luiz reiniciamos nosso estudo especializado sintetizado dos
capítulos 1,2 e 3 que relatam o histórico e a
situação da senhora Evelina Serpa, o desastre
de seu casamento, a grave enfermidade que a acometeu, o difícil
tratamento e seu encontro (ou reencontro) como Sr. Ernesto Fantoni,
ele também afetado pela mesma grave doença de
que era portadora a senhora Evelina. Ela estava num jardim acompanhada
da criada-de-quarto, no estabelecimento hospitalar em que se
internara. Ele se apresenta a ela nesse jardim e segue-se um
longo diálogo no qual, ambos os interlocutores se dão
a conhecer num jogo de emoções delicadas e alternadas
com fortes tintas oriundas da alma num frenesi de sentimentos
ora harmônicos, ora em conflito, com sonhos idênticos
de reabilitação orgânica. São espíritos
que se reconhecem, ou se vêem em entrecruzados caminhos
do destino existencial das almas. Ambos afinal respectivamente,
pai e filha pelo coração. –Tenho tido para
mim mesmo a constatação de que a alma humana é
muito difícil e muito cheia de contradições.
EMOÇÕES que ora se entrosam e ora se chocam em
preconceitos de educação e cultura de cada um.
É por isto que Sócrates preconizava para cada
um de nós o “Conhece-te a ti mesmo”, como
fórmula para atenuar os choques entre pessoas e de sexos
opostos. Leiamos atentamente um trecho do capítulo desse
livro de André Luiz:
“Na porta da intimidade
- Não longe surgiu pequeno carro de passeio. Vinha devagar,
muito devagar. Vendo o animal que se aproximava, a passo lento,
o cavalheiro disse à dama:
- Compreendo-lhe a necessidade de repouso, mas se aceita uma
excursão pelas termas...
- Agradeço - respondeu -, contudo, não posso.
- Refazimento é agora minha maior terapêutica.
- Efetivamente, nosso caso não comporta sacudidelas.
A pequena viatura passou rente ao sossegado retiro. Os dois
perceberam a razão da marcha morosa. O veículo
fora decerto acidentado e mostrava uma roda partida, avançando
dificilmente; enquanto isso, o jovem boleeiro, ao pé,
guiava o animal com extremado carinho, deixando-o quase livre.
A senhora Serpa e o improvisado amigo seguiram-nos com olhar,
até que desaparecessem na esquina próxima. Em
seguida, Fantini fixou um grande sorriso e enunciou muito calmo:
- Senhora Serpa...
Ela, porém, cortou-lhe a frase com outro sorriso franco
e corrigiu, jovial:
- Chama-me Evelina. Creio que, sendo nós irmãos
numa doença rara, temos direito à estima espontânea.
- Muito bem! ... – acentuou o interlocutor e aduziu: -
doravante, sou também apenas Ernesto, para a senhora.
Ele deixou cair à mão descorada no encosto do
banco enorme e prosseguiu:
- Dona Evelina, a senhora já leu algo de espiritualismo.
- Não.
- Pois quero dizer-lhe que a charrete, ainda agora sob nossa
observação, me fez lembrar certos apontamentos
que esquadrinhei, nos meus estudos ontem. O interessante escritor
que venho compulsando, numa definição que ele
mesmo considera superficial, compreende a criatura humana como
um ternário, semelhante ao carro, ao cavalo e ao condutor,
os três juntos em serviço...
- Como pode ser isso? – interrogou Evelina, sublinhando
a palavra de surpre4sa e gracejando com o olhar.
- O carro equivale ao corpo físico, o animal pode ser
comparado ao corpo espiritual, modelador e sustentador dos fenômenos
que nos garantem a existência física e o cocheiro
simboliza, em suma, o nosso próprio espírito,
isto é, nós mesmos, no governo mental da vida
que nos é própria. O carro avariado, qual o que
vimos aqui, recorda um corpo doente, e, quando um veículo
assim se faz de todo imprestável, o condutor o abandona-o
à sucata da natureza e prossegue em serviço, montando
conseqüentemente o animal para continuarem ambos, no curso
de sua viagem para diante... Isso ocorreria, de maneira natural,
na morte ou na desencarnação.”
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Surpresas
na morte de Evelina *
Evangelização
nº 42/05 do LIE.
É
surpreendente e emocionante o desencarne de Evelina Serpa no
balneário “Poços de Caldas”. O tratamento
e a cirurgia do tumor que acometeu a enferma, seus sonhos de
reabilitação orgânica e seus planos de futuro
para ela e a família dão ao leitor a sensação
de que ao final de contas, tudo voltará a normalidade.
Ela conhecera Ernesto Fantini no balneário Poços
de Caldas, com a mesma doença grave. Ambos desencarnaram
durante o tratamento cirúrgico para retirada do tumor
e, após a desencarnação eles se reencontraram
num jardim florido do estabelecimento hospitalar da organização
“Nosso Lar”. Uma notável reaproximação
de almas criando um clima emocional em que ambos descobrem,
lenta e gradualmente que o ambiente a que tinham sido recolhidos
não era mais o da Terra. Eram espíritos que agora
tinham que se adaptar as novas leis e circunstâncias da
vida espiritual a qual ambos haviam sido transferidos. Leiamos
um trecho desse capítulo:
“Entendimento fraternal:
-Há quantos dias aqui?
