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A vida em dois mundos!
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Lar Irmã Esther
Guaíba/RS
Desenvolvimento:
Marcelo Plocharski

Estudos sobre o Livro "Sexo e Destino" de André Luiz com psicografia de Chico Xavier e Waldo Vieira

Clique sobre o assunto que você quer estudar e vá direto para o texto:

O sexo modulando a vida das pessoas * Evangelização nº 51/06 do LIE.

Sexualidade desastrosa * Evangelização nº 52/06 do LIE.

A traição de Nemésio* Evangelização nº 53/06 do LIE.

O que todo drogado ou alcoólatra deve ler * Evangelização nº 54/06 do LIE.

Sexo e reencontro * Evangelização nº 55/06 do LIE.

Cenário de sexo endoidecido * Evangelização nº 56/06 do LIE.

Sexo e crime * Evangelização nº 57/06 do LIE.

Conflitos sem razão * Evangelização nº 58/06 do LIE.

Aguardada reencarnação * Evangelização nº 59/06 do LIE.


Vivenciando uma civilização predominantemente prazerosa e sensualista, neste início do Terceiro Milênio, ao observador atento não escapa a situação de decadência em que mergulhou a sensualidade humana neste planeta Terra. Os animais fazem sexo sem amor, basta-lhes o instinto. Já entre pessoas inteligentes que escolhem e são escolhidas não deveria haver prática sexual sem amor. A lucidez neste e nos demais casos (para lidar com essa poderosa e criativa força) é sempre uma conquista pessoal, razão pela qual indesviavelmente desde a infância e a juventude deverá existir ensino perseverante acerca de como resguardar-se e desenvolver a própria sexualidade ao longo da vida. A obra de André Luiz - e o livro “Sexo e vida” de Emmanuel são portais para este início de estudo, tendo em vista que tais obras nos revelam qual é o ponto de vista dos Espíritos iluminados e orientadores.

O sexo modulando a vida das pessoas * Evangelização nº 51/06 do LIE.

Ao iniciarmos esta segunda parte do estudo e pesquisa das obras de André Luiz, devemos considerar a importância desse enfoque especial sobre a sexualidade na vida das pessoas. Os erros, distorções e viciações naqueles que fazem mau uso dessa nobre função nas criaturas humanas. Enquanto o sol cintilava fulgás e majestoso lá no alto, cá embaixo as criaturas humanas prosseguiam em seus conflitos intermináveis, tornando mais espinhosa a já difícil evolução rumo ao mais alto. O livro mostra, a partir de seu primeiro personagem Pedro Neves, advogado, sua mulher Enedina e sua filha Beatriz que são protagonistas de um novelesco Karma espiritual gerador de caminhos e resgates futuros. Colhe-se o fruto da semente plantada. Vamos começar transcrevendo um trecho da conversa mantida entre André Luiz e Pedro Neves acerca de lutas e desencontros domésticos que este pela morte interrompera na vida física e que agora retornavam vivamente a sua lembrança a título de incontornável convite as indesviáveis reparações as quais estão e estarão sujeitas todas as criaturas que transgridem as leis Divinas. Leiamos e reflitamos sobre o que está escrito na página 16 do capítulo 1: “Pedro fitou-me com a postura dolorida de um cão batido e respondeu: - Há momentos, André, nos quais será preciso biografar-nos, ainda que superficialmente, para vascolejar o pretérito e extrair dele a verdade, somente a verdade... Meditou, algo sufocado por instantes, e prosseguiu: - Não sou homem que me deixe governar por sentimentalismo, embora aprecie as emoções pelo justo valor. Além disso, a experiência, desde muito, me ensinou a raciocinar. Há quarenta anos, a esposa compeliu-me a absoluto desinteresse do coração. Deixei-a quando a mocidade das energias físicas lhe estuava no sangue, e Enedina, compreensivelmente, não pode sustentar-se à distância das exigências femininas. E prosseguiu esclarecendo que ela se associara a outro homem, num segundo casamento, entregando-lhe seus três filhos por enteados. Esse novo marido, entretanto, arredou-a completamente de sua convivência espiritual. Homem ambicioso, senhoreou os cabedais que ele ajuntara, logrando multiplicá-los imensamente, à força de astúcia em arrojadas empresas comerciais. E agiu com tanta leviandade que a esposa, dantes simples, se apaixonou pelas comodidades demasiadas, gastando o tempo terrestre em prodigalidade e tafulices, até que se rojou às derradeiras viciações nos desvarios do sexo. Observando o esposo em aventuras galantes, de modo permanente, na posição de cavalheiro rico e desocupado, quis desforrar-se, estabelecendo para si mesma desordenado culto ao prazer, mal sabendo que apenas se transviava, em lamentáveis desequilíbrios.
– E meus dois filhos, Jorge e Ernesto, ludibriados pelo fascínio do ouro com que o padrasto lhes comprava a subserviência, enlouqueceram no mesmo delírio do dinheiro fácil e se animalizaram a tal ponto que nem de leve guardaram qualquer traço de minha memória, não obstante serem atualmente negociantes abastados, em idade madura...
- A esposa, no entanto, ainda se encontra no mundo físico? - arrisquei, cortando a pausa longa, para que a explicação não esmorecesse.
– Minha pobre Enedina voltou, há dez anos, abandonando o corpo pela imposição da icterícia, que lhe apareceu por verdugo invisível, evocado pelas bebidas alcoólicas. Fitando-a, edemaciada, vencida, ensaiei alarmando todos os processos de socorro à minha disposição...”

