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Conheça mais sobre André Luiz

Palavras que trazem Luz
Como é a vida no plano espiritual.
Porque pensar e fazer o Bem.
As consequências dos sentimentos negativos.
A Mediunidade na evolução do homem
Conhecendo os dois planos da existência.
A vida depois da desencarnação.
A Sexualidade do ponto de vista espiritual!
Estudo da obra No Mundo Maior!
As conquistas no campo da renovação mental.
Estudando a mediunidade!
A semeadura é livre, porém a colheita é obrigatória!
Os trabalhadores da última hora!
A vida em dois mundos!
Produzido pelo
Lar Irmã Esther
Guaíba/RS
Desenvolvimento:
Marcelo Plocharski

Estudos sobre o Livro "Obreiros da Vida Eterna" de André Luiz com psicografia de Chico Xavier

Clique sobre o assunto que você quer estudar e vá direto para o texto:

Visão da vida real que vem após a morte* Evangelização nº 133 do LIE.

Toda palavra tem potência Espiritual * Evangelização nº 134 do LIE.

O que acontece com as pessoas que morrem enlouquecidas, após a desencarnação * Evangelização nº 135 do LIE.

Por que tantos ainda não acreditam na reencarnação * Evangelização nº 136 do LIE.

Troca de experiências entre espíritos * Evangelização nº 137 do LIE.

O que acontece após a morte com os que acreditam em céu e inferno eterno * Evangelização nº 138 do LIE.

A lógica reencarnacionista * Evangelização nº 139 do LIE.

A conversão de um renegado * Evangelização nº 140 do LIE.

A descrição da entrada do inferno * Evangelização nº 141 do LIE.

Amor de Mãe após a morte * Evangelização nº 142 do LIE.

O amor de mãe é o maior do mundo * Evangelização nº 143 do LIE.

O poder de Deus mostrado no outro lado da vida * Evangelização nº 144 do LIE.

O socorro de Deus nos estágios do Umbral * Evangelização nº 145 do LIE.

Palavras finais a uma irmã que vai desencarnar * Evangelização nº 146 do LIE.

Descrição de 5 desencarnações conjuntas – Adelaide subindo num carro de fogo de Elias – A morte de Dimas * Evangelização nº 147 do LIE.

Equipes que cuidam dos desencarnados logo após a morte * Evangelização nº 148 do LIE.

A descrição de uma morte * Evangelização nº 149 do LIE.

Afinal, hora de acordar * Evangelização nº 150 do LIE.

Ocorrências no Campo Santo * Evangelização nº 151 do LIE.

Por que há tantas pessoas desencarnadas não sabendo ainda que já morreram? * Evangelização nº 152 do LIE.

Por que certos espíritos ficam ligados ao corpo em decomposição após desencarnarem? * Evangelização nº 153 do LIE.

Após a morte um espírito iluminado sente frio ou sede? * Evangelização nº 154 do LIE.

O quanto é bom pertencer a uma família espiritualizada * Evangelização nº 155 do LIE.

Quando o doente não quer morrer * Evangelização nº 156 do LIE.

Algoz opinião de um padre e de um médico * Evangelização nº 157 do LIE.

O fácil despertar após o túmulo * Evangelização nº 158 do LIE.