- Positivamente, não sei - adiantou Ernesto, denotando
fome de conversação.
E completou:
- Tenho matutado bastante naquele nosso entendimento de Poços
de Caldas, acalentando sempre a esperança de revê-la...
- Gentileza de sua parete.
Evelina confidenciou a perplexidade em que vivia. Despertara
naquela instituição de saúde que desconhecia
de todo, obviamente transferida de casa por imposição
da família, porquanto o único fato de que se recordava
com clareza era justamente o desmaio em que descambara no tope
de uma crise das piores que havia atravessado.
E salientou, sorrindo, que tivera a impressão de morrer...
Quanto tempo desacordada? Ignorava.
Retomara-se apenas quando viera a si do sono profundo e sem
sonhos, ali mesmo, no quarto do terceiro andar.
Desde então, andava intrigada com o mistério que
a administração fazia, em torno dela própria,
de vez que não obtivera permissão para telefonar
ao marido.
Fantini escutava, atencioso, sem articular palavra. Em derredor,
algumas pessoas se mantinham sentadas ou caminhavam com naturalidade,
lendo ou palestrado, aqui e ali.
Rosas, miosótis, jasmins, cravinas, begônias e
outras flores, sob árvores recordando amendoeiras, ficus
e magnólias, embalsamavam o ar, extremamente diáfano,
com perfume delicioso. Alongados os comentários que anotava,
curioso, Fantini mostrou estranho brilho no olhar e concordou
com Evelina. Declarou achar-se em brasas. Revelou que também
sofrera esquisita fuga de si mesmo, com a diferença de
que isso lhe ocorrera, logo após a cirurgia, quando voltava
para o leito, segundo acreditava. E registrara aquele mesmo
fenômeno de retrospecção, a que se reportava
a senhora Serpa em seus apontamentos confidenciais, no qual
se vira repentinamente devolvido ao pretérito, desde
os primeiros momentos de espanto até os dias primeiros
da infância. Depois, dormira pesadamente. Incapaz de explicar-se,
quanto ao tempo exato em que se demorara obtuso, inconsciente,
tomara acordo de si próprio naquele nosocômio,
dez dias antes. Conservava, igualmente, a mesma estupefação,
perante as normas de serviço ali regulamentadas, porque
não conseguira o mínimo contacto com a esposa
ou a filha, das quais se despedira na cela hospitalar, horas
antes do trabalho operatório a que se submetera. Achava-se,
por isso, inquieto. Ela, Evelina, experimentara o enigmático
desmaio, no círculo doméstico, ao pé dos
entes queridos. Ele, porém, deixara a família
em meio de agoniada expectativa, sem que lhe fosse facultado
qualquer recurso de comunicação com os parentes.
Reconhecia que o estabelecimento de saúde a que se abrigava
agora não era o mesmo onde se internara para o tratamento.”
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Vida
e matéria após a morte *
Evangelização
nº 43/05 do LIE.
Estes
capítulos iniciais acerca do que acontece após
a morte física desperta enorme curiosidade e atenção
quanto ao que sucede aos desencarnados que chegam ao novo mundo,
a nova morada que nos aguarda após termos vivênciado
a experiência terrestre. Bem como, e principalmente, as
dificuldades de aceitarmos a nova situação com
a qual invariavelmente nos defrontamos com as surpresas que
nos aguardam. Aquele que não foi preparado através
da fé lúcida e do conhecimento adequado, indesviavelmente
padece diante de surpreendentes realidades que se apresentam
a cada um de nós no plano extrafísico. No caso
de Evelina Serpa e Ernesto, que são atendidos pelo mentor
Cláudio, este tenta explicar com um longo arrazoado sobre
o que é o novo ambiente em que se acham, mas, os dois
recém chegados só queriam ou buscavam entender
o extrafísico através de conceitos em que arraizados
na matéria sólida. E tiveram que ser encaminhados
ao Ministério da Proteção Espiritual para
maiores esclarecimentos. Despertar no outro lado da vida em
90% dos casos é uma situação estonteante
já que os valores culturais que levamos da vida física,
se chocam com a nova e impactante realidade. Leiamos um trecho
desse importante diálogo entre os três personagens:
“-Entendo - certificou ele, sorrindo
-, a senhora, muito mais do que o nosso irmão Ernesto
opõe firme recusa mental à verdade, à vista
de suas convicções religiosas louváveis,
mas provisórias, convicções que jazem solidamente
estruturadas em seu espírito... Apesar de tudo, porém,
tenho a obrigação de assegurar-lhes que não
mais pisamos a Terra que nos era comum e sim um departamento
da Vida Espiritual.
E ela: - Meu Deus, como pode ser isso?
- Irmã Evelina trabalhe com a própria mente.
Se não abordássemos a Crosta Planetária
pelo regaço materno, com o período da infância,
logo após, constrangendo-nos a longos serviços
de readaptação, não seria a mesma coisa?