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Sexualidade desastrosa * Evangelização nº 52/06 do LIE.

No livro “Sexo e Vida” de Emmanuel, na página 13, capítulo 2, lê-se o seguinte: “De todas as associações existentes na Terra, nenhuma é mais importante que a família, em sua função educativa e regeneradora. Em sua principal função portanto, sexo é vida e Espírito.” O enredo de “Sexo e Destino” do Espírito André Luiz começa com a história de Pedro Neves e sua esposa Enedina (cuja união gerou três filhos: Jorge, Ernesto e Beatriz) com o destino integrado de todos. Eis que no capítulo 2, vamos ver o caso de Beatriz, filha desse casal, que aos 47 anos, está à beira da morte, cuidada por uma parente de nome Marina. Em torno dessa última pairam no ar, como sendo “formas pensamento” figuras escuras e grotescas. Dois espíritos, no caso o pai de Beatriz e o próprio André Luiz, estão próximos ao leito da enferma. Leiamos o que André Luiz nos relata do quadro que via, como espírito, descrevendo o que acontecia naquele quarto:

“Trazido pelas circunstâncias a colaborar na solução de um processo assistêncial, sem qualquer intuito menos digno, passei a estudar-lhe o comportamento isolado. A medicina terrestre, no futuro, para atender com eficácia, ao doente, examinar- lhe-á, com minúcias, a feição espiritual de todas as peças humanas que lhe articulam a equipe. Respeitoso, iniciei os apontamentos de ampla anamnese psicológica. Marina apresentou, a princípio, a figura de um homem amadurecido, cunhada por sua própria imaginação, a repetir-se-lhe, muitas vezes, acima da fronte.
Ela e ele, juntos... Percebia-se-lhes, de pronto, a intimidade, adivinhava-se-lhes o romance... Fisicamente, semelhavam pai e filha; entretanto, pelas atitudes sentimentais, não conseguiam disfarçar a estonteante paixão um pelo outro. Nos painéis sutis que surgiam e se desfaziam, alternadamente, mostravam-se ambos extasiados, ébrios de prazer, fosse aboletados no automóvel de luxo ou encalçados na areia morna das praias, conchegados sob a proteção de arvoredo tranqüilo ou sorridentes em tumultuados abrigos de encantamento noturno... Deslumbrantes paisagens de Copacabana ao Leblon desfilavam por admirável fundo pictórico. A moça entrefechava as pálpebras para senhorear, com mais segurança, as reminiscências que lhe empolgavam os sentidos, para, logo após, mentalizar, surpreendentemente, outro homem, tão jovem quanto ela mesma, evidenciando-se-nos entregue às cenas de um filme interior, diferente... Formava novo tipo de palco para exibir a lembrança das próprias aventuras, no qual se destacava igualmente ao pé do rapaz, como se estivesse afeiçoada aos mesmos sítios, desfrutando companhias diversas... Ela e ele também juntos, no mesmo carro entrevisto ou na condição de pedestres felizes, saboreando refrescos ou repousando em animados entendimentos nos jardins públicos, sugerindo o encontro de crianças enamoradas, a entretecerem aspirações e sonhos...
Naqueles rápidos minutos de fixação espiritual, em que se exteriorizava tal qual era, Marina revelava a personalidade dúplice da mulher dividida entre o carinho de dois homens, jugulada por pensamentos de medo e inquietude, ansiedade e arrependimento. Neves, que de algum modo me partilhava a inspeção, quebrou a calma reinante, enunciando, abatido: - Está vendo? Julga que é fácil para mim, pai doente, suportar aqui semelhante criatura? Tratei de consolá-lo e, por solicitação dele próprio, passamos a pequeno salão de leitura, contíguo ao aposento da enferma, a afim de que pudéssemos refletir e conversar.”

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A traição de Nemésio junto ao leito da esposa enferma * Evangelização nº 53/06 do LIE.

