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Visão
da vida real que vem após a morte*
Evangelização nº 133 do LIE.
Toda
palavra tem potência Espiritual
*
Evangelização
nº 134 do LIE.
O
que acontece com as pessoas que morrem enlouquecidas, após
a desencarnação
*
Evangelização
nº 135 do LIE.
Por
que tantos ainda não acreditam na reencarnação
*
Evangelização
nº 136 do LIE.
Troca
de experiências entre espíritos
* Evangelização
nº 137 do LIE.
O
que acontece após a morte com os que acreditam em céu
e inferno eterno
* Evangelização nº 138 do
LIE.
A
lógica reencarnacionista
* Evangelização nº 139 do
LIE.
A
conversão de um renegado
*
Evangelização
nº 140 do LIE.
A
descrição da entrada do inferno
*
Evangelização
nº 141 do LIE.
Amor
de Mãe após a morte
*
Evangelização
nº 142 do LIE.
O
amor de mãe é o maior do mundo
*
Evangelização
nº 143 do LIE.
O
poder de Deus mostrado no outro lado da vida
*
Evangelização
nº 144 do LIE.
O
socorro de Deus nos estágios do Umbral
*
Evangelização
nº 145 do LIE.
Palavras
finais a uma irmã que vai desencarnar
*
Evangelização
nº 146 do LIE.
Descrição
de 5 desencarnações conjuntas – Adelaide
subindo num carro de fogo de Elias – A morte de Dimas
*
Evangelização
nº 147 do LIE.
Equipes
que cuidam dos desencarnados logo após a morte
*
Evangelização
nº 148 do LIE.
A
descrição de uma morte
*
Evangelização
nº 149 do LIE.
Afinal,
hora de acordar
*
Evangelização
nº 150 do LIE.
Ocorrências
no Campo Santo
*
Evangelização
nº 151 do LIE.
Por
que há tantas pessoas desencarnadas não sabendo
ainda que já morreram?
*
Evangelização
nº 152 do LIE.
Por
que certos espíritos ficam ligados ao corpo em decomposição
após desencarnarem?
*
Evangelização
nº 153 do LIE.
Após
a morte um espírito iluminado sente frio ou sede?
*
Evangelização
nº 154 do LIE.
O
quanto é bom pertencer a uma família espiritualizada
*
Evangelização
nº 155 do LIE.
Quando
o doente não quer morrer
*
Evangelização
nº 156 do LIE.
Algoz
opinião de um padre e de um médico
*
Evangelização
nº 157 do LIE.
O
fácil despertar após o túmulo
*
Evangelização
nº 158 do LIE.
Visão
da vida real que vem após a morte.*
Evangelização
nº 133 do LIE
Já desde o início da obra, André Luiz nos
mostra com notável evidência que as antigas idéias
e crenças acerca do que aconteceria com as almas após
o tráfego sobre o túmulo eram não só
amplamente incompletas, amedrontadas e fantasiosas. As pirâmides
do Egito, desde 5000 anos atrás, são provas bem
evidentes dessa fantasia impotente das primeiras religiões
que surgiram na face terrestre. O Cristianismo veio para mudar
tão terrível e inverídica paisagem do pós-morte.
O Catolicismo romano ainda hoje tenta substituir os deuses egípcios
e gregos apresentando um único Deus que só promete
Céu para os seus chamados e inferno para os maus e ignorantes.
Mas Jesus deixa-nos dois avisos essenciais, a saber: “Há
muitas moradas na casa de Meu Pai” e “Virá
o espírito de Verdade e vós dirá todas
as coisas que por ora não devo contar-vos.” O Espírito
de Verdade veio em 1957 e através dele Allan Kardec formulou
a Doutrina Espírita. Coube, pois ao Espírito André
Luiz, com a obra iniciada com o livro “Nosso Lar”,
clarividenciar-nos como é a vida após a morte.
Leiamos aqui um pequeno trecho com o conteúdo consolador
da Doutrina Espírita.
“– Outrora, quando nos envolvíamos ainda
nos fluidos da carne terrestre, supúnhamos com desacerto
que a vaidade e o egoísmo somente poderiam vitimar os
homens encarnados. A Teologia, não obstante o ministério
respeitável que lhe está afeto, enclausurava-nos
a mente em fantasiosas concepções do reino da
verdade. Esperávamos um paraíso fácil de
ser conquistado pela deficiência humana e temíamos
um inferno difícil de regenerar-nos a essas ridículas
limitações. Hoje, porém, sabemos que, depois
do túmulo, há simplesmente continuação
da vida. Céu e inferno residem dentro de nós mesmos.
A virtude e o defeito, a manifestação sublime
e o impulso animal, o equilíbrio e a desarmonia, o esforço
de elevação e a probabilidade da queda perseveram
aqui, após o trânsito do sepulcro, compelindo-nos
à serenidade e prudência. Não nos encontramos
senão em outro campo de matéria variada, noutros
domínios vibratórios do próprio Planeta
em cuja Crosta tivemos experiências quase inumeráveis.
Como não equilibrar, portanto, o coração
no exercício efetivo da solidariedade? Logicamente não
exortamos ninguém a novos mergulhos no lodo antigo, não
desejamos que os companheiros previdentes regressem à
posição de filhos pródigos, distanciados
voluntariamente do Eterno Pai, nem pretendemos interromper a
marcha laboriosa dos servidores de boa vontade, a caminho dos
Cimos da Vida. Apelamos tão só no sentido de cooperardes
nos trabalhos de socorro às esferas escuras. Sois livres
e dispondes de tempo, no desemprego dos deveres nobilitantes
a que fostes chamados em nossa colônia espiritual. Nada
mais razoável que o proveito da oportunidade no planejamento
da ascese. Entretanto, na qualidade de velho cooperador das
tarefas de auxílio, ousamos rogar vosso interesse generalizado
pelos que erram “no vale da sombra e da morte”,
aguardando a esmola possível de vosso tempo, em favor
dos nossos semelhantes, defrontados agora por situações
menos felizes, não em virtude dos desígnios divinos,
mas em razão da imprevidência deles mesmos. Contudo
qual de nós não fomos invigilantes um dia? Fez
o orador uma pausa mais longa e continuou: - De nossos amigos
encarnados não podemos esperar, por enquanto, concurso
maior e mais eficiente nesse sentido. Presos nas grades sensoriais,
progridem lentamente na aprendizagem das leis que regem a matéria
e a energia. Quando convidados a visitar nossos círculos
de edificação, fora da instrumentalidade fisiológica,
regressam ao corpo assombrados pelas visões rápidas
que lhes foi possível arquivar e, em transmitindo suas
lembranças aos contemporâneos, operam a coloração
da água simples e pura da verdade com seus “pontos
de vista” e predileções pessoais no terreno
da Ciência, da Filosofia e da Religião.”
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Toda
palavra tem potência Espiritual.*
Evangelização
nº 134 do LIE
Perdemos muito tempo na vida entregando-nos a conversas vazias
e inoportunas. Mas André Luiz nos avisa que toda a conversação
prepara acontecimentos próximos ou futuros. Prestemos
mais atenção sobre o valor e a potência
Divina nas palavras que usamos no dia-a-dia e o resultado daquilo
que falamos com os outros. Jesus disse que a boca fala daquilo
de que está cheio o coração. E aí
constatamos também que cada um de nós passa a
vida inteira dialogando com as pessoas com as quais cruzamos
caminhos, os próximos e os mais próximos, sem
cesar. Daí porque devemos primeiramente estarmos sempre
melhorando e tornando claras as palavras do nosso linguajar.
Em poucos minutos podemos mostrar, através das nossas
palavras um tanto do que somos e o que buscamos. Também
constatamos quanto tempo perdemos jogando conversas fora com
temas de baixo nível, anedotas, fofocas sobre a vida
alheia e etc. Devemos sim utilizar nossos ouvidos e nossa língua
para aprendermos sempre mais, iluminado assim, o nosso pensamento
e o nosso Espírito. Estamos no mundo e na vida para evoluir
e não para estacionar ou cair em despenhadeiros. Leiamos,
pois um trecho desse capítulo 2, sobre o poder Divino
das palavras.
“- A conversação cria
o ambiente e coopera em definitivo para o êxito ou para
a negação. Além disso, como esta casa é
consagrada ao auxílio sublime dos nossos governantes
que habitam planos mais altos, não seria justo distrair
a atenção e, sim, consolidar bases espirituais,
com todas as energias ao nosso alcance, em que possam aqueles
governantes lançar os recursos que buscamos. Compreendendo
a extensão das tarefas por fazer e o respeito que devemos
àqueles que nos ajudam, somos de parecer que precisamos
sanar os velhos desequilíbrios das intromissões
verbais desnecessárias e, muitas vezes, perturbadoras
e dissolventes. Enquanto lhe ouvimos as ponderações,
encantados, imprimiu ligeiro intervalo às sentenças
esclarecedoras e continuou:
- Aliás, o profeta enunciou, há muitos séculos,
que <<a palavra dita a seu tempo é maçã
de ouro em cesto de prata>>. Se estamos, portanto, verdadeiramente
interessados na elevação, constitui-nos inalienável
dever o conhecimento exato do valor “tempo”, estimando-lhe
a preciosidade e definindo cada coisa e situação
em lugar próprio, para que o verbo, potência divina,
seja em nossas ações o colaborador do Pai.
Sorrimos, satisfeitos. – Nada mais razoável e construtivo
– opinou Semprônia, a destacada orientadora que
dirigiria pela primeira vez a expedição de socorro
aos órfãozinhos encarnados. O dirigente do Santuário,
reconhecendo, talvez, como nos sentimos necessitados de esclarecimento
quanto ao uso da palavra, prosseguiu: É lamentável
se dê tão escassa atenção, na Crosta
da Terra, ao poder do verbo, atualmente tão desmoralizado
entre os homens. Nas mais respeitáveis instituições
do mundo carnal, segundo informes fidedignos das autoridades
que nos regem, a metade do tempo é despendida inutilmente,
através de conversações ociosas e inoportunas.
Isso, referindo-nos somente às “mais responsáveis”.
Não se precatam nossos irmãos em Humanidade de
que o verbo está criando imagens vivas, que se desenvolvem
no terreno mental a que são projetadas, produzindo conseqüências
boas ou más, segundo a sua origem. Essas formas naturalmente
vivem e proliferam e, considerando-se a inferioridade dos desejos
e aspirações das criaturas humanas, semelhantes
criações não se destinam senão a
serviços destruidores, através de atritos formidáveis
se bem que invisíveis. Notava-se, claramente, o interesse
que suas definições despertavam nos ouvintes.
Em seguida a uma pausa mais longa, tornou, cuidadoso: - Toda
conversação prepara acontecimentos de conformidade
com a sua natureza. Dentro das leis vibratórias que nos
circundam por todos os lados, é uma força indireta
de estranho e vigoroso poder, induzindo sempre aos objetivos
velados de quem lhe assume a direção intencional.”
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O
que acontece com as pessoas que morrem enlouquecidas, após
a desencarnação.*
Evangelização
nº 135 do LIE
Aqui
André Luiz revela-nos um quadro terrível mostrando
uma das grandes colônias que recebem desencarnados em
estado de psicoses graves, esquizofrênicos ou loucos.
Em sua maioria, trata-se de espíritos que na última
encarnação já estavam desequilibrados e,
ao viverem sem normas e tratamento adequado lesaram gravemente
o próprio perispírito. De indivíduo a individuo
eles formam uma paisagem surrealista, sombria e muito dolorida.
Claramente lembra a descrição do inferno do poeta
italiano Dante Alighieri, que possivelmente, como espírito,
lá andou purgando diversas penas infernais, pois também
descreveu os estados psíquicos dos atraídos para
aqueles umbrais tenebrosos. Então vamos transcrever um
trecho do capítulo citado, em que o Assistente Barcelos
descreve as condições daqueles apenados pela própria
consciência na trilha do resgate. Leiamos:
“ – Esta, a definição
científica dos nossos amigos que, como nós outros
antigamente, só possuem o recurso de diagnosticar e analisar
nas minudências anatômicas. Arabescos de ouro sobre
a areia do Saara não tornariam o deserto menos árido.