- Mas, a Terra... Eu conheço.
- Puro engano. Classificamos a paisagem terrestre e os pertences
que lhe dizem respeito, submetidos aos conceitos de quantos
estiveram nela antes de nós, ocorrendo análogas
circunstâncias no ambiente a que nos acolhemos agora,
e onde contamos com geólogos e geógrafos eméritos...
Na realidade, porém, tanto lá como aqui, conhecemos
na essência, muito pouco acerca do meio em que vivemos.
Em suma, analisamos e reavaliamos coisas e princípios
que já encontramos feitos...
- Entretanto, no mundo, como entendemos o mundo, guardamos a
certeza de permanecer sobre bases de matéria sólida...
- Irmã Evelina, quem lhe disse que não moramos
lá, na arena terrestre, detidos igualmente num certo
grau da escala de impressão do nosso Espírito
eterno? Qualquer aprendiz de ciência elementar, no planeta,
não desconhece que a chamada matéria densa não
é senão a energia radiante condensada. Em última
análise, chegaremos, a saber, que a matéria é
Luz coagulada, substância divina, que nos sugere a onipresença
de Deus.
- O senhor quer afirmar mesmo que não estamos agora domiciliados
no plano físico? – voltou Fantini a manifestar-se.
- Chama-se a este mundo em que existimos, neste momento “outra
vida”, outro lado”, “região extrafísica”
ou “esfera do Espírito”, estamos num centro
de atividade tão material quanto aquele em que se movimentam
os homens, nossos irmãos ainda encarnados, condicionados
ao tipo de impressões que ainda lhes governam, quase
que todo, os recursos sensoriais. O mundo terrestre é
aquilo que o pensamento do homem faz dele. Aqui é a mesma
coisa. A matéria resume a energia. Cá e lá,
o que se vê é a projeção temporária
de nossas criações mentais...
- Então, morrer?!... qual a novidade em torno disso?
Qual o maior interesse em nos reconhecermos redivivos?
- As incógnitas da vida exterior, com os desafios delas
resultantes, são as mesmas; entretanto, se a criatura
aspira afetivamente a realizar uma tomada de contas encontra
neste novo mundo surpresas, muito fascinantes, no estudo e redescoberta
de si mesma. Somos, cada um de nós, um astro de inteligência
a perquirir... e a aperfeiçoar por nós próprios.
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Pregação
do sacerdote * Evangelização
nº 44/05 do LIE.
A
saga vivida pela senhora Evelina Serpa junto com Ernesto Fantini
foi intensa e com lances surpreendentes. Primeiramente eles
se encontraram, em vida física num belo jardim de um
balneário em Poços de Caldas, MG. Submetidos a
delicadas intervenções cirúrgicas, desencarnaram
quase ao mesmo tempo. Nessa ocasião conversaram muito
sobre coisas da vida e do destino e se simpatizaram fraternalmente.
Após a morte dos dois, eles se reencontraram num hospital-colônia
de “Nosso Lar”, ambos muito surpresos com o que
viam pois, não sabiam nem queriam acreditar que tinham
morrido. Pouco tempo depois foram encaminhados ao Ministério
do auxilio e após, ao do Esclarecimento e do ajuizamento.
Lá terminaram confessando-se, ela informando que em vida
física, praticara um aborto, cujos eventos orgânicos
culminaram na sua morte. Ele, Fantini, confessou ter matado
um amigo numa caçada, cujo ajuizamento resultou numa
sentença de “inocência”. No caso de
Evelina, ela só se convenceria de ter morrido se consultasse,
nesse “Novo Mundo” um padre católico. Então
Fantini a leva a um templo católico a fim de assistir
a uma palestra importante sobre “A vida Extrafísica”,
que finalmente, a convenceu da sua nova condição
de Espírito. Leiamos um pequeno trecho dessa palestra
do sacerdote:
“De seguida, aproximou-se de grande
exemplar do Novo Testamento, aberto sobre delicado porta-livros
e leu os versículos números 1 a 4, do capítulo
sete do Evangelho do Apóstolo Mateus:
<<Não julgueis para não serdes julgados,
pois, com o critério com que julgardes, serei julgados;
e, com a medida com que tiverdes medido, vos medirão
também.
Porque vês tu o argueiro no olho de teu irmão,
sem notares, porém, a trave que está no teu próprio?
Ou, como dirás a teu irmão: Deixa-me tirar o argueiro
do teu olho, quando tens a trave no teu?>>
Terminada a leitura, deteve-se o ministro em dilatada concentração,
qual se buscasse inspiração nas profundezas da
própria alma.
Ernestro e Evelina, porém, viram surpresos, que, ao revés
o pensamento dele se exteriorizava, em forma de larga auréola
de luz, que se lhe alteava da cabeça, à maneira
de chama, elevando-se cada vez mais...
A curto espaço de segundos, clarões jorravam de
cima, lembrando as chamadas línguas de fogo do dia de
Pentecostes, e o sacerdote simpático iniciou a pregação
de que respigaremos, apenas alguns trechos que lhe definem a
tessitura de sabedoria e beleza:
- Irmãos, até ontem éramos parte integrante
da coletividade humana - a nossa bendita família da retaguarda
- e acreditávamos no poder de julgar-nos uns aos outros.