O pequeno trecho que a seguir transcrevemos mostra sem rodeios a sordidez dos sentimentos ilusórios sempre que a sombra do mal envolve a razão e o coração. O médico havia dito a Nemésio que sua esposa Beatriz, enferma de câncer, que ela não sobreviveria mais que alguns dias. Particularmente, ele se alegrara com essa notícia pois, se tal não acontecesse ele teria que divorciar-se dela para casar com Marina, que ali fez o papel de enfermeira de Beatriz. Estavam presentes no quarto da enferma os desencarnados Pedro Neves e o Espírito André Luiz. Os dois assistiram constrangidos o atendimento cordial que Nemésio e Marina dispensavam à Beatriz. Nemésio entendia que necessariamente, a alma não sobrevivia à morte do corpo, até porque se isso ocorre-se Beatriz viria pedir contas da traição de ambos em hora tão amarga para ela. Este livro evidencia adequadamente a importância da sexualidade sem freios morais na moldagem do destino na vida das criaturas humanas. Ou seja, veremos como irá se desenrolar o destino dos dois encarnados, apesar do intenso sofrimento do pai Pedro Neves, diante do quadro que presenciava, consolado fraternalmente pelo Espírito André Luiz. Leiamos atentamente o trecho acima citado:
"- Sim, meu amigo, atravessada a grande barreira, os meus problemas, a princípio, foram enormes... Entretanto, não foi possível desabafar-me. Cavalheiro maduro e simpático penetrou o recinto, compreensivelmente sem perceber-nos. Neves, contrafeito, indicou-o, explicando-me:
- É Nemésio, meu genro... O recém-chegado mirou-se, atenciosamente, em espelho próximo, repassou lenço alvo sobre a testa suarenta e, quando reajustava a gravata bem-posta, escutou prolongado suspiro. Lançou-se, incontinente, para a câmara contígua e seguimo-lo. Marina veio recebê-lo com amável sorriso, conduzindo-o à cabeceira da senhora, que passou a fitá-lo entre confortada e abatida. Dona Beatriz estendeu a mão descarnada que o marido beijou. Trocando com ela enternecido olhar, acomodou-se Nemésio rente aos travesseiros, a endereçar-lhe perguntas carinhosas, ao mesmo tempo que lhe alisava a descuidada cabeleira. A doente pronunciou algumas palavras breves, diligenciando agradá-lo, e ajuntou:
- Nemésio, você me perdoará se volto ao caso de Olímpia... A pobre criatura perdeu a casa quase que totalmente... É necessário que você lhe garanta abrigo seguro... Penso nela com os filhos ao desamparo. Tire-me dessa aflição... O interpelado mostrou profunda emotividade e respondeu, cortês: - Beatriz, não há dúvida alguma. Já enviei um amigo, construtor experiente, ao local. Não se preocupe, tudo faremos sem qualquer sacrifício. Questão de tempo...
- Receio partir de uma hora para outra...
- Partir para onde? Nemésio acariciou-lhe a fronte descolorida, sacou um sorriso amargo e prosseguiu: - Enquanto você estiver em tratamento, nossas viagens estão sustadas. Não é hora de São Lourenço...
- Minha estação curativa será outra.
- Não me fale em pessimismo... Ora, ora... Onde a primavera de nossa casa? Você anda esquecida de que nos ensinou a colocar alegria em tudo?! Largue os ares sombrios... Ainda ontem, ouvi nosso médico. Você entrará em convalescença, já, já... Amanhã, tomarei providências definitivas para que o barraco seja levantado. Você estará restabelecida em breve e ambos iremos ao primeiro café em casa de nossa Olímpia... Dona Beatriz, ante o carinho dele, pareceu reanimar-se."

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O que todo drogado ou alcóolatra deve ler * Evangelização nº 54/06 do LIE.