Assim, a terminologia brilhante sobre o quadro escuro do sofrimento.
Precisamos divulgar no mundo o conceito moralizador da personalidade
congênita, em processo de melhoria gradativa, espalhando
enunciados novos que atravessem a zona de raciocínios
falíveis do homem e lhe penetrem o coração,
restaurando-lhe a esperança no eterno futuro e revigorando-lhe
o ser em suas bases essenciais. As noções reencarnacionistas
renovarão a paisagem da Vida na Crosta Terrestre, conferindo
à criatura não somente as armas com que deve guerrear
os estados inferiores de si própria, mas também
lhe fornecendo o remédio eficiente e salutar. Faz muitos
séculos, afirmou Plotino que toda a antiguidade aceitava
como certa a doutrina de que, se a alma comete faltas, é
compelida a expiá-las, padecendo em regiões tenebrosas,
regressando, em seguida, a outros corpos, a fim de reiniciar
suas provas. Falta, desse modo, lamentavelmente, aos nossos
companheiros de Humanidade o conhecimento da transitoriedade
do corpo físico e o da eternidade da vida, do débito
contraído e do resgate necessário, em experiências
e recapitulações diversas.
Barcelos calara-se, por um instante, enquanto eu lhe ponderava
a extensão da competência. Com justificada razão
possuía ele o título de Assistente, porque não
era um simples irmão auxiliador, mas profundo especialista
no assunto a que se dedicara, fervoroso. A conversação
dele valia por um curso rápido de Psiquiatria sob novo
aspecto, que me cabia aproveitar, em benefício próprio,
para as tarefas marginais do serviço comum.
Desejando traduzir minha admiração e contentamento,
observei reconhecido:
- Ouvindo-lhe as considerações, reconheço
que o missionário do bem, onde se encontre, é
sempre um semeado de luz. Ele porém pareceu não
ouvir minha referência elogiosa e prosseguiu noutro tom,
após longa pausa:
- O meu amigo examinou alguns casos de obsessão entre
agentes invisíveis pacientes encarnados, impressionando-se
com a imantação mental entre eles. Pisamos no
momento outro solo. Referimo-nos às necessidades de esclarecimento
dos homens, perante os seus próprios companheiros de
plano evolutivo.”
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Por
que tantos ainda não acreditam na reencarnação.
* Evangelização
nº 136 do LIE
A
Humanidade está numa fase de transição
de valores e filosofia de vida. Não só o clima
da Terra, mas todo o Planeta está passando por terremotos
e alterações. As dores e provações
coletivas se multiplicam abertamente, como é mostrado
pelos meios de comunicação. Apesar desses claros
sinais de alerta grande parte dos líderes religiosos
incrementam a guerra contra crenças diferentes das suas.
Sob ilusórias e pérfidas promessas de alcançar
paraísos fantasiosos, os fiéis são levados
a praticar crimes e genocídios cruéis.Tudo porque
as legítimas Leis Divinas anunciadas nos Dez Mandamentos
e nos Evangelhos de Jesus não são lucidamente
seguidas. Só quando chegar o tempo em que pelo menos
a Lei da Reencarnação for aceita e seguida pelos
povos da Terra, então teremos chegado ao estágio
regenerativo, que sobreviverá ao atual tempo de provas
e expiações para conscientizar pela dor. Parece
incrível mas é só verdade o que afirmamos:
“a reencarnação das almas, sustentada pela
lei de causa e efeito e pela Misericórdia do Pai Criador,
dando novas chances aos filhos que erram, mudará todo
o cenário da crosta terrestre”. Leiamos um trecho
abaixo contido no final do capítulo II.
“As nações reencarnacionistas
renovarão a paisagem da vida na Crosta da Terra, conferindo
a criatura não somente as armas com que deve guerrear
os estados inferiores de si própria, mas também
lhe fornecendo o remédio eficiente e salutar. Faz muitos
séculos, afirmou Plotino que toda antiguidade aceitava
como certa a doutrina de que, se a alma comete falhas, é
compelida a expiá-las, padecendo em regiões tenebrosas,
regressando, em seguida a outros corpos, a fim de reiniciar
suas provas. Falta, desse modo, lamentavelmente, aos nossos
companheiros de Humanidade o conhecimento da transitoriedade
do corpo físico e o da eternidade da vida, do débito
contraído e do resgate necessário em experiências
e recapitulações diversas. Barcelos calara-se,
por instantes, enquanto eu lhe ponderava a extensão da
competência. Com justificada razão possuía
ele o título de Assistente, porque não era um
simples irmão auxiliador, mas profundo especialista no
assunto a que se dedicara, fervorosos. A conversação
dele valia por um curso rápido de Psiquiatria sob novo
aspecto, que me cabia aproveitar, em benefício próprio,
para as tarefas marginais do serviço comum.
Desejando traduzir minha admiração e contentamento,
observei, reconhecido:
- Ouvindo-lhes as considerações, reconheço
que o missionário do bem, onde se encontre, é
sempre um semeador de luz.
Ele, porém, pareceu não ouvir minha referência
elogiosa e prosseguiu noutro tom, após longa pausa:
- O meu amigo examinou alguns casos de obsessão entre
agentes invisíveis e pacientes encarnados, impressionando-se
com a imantação mental entre eles. Pisamos no
momento outro solo. Referimo-nos às necessidades de esclarecimento
dos homens, perante os seus próprios companheiros de
plano evolutivo. No círculo das recordações
imprecisas, a se traduzirem por simpatia e antipatia, vemos
a paisagem das obsessões transferida ao campo carnal,
onde, em obediência às lembranças vagas
e inatas, os homens e as mulheres, jungidos uns aos outros pelos
laços de consangüinidade ou dos compromissos morais,
se transformam em perseguidores e verdugos inconscientes entre
si. Os antagonismos domésticos, os temperamentos aparentemente
irreconciliáveis entre pais e filhos, esposos e esposas,
parentes e irmãos, resultam dos choques sucessivos da
subconsciência, conduzida a recapitulações
retificadoras do pretérito distante”.
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Troca
de experiências entre Espíritos *
Evangelização
nº 137 do LIE
Os
livros de André Luiz comprovam que, para adiante do sepulcro,
há uma busca constante de novos conhecimentos ou estacionamento
na dor e nos instintos primitivos do ser humano, tais como o
egoísmo, a arrogância, a cobiça desmedida
e a vaidade. Enquanto não encontra Deus o homem estará
sempre trilhando veredas de raciocínio conflitado. Nada
mais equivocado quanto à vida espiritual do que as lápides
dos jazigos onde os entes queridos desejam piedosamente ao desencarnado
um “descanso eterno”. As leis que presidem a nossa
evolução espiritual são no sentido de que
devemos trabalhar e nos esforçarmos para progredir, quer
na vida terrena quer nos planos mais elevados. É por
isso que Jesus nos informou: “Há muitas moradas
na casa de meu pai.” A obediência harmônica
às leis Divinas é que nos asseguram as melhores
vivências nos dois planos da vida, ambos mantidos pelo
nosso Pai poderoso e justo, que nunca abandona seus filhos.
Vejamos um trecho desse capítulo 4 onde lemos o seguinte:
“Quando dispomos de clarividentes
nos serviços de socorro ao abismo, em circunstâncias
favoráveis, conseguimos resultados de preciosa eficiência.
Os servidores dessa natureza, porém, são poucos,
em vista da multiplicidade das tarefas e raros se dispõem
a servir nas paisagens escuras da angústia infernal.
Luciana, chamada nominalmente à palestra, esclareceu
que teria satisfação em cooperar e contou-nos
que buscara desenvolver as faculdades de que era portadora,
a fim de socorrer, noutro tempo, o Espírito de seu pai,
desencarnado numa guerra civil. Tivera ele preponderância
no movimento de insurreição pública e permanecia
nas esferas inferiores, alucinados pelas paixões políticas.
Depois de paciente auxílio, reajustar emoções,
obtendo possibilidades de reencarnar em grande cidade brasileira,
para onde ela mesma, Luciana, seguiria também logo pudesse
o genitor do pretérito organizar no lar, restabelecendo-se
a aliança de carinho e de amor, segundo o projeto por
ambos estabelecido. Zenóbia ouvia com atenção.
Percebemos talvez que a palestra tendia para o campo do personalismo
direto, em minutos para os quais provavelmente a diretora da
casa teria outros compromissos, Jerônimo interferiu na
conversação e dirigiu-se a ela, atencioso: - Estamos
satisfeitos, Irmã, pela perspectiva de algum concurso
amigo, ao seu lado. Compreendemos a grandeza de sua missão
nobilitante e, se vamos depender tanto de seu generoso amparo,
nesta casa, constitui-nos obrigação cooperar com
a Irmã nos trabalhos em que nossa humilde colaboração
possa ser útil. Seguiremos, amanhã, para a zona
carnal. Entretanto, logo que nos seja possível trazer
para sua companhia o primeiro irmão libertado, André
e eu permaneceremos em trânsito entre a Crosta e este
abençoado asilo, enquanto Hipólito e Luciana se
demorarão aqui, velando pelos convalescentes e colaborando,
junto da Irmã, nas tarefas imediatas.
- Alegra-me sobremaneira a expectativa! – falou a diretora,
evidentemente satisfeita. Nesse instante, invisível campainha
ressoou, estridente, com estranha entonação. Não
decorreram cinco segundos e alguém entrou na sala, rumorosamente.
Era determinado servo da vigilância, que anunciou: - Irmã
Zenóbia, aproximam-se entidades cruéis. A agulha
de aviso indicou a direção norte. Devem estar
a três quilômetros, aproximadamente. A orientadora
empalideceu ligeiramente, mas não traiu a emoção
com qualquer gesto que denunciasse fraqueza.”
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O
que acontece após a morte com os que acreditam em céu
e inferno eterno.*
Evangelização
nº 138 do LIE
O
depoimento que o Dr. Gotuzo presta a André Luiz, num
reencontro após a morte física, integra um trecho
dos mais relevantes da obra do autor Espiritual. E um testemunho
dos mais claros e denunciadores das fantasias, ilusões
e crenças religiosas equivocadas e enganadoras acerca
das interpretações evangélicas errôneas
e que pararam no tempo. Tão logo desencarnou, tendo confessado
e recebido a Extrema Unção, aguardou ansiosamente
a chegada dos anjos, que o levariam aos pés do Senhor,
antes de entrarem no paraíso eterno, conforme a predição
do padre que o atendera na sua fase final e que era seu amigo.
Debalde aguardou com nervosismo. Passou-se um longo tempo até
o espírito Dr. Gotuzo, num impulso emocionante voltou
a Terra para acertar contas contra o padre que lhe enganara
e a quem dera, horas antes de morrer, um valor em torno de R$
7500,00. O padre, que não era vidente, nem percebeu a
aproximação de Gotuzo, o qual teve que voltar
para o Umbral até ser socorrido por Espíritos
Benevolentes. Vale a pena ler e estudar a fundo o capítulo
5º deste livro misericordiosamente revelador acerca do
que é verdadeiramente a morte física. Leiamos,
pois um trecho do capítulo a seguir:
“A realidade, porém, foi
muito diversa e, depois das lutas purgatórias, voltando
ansioso a casa não encontrei rastro dos entes amados
que ai deixara. Enquanto perseverava em doloroso sonambulismo,
buscando socorro junto à religião, nunca pude
voltar ao campo da família, porquanto, antes do tentâmen,
fui arrebatado em violento e escuro torvelinho que me situou
em terrível paisagem de trevas e sofrimentos indescritíveis.
No primeiro instante de libertação, todavia, fui
surdo a toda espécie de ponderação, rompi
todos os obstáculos e, sequioso de afeto, encontrei-os,
enfim... A situação, no entanto, desconcertou-me.
Primo Carlos que sempre me invejara a abastança, insinuara-se
em casa, a título de proteger-me os interesses, e desposou-me
a companheira, perturbou o futuro de meus filhos e dissipou-me
os bens, entregando-se, em seguida, a criminosas aventuras comerciais.