Visão da vida real que vem após a morte.* Evangelização nº 133 do LIE

Já desde o início da obra, André Luiz nos mostra com notável evidência que as antigas idéias e crenças acerca do que aconteceria com as almas após o tráfego sobre o túmulo eram não só amplamente incompletas, amedrontadas e fantasiosas. As pirâmides do Egito, desde 5000 anos atrás, são provas bem evidentes dessa fantasia impotente das primeiras religiões que surgiram na face terrestre. O Cristianismo veio para mudar tão terrível e inverídica paisagem do pós-morte. O Catolicismo romano ainda hoje tenta substituir os deuses egípcios e gregos apresentando um único Deus que só promete Céu para os seus chamados e inferno para os maus e ignorantes. Mas Jesus deixa-nos dois avisos essenciais, a saber: “Há muitas moradas na casa de Meu Pai” e “Virá o espírito de Verdade e vós dirá todas as coisas que por ora não devo contar-vos.” O Espírito de Verdade veio em 1957 e através dele Allan Kardec formulou a Doutrina Espírita. Coube, pois ao Espírito André Luiz, com a obra iniciada com o livro “Nosso Lar”, clarividenciar-nos como é a vida após a morte. Leiamos aqui um pequeno trecho com o conteúdo consolador da Doutrina Espírita.
“– Outrora, quando nos envolvíamos ainda nos fluidos da carne terrestre, supúnhamos com desacerto que a vaidade e o egoísmo somente poderiam vitimar os homens encarnados. A Teologia, não obstante o ministério respeitável que lhe está afeto, enclausurava-nos a mente em fantasiosas concepções do reino da verdade. Esperávamos um paraíso fácil de ser conquistado pela deficiência humana e temíamos um inferno difícil de regenerar-nos a essas ridículas limitações. Hoje, porém, sabemos que, depois do túmulo, há simplesmente continuação da vida. Céu e inferno residem dentro de nós mesmos. A virtude e o defeito, a manifestação sublime e o impulso animal, o equilíbrio e a desarmonia, o esforço de elevação e a probabilidade da queda perseveram aqui, após o trânsito do sepulcro, compelindo-nos à serenidade e prudência. Não nos encontramos senão em outro campo de matéria variada, noutros domínios vibratórios do próprio Planeta em cuja Crosta tivemos experiências quase inumeráveis. Como não equilibrar, portanto, o coração no exercício efetivo da solidariedade? Logicamente não exortamos ninguém a novos mergulhos no lodo antigo, não desejamos que os companheiros previdentes regressem à posição de filhos pródigos, distanciados voluntariamente do Eterno Pai, nem pretendemos interromper a marcha laboriosa dos servidores de boa vontade, a caminho dos Cimos da Vida. Apelamos tão só no sentido de cooperardes nos trabalhos de socorro às esferas escuras. Sois livres e dispondes de tempo, no desemprego dos deveres nobilitantes a que fostes chamados em nossa colônia espiritual. Nada mais razoável que o proveito da oportunidade no planejamento da ascese. Entretanto, na qualidade de velho cooperador das tarefas de auxílio, ousamos rogar vosso interesse generalizado pelos que erram “no vale da sombra e da morte”, aguardando a esmola possível de vosso tempo, em favor dos nossos semelhantes, defrontados agora por situações menos felizes, não em virtude dos desígnios divinos, mas em razão da imprevidência deles mesmos. Contudo qual de nós não fomos invigilantes um dia? Fez o orador uma pausa mais longa e continuou: - De nossos amigos encarnados não podemos esperar, por enquanto, concurso maior e mais eficiente nesse sentido. Presos nas grades sensoriais, progridem lentamente na aprendizagem das leis que regem a matéria e a energia. Quando convidados a visitar nossos círculos de edificação, fora da instrumentalidade fisiológica, regressam ao corpo assombrados pelas visões rápidas que lhes foi possível arquivar e, em transmitindo suas lembranças aos contemporâneos, operam a coloração da água simples e pura da verdade com seus “pontos de vista” e predileções pessoais no terreno da Ciência, da Filosofia e da Religião.”

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Toda palavra tem potência Espiritual.* Evangelização nº 134 do LIE