O trecho que vamos ler descreve o que dois espíritos-vampiros fizeram com o senhor Cláudio, um pai de família muito apreciador de uísque. Ele era o chefe da família, pai de Marina, a que se amasiara com Nemésio, que estava moribunda em sua casa. O Orientador Félix e os espíritos Pedro Neves, André Luiz e mais dois espíritos viciados em álcool, estes que freqüentam barzinhos e festividades sociais, compõem os seis personagens desse episódio real. Para entender e poder ajudar no caso de Marina, os espíritos Félix, André Luiz e Pedro Neves foram à residência de Cláudio, onde com ele na varanda já estavam os dois espíritos apreciadores de drogas, acima citados. Em certo momento, Claudio vê despertado em si o desejo de beber, veja e avalie o que aconteceu, conscientizando-se de que a subjugação dos vivos às taras dos desencarnados ocorre com todos que se drogam ou se sentem “altos”. Leiamos essa extraordinária descrição de André Luiz:
“A talagada rolou através da garganta, que se exprimia por dualidade singular. Ambos os dispsômanos estalaram a língua de prazer, em ação simultânea. Desmanchou-se a parelha e Cláudio, desembaraçado, se dispunha a sentar, quando o outro colega, que se mantinha a distância, investiu sobre ele e protestou: - Eu também, eu também quero! Reavivou-se –lhe no ânimo a sugestão que esmorecia. Absolutamente passivo diante da incitação que o assaltava, reconstituiu, mecanicamente, a impressão de insaciedade. Bastou isso e o vampiro, sorridente, apossou-se dele, repetindo-se o fenômeno da conjugação completa. Encarnado e desencarnado a se justaporem. Duas peças conscientes, reunidas em sistema irrepreensível de compensação mútua. Abeirei-me de Cláudio para avaliar, com imparcialidade, até onde sofreria ele, mentalmente, aquele processo de fusão. Para logo convenci-me que continuava livre, no íntimo. Não experimentava qualquer espécie de tortura, a fim de render-se. Hospedava o outro, simplesmente, aceitava-lhe a direção, entregava-se por deliberação própria. Nenhuma simbiose em que se destacasse por vítima. Associação implícita, mistura natural. Efetuava-se a ocorrência na base da percussão. Apelo e resposta. Cordas afinadas no mesmo tom. O desencarnado alvitrava, o encarnado aplaudia. Num deles, o pedido; no outro, a concessão. Condescendendo em ilaquear os próprios sentidos, Cláudio acreditou-se insatisfeito e retrocedeu, sorvendo mais um gole. Não me furtei à conta curiosa. Dois goles para três. Novamente desimpedido, o dono da casa estirou-se no divã e retomou o jornal. Os amigos desencarnados tornaram ao corredor de acesso, chasqueando, sarcásticos, e Neves, respeitoso, consultou sobre responsabilidade. Como situar o problema? Se víramos Cláudio aparentemente reduzido à condição de um fantoche, como proceder na aplicação da justiça? Se ao invés de bebedice, estivéssemos diante de um caso criminal? Se a garrafa de uísque fosse arma determinada, para insultar a vida de alguém, como decidir? A culpa seria de Cláudio que se submetia ou dos obsessores que o comandavam? O irmão Félix aclarou, tranqüilo: - Ora, Neves, você precisa compreender que nos acharmos à frente de pessoas bastante livres para decidir e suficientemente lúcidas para raciocinar. No corpo físico ou agindo fora do corpo físico, o Espírito é senhor da constituição de seus atributos. Responsabilidade não é título variável. Tanto vale numa esfera, quanto em outras. Cláudio e os companheiros, na cena que acompanhamos, são três consciências na mesma faixa de escolha e manifestações conseqüentes. Todos somos livres para sugerir ou assimilar isso ou aquilo. Se você fosse instado a compartilhar um roubo, decerto recusaria. E, na hipótese de abraçar a calamidade, em são juízo, não conseguiria desculpar-se. Interrompeu-se o mentor, volvendo a refletir após momento rápido: -Hipnose é tema complexo, reclamando exames e reexames de todos os ingredientes morais que lhe digam respeito. Alienação da vontade tem limites. Chamamentos campeiam em todos os caminhos. Experiências são lições e todos somos aprendizes. Aproveitar a convivência de um mestre ou seguir um malfeitor é deliberação nossa, cujos resultados colheremos. Verificando que o orientador se dava pressa em ultimar os esclarecimentos sem mostrar o mínimo propósito de afastar as entidades vadias que pesavam no ambiente, Neves voltou à carga, no intuito louvável do aluno que aspira a complementar a lição. Pediu vênia para repisar o assunto na hora. Recordou que, sob o teto do genro, o irmão Félix se esmerava na defesa contra aquela casta de gente. Amaro, o enfermeiro prestimoso, fora situado junto de Beatriz principalmente para correr com intrometidos desencarnados. O aposento da filha tornara-se, por isso, um refúgio. Ali, no entanto... E perguntava pelo motivo da direção diversa. Félix expressou no olhar a surpresa do professor que não espera apontamento assim argucioso por parte do discípulo e explicou que a situação era diferente. A esposa de Nemésio mantinha o hábito da oração. Imunizava-se espiritualmente por si. Repelia, sem esforço, quaisquer formas-pensamentos de sentido aviltante que lhe fossem arremessadas. Além disso, estava enferma, em vésperas da desencarnação. Deixá-la à mercê de criaturas insanas seria crueldade. Garantias concedidas a ela erguiam-se justas."

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Sexo e reencontro * Evangelização nº 55/06 do LIE.