Encastelados nas idéias religiosas que supúnhamos
adversários e transviados quantos não pensássemos
por nossos princípios.
Interpretávamos os ensinamentos de Nosso Senhor Jesus
Cristo, conforme o nosso arbítrio, exigindo que o Senhor
da Vida se nos fizesse rebaixado servidor, na estrada sombria
e tortuosa que não nos cansávamos de palmilhar;
entretanto, despojados hoje do corpo de matéria mais
densa que nos acalentava as ilusões, aprendemos que todos
somos consciências deficitárias perante a Lei.
E compreendemos agora, para felicidade nossa, que apenas o Senhor
dispõe de recursos para avaliar-nos - à possível
tão - somente examinar a nós próprios.”
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Tarefa
e palestra evangélica em bairro umbralino *
Evangelização
nº 45/05 do LIE.
Ernesto
Fantini e Evelina Serpa, após freqüentarem diversos
cursos e palestras de amparo e conscientização,
afinal pediram e foram atendidos pelos mentores, para serem
incluídos em expedições de Serviços
socorristas e de ajuda a irmãos carentes. A caravana,
composta de 8 mulheres e dois homens após cruzarem por
região de fluídos tenebrosos, composta de um deserto
enorme com vilarejos e pequenas cidades nas bordas, chegam a
um local no qual se viam pessoas esquisitamente vestidas ou
de fisionomia escurecida, tendo o mentor esclarecido aos componentes
da caravana, que ali poderiam acontecer desmandos arbitrários
ou xingações descabidas mas que, não estranhassem.
Tratava-se de espíritos revoltados, entranhados no orgulho
e no obscurantismo; entretanto, era necessária aquela
escala de socorro. Leiamos o trecho desse capítulo 13,
mostrando ásperas respostas vindas da treva e o reencontro
de Evelina como um antigo pretendente seu, quanto fora muito
jovem na Terra:
“O serviço religioso no lar
se revestiu das características do Evangelho em casa,
nos domicílios cristãos da Terra. Havia, porém,
ali, naquela tenda simples, valioso trabalho de extensão
do apoio espiritual aos amigos sofredores da vizinhança.
Vinte e duas entidades, das quais vinte mulheres e dois homens,
tinham vindo do grande nevoeiro próximo, a fim de ouvirem
a palavra do Irmão Cláudio, entremostrando anseios
de tranqüilidade e transformação. Desdobraram-se
as tarefas nos moldes das reuniões evangélicas
do mundo, suplementadas pela conhecida orientação
espírita-cristã, portadoras da interpretação
respeitosa, mas livre, dos ensinamentos do Senhor. Na fase terminal,
passes de reconforto e mensagens de esclarecimento, advertência
e ternura. Ocasiões de serviços repontaram do
quadro para Ernesto e Evelina, que, por designação
do orientador, suavizaram os padecimentos de duas irmãs
visitantes, a se cobrirem de lágrimas, depois dos comentários
ouvidos. Toda a equipe se dedicava a conversação
edificante, às despedidas, acompanhando os freqüentadores
humildes da sementeira evangélica, fora da casa, quando,
emergindo de névoa, compacto grupo de Espíritos
zombeteiros e dementados apareceu. Explodiram impropérios,
entremeados de vaias e ditos chulos. Prevenindo, especialmente
aos dois recrutas, Cláudio avisou: - Não se aflija.
A ocorrência é normal...
- Patifes! Sumam, sumam daqui! – rugiu um dos atacantes
de vozeirão descomunal – não queremos sermões,
nem encomendamos conselhos. Amainando a saraivada de insultos,
Cláudio tomou a palavra e falou alto, sem alterar-se:
- Irmãos!... Para aqueles de vós que desejais
vida nova com Jesus, somos companheiros mais íntimos
desde agora!... Vinde à verdadeira libertação!
Unamo-nos em Cristo!...
- Hipócritas!...- reagiu a mesma voz troante, seguida
pelas gargalhadas irônicas de muitos - nada temos com
Jesus!... Mascarados! Vocês todos são iguais a
nós, vestidos na capa de santarrões!... Nós
é que podemos chamar vocês para a liberdade!...
Larguem as asas de barro!... Anjos cotós! Cães
enfeitados!... Vocês são tão humanos, quanto
nós mesmos!... Se são corajosos, deixem de ser
burros velhos no freio da disciplina e venham ser livres como
somos!...
Dito isso, a malta avançou sobre o grupo fraterno, mas
Cláudio, evidentemente em oração, ergueu
a destra e um fio de luz cortou o pequeno espaço que
isolava os agressores. A chusma de infelizes estacou, aterrada.
Alguns deles caíram no solo, como que traumatizados por
forças incoercível, outros resistiram vomitando
injúrias, ao passo que outros ainda fugiram em disparada...Todavia
dentre aqueles que se mantinham de pé, um deles muito
jovem, bradou com acento inesquecível: - Evelina. Evelina...