Quase voltei ao primitivo estado de desequilíbrio mental,
ajuizando os acontecimentos imprevistos. Após prantear
a posição dos meus rapazes, convertidos em agenciadores
de maus negócios, encontrei Marília, justamente
no dia imediato ao nascimento do segundo filho do casal. Ajoelhei-me,
em soluços, ao pé do leito humilde em que repousava
e perguntei-lhe pelo patrimônio de paz que, ao partir,
lhe depositara, confiante, nas mãos. A infeliz, fundamente
desfigurada, não me identificou a presença, nem
me ouviu a voz, mas lembrou-se intensamente de mim. Contemplou
o pequenino que dormia calmo e caiu em pranto convulsivo, provocando
a presença de Carlos, declarando-se angustiada, nervosa...
Quando vi chegar o invasor, irascível e detestado, recuei,
tomado de infinito horror. Não tive forças. Era
isso que me aguardava, após tanta luta? Deveria conformar-me
e abençoar os que me feriam? O quadro era excessivamente
negro para mim. Em prejuízo do meu espírito, desfrutara
uma existência regular, com todos os desejos atendidos.
Não me iniciaria no ministério ta tolerância,
da paciência da dor. E por esse motivo meus sofrimentos
assumiram assustadoras proporções.”
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A
lógica reencarnacionista.*
Evangelização
nº 139 do LIE
Neste
capitulo fica explícita a lógica da lei reencarnacionista.
Temos que bem administrar nossas emoções, superar
nossas mágoas, melindres e ressentimentos para nos conservarmos
no caminho da Luz. Os Espíritos Dr. Gotuzo e Dr. André
Luiz, ambos foram médicos na Crosta Terrestre e deixaram
em suas famílias e profissões muitas lacunas e
dívidas a resguardar. André Luiz, como espírito,
mostra-se mais recuperado moralmente e também mais lúcido
acerca das leis Divinas e a necessidade de evoluir em cada dia
da vida terrestre e a cada hora que aproveitamos, para resgatar
fazendo o Bem e buscando a Luz. Leiamos o que Gotuzo conta acerca
da própria história, as dificuldades com as quais
ainda se encontra e porque quer voltar a Terra para reencarnar
e realinhar-se no caminho da Luz do Mais Alto. Leiamos, pois
um trecho do capítulo a seguir:
“
– Gotuzo, mas é você, experiente desse modo
quanto aos problemas do resgate espiritual, que guarda mágoa
do lar que se foi? Como pode encarcerar-se no desalento, a deter
tamanha possibilidade de libertação? O companheiro
fixou em mim os olhos inteligentes e lúcidos, como a
dizer em silêncio que sabia de tudo isso, esforçou-se
por parecer jovial e respondeu: - Não se preocupe. Em
vista das extremas dificuldades para dominar-me, estudo, atualmente,
a probabilidade de reincorporação no ambiente
doméstico, enfrentando a situação difícil
com a devida bênção do esquecimento provisório
na carne, a fim de reconstruir o amor em bases mais sólidas,
junto àqueles que não tenho compreendido tanto
quanto deveria. Nesse instante, certa enfermeira assomou à
porta de entrada, pedindo, licença para interromper-nos
e notificou que a turma de sentinelas, em tratamento mental,
esperava no salão contíguo. Esclareceu Gotuzo
que seguiria imediatamente. Novamente a sós, explicou-me
sorrindo: - Na esfera carnal, na qualidade de médicos,
nossas obrigações resumiam-se ao exame detido
das enfermidade, com indicação clínica
ou intervenção cirurgia, e ao fornecimento de
diagnósticos técnicos que outros colegas confirmavam,
quase sempre por espírito de solidariedade dentro da
classe; mas, aqui, a paisagem modifica-se. Cabe-me usar a língua
como estilete criador de vida nova. A casa está repleta
de cooperadores que trabalham, servindo-lhe ao programa de socorro,
e se submetem aos nossos cuidados de orientação
médica, simultaneamente. Não basta, porém,
que eu lhes diga o que sofrem, como fazia antigamente. Devo
funcionar acima de tudo, como professos de higiene mental, auxiliando-os
na germinação e desenvolvimento de idéias
reformadoras e construtivas, que lhes elevem o padrão
de vida íntima. Distribuímos recursos magnéticos
de restauração, com todos os necessitados, reanimando-lhes
a organização geral, com os elementos de cura
ao nosso alcance; não sem ensinar, entretanto, a cada
enfermo, algo de novo que reajuste a alma. Noutro tempo, tínhamos
o campo de ação na célula física.
Presentemente, todavia, essa zona de atuação é
a célula mental. Observando a disposição
ativa do companheiro, meditei no tempo que despendera, antes
de participar dos serviços médicos da região
superior a que fora conduzido, e perguntava a mim mesmo a razão
pela qual fora Gotuzo tão depressa utilizado, ali, na
esfera de socorro aos aflitos. Reparei, todavia, que o novo
amigo não me recebia os pensamentos, nem mesmo de maneira
parcial, demonstrando-se menos exercitado nas faculdades de
penetração e, acompanhando-o ao recinto, onde
o aguardava extensa clientela, notei que a assistência
ali era ministrada a doentes em massa, dentro de vibrações
mais grosseiras e lentas, exigindo a colaboração
especializada de médicos desencarnados que, como acontecia
com Gotuzo, ainda conservavam regular sintonia com os interesses
imediatos da Crosta Terrestre.
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A
conversão de um renegado.*
Evangelização
nº 140 do LIE
O
despertamento espiritual do ex-padre Domênico aconteceu
após uma saga de dores, provações e tormentos
consciênciais. Ele fora um sacerdote que abusara da sua
missão de pastorear almas e educar consciências.
Utilizando-se de vários meios, certamente que também
do confessionário, Domênico seduziu várias
mulheres iludidas por suas promessas e argumentos de sedutor
experiente que usava uma voz doce para ludibriar suas vítimas
desprevenidas.
Tanto fez e enganou moças e mulheres que terminou envenenado
por um marido ciumento e revoltado. Antes de morrer, contudo,
padre Domênico recebeu o sacramento da Extrema-Unção
e teve um velório suntuoso, pois, os paroquianos não
ficaram sabendo da verdadeira causa de seu passamento. Ao cruzar
a porta do sepulcro, porém, sua surpresa e revolta foram
enormes. Em lugar dos direitos canônicos e a recepção
pelos anjos celestiais, tendo em vista que, fora perdoado à
ultima hora da vida física. Enfurecido clamava contra
a Igreja que o enganara e contra Deus que lhe ocultara suas
leis reais após a morte. Vamos ver o que aconteceu até
a chegada de um antigo amor (Zenóbia) e de sua amorosa
mãe - Ernestina. Depois de sua consciência ter
sido desvendada pelo registro da lembrança das aventuras
que desenvolvera como predador de mulheres, ele se vê
desmascarado pela vidente Luciana, e é induzido a arrepender-se
pelos apelos de sua mãe. Leiamos:
“Fosse pela renovação
profunda daquela hora que lhe modificara o padrão vibratório,
fosse porque as forças invisíveis de ordem superior
manipulavam as nossas energias conjuntas em benefício
do infeliz, Domenico, que era cego perante nós outros,
conseguiu enxergar a recém – chegada. Comoventes
gritos alcançaram-nos o íntimo. – Mamãe!
Mamãe!... Aquela criatura que se mostrava tão
rígida e indiferente, o eclesiástico que zombara
de tantos corações na Terra, segundo retrospecção
do pretérito que Luciana levara a efeito, igualmente
invocava o nome da mãe, como se fora chorosa criança
desviada do lar. Abriu, ansioso, os braços, procurando-lhe
o seio amigo, e Zenóbia, com carinhoso cuidado, ajudou-o
a refugiar-se no colo materno. Ernestina apertou-o, então,
de encontro ao peito e pareceu-me que o infortunado sentia o
contato material, como se houvera alcançado o repouso
supremo.
– Mãe, minha mãe! – gritava, colando
a cabeça ao tórax inclinado para a frente a fim
de melhor fazer-se sentir – Ajuda-me! Perdoa-me! Perdoa-me!
– E recordando, talvez, o trabalho da clarividente que
lhe alterara o ser, acrescentou: - A justiça divina descobriu-me;
sou um réprobo sem perdão, um celerado infernal.
Hediondo passado está vivo, dentro de mim. Oh! mamãe,
és capaz de suportar-me, quando todos me detestam? Ernestina
aconchegou-o mais perto do coração e falou comovida:
- Eu não sei, meu filho, se foste criminoso; sei que
te amo de toda a alma, sei que sentia profunda saudades de tua
presença carinhosa, no desejo enorme de sentir-te, de
novo, junto de mim! Que haveria de mais belo para o meu coração
que o doce enternecimento desta hora? Deixa que nasçam
em ti pensamentos de júbilo e reconhecimento ao Pai de
Inesgotável bondade que nos reúne compassivamente.
Medita um instante, Domenico, sobre a grandeza divina e certifica-se
de que ninguém permanece ao abandono”.
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A
descrição da entrada do inferno.*
Evangelização
nº 141 do LIE
A
caravana de 25 espíritos socorristas organizada e protagonizada
por Zenóbia, diretora da “Mansão Fabiano
de Cristo”, caminhava silenciosamente pela escuridão
de uma zona que André Luiz descreve como “umbralina
e tenebrosa”, ia prestar auxilio e socorro a vários
espíritos mergulhados no lodo das provações
e expiações. Os socorristas caminhavam em fila
indiana orando e levando auxiliares que portavam aparelhos defensivos
contra ataques hostis das milícias do mal que chefiavam
tais sítios aterradores do umbral, construídos
pelas mentalizações e construções
humanas viciosas. O poeta Italiano Dante Alighieri, descreveu
em um texto filosófico o poema medieval “O Inferno”
em cujo labirinto as almas penavam a condenação
das paixões, que muito se assemelham às narrações
de André Luiz. Em qualquer ângulo contudo, é
importante ler o que André Luiz descreve, pois, enquanto
Alighieri detalhou apenas pela imaginação criativa,
André descreveu o que viu e protagonizou. Ainda segundo
André Luiz, em torno de 75 pessoas em cada cem, tem que
passar ou estagiar nos sítios umbralinos para fins de
resgate. Portanto é uma descrição que deve
interessar a todos. Leiamos:
“A sombra tornava-se, de novo, muito
densa e não se conseguia divisar o recôncavo. Frases
comovedoras, porém, subiam até nós. Dolorosos
ais, blasfêmias, imprecações. Guardava a
idéia de que vastíssimo agrupamento de infelizes
se rebolcava no solo, em baixo. Os impropérios infundiam
receio; contudo, os gemidos ecoavam-me angustiosamente na alma.
Certo, os demais companheiros experimentavam análogas
emoções, porque a Irmã Zenóbia tomou
a palavra, esclarecendo:
- Os padecimentos que sentimos não se verificam à
revelia de Proteção Divina. Incansáveis
trabalhadores da verdade e do bem visitam seguidamente estes
sítios, convocando os prisioneiros da rebeldia à
necessária renovação espiritual; no entanto,
retraem-se eles, revoltados e endurecidos no mal. Lamentam-se,
suplicam e provocam compaixão. Raramente alguns deles
nos ouvem o apelo. Às vezes, intentamos impor-lhes o
bem. Entretanto quando os retiramos compulsoriamente do vale
tenebroso, acusam-nos de violentadores e ingratos, fugindo ao
nosso contacto e influenciação. Embora o triste
conteúdo da notificação de Zenóbia
no-la fornecida, inflamada no espírito de serviço
a julgar pelo bom ânimo que transparecia de seus gestos
e palavras.
– A negação deles – continuou a orientadora
– não é motivo para qualquer negação
de nossa parte. Lembremo-nos de que o esforço da Natureza
converte o carvão em diamante... Trabalhemos em benefício
de todos os necessitados, procurando para o nosso espírito,
o divino dom de refletir os Supremos Desígnios. Façam-se
as obras da vida, não como queremos, mas como o Senhor
determine. Grande é a beneficência do Pai para
conosco. Reportamo-la em serviço de fraternidade e esclarecimento,
na harmonia comum. Em seguida dez cooperadores, obedecendo-lhe
as ordens, acenderam focos de intensa luz. Contemplamos, então,
sensibilizados e surpresos, monstruoso quadro vivo. Vasta legião
de sofredores cobria o fundo, um pouco abaixo de nossos pés.