O Espiritismo francamente nos revela a origem histórica dos reencontros terrestres na roda das reencarnações. Quase todos os livros de André Luiz mostram a rede dos grupos reencarnantes, todos com antecedentes de comprometimento uns com os outros, como em certos romances e novelas da televisão. Por exemplo: Pedro e Janaína tiveram um caso amoroso entre si, sendo que ambos eram netos de mulheres diferentes que entrelaçaram-se clandestinamente pelo caminhos prazerosos do amor. Vidas que se cruzam ao longo da vida e que voltam a se entrecruzar nas reencarnações seguintes. Parecido com esse drama foram os casos de Beatriz, Nemésio, Marina, Gilberto e Marita. Destinos familiares trazendo débitos e créditos entre si, desatentos às leis de causa e efeito. Pedro Neves e o desencarnado pai de Beatriz (que está moribunda), junto com André Luiz, querem ajudar espiritualmente tanto a Beatriz quanto aos da família Neves. Vamos reentrar nessa trama de lutas e paixões, lendo o seguinte trecho do livro que estamos pesquisando e nele lemos o seguinte:
“ – Ainda não nos entendemos devidamente. Sabe você quem é este? É meu neto, Gilberto, filho de Beatriz...
Articulei breve aceno, rogando-lhe aguardar ensejo que fosse vantajoso à conversação, e graduei, dentro de mim, os efeitos do impacto emocional. Eu, que me abeirara daquela atormentada criança, imaginando-me na posição de um pai socorrendo uma filha, sopitei, a custo, o espanto que me assaltava para não tresmalhar-me na incoveniência da compaixão destrutiva. Não sabia de que modo o pesar me doía mais, se ao refletir em Marina, a dividir-se entre pai e filho, ou se ao concentrar a atenção naquela moça triste, profundamente lesada nos tesouros do sentimento . Estanquei no íntimo as impressões que me sensibilizavam e prossegui, pesquisa adiante. A muda confissão da jovem avançou em reminiscências vivas e francas.
Conhecera Gilberto, precisamente há seis meses, no gabinete do chefe. Ela prestava informações de serviço, ele representava os interesses do próprio pai, em negócios alusivos à venda de imóveis. Com que deslumbramento lhe recebera os primeiros olhares afetuosos e indagadores! Elos de intensa afinidade passaram, desde então a jungi-los um ao outro, sem que lhe fosse possível justificar a sede crescente de comunhão que a dominava. Para surpresa maior, na excursão inicial que lhes precedera a série de passeios e entretenimentos felizes, soubera, satisfeita, que Marina, recentemente empregada, se fizera contadora da firma em que o genitor dele se destacava como sendo a figura mais importante. Riram-se da coincidência com a ingenuidade de duas crianças. Marita confiara-se a ele, integralmente. Amava-o, sentia-se amada. Desde que se lhe apoiara ao braço, pronto a enlaçá-la e protegê-la, mais vastos horizontes se lhe descerraram à alma. Tolerava as alfinetadas do cotidiano, transformando-as em notas de perdão e alegria. A Natureza desvendava-lhe encantos novos. Admitia que outra luz se lhe acendera nos olhos, permitindo-lhe descobrir a beleza do mar; detinha, sem explicá-la, certa música nos ouvidos para assinalar, contente e embevecida, as ternas arengas das crianças e as vozes dos passarinhos. Desligara-se do calvário doméstico; o tempo voava, doce, ao coração. O amor correspondido anestesiara-lhe a sensibilidade. Nenhum peso a carregar, nenhuma noção de sacrifício.
Dera-se a Gilberto, copiando a passividade da planta que se rende ao cultivador, da fonte que se entrega ao sedento. O filho de Nemésio Torres prometera-lhe casamento. Falava do futuro risonho, suscitava-lhe sonhos de maternidade e ventura. Para fazê-la integralmente feliz, apenas aguardava a melhoria econômica que adivinhava perto. Apesar de tudo, tinha agora o coração farpeado, abatido. Convencia-se de que Gilberto se enfastiara, que ambos, precipitados à fome de prazer, haviam colhido, antes do tempo, a flor da felicidade que parecia frustra. Marina adiantara-se. Sempre Marina. .. Na véspera, surpreendera a irmã e Gilberto num colóquio, que não deixava dúvidas. Ouvira-lhes a conversação impregnada de ternura ardente, sem ser pressentida. Nesse ponto das lembranças amargas, ao modo de ave repentinamente ferida, estirou o corpo desgovernado, abandonando-se a lágrimas convulsas.”

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Cenário de sexo endoidecido * Evangelização nº 56/06 do LIE.