É você aqui?... Oh! Estou vivo, estamos vivos!...
Quero Jesus! Jesus!... Socorro! Socorro!... Quero Jesus!...
Claúdio aquiesceu, compadecido: - Vinde! ... Vinde!...
O moço arrancou-se da quadrilha, seguiu na direção
que Claudio lhe indicava e, em poucos momentos, a senhora Serpa,
trêmula e consternada, tinha diante de si Túlio
Mancini, aquele mesmo rapaz a quem amara noutro tempo e que,
segundo estava convencida, havia descambado nas trevas do suicídio
por sua causa.”
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Visita
a Terra * Evangelização
nº 46/05 do LIE.
Em
fim, um breve retorno. Após dois anos dos desencarne
de Evelina Serpra e Dr. Ernestro Fantini, e após o reencontro
de Evelina com um ex-noivo no além, ela e Ernesto receberam
permissão para uma breve visita aos seus antigos lares
da vida terrestre. Um veículo especial trouxe uma caravana
de espíritos que também iam visitar na Terra entes
queridos que ainda viviam no plano físico. A saudade
era o sentimento dominante em todos que interromperam suas vivências
no orbe terrestre por terem falecidos. O veículo (aeróbus)
os deixou no início da rodovia dos Imigrantes, aquela
que liga a cidade de Santos a capital Paulista. Evelina estava
curiosa para rever o marido, Dr. Caio, e seus pais queridos.
Ela estava permeada em sonhos, enquanto o Dr. Ernesto Fantini,
manifestava esperança e apreensão. Será
que seus entes queridos iriam perceber a presença deles,
visitantes espirituais, aos antigos santuários domésticos?
Leiamos o que André Luiz nos descreve no início
do capítulo 18, nesta longamente aguardada visita doméstica,
que resultarão em experiências emocionantes que
para ambos, aliás todos, serão eternas:
“Enfim, a volta. Ambos, Evelina
e Fantini, manifestavam o contentamento de crianças em
festa. A primeira vinda ao lar, após dois anos. As despedidas,
antes de se incorporarem à reduzida equipe de companheiros
que tornariam ao domicílio terrestre em condições
iguais às deles, recolheram de Ribas a recomendação:
- Vocês representam nossa cidade, nossos costumes e princípios,
portem-se na base do novo entendimento. Se precisarem de auxilio,
comuniquem-se conosco pelo fio mental. Um abraço e os
votos de felicidade para a viagem. Quando o veículo pousou
rente à Via Anchieta, no ponto em que a estrada se bifurca,
descerrando caminho para São Bernardo, o pequeno grupo
dispersou-se. Cada excursionista era um anseio intinerante,
cada qual um mundo vivo de saudades. O dirigente da caravana
e responsável pela viatura marcou regresso para o dia
seguinte. Que os viajantes se reunissem, ali mesmo, esgotado
o prazo de vinte horas. Nossos amigos respiraram, maravilhados,
o vento brando que os saudava. Surpresos. Felizes. Custavam
a crer que estivessem na entrada de São Paulo. Embevecidos,
contemplaram o céu lavado e imensamente azul do entardecer
de maio. Em torno rajadas de frio, neles fixavam recordações
de tempos idos. Caminhavam sob fascinante júbilo a lhes
povoar o coração. Era, sim, a cidade para eles
familiar, a terra que amavam... Inalavam sofregamente o aroma
das flores e sorriam para os ocupantes dos carros que, naquele
fim de Sábado, desciam para Santos. Evelina, que trazia
a mente e o coração absorvidos pela imagem do
esposo, em certo trecho do caminho perfilou-se diante de Ernesto,
qual se buscasse nele um grande espelho, e indagou com ternura
ingênua que opinião era a dele, na posição
de homem, quanto à apresentação dela. Queria
estar nas mesmas características de simplicidade e bom
gosto, com que o marido estimava encontrá-la no refúgio
doméstico. Sabia que a situação era outra.
Serpa não lhe identificaria a presença, do ponto
de vista material, tanto quanto lograria vê-lo; no entanto,
ouvira dizer que as pessoas saudosas enxergavam os amados distantes
com os olhos da alma, qual se trouxessem um televisor no pensamento.
Se Caio tivesse emoções e idéias concentradas
nela, certamente lhe registraria os afagos, ainda que para ele
tudo não passasse de simples memória. Ernesto
riu-se ao ouvi-la e elogiou-lhe a perspicácia. Fitou-lhe
o penteado e o rosto, pediu reajuste nas dobras do vestido e
aprovou os sapatos, à feição de um pai,
encorajando a filha para a exibição num baile
de debutantes. Depois, acusou-a com graça, asseverando
que não lhe toava bem tão alta demonstração
de coquetismo.”
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Amargo
Regresso - A infeliz volta de Dr. Fantini
ao antigo lar *
Evangelização
nº 47/05 do LIE.
Foram
concedidas 20 horas para que Evelina Serpa e Ernesto Fantini,
dois anos após a morte de ambos, fizessem uma visita
aos respectivos antigos lares que tinham quando viviam na Terra.