A rampa que nos separava não era íngreme, mas
compacto e enorme o lamaçal. Em face de claridade brusca,
muitas vozes suplicaram socorro, em frases angustiosas que nos
cortavam a alma. Outras, porém, faziam-se ouvir diferentes:
vociferavam blasfêmias, ironias, condenações.”
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Amor
de Mãe após a morte. *
Evangelização
nº 142 do LIE
A mãe lamenta sem cessar a perda do filho amado de 9
anos. À noite, exausta pela dor, adormece e sonha com
o filho querido. O mundo espiritual, sempre em vigilância,
possibilitou, que esse sonho se transformasse em realidade no
outro plano de vida. Ou seja, a mãe desconsolada encontra
o filho que julgava perdido para sempre e transborda de júbilo.
André descreve o reencontro espiritual e como a mãe
fica agradecida ao filho amado, que a conduz pelo braço
ao Ministério do auxílio, para fins de consolação
e reabilitação, amparo e conscientização.
No pequeno trecho da narrativa, o autor expõe a relevância
e a perpetuidade do amor em todos os planos de vida, mostrando
que o portal da morte não apaga nem desvitaliza os afetos
desenvolvidos no mundo físico. Pelo contrário,
o amor se revigora com o passar do tempo e o renovar das vidas
sucessivas. E tanto os afetos humanos quanto os conflitos familiares
se estabelecem conforme esculpimos o nosso destino. E é
por isso que no Estatuto Divino não existe a palavra
injustiça. Quem pratica injustiça são os
seres humanos, uns com os outros. Leiamos agora um trecho do
capítulo que descreve episódios a respeito das
repercussões de situações que nós
mesmos criamos:
“Atravessada à zona magnética
de defesa, confundimo-nos com os passantes. Não longe
de mim, interessante menino, que aparentava nove a dez anos
de idade, revestido de gracioso halo de luz, guiava uma senhora
de passos incertos. Parecia enferma, incapaz de autocontrole.
O pequeno, porém, segurava-lhe firmemente a destra e,
após saudar a Irmã Zenóbia, respeitoso,
exclamou para matrona hesitante: - Por aqui, mamãe! Por
aqui! Venha sem medo. Ouvindo-o, a interpelada parecia acordar
num sonho bom e gritava, semi-inconsciente: - Meu filhinho,
meu filhinho! Não me deixes voltar. Quero-te sempre,
sempre!... As expressões de meiguice misturavam-se a
copioso pranto. Fixei-lhe os traços fisionômicos.
A pobre mãe não nos enxergava. Seguia, acanhada
e insegura de si. Seus olhos, que vertiam grossas lágrimas,
permaneciam presos na contemplação da criança,
revelando a suprema ternura de mãe, exausta de saudade,
a reencontrar o objeto de seu amor, que parecera perdido para
sempre. – Mamãe, caminhe! Não desfaleça!
– clamava o rapazinho, exultando de júbilo. –
Já vou, meu filho! Eu te seguirei, leva-me contigo! –
tornava a palavra maternal, afogada em sublime emoção.
Meus companheiros, habituados talvez, desde muito, ao espetáculo,
conversavam, descuidados, entre si; todavia, segui, de olhos
umedecidos, a criança carinhosa que amparava a sua mamãe,
até que desapareceram através de uma das portas
laterais. Não contive surpresa que me dominava. Tocando
o braço do padre Hipólito, indaguei: - Meu amigo,
com que fim seguiriam a senhora e o menino? Esboçou ele
significativo gesto de espanto e observou: - Não os vi.
Falhei-lhe, então, do quadro que tanto me enternecera,
bordando meus informes de considerações afetivas.
O ex-sacerdote sorriu compassivo e acrescentou: - Ora, André,
são tantas mães e tantas crianças a transitarem
por aqui!... Certamente, o filhinho, como tantos outros, conduz
a genitora a gabinetes de auxilio.”
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O
amor de mãe é o maior do mundo. *
Evangelização
nº 143 do LIE
Dentre
os inúmeros sentimentos que se desenvolvem na Terra o
mais elevado e profético dentre todos é o amor,
maiormente o amor de mãe. Os episódios que envolvem
o médico desencarnado Dr. Gotuzo, trazem à Luz
da evidência como o amor de uma mãe despertada
para o Mais Alto pode proteger e salvar um filho nas encruzilhadas
do Amor que conduz a Deus. Na realidade o Dr. Gotuzo trabalhava
como médico socorrista na Espiritualidade, atendendo
grupos numerosos de pacientes recém-desencarnados, mas,
mesmo depois de anos, guardava em seu íntimo, mágoas
profundas dos familiares que deixara no Globo Terrestre, principalmente
de sua esposa, da qual sentia ciúme por ter ela casado
com outra pessoa após a sua morte. Nesse episódio
a mãe de Gotuzo, que já era um habitante das altas
esferas celestiais, lhe apareceu e fez rogativas de mãe
amada para que ele desperte para as realidades Divinas, perdoe
tudo o que deve perdoar e se disponha a reencarnar novamente
na Terra, reagrupando de novo o grupo familiar a que todos pertenceram.
A narrativa de André expõe com muita clareza como
são recorrentes e eternos os laços afetivos nas
vidas sucessivas, daqueles que se amam verdadeiramente. Leiamos
agora um trecho do capítulo aqui citado:
“Respeitoso e humilde, Gotuzo rogou
à Irmã Zenóbia lhe permitisse aproximar-se.
Obtido o consentimento, avançou para a poltrona em que
Luciana traduzia a personalidade materna, e ajoelhou-se, beijando-lhe
a mão: Letícia, bondosa, recomendou: - Levante-se,
meu filho... Sei que você me ama intensamente. Todavia,
há irmãos nossos que lhe esperam a estima e a
compreensão. Não venho sozinha ao seu encontro.
Enquanto me dispunha a visitá-lo, solicitei o comparecimento
de alguém dos círculos mais densos, para colher
a certeza de suas disposições. Para a nossa felicidade
completa não basta que você me beije e admire.
É indispensável que se aproxime fraternalmente
daqueles a quem ainda não sabe amar. Alguém confabulará
conosco, dentro de minutos breves. Abrir-se-ão as portas
desta casa de bênçãos, em benefício
de nossa congregação familiar. Espere. Mantinha-se
Gotuzo em ansiosa expectativa, em face das singulares observações.
Surpreendendo-nos a todos, poucos segundos após, duas
senhoras penetraram o recinto. A que apresentava maior número
de anos, revelava alta posição de orientadora,
na luz que a circundava, mas a segunda mostrava a obscura condição
de alma encarnada, em temporário afastamento do corpo,
através do sono físico. Reconheceu Gotuzo, de
longe, e, evidenciando incontestável deficiência
de disciplina emotiva, estendeu-lhe os braços, descontrolada
e inquieta, bradando: - Gotuzo! Gotuzo! Que felicidade, este
reencontro! Parecendo, porém, perturbada pelo choque
das lembranças relativas à diferente situação
que o desprendimento do primeiro esposo lhe trouxera acrescentava,
aflita: - Não me queira mal! Ajude-me por amor de Deus!
Não me abandone, não me abandone!...
Dolorosos soluços rebentavam-lhe o peito. O interpelado
quedou silencioso, atendendo, talvez, à íntima
angústia que dominava, mas Letícia interveio generosa.
“Erguendo-se, firme, recolheu a nora nos braços
e a tranquilizou.”
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O
poder de Deus mostrado no outro lado da vida. * Evangelização
nº 144 do LIE
No
pequeno trecho que vamos transcrever linhas abaixo iremos observar
no relato de André Luiz um lance do poder ostensivo de
Deus operando numa zona umbralina para mudança da “Casa
Transitória Fabiano de Cristo” para um outro local
em que pudessem melhor atender aos desencarnados sofredores
e desorientados. E ali ocorre um extraordinário acontecimento.
Era necessário transferir todo o imenso estabelecimento
socorrista para local distante dali, por via aérea e
sem que nada se perdesse nem fosse tocado. Por mercê esse
milagroso prodígio foi conseguido. Após a diretora
da casa Transitória com a bíblia na mão,
ter lido e invocado em voz alta o salmo 104, todo o estabelecimento
começou a subir em sentido vertical e após isso
por 3 horas e 30 minutos em sentido horizontal, e só
então voltou a assentar-se na nova região, de
aspecto mais claro e reaproveitável. Este episódio
singular está descrito pelo Espírito André
Luiz nas páginas 167, 168 e 169. Algo assim como –
só para efeito de comparação – à
gigantesca onda Tsunami, que atingiu 11 praias da Indonésia,
ocorrência essa verificada em Dezembro de 2005, após
um terremoto fortíssimo. Leiamos o relato do Espírito
André Luiz:
“A instituição, através
de todos os administradores, e auxiliares, operava com indescritível
heroísmo com fraqueza, de minha parte aguardava, ansioso
por sinal de regresso ao interior, tal a impressão desagradável
de que me sentia possuído. Fitas inflamadas do firmamento
caíam sempre, em meio de formidáveis explosões,
oriundas da desintegração de princípios
etéricos...
Quando tudo fazia supor que não havia nas vizinhanças
entidades em condições de serem socorridas, soou
a clarinada equivalente ao toque de recolher. Enfim! Suspirei
aliviado. Consoante instruções recebidas, abandonamos
os aparelhos eletromagnéticos da defensiva, em funcionamento
indiscriminado, e afastamo-nos apressadamente. Sorvedouros de
chamas surgiam próximos e tamanha gritaria verificava,
em derredor, que tínhamos perante os olhos, perfeita
imagem de vasta floresta incendiada, a desalojar feras e monstros
de furnas desconhecidas. Atravessamos o pórtico do asilo
seguidos de todos os companheiros que ainda se conservavam no
exterior. Escutávamos, agora, o ruído leve dos
motores. Lá fora, espessos bandos de entidades perversas
tentavam ainda romper os obstáculos, invadindo-nos o
abrigo prestes a partir. Aflitiva inquietude empolgava-me. –
Que seria de nós, se a multidão assaltasse o reduto?
Por outro lado, a queda contínua de faíscas flamejantes,
a meu ver, punha em perigo a organização. Porque
não desferir vôo imediatamente? Era forçoso
considerar que dentro do asilo reinava absoluta ordem, não
obstante o ritmo apressado do trabalho. Acomodações
simples, mas confortadoras, recebiam sofredores extenuados.
E serena como sempre, como se estivesse habituada às
perturbações externas, a irmã Zenóbia
controlava a situação, ultimando providências.”
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O
socorro de Deus nos estágios do Umbral * Evangelização
nº 145 do LIE
No
além, mesmo para espíritos que já alcançaram
razoáveis níveis de conhecimento espiritual, é
preciso estudar as leis de Deus que governam os diversos estágios
no Espaço. Quem não estuda não progride
tanto no plano físico quanto no Espiritual. O que devemos
ter por base nesses conhecimentos que adquirimos, é a
fé convicta na justiça perfeita e infinita de
Deus, porque os princípios reinantes aqui e lei são
os mesmos. As benditas oportunidades de trabalho e renovação
são concedidas rigorosamente de acordo com os méritos
de cada um. Quem faz de sua vida uma estrada de egoísmo,
oportunismo, desrespeito ao semelhante, brabeza ou arrogância,
não deve esperar dessa sábia justiça, luzes
ou estágio mental prazeroso. A vida após a sepultura
corrige com severidade adequada nossos erros, paixões
e vícios. E os nossos atos de fé, bondade e compaixão
pelo próximo são duplamente recompensados quer
na vida após a morte, quer na reencarnação
seguinte. Por isto precisamos conscientizar-nos de sermos bons
e adquirir fé lúcida, é iniciativa pessoal
de sabedoria e inteligência. Leiamos o que, sobre esta
grande questão, nos esclarece o assistente Jerônimo
na obra acima:
“Não era porventura, cheia
de exemplos? Os temperamentos, por muitos anos fervorosos na
fé, haviam sido pasto de feras. Os continuadores do Mestre
foram vítimas de tremendas provações e
Ele mesmo alcançara o Calvário em passadas dolorosas...