O trecho que vamos transcrever, retirado da obra acima designada, mostra-nos com dura clareza, a situação emocional e espiritual de um pai envelhecido buscando seduzir a própria filha que criara. Efetivamente ele, Cláudio e sua esposa Márcia adotaram a filha da empregada que tinham e que se suicidara. A criança Marita cresceu e tinha vinte anos quando três acontecimentos abalaram sua vida. No primeiro, pouco antes Márcia revela que ela era filha adotiva, o que lhe causou grande choque. No segundo amava o jovem Gilberto, um parente que lhe abandonou após desfrutá-la. No terceiro e mais grave, o pai adotivo Cláudio, após beber whisky, tentou seduzi-la à força e ela, conquanto temerosa, reagiu. Participou do episódio o espírito - obsessor de nome Nogueira e os lances descritos são, pelo mínimo, terríveis: Enquanto Cláudio avança sobre sua filha e vítima, o espírito obsessor estimula-o, mostrando que ele tinha que aproveitar a vida, até por que o namorado a desposará e ela ficara muito carente. Leiamos uma pequena parte desse 8º capítulo para entendermos melhor o instinto animalizado de uma sexualidade sem freio e sem moral:
“Batia-lhe o coração desritmado, ao senti-lo ensaiando meios de enlaçar-se a ela, ávido de carinho.
– Não negue, filha – entaramelou-se o pai, um tanto trêmulo, não desejo contraria-la, mas venho analisando, analisando...Você não nasceu para esse meninão caprichoso. Compreendo você... Não sou apenas seu pai pelo coração, sou também seu amigo... Esse rapaz...
Marita cobrou ânimo e, antecipando-se-lhe às ilações reticenciosas, explicou ingenuamente que amava Gilberto, que lhe hipotecava confiança, que o pai estivesse tranqüilo, e acentuou, sorrindo quase, que as lágrimas daqueles minutos não se reportavam a qualquer desgosto e sim a indisposição orgânica indefinível. Deduziu, de relance, que seria justo desvelar-lhe mais ampla zona da alma, anulando mal entendidos no nascedouro, e, intencionalmente, prosseguiu confidenciado, a expor-lhe, com lealdade, a expectativa com que aguardava o anel esponsalício, determinada a medir as reações de Cláudio, a fim de orientar, sem tergiversações, a própria conduta. Atrapalhava-se, todavia, ao consignar-lhe a dignação pintada no rosto. Na meia luz do quarto, podia ver-lhe a face congesta, nos esgares da ira. Compreendeu que a borrasca naquele espírito voluntarioso se mostrava prestes a estalar; no entanto, continuou apresentando razões para colher reações. E a explosão do interlocutor não se fez demorar. Cerrando os punhos, Cláudio cortou-lhe a conversa, exclamando, irritado:
– Percebo, percebo, mas não precisa maçar-me... Estimo, porém, que você me conheça melhor o devotamento.
Avançando na intimidade, qual se aspirasse a enreda-la no próprio hálito, continuou – agindo por si e pelo “outro” - na queixa primorosamente lavrada:
– Filha, é necessário que você me ouça, que me entenda...
E, assaltando-lhe a emotividade para esbater-lhe a resistência:
– Você não desconhece o que sofro. Imagine a tragédia de um homem que morre, pouco a pouco, desolado, sozinho... de um homem que dá tudo, sem nada receber... Você cresceu, vendo isso.. Infelicidade, solidão. É impossível que não se condoa. Esta casa é meu deserto. Chego esfalfado, diariamente, sem achar mão amiga. Márcia, embora quarentona, vive de jogatinas e festas... Você está moça, inexperiente, mas os próprios amigos me lastimam o drama... Estará você em condições de avaliar os conflitos de um pobre diabo algemado a companheira de vida irregular? Ela, porém, não me fere com isso. No começo, o corte sangrava, mas coração calejado não sente. Abituei-me a detesta-la. Dar-lhe o dinheiro que exige, para que suma depressa, é hoje o que me consola... Por outro lado, Marina, cujo afeto poderia proporcionar-me algum reconforto, faz empenho de humilhar-me com a própria devassidão! Sou um homem falido. Dias surgem, nos quais me reconheço o palhaço mais desditoso da Terra...”

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Sexo e crime* Evangelização nº 57/06 do LIE.