Em dois capítulos distintos vimos que tais visitas trouxeram
graves decepções a ambos. A filha de Ernesto Fantini
amasiou-se com o ex-esposo de Evelina. E a conversa que Evelina,
desencarnada, ouviu entre Dr. Caio (esposo) e a nova companheira
encarnados, foi terrível para ela. Até o colar
que recebeu de Caio como presente de noivado, estava no pescoço
da outra. As mesmas declarações de amor se repetiam
. Já com Ernesto Fantini, o reencontro foi bem mais violento
e pior. Chegando a antiga moradia terrena Fantini se deparou
com um quadro estarrecedor. A antiga esposa jazia obsedada no
leito conjugal, em estado de semi-loucura, tendo ao lado o espírito
obsessor, ninguém menos que seu antigo noivo desprezado,
Júlio Mansini, assassinado por ciúme de Ernesto
Fantini: Leiamos um trecho dessa dolorosa visita:
“Dos olhos tristes de Ernesto o
pranto jorrou em maré de angústia. Tantas vezes
imaginara-se pássaro distante do ninho, faminto de repouso
na úsnea tépida!... Entretanto, chegava até
ali, na condição do hóspede indesejável,
abandonado pelos seus...
-Elisa!- implorou. A conturbada esposa, que trazia as faculdades
psíquicas desordenadas, não lhe lobrigava a figura
espiritual, depois que a luz mais viva se derramou no ambiente;
no entanto, lhe assinalava a voz comovida e firme, a repetir,
suplicante:
-Elisa! Elisa, ouve... eu sempre te amei... que a filha e o
namorado conseguissem ouvir senão metade. - Cala-te,
infame! Recuso uma afeição que sempre detestei.
– Porque te alteraste assim? – Sou hoje livre para
dizer o que me vem a cabeça. – Mas, quando juntos...
– Eu era a escrava algemada ao senhor... – Entretanto,
sempre afirmaste que me querias bem. Sempre te desprezei isto
sim...-Oh ! Meu Deus!... –Quem fala em Deus? Um assassino...
–Porque tanta crueldade? – Dedé me falou
que não passas de um matador!
Nessa altura do diálogo, fundamente estranho para dois
ouvintes reencarnados que o acompanhavam pelo meio, Serpa inquietou-se
e, confessando-se incomodado ante o delírio da enferma,
passou a esquadrinhar a casa, em busca de meditação
que lhe sedasse os nervos. O entendimento, contudo, entre a
obsidiada e o marido, prosseguiu, sem pausa.
- Ouve, Elisa! – mendigou Fantini, em pranto – não
nego haver cometido grandes erros, mas invariavelmente por tua
causa, pelo extremado apego ao teu carinho!...
-Balela! – gargalhou a interlocutora, entre a ironia e
a demência - desde que arrastaste Dedé, passei
a gostar dele... A qualquer momento a que vinhas em casa, isso
acontecia sempre para infelicidade nossa, porque vivíamos
juntos aqui, antes de tua morte, e vivemos juntos depois...
Olha este quarto! Dedé está no lugar onde sempre
esteve!...
Semelhantes declarações foram suplementadas de
informes, sobre os quais pede a caridade se faça silêncio.
Ernesto chorava, ao passo que, defronte dele, o adversário
desencarnado sorria, esclarecedor. Nesse ínterim, o advogado
surgiu trazendo a injeção calmante com que Vera
socorreu a doente agitada. Daí a instantes, a senhora
Fantini atirou-se ao travesseiro, desfigurada, abatida. E justamente
quando Ernesto transpunha a porta em retirada, Desidério
dos Santos, o inimigo, saltou do leito em que jazia parado e
tomou-lhe a frente, desferindo brados terríveis...”
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Acerto
de contas * Evangelização
nº 48/05 do LIE.
No
capitulo anterior vimos o reencontro de Ernesto Fantini com
a viúva, ex-esposa Elisa. Agora vamos examinar o ajuste
de contas de Ernesto com o moço que assassinara para
garantir o amor de Elisa. É um encontro terrível,
expondo com toda nudez a gravidade de fatos acontecidos vinte
anos atrás. Mostrando também com muito realismo
como funciona as leis da justiça Divina, que não
esquece nenhuma falta nossa, nem deixa de gratificar cada boa
ação que praticamos no mundo dos homens e das
mulheres. É a comprovação global da lei
de causa e efeito, colhe-se aquilo que se tenha plantado. De
tal forma que nosso destino é construído por nós
mesmos de modo que, se injustiça estamos vivênciando
em nossa vida é porque injustiça praticamos no
passado de nossas vidas. Ernesto Fantini foi duramente acusado
e cobrado pelo crime que praticou quando encarnado na orbe terrestre.
Leiamos como foi o reencontro entre quem matou e quem morreu
vítima de ciúme doentio:
“–Patife! ... Celerado!...
– Vociferou o agressor – Você não se
afastará sem contas!...
Plantou-se à frente de Ernesto e, barrando-lhe o passo:
Você acreditava que era só acabar comigo, hein?
Fique sabendo que, intentando privar-me do corpo, não
obteve outra coisa senão colocar-me em sua própria
casa... Vivo aqui, moro aqui e sua mulher me pertence!...