Perdemos muito tempo na vida entregando-nos a conversas vazias e inoportunas. Mas André Luiz nos avisa que toda a conversação prepara acontecimentos próximos ou futuros. Prestemos mais atenção sobre o valor e a potência Divina nas palavras que usamos no dia-a-dia e o resultado daquilo que falamos com os outros. Jesus disse que a boca fala daquilo de que está cheio o coração. E aí constatamos também que cada um de nós passa a vida inteira dialogando com as pessoas com as quais cruzamos caminhos, os próximos e os mais próximos, sem cesar. Daí porque devemos primeiramente estarmos sempre melhorando e tornando claras as palavras do nosso linguajar. Em poucos minutos podemos mostrar, através das nossas palavras um tanto do que somos e o que buscamos. Também constatamos quanto tempo perdemos jogando conversas fora com temas de baixo nível, anedotas, fofocas sobre a vida alheia e etc. Devemos sim utilizar nossos ouvidos e nossa língua para aprendermos sempre mais, iluminado assim, o nosso pensamento e o nosso Espírito. Estamos no mundo e na vida para evoluir e não para estacionar ou cair em despenhadeiros. Leiamos, pois um trecho desse capítulo 2, sobre o poder Divino das palavras.
“- A conversação cria o ambiente e coopera em definitivo para o êxito ou para a negação. Além disso, como esta casa é consagrada ao auxílio sublime dos nossos governantes que habitam planos mais altos, não seria justo distrair a atenção e, sim, consolidar bases espirituais, com todas as energias ao nosso alcance, em que possam aqueles governantes lançar os recursos que buscamos. Compreendendo a extensão das tarefas por fazer e o respeito que devemos àqueles que nos ajudam, somos de parecer que precisamos sanar os velhos desequilíbrios das intromissões verbais desnecessárias e, muitas vezes, perturbadoras e dissolventes. Enquanto lhe ouvimos as ponderações, encantados, imprimiu ligeiro intervalo às sentenças esclarecedoras e continuou:
- Aliás, o profeta enunciou, há muitos séculos, que <<a palavra dita a seu tempo é maçã de ouro em cesto de prata>>. Se estamos, portanto, verdadeiramente interessados na elevação, constitui-nos inalienável dever o conhecimento exato do valor “tempo”, estimando-lhe a preciosidade e definindo cada coisa e situação em lugar próprio, para que o verbo, potência divina, seja em nossas ações o colaborador do Pai.
Sorrimos, satisfeitos. – Nada mais razoável e construtivo – opinou Semprônia, a destacada orientadora que dirigiria pela primeira vez a expedição de socorro aos órfãozinhos encarnados. O dirigente do Santuário, reconhecendo, talvez, como nos sentimos necessitados de esclarecimento quanto ao uso da palavra, prosseguiu: É lamentável se dê tão escassa atenção, na Crosta da Terra, ao poder do verbo, atualmente tão desmoralizado entre os homens. Nas mais respeitáveis instituições do mundo carnal, segundo informes fidedignos das autoridades que nos regem, a metade do tempo é despendida inutilmente, através de conversações ociosas e inoportunas. Isso, referindo-nos somente às “mais responsáveis”. Não se precatam nossos irmãos em Humanidade de que o verbo está criando imagens vivas, que se desenvolvem no terreno mental a que são projetadas, produzindo conseqüências boas ou más, segundo a sua origem. Essas formas naturalmente vivem e proliferam e, considerando-se a inferioridade dos desejos e aspirações das criaturas humanas, semelhantes criações não se destinam senão a serviços destruidores, através de atritos formidáveis se bem que invisíveis. Notava-se, claramente, o interesse que suas definições despertavam nos ouvintes. Em seguida a uma pausa mais longa, tornou, cuidadoso: - Toda conversação prepara acontecimentos de conformidade com a sua natureza. Dentro das leis vibratórias que nos circundam por todos os lados, é uma força indireta de estranho e vigoroso poder, induzindo sempre aos objetivos velados de quem lhe assume a direção intencional.”

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O que acontece com as pessoas que morrem enlouquecidas, após a desencarnação.* Evangelização nº 135 do LIE

Aqui André Luiz revela-nos um quadro terrível mostrando uma das grandes colônias que recebem desencarnados em estado de psicoses graves, esquizofrênicos ou loucos. Em sua maioria, trata-se de espíritos que na última encarnação já estavam desequilibrados e, ao viverem sem normas e tratamento adequado lesaram gravemente o próprio perispírito. De indivíduo a individuo eles formam uma paisagem surrealista, sombria e muito dolorida. Claramente lembra a descrição do inferno do poeta italiano Dante Alighieri, que possivelmente, como espírito, lá andou purgando diversas penas infernais, pois também descreveu os estados psíquicos dos atraídos para aqueles umbrais tenebrosos. Então vamos transcrever um trecho do capítulo citado, em que o Assistente Barcelos descreve as condições daqueles apenados pela própria consciência na trilha do resgate. Leiamos:
“ – Esta, a definição científica dos nossos amigos que, como nós outros antigamente, só possuem o recurso de diagnosticar e analisar nas minudências anatômicas. Arabescos de ouro sobre a areia do Saara não tornariam o deserto menos árido. Assim, a terminologia brilhante sobre o quadro escuro do sofrimento. Precisamos divulgar no mundo o conceito moralizador da personalidade congênita, em processo de melhoria gradativa, espalhando enunciados novos que atravessem a zona de raciocínios falíveis do homem e lhe penetrem o coração, restaurando-lhe a esperança no eterno futuro e revigorando-lhe o ser em suas bases essenciais. As noções reencarnacionistas renovarão a paisagem da Vida na Crosta Terrestre, conferindo à criatura não somente as armas com que deve guerrear os estados inferiores de si própria, mas também lhe fornecendo o remédio eficiente e salutar. Faz muitos séculos, afirmou Plotino que toda a antiguidade aceitava como certa a doutrina de que, se a alma comete faltas, é compelida a expiá-las, padecendo em regiões tenebrosas, regressando, em seguida, a outros corpos, a fim de reiniciar suas provas. Falta, desse modo, lamentavelmente, aos nossos companheiros de Humanidade o conhecimento da transitoriedade do corpo físico e o da eternidade da vida, do débito contraído e do resgate necessário, em experiências e recapitulações diversas.
Barcelos calara-se, por um instante, enquanto eu lhe ponderava a extensão da competência. Com justificada razão possuía ele o título de Assistente, porque não era um simples irmão auxiliador, mas profundo especialista no assunto a que se dedicara, fervoroso. A conversação dele valia por um curso rápido de Psiquiatria sob novo aspecto, que me cabia aproveitar, em benefício próprio, para as tarefas marginais do serviço comum.
Desejando traduzir minha admiração e contentamento, observei reconhecido:
- Ouvindo-lhe as considerações, reconheço que o missionário do bem, onde se encontre, é sempre um semeado de luz. Ele porém pareceu não ouvir minha referência elogiosa e prosseguiu noutro tom, após longa pausa:
- O meu amigo examinou alguns casos de obsessão entre agentes invisíveis pacientes encarnados, impressionando-se com a imantação mental entre eles. Pisamos no momento outro solo. Referimo-nos às necessidades de esclarecimento dos homens, perante os seus próprios companheiros de plano evolutivo.”