O trecho do capítulo 7 que vamos transcrever mostra-nos a que níveis lancinantes de aberração um ser humano considerado “normal” pela sociedade dos homens pode chegar. É um crime hediondo mas não tão raro quanto se imagina, tendo em vista o que freqüentemente se lê em jornais, o que se sabe e o que se vê pela tevê. Um pai mancha a dignidade da própria filha, querendo estuprá-la e contribuindo decisivamente para que esta termine se suicidando. E o remorso que sente no leito de morte, horas antes de desencarnar. A certa altura o leitor se há de perguntar que mundo é este em que vivemos, a quanto anda o nosso atraso espiritual? E nós humanos, não estamos ainda estagiando em nível de primitivismo face aos deveres de conduta que devemos adotar para afinal encontrarmos o caminho da Luz que já deveríamos estar seguindo? O que vamos ler agora é um brado de alerta para que despertemos do nosso egoísmo malvado e então seguirmos Jesus que é o médico de nossas almas. Leiamos: “- Apesar de tudo filha querida, não fique triste com minha súplica!... Sou um réu, mas tenho esperança! Veja a revelação de Jesus que eu achei!... Em seguida, com as mãos trementes, num gesto de piedosa confiança, colocou-lhe o livro na destra inerme. A filha desperta registrou o volume sobre os dedos inteiriçados e respondeu com o pranto mais copioso. Nogueira, encorajado por aquela manifestação de inteligência, levantou a voz rogou-lhe escutasse o que tinha a dizer...
Declarando saber-se diante de amigos espirituais, que lhe testemunhariam a sinceridade, e certo de que empenhava a própria alma nas afirmações que se dispunha a formular, abriu-se à filha. Confessou ali, diante dela, todas as falhas de que se acusava; relatou-lhe o drama de Aracélia; asseverou que sinceramente ignorava fosse ela filha dele, o que apenas viera a saber por informações de Márcia, porquanto, leviano e inconseqüente qual fora, na mocidade, admitia, erroneamente, que Aracélia desempenhava o papel de companheira para vários homens; participou-lhe que a esposa o chamara à realidade, na noite horrível em casa de Crescina; descreveu como se abatera, atormentado pelo arrependimento, desde que a vira prostrada, implorava-lhe perdão por have-lâ induzido ao suicídio... Comunicou-lhe haver lido e aprendido muito sobre reencarnação, desde o primeiro dia de hospital, e asseverou-se persuadido de que ambos se achavam ligados, através de múltiplas existências; disse que a paixão alimentada por ele teria sido fruto da invigilância e da crueldade que ainda trazia no coração... Acrescentava, porém, ali, antes os padecimentos dela que lhe constituíam sentença de dor inapelável, que prometia regenerar-se, por mais áspero o reajuste... Finda a longa exposição, que Marita assinalou, compungidamente, frase por frase, Nogueira retirou o livro da mão pequenina e desencarnada, rematando em choro convulsivo:
- Tenho orado e tenho recebido a misericórdia de Deus para mim, malfeitor... Mas se a Bondade Infinita me pode favorecer ainda com nova esmola, abençoe-me, filha querida, dê-me um sinal de benevolência, antes de partir... Se você está ouvindo o réu que sou, acompanhe-me neste desejo... Ore também!... Rogue a Deus forças... Mova um dedo, um dedo só para que eu saiba que você perdoou a seu pai!... Não me deixe na incerteza, agora que vou recomeçar o destino, entregue às conseqüências de minhas próprias falhas!...
Registrando os soluços paternos, que lhe revolviam a alma, a jovem associou-se-lhe aos votos. Desejou ansiosamente, veemente, satisfazer-lhe o pedido... Perdão!... Perdão!... A palavra ressoava-lhe no espírito, à maneira de cântico que descesse do céu, ecoando nas paredes em torno!... Perdão!.. Aquelas seis letras, enfileiradas em forma de sons, pareceram-lhe música da eternidade, que estivesse sendo executada no firmamento, em trompas de estrelas, cujos brandos acentos lhe aliviavam o coração!...”

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Conflitos sem razão * Evangelização nº 58/06 do LIE.

Cláudio, Nemésio, Gilberto, Marita formam um ambiente humano conflitado, esperanças, egoísmo, quedas e soerguimentos imprevistos. Com poucas alegrias, muitas lágrimas e sofrimentos ao longo da espinhosa caminhada humana. Cada um com sua cruz, seus sonhos e visão do Infinito. Amam, lutam, desafiam, escarnecem, iludem-se, soerguem-se caem ao fundo dos abismos que cavam. Acompanhe o leitor com maior atenção os destinos de Marita, Beatriz, Marina, Gilberto e Cláudio Personagens sofridos carregando por livre vontade cruzes muito severas. O que vamos transcrever revela um grande conflito começando com Nemésio e Cláudio. Leiamos este dramático trecho de André Luiz:
“O visitante começou dizendo que lhe exigia contas do filho, acentuando que não lhe permitiria influenciá-lo. Cláudio mobilizou todas as reservas de humildade e rogou licença para informar que o moço tão-somente o tratava por amigo, sem, no entanto, abdicar do livre-arbítrio; que não se vai autorizado a responder por ele; que...
O genro de Neves, todavia, interceptou-lhe a palavra e rugiu: - Cale-se, besta!... João ninguém! Paspalhão! Tome lá, seu espírita de meia tigela!...
O punho do negociante batia no rosto de Cláudio, arremessando-lhe pescoções violentos, enquanto a vítima procurava defender-se, debalde, escondendo a cabeça entre as mãos. A agressão fora rápida. Antes que os circunstantes se refizessem do choque, jazia no pavimento e somente a cooperação de intercessores anônimos impediu que o esmurrador asselvajado lhe pisasse o corpo em decúbito. Contido à força, berrava insultos, assessorado por Espíritos Infelizes. O injuriado ergueu-se disposto a revidar. Irado, contundido. Referviam-lhe no peito as dores acumuladas. Tomaria desforra. O comerciante audacioso conhecer-lhe-ia o desagravo. Massacrá-lo-ia naquele mesmo instante como se achata um verme. Num átimo, contudo, ao levantar a destra para medir punhos com o adversário, sentiu o reflexo de Marita. Aquela mão pequena e fria que se elevara da morte, a fim de abençoá-lo, estava na dele. A menina atropelada surgia-lhe na memória. Prometera-lhe renovar-se, ser outro homem... Impossível quebrar o compromisso. Recordou-a padecente, o corpo recoberto de escaras dolorosas. Não tinha sido ele o culpado? Não fora a Divina providência suficientemente compassiva, deixando que a falta de que se acusava passasse desapercebida, à frente dos homens? Não recebera, acaso, o perdão da filha que amava? Que diria ela, do Além se também não perdoa-se ao carrasco que lhe seduzira a primogênita e lhe furtara a mulher? Abraçara princípios que lhe preceituavam clareza de raciocínio, a fim de que aprendesse a conjugar bondade e discernimento, justiça e caridade... Cabia-lhe ver, nos inimigos gratuitos, enfermos exigindo socorro e benevolência. De que modo condenar alguém naquilo em que se inculpava? Não trazia, porventura, o espírito endividado, em meio de falhas e tentações? Afroxou-se-lhe o braço antes reteso e, e escutando os sarcasmos de Nemésio que se retirava, truculento, constrangido por pessoas que clamavam em alta voz pela intervenção da rádio patrulha, o marido de dona Márcia, encostado à parede, sob os olhares de simpatia de todo o auditório, não se acanhava de libertar o pranto amargo e espesso a pingar-lhe do queixo escanhoado. O gerente assomou a cena, quando o autor das bofetadas ganhava o meio-fio, e indagou pela causa do tumulto. Um funcionário emocionado apontou para o colega ofendido, falou no espancamento e aduziu:
- Decerto, não reagiu porque ele hoje é religioso, é espírita... O chefe comoveu-se. Desejando desfazer o clima geral de indignação, inquiriu, à porta:
- Quem é esse brutamonte de jaula? A velhinha que esperava atendimento, de caderneta na mão, informou: - Conheço. É Nemésio Torres, proprietário de lotes e mais lotes...”