Fantini, de sentimento apurado, qual se achava, depois de tantas
refregas, implorou: -Oh! Desidério! estou arrependido,
perdoe-me!... _ Perdoar? Isso nunca. Estou longe do fim. Vocês
me pagarão, centil por centil... Miseráveis!...
Vocês ocultam aí na Terra o sangue do crime na
capa do arrependimento e julgam que conseguem lavá-lo
com lágrimas falsas...
Zombeteando: - Ninguém morre. Vocês, bandidos,
que burlam a justiça do mundo, serão punidos pela
Justiça Divina, em meu caso, sou eu mesmo... Espírito
vingador, sim... Sou... E quem me contestará esse direito?
A superexcitação do desventurado provoca nele
mesmo o corrompido pranto do ódio, e era igualmente chorando
que profligava: - Cretinos delinqüentes!... Perdi a existência,
meu lar, minha esposa, minha filha... e vocês esperam
de mim um prêmio à crueldade com que me aniquilaram!...
Então, vocês exterminam um homem e exigem que esse
homem lhes beije as mãos? Abusam da impunidade com que
a terra do sepulcro lhes cobre os atos perversos e ainda reclamam
o louvor das vítimas tombadas indefesas?!... Ernesto
soluçava... Ajoelhou-se, de mãos postas, diante
do vencido de outro tempo, em sinal de humildade... Ah! Se soubesse
que amargas provações lhe combaliram a alma, nunca
teria empreendido o retorno a casa. Saberia tolerar as cruciantes
saudades da esposa e da filha, acomodando-se a outros climas
de luta!... Entretanto, em dois anos de meditação
e de estudo, aprendera que cada espírito recebe da vida,
nas Leis de Deus, segundo as próprias obras. Certificara-se
de que criatura alguma logra desertar da própria consciência
e que chega invariavelmente para o culpado o dia da expiação
e do reajuste. À face disso, recorria, intimamente, ao
apoio da prece, suplicando a Jesus lhe revigorasse os ombros
para carregar a cruz que ele mesmo talhara com os próprios
erros. À medida que ele se mantinha de joelhos, flectidos
na areia da entrada, fitando o céu fulgente de estrelas,
Desidério continuava: - Covarde!... Levante-se para enfrentar
as conseqüências de sua falta... Somos agora dois
homens, nas mesmas condições, sem a máscara
do corpo, qual você me quis, há mais de vinte anos!...
Onde estão agora sua prosápia, seu sorriso de
mentira, sua arma frouxa?"
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Examinando
o passado * Evangelização
nº 49/05 do LIE.
Tendo regressado à segurança e reconforto do “Nosso
Lar”, e já refeitas das amargas experiências
pelas quais passaram quando voltaram aos seus antigos lares
na Terra, Fantini e Evelina além do mais sofreram sérias
desilusões: Dentro da nova visão espiritual constataram
que eles é que deviam ajudar os que continuavam vivendo
na Terra. Depois de internados e refortalecidos num recinto
hospitalar para refazimento de forças mentais e emocionais,
e tendo pedido ao Mentor Ribas para que recebessem missões
de socorro a outros parentes ainda reencarnados, os dois receberam
permissão de regresso em expedição espiritual
de ajuda. André Luiz nos mostra que cada um de nós
participa de uma equipe espiritual que incluem dezenas de Espíritos
encarnados com os quais vamos ter de conviver durante nossa
existência terrestre e através dos quais lidando
com eles fraternalmente e buscando elevação vamos
evoluir em direção à Luz de Deus. Leiamos
a seguir um trecho descrito por André Luiz neste capítulo:
“As advertências de Ribas
e a presença de Evelina, a curta distância, foram
argumentos que constrangeram Fantini a revigorar no autocontrole.
Finda a longa crise de lágrimas, ante a surpresa que
situava à senhora Serpa, em nova posição
no mundo de sua alma, reconhecia-se outro. Sofrera modificações
nos mais recônditos mecanismos da mente. A exposição
de Desidério, franca e livre sacudindo-o para reconhecer
a extensão de suas próprias fraquezas, abatera-lhe
o orgulho; no entanto, clareava-lhe as entranhas do coração
para buscar vida nova. Não obstante algo atordoado, soergueu-se
do chão e arrastou-se até ao local em que a moça
o esperava. Entretinha-se Evelina em amistosa conversação
com desencarnados doentes, que visitavam o sítio, sob
a vigilância de enfermeiros atentos, em busca das emanações
nutrientes do mar. Avistando, porém, o amigo que se aproximava,
cambaleante, pôs-se-lhe correndo ao encontro.
- Oh! Ernesto, porque fatigado assim? – exclamou inquieta,
ao mesmo tempo que o auxiliava a sentar-se na areia. Ele não
relutou em recolher-lhe o apoio e, tão logo a viu acomodar-se
rente, colocou a cabeça entre as mãos, num gesto
de quem sentia dificuldade para carregar o pensamento em fogo
e tartamudeou, chorando:
- Ah! Evelina, Evelina!... Concordo agora em que somos dos mortos
que não tiveram as orações dos vivos...