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Por que tantos ainda não acreditam na reencarnação. * Evangelização nº 136 do LIE

A Humanidade está numa fase de transição de valores e filosofia de vida. Não só o clima da Terra, mas todo o Planeta está passando por terremotos e alterações. As dores e provações coletivas se multiplicam abertamente, como é mostrado pelos meios de comunicação. Apesar desses claros sinais de alerta grande parte dos líderes religiosos incrementam a guerra contra crenças diferentes das suas. Sob ilusórias e pérfidas promessas de alcançar paraísos fantasiosos, os fiéis são levados a praticar crimes e genocídios cruéis.Tudo porque as legítimas Leis Divinas anunciadas nos Dez Mandamentos e nos Evangelhos de Jesus não são lucidamente seguidas. Só quando chegar o tempo em que pelo menos a Lei da Reencarnação for aceita e seguida pelos povos da Terra, então teremos chegado ao estágio regenerativo, que sobreviverá ao atual tempo de provas e expiações para conscientizar pela dor. Parece incrível mas é só verdade o que afirmamos: “a reencarnação das almas, sustentada pela lei de causa e efeito e pela Misericórdia do Pai Criador, dando novas chances aos filhos que erram, mudará todo o cenário da crosta terrestre”. Leiamos um trecho abaixo contido no final do capítulo II.
“As nações reencarnacionistas renovarão a paisagem da vida na Crosta da Terra, conferindo a criatura não somente as armas com que deve guerrear os estados inferiores de si própria, mas também lhe fornecendo o remédio eficiente e salutar. Faz muitos séculos, afirmou Plotino que toda antiguidade aceitava como certa a doutrina de que, se a alma comete falhas, é compelida a expiá-las, padecendo em regiões tenebrosas, regressando, em seguida a outros corpos, a fim de reiniciar suas provas. Falta, desse modo, lamentavelmente, aos nossos companheiros de Humanidade o conhecimento da transitoriedade do corpo físico e o da eternidade da vida, do débito contraído e do resgate necessário em experiências e recapitulações diversas. Barcelos calara-se, por instantes, enquanto eu lhe ponderava a extensão da competência. Com justificada razão possuía ele o título de Assistente, porque não era um simples irmão auxiliador, mas profundo especialista no assunto a que se dedicara, fervorosos. A conversação dele valia por um curso rápido de Psiquiatria sob novo aspecto, que me cabia aproveitar, em benefício próprio, para as tarefas marginais do serviço comum.
Desejando traduzir minha admiração e contentamento, observei, reconhecido:
- Ouvindo-lhes as considerações, reconheço que o missionário do bem, onde se encontre, é sempre um semeador de luz.
Ele, porém, pareceu não ouvir minha referência elogiosa e prosseguiu noutro tom, após longa pausa:
- O meu amigo examinou alguns casos de obsessão entre agentes invisíveis e pacientes encarnados, impressionando-se com a imantação mental entre eles. Pisamos no momento outro solo. Referimo-nos às necessidades de esclarecimento dos homens, perante os seus próprios companheiros de plano evolutivo. No círculo das recordações imprecisas, a se traduzirem por simpatia e antipatia, vemos a paisagem das obsessões transferida ao campo carnal, onde, em obediência às lembranças vagas e inatas, os homens e as mulheres, jungidos uns aos outros pelos laços de consangüinidade ou dos compromissos morais, se transformam em perseguidores e verdugos inconscientes entre si. Os antagonismos domésticos, os temperamentos aparentemente irreconciliáveis entre pais e filhos, esposos e esposas, parentes e irmãos, resultam dos choques sucessivos da subconsciência, conduzida a recapitulações retificadoras do pretérito distante”.