O Assistente percebeu o jogo de raciocínios que se me
desdobrava no íntimo e esclareceu:
- Suas objeções mentais não têm razão
de ser. A concepção humana do socorro divino é
viciada desde muitos séculos. A criatura pressupõe
no amparo de Deus o protecionismo do sátrapa terrestre.
Espera perpetuidade de favores materialísticos, injustificável
destaque entre os menos felizes, dominação e louvor
permanentes. Costuma aguardar serviço, estima e entendimento,
mas desdenha servir, estimar e entender, quando não seja
em retribuição. O subsídio celeste traduz-se
por benditas oportunidades de trabalho e renovação;
chega, muitas vezes, ao círculo da criatura, como se
foram gloriosas feridas, magníficas dores, abençoados
suplícios. Enquanto predominem na Crosta Planetária
os impulsos de animalidade primitiva, os agraciados pela benção
divina serão, em sua maior parte, representantes do poder
espiritual, os quais, de maneira alguma, ficarão isentos
de testemunhos difíceis nas demonstrações
imprescindíveis. Não que o Senhor intente transformar
discípulos em cobaias, mas pela imposição
natural da obra educativa em que a lição do aluno
atento e fiel deve interessar à classe inteira. O que
quase sempre parece sofrimento e tentação, constitui
bem-aventurança transformando situações
para o bem e para a felicidade eterna.
O argumento era lógico e incisivo. E porque o Assistente
silenciasse, cogitando, talvez, do objetivo fundamental que
nos conduzia ao trabalho previsto, procurei reter impulsos indagadores.
Orientados por Jerônimo, atingíramos pequena cidade
do interior e dirigimo-nos a certa casa humilde, na qual, em
breves minutos, nos apresentava ele determinado companheiro,
em lamentáveis condições, atacado de cirrose
hipertrófica.”
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Palavras
finais a uma irmã que vai desencarnar.*
Evangelização
nº 146 do LIE
Para
quase totalidade das pessoas, há e haverá sempre
momentos de reflexão final antes da morte. E tais momentos
de reflexão são igualmente oportunos porquanto
nos oferecem a chance, de fazermos um balanço final da
vida que tivemos e das esperanças que devemos ter antes
de cruzarmos o portal da desencarnação. É
isto o que ocorre com a irmã Adelaide na hora do fechamento
do balaço da vida física. Apesar de ter vivido
uma existência de amor e caridade, alimentava ainda alguns
receios pelo destino das tarefas físicas que ainda queria
concluir. Mas quem está à sua cabeceira de enferma
terminal é o próprio Dr. Adolfo Bezerra de Menezes,
ele passa para a enferma, na hora desse transe, palavras de
compreensão, regozijo, afastamento e libertação.
Leiamos com atenção:
“Bezerra acomodou-se junto dela,
com intimidade paternal, afagou-lhe com a luminosa destra a
fronte abatida e falou otimista:
- Já sei. Você pensa nos parentes, nos amigos,
nos orfãozinhos e nos trabalhos que ficarão. Ó
Adelaide! Compreendo seu devotamento materno à obra de
amor que lhe consumiu a vida. Entretanto você está
cansada e Jesus, Médico Divino de nossa alma, autorizou
o seu repouso. Confie e Ele as penas que lhe oprimem o espírito
afetuoso. Deponha o precioso fardo de suas responsabilidades
em outras mãos, esvazie o cálice de sua alma,
alijando amarguras e preocupações. Converta saudades
em esperanças e desate os elos mais fortes, atendendo
a ordem divina.
Adelaide pousou no benfeitor os olhos muito lúcidos,
revelando-se confortada e, após breve pausa, - Bezerra
prosseguiu:
- Sua grande batalha está terminando. Você é
feliz, minha amiga, muito feliz, porque seu Espírito
virá condecorado de cicatrizes depois de resistir ao
mal depois de muitos anos, como sentinela fiel, na fortaleza
da fé viva... Ensinou aos que lhe cercaram o caminho
todas as lições do bem e da verdade possíveis
ao seu esforço... Entregue parentes e afeições
a Jesus e medite, agora na Humanidade, nossa abençoada
e grande família. Quanto aos serviços confiados
por algum tempo à sua guarda, estão fundamentalmente
afetos ao Cristo que providenciará as modificações
que julgue oportunas e necessárias. Baste a você
o júbilo do dever bem cumprido. Arregimente, pois, as
suas forças e não se entristeça, porque
é chegado para seu coração o prélio
final... Coragem, muita coragem e fé!
A respeitável irmã sorriu, quase feliz. Logo em
seguida, pequena auxiliar do instituto quebrou o colóquio
espiritual, abrindo a porta inesperadamente e anunciando visitas.
Dona Adelaide, em face das circunstâncias, centralizou
a mente no círculo dos encarnados e perdeu o benfeitor
de vista. O venerando médico dos infortunados passou
a entender-se com Jerônimo, acerca de vários problemas
que diziam respeito à nossa missão, enquanto nos
retirávamos, discretamente, proporcionando-lhes liberdade
à permuta de ideais.”
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Descrição
de 5 desencarnações conjuntas – Adelaide
subindo num carro de fogo de Elias – A morte de Dimas*
Evangelização
nº 147 do LIE
A descrição dos instantes finais de vários
desencarnados em lugares diversos mostra a salvaguarda que os
espíritos do bem dão aos moribundos, preparando-nos
para libertação dos laços físicos.
A volitação de Adelaide e Fábio, trabalhadores
da Seara do Cristo, reproduz um painel cintilante que lembra
o carro de fogo que elevou às alturas o profeta Elias,
do Antigo testamento. Um espetáculo maravilhoso e multicolorido
comprovando o Poder de Deus vencendo a lei da gravidade e o
império de Luz abatendo as trevas. Leiamos essa narrativa
de André Luiz, que a tudo assistiu e protagonizou, para
refletirmos numa das situações que ocorrem nas
fases finais da morte física:
“De regresso à câmara
de Adelaide, encontramos os demais à nossa espera. Irene
e Luciana haviam trazido Albina para os trabalhos preparatórios.
Sem perda de tempo, demandamos a grande casa de saúde,
em busca de Cavalcante. Hipólito adivinhara. O doente
mostrava-se muito aflito. Bonifácio ao lado dele, cooperava
devotadamente conosco, para desprendê-lo temporariamente
do corpo oprimido. O enfermo, no entanto, se deixara tomar por
horríveis impressões de medo, dificultando os
nossos melhores esforços. Após trabalho ingente
de magnetização do vago e em seguida à
ministração de certos agentes anestesiantes, destinados
a propiciar-lhe brando sono, retiramo-lo do corpo, que permaneceu
sob os cuidados de Bonifácio. Em minutos rápidos,
púnhamo-nos de regresso. Com aquiescência de Jerônimo,
alguns amigos dos enfermos acompanhar-nos-iam à Casa
Transitória. Dos cinco doentes, Adelaide e Fábio
eram os únicos que revelavam consciência mais nítida
da situação. Os demais titubeavam, enfraquecidos,
baldos de noção clara do que ocorria.
O Assistente organizou a corrente magnética, tomando
posição guiadora. Cada irmão encarnado
localizava-se entre dois de nós outros, almas libertas
do plano físico, mais experimentadas no campo espiritual.
De mãos entrelaçadas, para permutar energias em
assistência mútua, utilizamos intensivamente a
volitação, ganhando alturas. Adelaide e Fábio,
algo habituados ao desdobramento, assumiram discreta atitude
de observação e silêncio. Os outros, porém,
comentavam o acontecimento em altos brados. – Ó
grande Deus! – exclamava Albina, rememorando passagens
bíblicas – estaremos nós no glorioso carro
de Elias? – Dai-me forças, ó Pai de Misericórdia!
– Expressava-se Cavalcante, de alma opressa – falta-me
a confiança geral! Ainda não recebi o Viático!
Oh! Não me deixeis enfrentar os vossos juízos
com a consciência mergulhada no mal!... Suas rogativas
sensibilizavam-nos os corações. Dimas, por sua
vez, balbuciava exclamações ininteligíveis,
entre assombrado e inquieto. Atravessada a região estratosférica,
a ionosfera surgia-nos à vista apresentando enorme diferença,
por causa do fluxo intenso dos raios cósmicos em combinação
com as emanações lunares. Espantado, Dimas perguntou
em voz alta: - Que rio é este? Ah! Tenho medo! Não
posso atravessá-lo, não posso, não posso!...
O impulso magnético inicial fornecido por Jerônimo
era, no entanto, excessivamente forte para sofrer solução
de continuidade, ante tão débil resistência;
e o grupo avançou, avançou sem recuos, até
que, muito além, alcançamos o asilo de Fabiano,
onde a Irmã Zenóbia nos acolheu de braços
carinhosos.
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Equipes
que cuidam dos desencarnados logo após a morte.*
Evangelização
nº 148 do LIE
Vemos
que a desencarnação do médium Dimas causou
forte movimentação em torno do velório,
nos dois planos de vida. Enquanto os familiares e os participantes
do velório davam curso à cerimônia, os desencarnados
ali presentes também prestavam auxílio e vibrações
ao próprio Dimas, o qual ainda permanecia ligado aos
restos mortais por um provisório fio prateado. Enquanto
o Instrutor Jerônimo aguardava na casa Transitória
por algumas horas até o momento oportuno de desligar
aquela espécie última de cordão umbilical,
André Luiz se fez presente na tarefa de atender e libertar
Dimas para a amplitude infinita da vida espiritual que se apresenta
após a morte física. Num recanto da casa em que
se desenrolava o velório estava o assistido Dimas, sua
mãe desencarnada e dois auxiliares na vigilância.
Vejamos o que ele André Luiz descreve dos lances ocorridos
após a desencarnação do médium Dimas.
Leiamos:
“Deixando a Casa Transitória,
em plena noite, v i-me, em breve no ambiente doméstico
onde o amigo se desfizera dos elos da matéria mais espessa.
Entrei. A casa enchia-se de amigos e simpatizantes, encarnados
e desencarnados. Não se articulavam quaisquer serviços
de defesa. Notei que havia trânsito livre pelos grupos
de variadas procedências. Em recuado recanto, ainda ligado
as vísceras inertes pelo cordão fluídico-prateado,
permanecia Dimas no regaço da genitora, ao pé
de dois amigos que, cuidadosos, o assistiam. A nobre matrona
reconheceu-me, comovida, apresentando-me aos companheiros presentes.
Um deles, Fabriciano, acolheu-me, prestativo, interessando-se
pelos informes atinentes ao desenlace. Relatei-lhe os trabalhos,
pormenorizadamente. Em seguida, o interlocutor passou a explicar-se:
- Sempre tive por Dimas sincera admiração, pelo
proveitoso concurso que soube oferecer-nos. Integro a comissão
espiritual de serviço que vem atendendo aos necessitados,
por intermédio dele, nos últimos seis anos. Foi
sempre assíduo nas obrigações, bom companheiro,
leal irmão. Surpreso com as referências, indaguei:
- Há, desse modo, comissões de colaboração
permanente para os médiuns em geral?
- Não me reporto à generosidade – redargüiu
o interlocutor -, porque a mediunidade é titulo de serviço
como qualquer outro. E há pessoas que pugnam pela obtenção
dos títulos, mas desestimam as obrigações
que lhes correspondem. Gostariam, por certo, do intercâmbio
com o nosso plano, mas, não cogitam de finalidades e
responsabilidades. Em vista disso não estabelecem conjuntos
de cooperação para os médiuns em geral,
mas apenas para aqueles que estejam dispostos ao trabalho ativo.
Há muitos aprendizes que não ultrapassam a fronteira
da tentativa, da observação. Desejariam o caminho
bem aplainado, exigindo a convivência exclusiva dos Espíritos
genuinamente bondosos. Experimentam a luta construtiva, através
de sondagens superficiais e, à primeira dificuldade,
abandonam compromissos assumidos.”