Ai de mim!.... Os corações que eu mais amava se
fecharam para sempre com a pedra que decerto me selou os restos
físicos... Torno de minha casa, como um réprobo!...
Oh! meu Deus!... Meu Deus!...
Empenhou-se a companheira a reconforta-lo , rememorando a sua
própria experiência de horas antes, mas o desolado
amigo contraditou em profundo abatimento:
- Não, não!... Você foi minha vítima
de ingratidão, ao passo que recebi a condenação
que mereci... Você ganhou o insulto, a mim coube o castigo!...
Ernesto ansiava rebentar-se em notícias do sucedido,
confiar-lhe as revelações que passara a senhorear;
todavia, escasseavam-lhe as forças. Apenas o pranto a
deslizar-lhe em ondas...
Em poucos momentos, no entanto, a perplexidade e a aflição
de ambos se viram atenuadas com a vinda do carro voador, que
se transportara da Via Anchieta à Praia do Mar Casado,
onde se achavam, a fim de conduzi-los a São Paulo. Ribas
escutara as súplicas do pupilo torturado e expedira ordens
de caráter urgente para que os dois tutelados do Instituto
de Proteção obtivessem imediata cobertura. Evelina
escorou o companheiro e instalou-o no veículo que se
alçou a grande altura. Por mais tentasse palestras, não
colhia dele senão monossílabos. Fantini silenciara,
evidenciando, porém através do olhar triste e
esgazeado, o vulcão de sentimentos contraditórios
que lhe explodia no peito."
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Perdoar
é fundamental *
Evangelização
nº 50/05 do LIE.
Nas últimas páginas deste revelador e misericordioso
livro de André Luiz, vemos o relato das doloridas provações
de Evelina Serpa e de Ernesto Fantini nas trabalhosas tarefas
socorristas desses dois e de vários outros espíritos
em prol de familiares sofredores nos dois planos da vida. Mostrando
quão matemático é o fruto das sementes
que semeamos ao longo de cada vida. Atos maléficos ou
benéficos que praticamos que estão, lembrados
ou esquecidos, na nossa memória espiritual, tim-tim por
tim-tim. O que apreciamos neste livro é o conflitado
desenrolar do destino inconscientemente procurado por dezenas
de personagens, todos atrelados uns a outros em três gerações
seguidas, nos 2 planos da existência deles, que deve ser
eterna: Plena de planos dramáticos, com culpas, expiações
e resgates espinhosos. Mas que termina sempre com um generoso
apelo ao perdão e a sublimação. Leiamos
um trecho neste polígrafo, a mensagem ditada por espíritos
luminosos e que diz o seguinte:
“Irmãos da Terra, em meio
às vicissitudes da experiência humana, aprendei
a tolerar e perdoar!... Por mais se vos fira ou calunie, injurie
ou maldiçoe, olvidai o mal, fazendo o bem!... Vós
que tivestes a confiança traída ou o espírito
dilacerado nas armadilhas da sombra, acendei a luz do amor onde
estiverdes!... Companheiros que fostes vilipendiados ou insultados
em vossa intenção mais sublime, apagais as ofensas
recebidas e bendizei os ultrajes que vos burilam o coração
para a Vida Maior!... Irmãs que padecestes indescritíveis
agravos na própria carne, desprezadas pelos carrascos
risonhos que vos enlouqueceram de angústia, depois de
vos acenarem com mentirosas promessas, abençoai aqueles
que vos destruíram os sonhos!... Mães solteiras
que fostes banidas do lar e batidas até a queda na prostituição,
por haverdes tido suficiente coragem de não assassinar
no próprio ventre os filhos de vossa desventura, com
a insânia do aborto provocado, mães agoniadas às
quais tantas vezes se nega até o direito de defesa, conferido
aos nossos irmãos criminosos nas cadeias públicas,
perdoai os vossos algozes!... Pais que trazeis nos ombros escalavrados
de sofrimento a carga dolorosa dos filhos ingratos, filhos que
agüentais na carne e na alma o despotismo e a brutalidade
de país insensíveis e cônjuges flechados
entre as paredes domésticas pelos estiletes da incompreensão
e da crueldade, absolvei-vos uns aos outros!... Obsidiados de
todos os climas, tecei véus de piedade e esperança
sobre os seres infelizes, encarnados ou desencarnados, que vos
torturam as horas! Criaturas prejudicadas ou perseguidas de
todos os recantos do mundo, perdoai a quantos se fizeram instrumentos
de vossas aflições e de vossas lágrimas!...
Quando sentirdes a tentação de revidar, lembrai-vos
daquele que nos concitou a << amar os inimigos>>
e a << orar pelos que nos perseguem e caluniam>>!
Recordai o Cristo de Deus, preferindo ser condenado, a condenar,
porque, em verdade, quantos praticam o mal não sabem
o que fazem!... Convencei-vos de que as leis da morte não
executam ninguém e não vos esqueçais de
que, no dia do vosso grande adeus aos que ficarem na estância
das provas, somente pela benção da paz e do amor
na consciência tranqüila é que podereis alcançar
a suspirada libertação!..."
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