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Troca de experiências entre Espíritos * Evangelização nº 137 do LIE

Os livros de André Luiz comprovam que, para adiante do sepulcro, há uma busca constante de novos conhecimentos ou estacionamento na dor e nos instintos primitivos do ser humano, tais como o egoísmo, a arrogância, a cobiça desmedida e a vaidade. Enquanto não encontra Deus o homem estará sempre trilhando veredas de raciocínio conflitado. Nada mais equivocado quanto à vida espiritual do que as lápides dos jazigos onde os entes queridos desejam piedosamente ao desencarnado um “descanso eterno”. As leis que presidem a nossa evolução espiritual são no sentido de que devemos trabalhar e nos esforçarmos para progredir, quer na vida terrena quer nos planos mais elevados. É por isso que Jesus nos informou: “Há muitas moradas na casa de meu pai.” A obediência harmônica às leis Divinas é que nos asseguram as melhores vivências nos dois planos da vida, ambos mantidos pelo nosso Pai poderoso e justo, que nunca abandona seus filhos. Vejamos um trecho desse capítulo 4 onde lemos o seguinte:
“Quando dispomos de clarividentes nos serviços de socorro ao abismo, em circunstâncias favoráveis, conseguimos resultados de preciosa eficiência. Os servidores dessa natureza, porém, são poucos, em vista da multiplicidade das tarefas e raros se dispõem a servir nas paisagens escuras da angústia infernal. Luciana, chamada nominalmente à palestra, esclareceu que teria satisfação em cooperar e contou-nos que buscara desenvolver as faculdades de que era portadora, a fim de socorrer, noutro tempo, o Espírito de seu pai, desencarnado numa guerra civil. Tivera ele preponderância no movimento de insurreição pública e permanecia nas esferas inferiores, alucinados pelas paixões políticas.
Depois de paciente auxílio, reajustar emoções, obtendo possibilidades de reencarnar em grande cidade brasileira, para onde ela mesma, Luciana, seguiria também logo pudesse o genitor do pretérito organizar no lar, restabelecendo-se a aliança de carinho e de amor, segundo o projeto por ambos estabelecido. Zenóbia ouvia com atenção. Percebemos talvez que a palestra tendia para o campo do personalismo direto, em minutos para os quais provavelmente a diretora da casa teria outros compromissos, Jerônimo interferiu na conversação e dirigiu-se a ela, atencioso: - Estamos satisfeitos, Irmã, pela perspectiva de algum concurso amigo, ao seu lado. Compreendemos a grandeza de sua missão nobilitante e, se vamos depender tanto de seu generoso amparo, nesta casa, constitui-nos obrigação cooperar com a Irmã nos trabalhos em que nossa humilde colaboração possa ser útil. Seguiremos, amanhã, para a zona carnal. Entretanto, logo que nos seja possível trazer para sua companhia o primeiro irmão libertado, André e eu permaneceremos em trânsito entre a Crosta e este abençoado asilo, enquanto Hipólito e Luciana se demorarão aqui, velando pelos convalescentes e colaborando, junto da Irmã, nas tarefas imediatas.
- Alegra-me sobremaneira a expectativa! – falou a diretora, evidentemente satisfeita. Nesse instante, invisível campainha ressoou, estridente, com estranha entonação. Não decorreram cinco segundos e alguém entrou na sala, rumorosamente. Era determinado servo da vigilância, que anunciou: - Irmã Zenóbia, aproximam-se entidades cruéis. A agulha de aviso indicou a direção norte. Devem estar a três quilômetros, aproximadamente. A orientadora empalideceu ligeiramente, mas não traiu a emoção com qualquer gesto que denunciasse fraqueza.”

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O que acontece após a morte com os que acreditam em céu e inferno eterno.* Evangelização nº 138 do LIE