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A
descrição de uma morte*
Evangelização
nº 149 do LIE
O
morrer é tão importante quanto nascer. No sentido
do reconhecimento, a obra de André Luiz é um vasto
painel revelador de Misericórdia Divina para aveludar
os acidentados caminhos do homem terrestre. A constatação
ampla e irretratável de que a alma humana é imortal
nos re-harmoniza com o verdadeiro sentido e os sofrimentos da
vida. Tudo o que acontece nos dois planos da vida, no episódio
da morte de Dimas é um majestoso hino de reconhecimento
e louvor a Deus Criador, mantenedor de tudo quanto existe e
Diretor geral do grande teatro evolutivo cósmico que
é o Universo. Agora podemos e devemos cantar –
“Hosanas – Aleluia” - que entoe em todas as
latitudes da Criação. Agora já é
possível para as grandes multidões, habitantes
deste Planeta de provas expiações, louvar e seguir
o caminho de Luz que vem do Mais Alto. Deus existe, a alma imortal
levanta-se através da lei da Reencarnação,
levanta-se em vidas sucessivas no rumo dos píncaros de
Perfeição Absoluta. A Clemência Divina nos
protege a todos defendendo-nos dos abismos do inferno e da treva
que pretende se perpetuar. Salve Jesus, Allan Kardec, Francisco
Cândido Xavier e André Luiz. Leiamos, a seguir:
“Duas horas antes de organizar-se
o cortejo fúnebre, estávamos a postos. A residência
de Dimas enchia-se de pessoas gradas, além de apreciável
assembléia de entidades espirituais. Jerônimo,
resoluto, penetrou a casa, seguido de nós outros. Encaminhou-se
para o recanto onde o recém-desencarnado permanecia abatido
e sonolento, sob a carícia materna. Reparei que o médium
liberto tinha agora o corpo espiritual mais aperfeiçoado,
mais concreto. Tive a nítida impressão que atrás
do cordão fluídico, de cérebro morto a
cérebro vivo, o desencarnado absorvia os princípios
vitais restantes do campo fisiológico. Nosso dirigente
contemplou-o, enternecido, e pediu informes a genitora, que
os forneceu, satisfeita:
- Graças a Jesus, melhorou sensivelmente. É visível
o resultado de nossa influência restauradora e creio que
bastará o desligamento do último laço para
que retome a consciência de si mesmo.
Jerônimo examinou-o e auscultou-o, como clínico
experimentado. Em seguida, cortou o liame final verificando-se
que Dimas, desencarnado, fazia agora o esforço do convalescente
ao despertar, estremunhado, findo logo o sono. Somente então
notei que, se o organismo perispírico recebia as últimas
forças do corpo inanimado, este, por sua vez, absorvia
também algo de energia do outro, que o mantinha sem notável
alterações. O apêndice prateado era verdadeira
artéria fluídica, sustentando o fluxo e o refluxo
dos princípios vitais em readaptação. Retirada
a derradeira via de intercâmbio, o cadáver mostrou
sinais, quase de imediato, de avançada composição.
A análise do cadáver de Dimas causava tristeza.
Inumeráveis germes microscópicos entravam como
exércitos vorazes, em combate aberto, liberando gases
ocultos que revelavam o apodrecimento dos tecidos e líquidos
em geral. Os traços fisionômicos do defunto achavam-se
degenerando-se também a estrutura dos membros. Os órgãos
autônomos, por seu turno, perdiam a feição
característica, já tumefactos e imóveis.”
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Afinal,
hora de acordar.* Evangelização
nº 150 do LIE
O
desencarne de Dimas é uma antologia iluminada da morte
física. Os detalhes minuciosos do falecimento do médium
desde a moléstia que abateu seu físico até
o despertar nas próximas horas após o rompimento
dos laços terrestres desenham a peregrinação
do ser humano através de vidas sucessivas no rumo da
evolução. A narrativa retrata Dimas - espírito,
desde o entorpecimento transorgânico incluindo o instante
em que, ao se desligar do corpo, ouve a voz de sua mãe
acolhendo-o maternalmente, aliás, tais páginas
fazem reluzir o amor materno, mostrando que para muitas mães,
receber carinhosamente os filhos no outro lado da vida é
como se revivessem um “segundo parto”. Mãe
é mãe em qualquer das instâncias da vida
infinita. Leiamos então um trecho desse altamente significativo
capítulo 15 de “Obreiros da Vida Eterna”.
“- Ó minha mãe! E
a esposa, os filhos?...
A sábia benfeitora, todavia, cortou-lhe as palavras,
consolando-o:
- Os laços terrenos, entre você e eles, foram interrompidos.
Restitua-os a Deus, certo de que o Eterno Senhor da vida, a
quem de fato pertencemos, permitirá sempre que nós
amemos uns aos outros.
Contemplou-a Dimas, através de espesso véu de
pranto, e, antes que ele enunciasse novas interrogações,
falou a genitora carinhosa, apresentando-lhe Jerônimo,
que acompanhava a cena, comovido:
- Eis aqui o amigo que o desligou das cadeias transitórias.
Em breve, partirá você, em companhia dele, buscando
o socorro eficiente de que necessita. Embora atordoado, o filho
esboçou silencioso gesto de contrariedade, ante a perspectiva
de nova separação do convívio materno,
mas a velhinha interveio, acrescentando:
- Vim até aqui porque você me chamou, recorrendo
à Mãe divina; contudo, não estou habilitada
a lhe proporcionar ingresso em meus trabalhos, por enquanto.
O irmão Jerônimo, todavia, é o orientador
dedicado que conduzirá o serviço de sua restauração.
Tenha confiança. Irei vê-lo quantas vezes for possível,
até que nós possamos reunir noutro lar venturoso,
sem as lágrimas da separação e sem as sombras
da morte.
Em seguida, sussurrou algumas palavras que somente Dimas pôde
escutar e, sob funda emoção vi-o desvencilhar-se
dos braços maternos e avançar, cambaleante, para
Jerônimo, osculhando-lhe respeitosamente as mãos.
O Assistente agradeceu o carinhoso preito de reconhecimento
e amor e, de olhos marejados explicou:
- Nada efetuamos aqui, senão o dever que nos trouxe.
Guarde o seu agradecimento para Jesus, o nosso Benfeitor Divino.
O trabalhador recém-liberto trazia o olhar nevoado de
pranto, entre a alegria e a dor, a saudade e a esperança.
A devotada mãe amparou-o, mais uma vez, animando-o:
- Dimas, congregam-se, aqui, diversos amigos seus, em manifestação
inicial de regozijo pela sua vida. Entretanto, a sua posição
é a do convalescente, cheio de cicatrizes a exigirem
cuidado. Fale pouco e ore muito. Não se aflija e nem
se lastime. Por hoje, não pergunte mais nada, meu filho.
Seja dócil, sobretudo, para que nosso auxilio não
seja mal interpretado pela visão deficiente que você
traz da esfera obscura.”
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Ocorrências
no Campo Santo.* Evangelização
nº 151 do LIE
O
que ocorre num Campo Santo, ao fecho de uma vida que liberta-se
do corpo físico, rarissimamente é percebido pelos
encarnados que acompanham o enterro. Mas, é conveniente
sabermos o que comumente ocorre nos cemitérios. Há
grupos de desencarnados que se congregam na trajetória
dos velórios. Leiamos um trecho que trata desse enriquecedor
capítulo que explana fatos e circunstâncias que
todos precisamos saber previamente: Leiamos.
“Entre os muitos afeiçoados
do círculo carnal, reinava profundo constrangimento,
mas, entre nós imperava tranqüilidade efetiva e
espontânea. Prosseguíamos com as melhores notas
de calma, quando nos acercamos do campo-santo. Estranha surpresa
empolgou-me de súbito. Nenhum de meus companheiros exceto
Dimas, que fazia visível esforço para sossegar
a si mesmo, exteriorizou qualquer emoção diante
do quadro que víamos. Mas não pude sofrear o espanto
que me tomou o coração.
As grades da necrópole estavam cheias de gente de esfera
invisível em gritaria ensurdecedora. Verdadeira concentração
de vagabundos sem corpo físico apinhava-se à porta.
Endereçavam ditérios e piadas à longa fila
de amigos do morto. No entanto, ao perceberem a nossa presença,
mostraram carantonhas de enfado, e um deles, mais decidido,
depois de fitar-nos com desapontamento, bradou aos demais:
- Não adianta! É protegido...
Voltei-me, preocupado, e indaguei do padre Hipólito que
significava tudo aquilo. O ex-sacerdote não se fez de
rogado.
– Nossa função, acompanhando os despojos
– esclareceu ele, afavelmente -, não se verifica
apenas no sentido de exercitar o desencarnado para os movimentos
iniciais da libertação. Destina-se também
à sua defesa. Nos cemitérios costuma congregar-se
compacta fileira de malfeitores atacando vísceras cadavéricas,
para subtrair-lhes resíduos vitais.
Ante a minha estranheza, Hipólito considerou:
- Não é para admirar. O Evangelho, descrevendo
o encontro de Jesus com endemoniados, refere-se a Espíritos
perturbados que habitam entre os sepulcros.
Reconhecendo-me a inexperiência no trato com a matéria
religiosa, Hipólito continuou:
- Como você não ignora, as igrejas dogmáticas
da Crosta Terrena possuem erradas noções acerca
do diabo, mas, inegavelmente, os diabos existem. Somos nós
mesmos, quando, desviados dos desígnios, pervertemos
o coração e a inteligência, na satisfação
de criminosos caprichos...
– Oh! Mas que paisagem repugnante! – exclamei, surpreendido,
interrompendo a instrutiva explanação.
– É verdade – concordou o interlocutor, é
quadro deveras ascoroso; todavia, é reflexo do mundo,
onde, também nós, nem sempre fomos leais filhos
de Deus.
A observação me satisfez integralmente. Entramos.
Logo após, ante meus olhos atônitos, Jerônimo
inclinou-se piedosamente sobre o cadáver, no ataúde
momentaneamente aberto antes da inumação, e, através
de passes magnéticos longitudinais, extraiu todos os
resíduos de vitalidade, dispersando-os em seguida, na
atmosfera comum, através de processo indescritível
na linguagem humana por inexistência de comparação
analógica, para que inescrupulosas entidades inferiores
não se apropriassem deles. Completada a curiosa operação,
tive minha atenção voltada para gemidos lancinantes,
emitidos de zonas diversas daquela moradia respeitável
agora semelhante a vasto necrotério de almas”.
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Por
que há tantas pessoas desencarnadas não sabendo
ainda que já morreram?* Evangelização
nº 152 do LIE
Conforme
explica André Luiz a morte não significa que quem
já passou por ela, de imediato se conscientiza do seu
novo estado. Também mostra porque tantos espíritos,
tão logo despertem do pesadelo da morte, buscam abrigo
e calor humano nos lares em que vivem, junto aos seus familiares.
Para estes, voltar ao lar é melhor que viver na erraticidade
ou em lugares tenebrosos. Temos de considerar, todavia, que
na vida física ou na extrafísica, o Espírito
busca sempre a Verdade, mesmo que não enxergue. Daí
o porque que não adianta ao Espírito demorar-se
nos antigos lares sofrendo com o que descobrirá nas mudanças
íntimas familiares que ocorreram e ocorrem após
seu desencarne. Sobre isto vejamos um trecho bem significativo
acerca dessa situação. Leiamos:
“Sentada sobre a terra fofa, infeliz
mulher desencarnada, aparentando trinta e seis anos, aproximadamente,
mergulhada a cabeça nas mãos, lastimando-se em
tom comovedor. Compadecido, toquei-lhe a espádua e interroguei:
- Que sente, minha irmã?
– Que sinto? – gritou ela, fixando em mim grandes
olhos de louca – não sabe? Oh! O senhor chama-me
irmã... quem sabe me auxiliará para que minha
consciência torne a si mesma? Se é possível,
ajude-me, por piedade! Não sei diferenciar o real do
ilusório... Conduziram-me à casa de saúde
e entrei neste pesadelo que o senhor está vendo. Tentava
erguer-se, debalde, e implorava, estendendo-me, as mãos:
- Cavalheiro, preciso regressar! Conduza-me, por favor, à
minha residência! Preciso retornar ao meu esposo e ao
meu filhinho!... Se este pesado se prolongar, sou capaz de morrer!...
Acorde-me, acorde-me!...