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Aguardada reencarnação * Evangelização nº 59/06 do LIE.

O tema principal do capítulo final, desse abençoado livro “Sexo e Destino” trata da aguardada reencarnação do Espírito de elevada sabedoria desde os altos sítios do Além, ele o orientador Félix que irá renascer no lar do casal Gilberto e Marina. São feitas diversas comemorações, reunindo milhares de espíritos agradecidos, que ali estão para se despedirem de Félix. Mostra-nos André Luiz, os diversos cuidados e, acima de tudo, o planejamento meticuloso que preside o destino dos que regressam à orbe terrestre, por via da reencarnação em novo lar. Tudo é medido e previsto. Bem, para entendermos melhor, vamos transcrever um trecho significativo e fascinante da engenharia Divina na vida humana. “ A transferência de autoridade foi simples, com a exposição e leitura respectiva de um termo referente à modificação. Cumprido o preceito, o Ministro da Regeneração abraçou, em nome do Governador, o irmão que partia e empossou Régis que ficava.
O novo diretor, com a voz de quem chorava por dentro, expressou-se, breve, suplicando ao Senhor abençoasse o companheiro de regresso à reencarnação, hipotecando-lhe, simultâneamente, votos de triunfo nas lides que esposava. Confundido e humilde, acabou convidando Félix não só a usar da palavra, como também a prosseguir exercendo o comando daquela Casa, por direito que ele, Régis, julgava imprescritível.
Intensamente comovido, o interpelado levan- tou-se e, qual se nada mais tivesse a ditar àquela instituição que lhe recolhera mais de meio século de trabalho, alçou a fala em prece:
- Senhor Jesus, que te poderia rogar, quando tudo me deste no carinho dos amigos que me cer- cam na luz do amor que não mereço ? Entretanto, Mestre, em nos colocando sob tua bênção, temos algo ainda a implorar-te, confiante! ...Agora que novas realizações me chamam na Terra, auxilia-me, por piedade, para que eu seja digno do devotamento e da confiança desta casa, onde, por mais de meio século, recebi a magnanimidade e a tolerância de todos! ...Diante da alternativa de tomar novo corpo, no plano físico, a fim de resgatar débitos contraídos e curar as velhas chagas interiores que carrego por doloroso rescaldo deminhas transgressões, induze, por misericórdia, os amigos que me escutam a me socorrerem com a benevolência de que sempre me cercaram, para que eu não resvale em novas quedas!.. .Senhor, abençoa-nos e sê glorificado para sempre! ...
Félix pronunciara as últimas palavras, sobrestando, dificilmente, a emotividade que o traía, mas, como se o fírmamento lhe respondesse, de imediato, à apelação, amigos das esferas superiores ali presentes, conquanto se nos mantivessem inacessíveis ao olhar, valendo-se das forças espirituais de todo o auditório, positivamente orientadas numa só direção, materializaram farta chuva de pétalas luminosas, que desciam do teto a se desfazerem, tão logo nos tocavam a fronte, em vagas de perfume inesquecível. A expectação prosseguia por instantes de jubiloso silêncio, quando um carro estacou, à porta do foro repleto, e, logo após, certa mulher penetrou o recinto, revestida de luz. Num átimo, todos os circunstantes se levan- taram, inclusive o Ministro da Regeneração, que a envolveu, para logo, num olhar de fundo respeito... Era a Irmã damiana, que integra em Nosso Lar o quadro de campeões da caridade, nas regiões das trevas, de quem conservava félix o retrato e a quem se ligava por entranhados laços de afeto... Vinha receber e aprontar para o novo renascimento aquele a quem amava por filho do coração!...”

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