O depoimento que o Dr. Gotuzo presta a André Luiz, num reencontro após a morte física, integra um trecho dos mais relevantes da obra do autor Espiritual. E um testemunho dos mais claros e denunciadores das fantasias, ilusões e crenças religiosas equivocadas e enganadoras acerca das interpretações evangélicas errôneas e que pararam no tempo. Tão logo desencarnou, tendo confessado e recebido a Extrema Unção, aguardou ansiosamente a chegada dos anjos, que o levariam aos pés do Senhor, antes de entrarem no paraíso eterno, conforme a predição do padre que o atendera na sua fase final e que era seu amigo. Debalde aguardou com nervosismo. Passou-se um longo tempo até o espírito Dr. Gotuzo, num impulso emocionante voltou a Terra para acertar contas contra o padre que lhe enganara e a quem dera, horas antes de morrer, um valor em torno de R$ 7500,00. O padre, que não era vidente, nem percebeu a aproximação de Gotuzo, o qual teve que voltar para o Umbral até ser socorrido por Espíritos Benevolentes. Vale a pena ler e estudar a fundo o capítulo 5º deste livro misericordiosamente revelador acerca do que é verdadeiramente a morte física. Leiamos, pois um trecho do capítulo a seguir:
“A realidade, porém, foi muito diversa e, depois das lutas purgatórias, voltando ansioso a casa não encontrei rastro dos entes amados que ai deixara. Enquanto perseverava em doloroso sonambulismo, buscando socorro junto à religião, nunca pude voltar ao campo da família, porquanto, antes do tentâmen, fui arrebatado em violento e escuro torvelinho que me situou em terrível paisagem de trevas e sofrimentos indescritíveis. No primeiro instante de libertação, todavia, fui surdo a toda espécie de ponderação, rompi todos os obstáculos e, sequioso de afeto, encontrei-os, enfim... A situação, no entanto, desconcertou-me.
Primo Carlos que sempre me invejara a abastança, insinuara-se em casa, a título de proteger-me os interesses, e desposou-me a companheira, perturbou o futuro de meus filhos e dissipou-me os bens, entregando-se, em seguida, a criminosas aventuras comerciais. Quase voltei ao primitivo estado de desequilíbrio mental, ajuizando os acontecimentos imprevistos. Após prantear a posição dos meus rapazes, convertidos em agenciadores de maus negócios, encontrei Marília, justamente no dia imediato ao nascimento do segundo filho do casal. Ajoelhei-me, em soluços, ao pé do leito humilde em que repousava e perguntei-lhe pelo patrimônio de paz que, ao partir, lhe depositara, confiante, nas mãos. A infeliz, fundamente desfigurada, não me identificou a presença, nem me ouviu a voz, mas lembrou-se intensamente de mim. Contemplou o pequenino que dormia calmo e caiu em pranto convulsivo, provocando a presença de Carlos, declarando-se angustiada, nervosa... Quando vi chegar o invasor, irascível e detestado, recuei, tomado de infinito horror. Não tive forças. Era isso que me aguardava, após tanta luta? Deveria conformar-me e abençoar os que me feriam? O quadro era excessivamente negro para mim. Em prejuízo do meu espírito, desfrutara uma existência regular, com todos os desejos atendidos. Não me iniciaria no ministério ta tolerância, da paciência da dor. E por esse motivo meus sofrimentos assumiram assustadoras proporções.”

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A lógica reencarnacionista.* Evangelização nº 139 do LIE

Neste capitulo fica explícita a lógica da lei reencarnacionista. Temos que bem administrar nossas emoções, superar nossas mágoas, melindres e ressentimentos para nos conservarmos no caminho da Luz. Os Espíritos Dr. Gotuzo e Dr. André Luiz, ambos foram médicos na Crosta Terrestre e deixaram em suas famílias e profissões muitas lacunas e dívidas a resguardar. André Luiz, como espírito, mostra-se mais recuperado moralmente e também mais lúcido acerca das leis Divinas e a necessidade de evoluir em cada dia da vida terrestre e a cada hora que aproveitamos, para resgatar fazendo o Bem e buscando a Luz. Leiamos o que Gotuzo conta acerca da própria história, as dificuldades com as quais ainda se encontra e porque quer voltar a Terra para reencarnar e realinhar-se no caminho da Luz do Mais Alto. Leiamos, pois um trecho do capítulo a seguir:
“ – Gotuzo, mas é você, experiente desse modo quanto aos problemas do resgate espiritual, que guarda mágoa do lar que se foi? Como pode encarcerar-se no desalento, a deter tamanha possibilidade de libertação? O companheiro fixou em mim os olhos inteligentes e lúcidos, como a dizer em silêncio que sabia de tudo isso, esforçou-se por parecer jovial e respondeu: - Não se preocupe. Em vista das extremas dificuldades para dominar-me, estudo, atualmente, a probabilidade de reincorporação no ambiente doméstico, enfrentando a situação difícil com a devida bênção do esquecimento provisório na carne, a fim de reconstruir o amor em bases mais sólidas, junto àqueles que não tenho compreendido tanto quanto deveria. Nesse instante, certa enfermeira assomou à porta de entrada, pedindo, licença para interromper-nos e notificou que a turma de sentinelas, em tratamento mental, esperava no salão contíguo. Esclareceu Gotuzo que seguiria imediatamente. Novamente a sós, explicou-me sorrindo: - Na esfera carnal, na qualidade de médicos, nossas obrigações resumiam-se ao exame detido das enfermidade, com indicação clínica ou intervenção cirurgia, e ao fornecimento de diagnósticos técnicos que outros colegas confirmavam, quase sempre por espírito de solidariedade dentro da classe; mas, aqui, a paisagem modifica-se. Cabe-me usar a língua como estilete criador de vida nova. A casa está repleta de cooperadores que trabalham, servindo-lhe ao programa de socorro, e se submetem aos nossos cuidados de orientação médica, simultaneamente. Não basta, porém, que eu lhes diga o que sofrem, como fazia antigamente. Devo funcionar acima de tudo, como professos de higiene mental, auxiliando-os na germinação e desenvolvimento de idéias reformadoras e construtivas, que lhes elevem o padrão de vida íntima. Distribuímos recursos magnéticos de restauração, com todos os necessitados, reanimando-lhes a organização geral, com os elementos de cura ao nosso alcance; não sem ensinar, entretanto, a cada enfermo, algo de novo que reajuste a alma. Noutro tempo, tínhamos o campo de ação na célula física. Presentemente, todavia, essa zona de atuação é a célula mental. Observando a disposição ativa do companheiro, meditei no tempo que despendera, antes de participar dos serviços médicos da região superior a que fora conduzido, e perguntava a mim mesmo a razão pela qual fora Gotuzo tão depressa utilizado, ali, na esfera de socorro aos aflitos. Reparei, todavia, que o novo amigo não me recebia os pensamentos, nem mesmo de maneira parcial, demonstrando-se menos exercitado nas faculdades de penetração e, acompanhando-o ao recinto, onde o aguardava extensa clientela, notei que a assistência ali era ministrada a doentes em massa, dentro de vibrações mais grosseiras e lentas, exigindo a colaboração especializada de médicos desencarnados que, como acontecia com Gotuzo, ainda conservavam regular sintonia com os interesses imediatos da Crosta Terrestre.