– Pobre criatura! – exclamei, distraído de
toda a curiosidade, em face da compaixão que o triste
quadro provocava – ignora que seu corpo voltou ao leito
de cinzas! Não poderá ser útil ao esposo
e ao filhinho, em semelhantes condições de desespero.
Olhou-me, angustiada, como a desfazer-se em ataque de revolta
inútil. Mas, antes que explodisse em rugidos de dor,
acrescentei: - Já orou, minha amiga? Já se lembrou
da Providência Divina?
– Quero um médico, depressa! Só ouço
padres! – bradou irritadiça – não
posso morrer... Despertem-me! Despertem-me!...
– Jesus é nosso Médico Infalível
– tornei – e indico-lhe a oração como
remédio providencial para que Ele a assista e cure. A
infeliz, entretanto, parecia distanciada de qualquer noção
de espiritualidade. Tentando agregar-me com as mãos cheias
de manchas estranhas, embora não me alcançasse,
gritou estentóricamente:
- Chamem meu marido! Não suporto mais! Estou apodrecendo!...
Oh! Quem me despertará?! Dá fúria aflita,
passou ao choro humilde, ferindo-me a sensibilidade. Compreendi,
então, que a desventurada sentia todos os fenômenos
da decomposição cadavérica e, examinando-a
detidamente, reparei que o fio singular, sem a luz prateada
que o caracterizava em Dimas, pendia-lhe da cabeça, penetrando
chão a dentro. Ia exortá-la, de novo, recordando-lhe
os recursos sublimes da prece, quando de mim se aproximou simpática
figura de trabalhador, informando-me com espontânea bondade:
- Meu amigo, não se aflija. A advertência não
me soou bem aos ouvidos. Como não preocupar-me, diante
de infortunada mulher que se declara esposa e mãe? Como
não tentar arrancá-la à perigosa ilusão?
Não seria justo consola-la, esclarecê-la? Não
contive a série de interrogações que me
afloraram do raciocínio à boca. Longe de o interpelado
perturbar-se, respondeu-me tranqüilamente:
- Compreendo-lhe a estranheza. Deve ser a primeira vez que freqüenta
um cemitério como este. Falta-lhe experiência.
Quanto a mim, sou do posto de assistência espiritual à
necrópole. Desarmado pela serenidade do interlocutor,
renovei a primeira atitude. Reconheci que o local, não
obstante repleto de entidades vagabundas, não estava
desprovido de servidores do bem.”
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Por
que certos espíritos ficam ligados ao corpo em decomposição
após desencarnarem?*
Evangelização
nº 153 do LIE
Esta pergunta sempre oportuna é respondida e esclarecida
pelos relatos de André Luiz. No final do velório
de Dimas, André percebeu no cemitério a presença,
ali de muitos espíritos vagabundos e sofredores, que
ali se agrupavam em atitudes grosseiras e gritos. Leiamos o
seguinte trecho dessa descrição, logo que aproximan-se
de um sentinela desencarnado para socorrer um sofredor inconformado:
“Tomei atitude espontânea
de quem desejava tentar a medida libertadora e perguntei:
- Quem sabe chegou o momento? Não será razoável
cortar o grilhão?
– Que diz? – objetou surpreso, o interlocutor –
não, não pode ser! Temos ordens.
- Porque tamanha exigência – insisti.
- Se desatássemos a algema benéfica, ela regressaria,
intempestiva, à residência abandonada, como possessa
de revolta, a destruir o que encontrasse. Não tem direito,
como mãe infiel ao dever, de flagelar com a sua paixão
desvairada o corpinho terno do filho pequenino e, como esposa
desatenta às obrigações, não pode
perturbar o serviço de recomposição psíquica
do companheiro honesto que lhe ofereceu no mundo o que possuía
de melhor. É da lei natural que o lavrador colha de conformidade
com a semeadura. Quando acalmar as paixões vulcânicas
que lhe consomem a alma, quando humilhar o coração
voluntarioso, de modo a respeitar a paz dos entes amados que
deixou no mundo, então será libertada e dormirá
sono reparador, em estância de paz que nunca falta ao
necessitado reconhecido às bênçãos
de Deus.
A lição era dura, mas lógica. A infortunada
criatura, alheia a nossa conversação, prosseguia
gritando, qual demente hospitalizada em prisão dolorosa.
Tentei ampliar as minhas observações, mas o servidor
chamou-me a outras zonas de onde partiam gemidos estridentes.
– São vários infelizes, na vigília
da loucura – disse calmo. E designado um velhote desencarnado,
de cócoras sobre a própria campa, acrescentou:
- Venha e escute-o.
Acompanhando meu novo amigo, reparei que o sofredor mantinha-se
igualmente em ligação com o fundo.
– Ai, meu Deus! – dizia – quem me guardará
o dinheiro? Quem me guardará o dinheiro? Observando-nos
a aproximação, rogava, súplice:
- Quem são? Querem roubar-me! Socorra-me, socorra-me!...
Debalde enderece-lhe palavras de encorajamento e consolação.
– Não ouve – informou o sentinela, obsequiosos
-, a mente dele está cheia das imagens de moedas, letras,
cédulas e cifrões. Vai demorar-se bastante na
presente situação e, como vê, não
podemos em sã consciência facilitar-lhe a retirada,
porque iria castigar os herdeiros e zurzi-los diariamente.
Porque não pudesse disseminar o espanto que me tomara
o coração, o servidor otimista acentuou:
- Não há motivo para tamanho assombro. Estamos
diante de infelizes, aos quais não falecem proteção
e esperança, porquanto outros existem tão acentuadamente
furiosos e perversos que, do fundo escuro do sepulcro, se precipitam
nos tenebrosos despenhadeiros das esferas subcrostais, tal o
estado deplorável de suas consciências, atraídas
para as trevas pesadas.”
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Após
a morte um espírito iluminado sente frio ou sede?*
Evangelização
nº 154 do LIE
André
Luiz é um espírito centrado em pesquisas. Na Crosta
Terrestre fora cientista; na vida do Além tornou-se um
pesquisador das esferas espirituais para descrever a todos que
queiram saber como se colhem as provas ou as bênçãos
do céu, conforme a vida que semeamos no plano físico.
Após tudo concluído no enterro de Dimas, com o
beneplácito do Instrutor Jerônimo, André
manteve breve entrevista com “Dimas Espírito”
ou seja, após seu desligamento total com aquilo que foram
seus despojos. Leiamos um trecho dessa entrevista espiritual:
“Pode perguntar a Dimas o que você
deseja saber. Manifestei-lhe reconhecimento, enquanto o recém-liberto
aquiescia, bondoso, aos meus desejos.
– Sente, ainda aos fenômenos da dor física?
– comecei.
– Guardo integral impressão do corpo que acabei
de deixar – respondeu ele, delicadamente.
– Noto, porém, que, ao desejar permanecer ao lado
dos meus, e continuar onde sempre estive durante muitos anos,
volto a experimentar os padecimentos que sofri; portanto, ao
conformar-me com os superiores desígnios, sinto-me logo
mais leve e reconfortado. Apesar da reduzida fração
de tempo em que me vejo desperto, já pude fazer semelhante
observação.
– E os cinco sentidos?
- Tenho-os em função perfeita.
- Sente fome?
– Chego a notar o estômago vazio e ficaria satisfeito
se recebesse algo de comer, mas esse desejo não é
incômodo ou torturante.
– E sede?
– Sim , embora não sofra por isso.
Ia continuar o curioso inquérito, mas Jerônimo,
sorridente, desarmou-me a pesquisa, asseverando:
- Você pode intensificar o relatório das impressões,
quanto deseje, interessado em colaborar na criação
da técnica descritiva da morte, certo, porém,
de que não se verificam duas desencarnações
rigorosamente iguais. O plano impressivo depende da posição
espiritual de cada um. Sorrimos todos, ante meus impulsos juvenis
de saber, e, amparando Dimas, carinhosamente, efetuamos, satisfeitos,
a viagem de volta.”
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O
quanto é bom pertencer a uma família espiritualizada.*
Evangelização
nº 155 do LIE
É
uma benção da misericórdia Divina nascer
e renascer em berço espírita. Avós, pais,
filhos e netos, em unida relação familiar, já
a partir da educação desde a gravidez até
aos 14 anos, quase todos participam dos encontros e reencontros
familiares através das vidas sucessivas, tornando mais
abreviados e menos árduos os longos caminhos da Evolução.
Freqüentes vezes acontece o avô ou avó renascer
como neto ou bisneto de seus próprios descendentes. Isto
comprova a vital importância para cada um em tornar-se
desde a infância um familiar que seja um bom pai, educando
um bom filho, do qual descenderá um bom neto ou bisneto.
Leiamos o seguinte trecho da página 266 e 267, deste
livro:
“O menino modificou a expressão
fisionômica, entristeceu-se instantaneamente, mas, colocando-se
junto ao leito, e, na postura do crente submisso, ergueu os
olhos ao alto e começou a cantar antigo e delicado hino
das igrejas evangélicas: “- Jesus, sendo meu, Sou
muito feliz, Eu vou para Céu, Meu lindo país...”
Expressava-se em voz tão dolorida que o hino parecia
amarguroso lamento. Finda a primeira quadra esforçou-se
para continuar, mas não conseguiu. Profunda emoção
sufocou-lhe a garganta, as lágrimas saltaram-lhe, espontâneas;
tentou debalde fixar Loide para ganhar coragem e, reparando
que sua emoção contagiara a família, precipitou-se
nos braços da doente e gritou, com força: - Não,
vovó, não! A senhora não pode ir agora
para o céu! Não pode! Deus não deixará!...
Albina recolheu-o, carinhosa, feliz. – Que é isto,
João? - perguntou, buscando sorrir. Observei a mim mesmo
e só então reconheci que eu também chorava...
Jerônimo, porém, mantinha-se firme e, rindo-se,
bondoso, reafirmou: - O menino tem razão. Albina não
irá mesmo desta vez... Atendendo-me à curiosidade,
entrou em explicações finais, advertindo: - Que
nota você de particular em Loide? Recorrendo a observações
que já levara a efeito, respondi sem hesitar: - Reparo
que aguarda alguém; uma filhinha que já entrevimos...
Desde o primeiro encontro, verifiquei que está em período
ativo de maternidade, em vésperas da delivrança.
– Isto mesmo – confirmou o mentor amigo -, a prece
de João é importante porque se reveste de profunda
significação para o futuro. A menina, em processo
reencarnacionista, é-lhe abençoada companheira
de muitos séculos. Ambos possuem admirável passado
de serviço à Crosta Planetária e escolheram
nova tarefa com plena consciência do dever a cumprir.
Foram associados de Albina em várias missões e,
muito cedo, ser-lhe-ão continuadores na obra de educação
evangélica. Não são Espíritos purificados,
redimidos, mas trabalhadores valiosos, com suficiente crédito
moral para a obtenção de oportunidades mais altas.
Apesar da condição infantil, o servo reencarnado,
pelas ricas percepções que o caracterizavam fora
da esfera física recebeu conhecimento da morte próxima
de nossa venerável irmã. Compreendeu, de antemão,
que o fato repercutiria angustiosamente no organismo de Loide,
compelindo-a talvez a claudicar no trabalho gestatório,
em andamento. A carga de dor moral conduzi-la-ia efetivamente
ao aborto, imprimindo profundas transformações
no rumo do serviço de que João é feliz
portador. Socorreu-se, então, de todos os valores intercessórios,
nos instantes em que sua alma lúcida pode operar na ausência
da instrumentalidade grosseira que triunfou com as súplicas
insistentes, obtendo reduzida dilatação de prazo
para a desencarnação de Albina. Sempre comedido
nas informações, Jerônimo calou-se, preparando
a retirada. A singular ocorrência enchia-me de encantamento
e surpresa. E contemplando, sob forte enlevo, a pequena família
em santificado júbilo doméstico, eu chegava à
conclusão de que, ainda ali, numa câmara de moléstia
grave, a oração, filha do trabalho com amor, vencia
o vigoroso poder da morte.”