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A conversão de um renegado.* Evangelização nº 140 do LIE

O despertamento espiritual do ex-padre Domênico aconteceu após uma saga de dores, provações e tormentos consciênciais. Ele fora um sacerdote que abusara da sua missão de pastorear almas e educar consciências. Utilizando-se de vários meios, certamente que também do confessionário, Domênico seduziu várias mulheres iludidas por suas promessas e argumentos de sedutor experiente que usava uma voz doce para ludibriar suas vítimas desprevenidas.
Tanto fez e enganou moças e mulheres que terminou envenenado por um marido ciumento e revoltado. Antes de morrer, contudo, padre Domênico recebeu o sacramento da Extrema-Unção e teve um velório suntuoso, pois, os paroquianos não ficaram sabendo da verdadeira causa de seu passamento. Ao cruzar a porta do sepulcro, porém, sua surpresa e revolta foram enormes. Em lugar dos direitos canônicos e a recepção pelos anjos celestiais, tendo em vista que, fora perdoado à ultima hora da vida física. Enfurecido clamava contra a Igreja que o enganara e contra Deus que lhe ocultara suas leis reais após a morte. Vamos ver o que aconteceu até a chegada de um antigo amor (Zenóbia) e de sua amorosa mãe - Ernestina. Depois de sua consciência ter sido desvendada pelo registro da lembrança das aventuras que desenvolvera como predador de mulheres, ele se vê desmascarado pela vidente Luciana, e é induzido a arrepender-se pelos apelos de sua mãe. Leiamos:
“Fosse pela renovação profunda daquela hora que lhe modificara o padrão vibratório, fosse porque as forças invisíveis de ordem superior manipulavam as nossas energias conjuntas em benefício do infeliz, Domenico, que era cego perante nós outros, conseguiu enxergar a recém – chegada. Comoventes gritos alcançaram-nos o íntimo. – Mamãe! Mamãe!... Aquela criatura que se mostrava tão rígida e indiferente, o eclesiástico que zombara de tantos corações na Terra, segundo retrospecção do pretérito que Luciana levara a efeito, igualmente invocava o nome da mãe, como se fora chorosa criança desviada do lar. Abriu, ansioso, os braços, procurando-lhe o seio amigo, e Zenóbia, com carinhoso cuidado, ajudou-o a refugiar-se no colo materno. Ernestina apertou-o, então, de encontro ao peito e pareceu-me que o infortunado sentia o contato material, como se houvera alcançado o repouso supremo.
– Mãe, minha mãe! – gritava, colando a cabeça ao tórax inclinado para a frente a fim de melhor fazer-se sentir – Ajuda-me! Perdoa-me! Perdoa-me! – E recordando, talvez, o trabalho da clarividente que lhe alterara o ser, acrescentou: - A justiça divina descobriu-me; sou um réprobo sem perdão, um celerado infernal. Hediondo passado está vivo, dentro de mim. Oh! mamãe, és capaz de suportar-me, quando todos me detestam? Ernestina aconchegou-o mais perto do coração e falou comovida: - Eu não sei, meu filho, se foste criminoso; sei que te amo de toda a alma, sei que sentia profunda saudades de tua presença carinhosa, no desejo enorme de sentir-te, de novo, junto de mim! Que haveria de mais belo para o meu coração que o doce enternecimento desta hora? Deixa que nasçam em ti pensamentos de júbilo e reconhecimento ao Pai de Inesgotável bondade que nos reúne compassivamente. Medita um instante, Domenico, sobre a grandeza divina e certifica-se de que ninguém permanece ao abandono”.