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Quando
o doente não quer morrer.*
Evangelização
nº 156 do LIE
O enfermo Cavalcante era uma pessoa benévola, mas que,
afetado por infecções terminais várias,
ainda estava muito apegado ao corpo físico. Os espíritos
Jerônimo e André Luiz estavam velando à
sua cabeceira de enfermo e, só depois de muita ajuda
o doente reconheceu que tinha chegado ao fim e mandou chamar
um padre para confessa-se. Os Espíritos de Luz que ali
se achavam conseguiram então desligar seus centros neurológicos
e vitais. A mente do enfermo lutava poderosamente contra a morte,
pois, pouco sabia e temia o que poderia lhe acontecer após
seu desenlace. Leiamos para nossa reflexão, o trecho
a seguir neste capítulo 18, que nos conscientiza sobre
importantes ensinamentos:
“O doente por fim, já não
suportava nenhuma alimentação. O estômago
já expulsava até a própria água
simples, deixando-o exausto, em vista do tremendo esforço
despendido nos reiterados acessos de vômito. O sistema
nervoso central e os órgãos abdominais, bem como
os sistemas autônomos, acusavam desarmonia crescente.
Reconhecia, entretanto, ali, naquele agonizante que teimava
em viver de qualquer modo no corpo físico, o gigantesco
poder da mente, que, em admirável decreto de vontade,
estabelecia todo o domínio possível nos órgãos
e centros vitais em decadência franca. Decorridos mais
de quatro dias, em que atentávamos para o moribundo,
cuidadosamente, Jerônimo deliberou fossem desatados os
laços que o retinham à esfera grosseira. Bonifácio
prestimoso e gentil coadjuvava-nos o trabalho. Informando-se
de nossa resolução, de modo vago, através
dos canais intuitivos, o doente, pela manhãzinha chamou
o capelão, a fim de ouví-lo, e, após breve
confissão, que o sacerdote reduziu ao mínimo de
tempo, em virtude das emanações desagradáveis
que se desprendiam da organização fisiológica
em declínio, o pobre Cavalcante, mal suspeitando a paz
que o aguardaria na morte, procurou reter o eclesiástico,
em contristadora conversação:
- Padre - dizia ele, em voz súplice -, sei que morro
sei que estou no fim...
– Entregue-se a Deus, meu amigo. Só ele pode saber
em definitivo o que surgirá. Quem sabe se ainda tem longos
anos à sua frente? Tudo pode acontecer... O capelão
falava apressado, abreviando a palavra e tentando dissimular
suas penosas impressões olfativas, mas o moribundo continuou,
ingênuo:
- Tenho medo, muito medo de morrer...
– Bem – obtemperou o religioso, não ocultando
um gesto de enfado que passou despercebido aos olhos do crente
-, precisamos preparar o espírito para o que der e vier.
– Ouça, padre!... Acredita que me salvarei?
– Sem dúvida. Você foi sempre bom católico...
– Mas... Escute! – e a voz do enfermo fez-se triste,
mais chorosa e sufocada – eu desejaria morrer noutras
condições. Segundo lhe confessei, fui abandonado
pela mulher, há muitos anos... Sabe que ela me trocou
por outro homem e fugiu para nunca mais... Sempre admiti que
experimentei semelhante prova por incapacidade de compreensão
da parte dela, mas, agora, padre... Encarando a morte, frente
a frente, reflito melhor... Quem sabe não fui eu o culpado
direto? Talvez tivesse levado longe demais meu propósito
de viver para a religião, faltando-lhe com a assistência
necessária... Lembro-me de que, às vezes, chamavam-me
“padre sem batina”. Possivelmente minha atitude
impensada teria dado origem ao desvio da minha companheira...
Após fitar o clérigo demoradamente, implorou:
- Poderá sua caridade continuar indagando por mim? Necessito
vê-la, a fim de apaziguar a consciência... há
onze anos, perdi-a de vista... O sacerdote, no entanto, não
parecia intimamente interessado em satisfazê-lo e repetia
com paciência:
- Descanse, descanse... Prosseguirei nas diligências.
Tenha coragem, Cavalcante! É provável que tudo
venha ao encontro de nossos desejos.
O moribundo, voz entrecortada pelo cansaço, murmurou:
- Obrigado, padre, obrigado!...
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Algoz
opinião de um padre e de um médico.*
Evangelização
nº 157 do LIE
Na “Parábola do bom Samaritano” Jesus conta
o episódio de um viajante que foi assaltado por ladrões
que o feriram e deixaram à beira da estrada. Por ali
passou um Fariseu e um Sacerdote. O primeiro não socorreu
o pobre homem por ter negócios em cidade próxima.
O segundo também não prestou socorro por que precisava
comparecer a um culto religioso. Depois passou por aquela estrada
um samaritano que socorreu o ferido, balsamizou-lhe as feridas
e conduziu-o a uma estalagem onde foi atendido. No presente
capítulo igualmente o moribundo Cavalcante pede uma assistência
pessoal ao seu sacerdote e ao seu médico e ambos estão
planejando que seja aplicada ao enfermo a eutanásia para
apressar o fim do queixoso. Na história da raça
humana desde antes Abel e Caim a crueldade sempre campeou no
coração dos homens. Inclusive no dos religiosos
como Jesus frisou nessa parábola. Como pode um sacerdote
que se proclama intermediário de Deus ser malvado? Leiamos
o seguinte trecho de André Luiz.
“ - Poderá sua caridade continuar
indagando por mim? Necessito vê-la, a fim de apaziguar
a consciência... há onze anos, perdi-a de vista...
O sacerdote, no entanto, não parecia intimamente interessado
em satisfazê-lo e repetia com paciência:
- Descanse, descanse... Prosseguirei nas diligências.
Tenha coragem, Cavalcante! É provável que tudo
venha ao encontro de nossos desejos. O moribundo, voz entrecortada
pelo cansaço, murmurou:
- Obrigado, padre, obrigado!...
O religioso intentou sair, mas Cavalcante, amedrontado, perguntou,
ainda:
- Acha que me demorarei muito tempo no purgatório?
– Que idéia! – resmungou o interlocutor entediado
– falta-lhe suficiente confiança no poder de Deus?
Enunciou as últimas palavras com tamanha irritação
que o enfermo percebeu o descontentamento, sorriu humilde e
calou-se. O sacerdote, ao se afastar, aliviado, encontrou certo
médico e indagou:
- Afinal o que acontece ao Cavalcante? Morre ou não morre?
Estou cansado de tantos casos compridos.
- Tem sido gigante na reação - informou o clínico,
bem humorado. – considerando-lhe, porém, os males
sem cura, venho examinando a possibilidade de eutanásia.
– Parece-me caridade – redargüiu o religioso
-, porque o infeliz apodrece em vida...
O esculápio abafou o riso franco e despediram-se. A cena
chocava-me pelo desrespeito. Ambos os profissionais, o da Religião
e o da Ciência, notavam situações meramente
superficiais, incapazes de penetração nos sagrados
mistérios da alma. Entretanto para compensar tão
descaridosa incompreensão, Cavalcante era objeto de nosso
melhor carinho. Por mim, não poderia ministrar benefícios,
dada a insipiência de minha singela colaboração,
mas Jerônimo e Bonifácio cercavam-no de singular
cuidado, amparando-o como se fora bem amada criança.
Quando o eclesiástico pisava mais longe, o meu Assistente
considerou:
- O pobre sacerdote ainda não possui “olhos de
ver”. Cavalcante foi, antes de tudo, perseverante trabalhador
do bem.
Enquanto isso, o enfermo buscava enxugar as lágrimas
copiosas. A atitude do capelão advertira-o do deplorável
estado do seu corpo físico. Passou a sentir o cheiro
desagradável de suas próprias vísceras,
agravando-se-lhe o mal-estar. Sob incoercível angústia,
pediu o comparecimento de determinada religiosa, dentre as diversas
que atendiam a casa. Experimentava funda sede de consolo, necessitava
coragem que viesse do exterior. Provavelmente encontraria no
coração feminino o reconforto que o confessor
não lhe soubera prodigalizar. Porém, a “irmã
de caridade” não trazia consigo melhor humor. Fez
questão de escutá-lo, alcançando desinfetante
enérgico ao nariz, a infundir-lhe surpresa ainda mais
dolorosa. Cavalcante chorou, queixou-se. Precisava viver mais
alguns dias, declarou humilhado. Não desejava partir
sem a reconciliação conjugal. Rogava providências
médicas mais eficientes e prometia pagar todas as despesas,
logo pudesse tornar ao serviço comum”.
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O
fácil despertar após o túmulo*
Evangelização
nº 158 do LIE
Em
contraste com o difícil desenlace de Cavalcante, André
Luiz narra exatamente o contrário, ou seja, o rápido
despertar da missionária Adelaide a qual, mesmo horas
antes de desencarnar assistida por ninguém menos que
Adolfo Bezerra de Menezes. O Espírito de Adelaide foi
levado a visitar a instituição Fabiano de Cristo,
lá levada pelo assistente Jerônimo. Ela conseguiu
relutar no corpo moribundo e só então o desenlace
final ocorreu em definitivo. Parece até ficção
científica, mas, para quem conhece as inúmeras
possibilidades que se oferecem aos desencarnados lúcidos
e virtuosos, é apenas uma das possibilidades reais, pois,
do lado de lá, muitas situações e decorrências
não seguem as leis da física terrestre. Leiamos
aqui o que aconteceu com Adelaide que em vida fora missionária
na educação de crianças deficientes. Leiamos
o seguinte trecho:
“Reparei que a abnegada irmã
se mostrava mais calma e confortada, a essa altura. Interrompeu-se
a conversação porque Adelaide foi obrigada a reanimar
repentinamente o corpo, a fim de receber a última dose
de medicação noturna. Ao regressar ao nosso plano,
Jerônimo ofereceu-lhe o braço amigo para rápida
excursão ao estabelecimento de Fabiano. A irmã
Zenóbia desejava vê-la, antes do desenlace. A grande
orientadora do asilo errático admirava-lhe os serviços
terrestres e, por mais de uma vez, valeu-se de seu fraternal
concurso em atividades de regeneração e esclarecimento.
Adelaide acompanhou-nos, contente. Em breves minutos, pela admiradora,
como que se repetia a mesma palestra de minutos antes, apenas
com a diferença de que Zenóbia tomara a posição
reanimadora do devotado Bezerra. A bondosa discípula
de Jesus, em vias de retirar-se da Crosta, era alvo do carinho
geral. Depois de considerações convincentes por
parte de Zenóbia, que se esmerava em ministrar-lhe bom
ânimo, Adelaide, humilde, expôs-lhe as derradeiras
dificuldades.
Ligara-se, fortemente, à obra iniciada nos círculos
carnais e sentia-se estreitamente ligada, não somente
à obra, mas também aos amigos e auxiliares. Por
força de circunstâncias imperiosas, acumulava funções
diversas no quadro geral dos serviços. Possuía
toda uma equipe de irmãs dedicadíssimas, que colaboravam
com sincero desprendimento e alto valor moral, no amparo à
infância desvalida. Se estimava profundamente as cooperadoras,
era igualmente muito querida de todas elas. Como se haveria
ante as dificuldades que se agravavam? No íntimo, estava
preparada; no entanto, reconhecia a extensão e a complexidade
dos óbices mentais. Seu quarto de dormir, na casa terrena,
semelhava a redoma de pensamentos retentivos a interceptarem-lhe
a saída. Quanto menos se via presa ao corpo, mais se
ampliava a exigência dos parentes, dos amigos...
Como portar-se ante essa situação? Como fazer-lhes
sentir a realidade? Enlaçara-se em vastos compromissos,
tornara-se involuntariamente, a escora espiritual de muitos.
Entretanto, ela mesma reconhecia a imprestabilidade do aparelho
físico. A máquina fisiológica atingira
o fim. Não conseguiria manter-se, ainda mesmo que os
valores intercessórios lhe conseguissem prorrogação
de tempo. A orientadora escutou-a, atenta, qual médico
experimentado em face de doente aflito, e observou, por fim:
- Reconheço os obstáculos, mas não se amofine.
A morte é o melhor antídoto da idolatria. Com
a sua vinda operar-se-á a necessária descentralização
do trabalho, porque se dará a imposição
natural de novo esforço a cada um."
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