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A descrição da entrada do inferno.* Evangelização nº 141 do LIE

A caravana de 25 espíritos socorristas organizada e protagonizada por Zenóbia, diretora da “Mansão Fabiano de Cristo”, caminhava silenciosamente pela escuridão de uma zona que André Luiz descreve como “umbralina e tenebrosa”, ia prestar auxilio e socorro a vários espíritos mergulhados no lodo das provações e expiações. Os socorristas caminhavam em fila indiana orando e levando auxiliares que portavam aparelhos defensivos contra ataques hostis das milícias do mal que chefiavam tais sítios aterradores do umbral, construídos pelas mentalizações e construções humanas viciosas. O poeta Italiano Dante Alighieri, descreveu em um texto filosófico o poema medieval “O Inferno” em cujo labirinto as almas penavam a condenação das paixões, que muito se assemelham às narrações de André Luiz. Em qualquer ângulo contudo, é importante ler o que André Luiz descreve, pois, enquanto Alighieri detalhou apenas pela imaginação criativa, André descreveu o que viu e protagonizou. Ainda segundo André Luiz, em torno de 75 pessoas em cada cem, tem que passar ou estagiar nos sítios umbralinos para fins de resgate. Portanto é uma descrição que deve interessar a todos. Leiamos:
“A sombra tornava-se, de novo, muito densa e não se conseguia divisar o recôncavo. Frases comovedoras, porém, subiam até nós. Dolorosos ais, blasfêmias, imprecações. Guardava a idéia de que vastíssimo agrupamento de infelizes se rebolcava no solo, em baixo. Os impropérios infundiam receio; contudo, os gemidos ecoavam-me angustiosamente na alma. Certo, os demais companheiros experimentavam análogas emoções, porque a Irmã Zenóbia tomou a palavra, esclarecendo:
- Os padecimentos que sentimos não se verificam à revelia de Proteção Divina. Incansáveis trabalhadores da verdade e do bem visitam seguidamente estes sítios, convocando os prisioneiros da rebeldia à necessária renovação espiritual; no entanto, retraem-se eles, revoltados e endurecidos no mal. Lamentam-se, suplicam e provocam compaixão. Raramente alguns deles nos ouvem o apelo. Às vezes, intentamos impor-lhes o bem. Entretanto quando os retiramos compulsoriamente do vale tenebroso, acusam-nos de violentadores e ingratos, fugindo ao nosso contacto e influenciação. Embora o triste conteúdo da notificação de Zenóbia no-la fornecida, inflamada no espírito de serviço a julgar pelo bom ânimo que transparecia de seus gestos e palavras.
– A negação deles – continuou a orientadora – não é motivo para qualquer negação de nossa parte. Lembremo-nos de que o esforço da Natureza converte o carvão em diamante... Trabalhemos em benefício de todos os necessitados, procurando para o nosso espírito, o divino dom de refletir os Supremos Desígnios. Façam-se as obras da vida, não como queremos, mas como o Senhor determine. Grande é a beneficência do Pai para conosco. Reportamo-la em serviço de fraternidade e esclarecimento, na harmonia comum. Em seguida dez cooperadores, obedecendo-lhe as ordens, acenderam focos de intensa luz. Contemplamos, então, sensibilizados e surpresos, monstruoso quadro vivo. Vasta legião de sofredores cobria o fundo, um pouco abaixo de nossos pés. A rampa que nos separava não era íngreme, mas compacto e enorme o lamaçal. Em face de claridade brusca, muitas vozes suplicaram socorro, em frases angustiosas que nos cortavam a alma. Outras, porém, faziam-se ouvir diferentes: vociferavam blasfêmias, ironias, condenações.”

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Amor de Mãe após a morte. * Evangelização nº 142 do LIE

A mãe lamenta sem cessar a perda do filho amado de 9 anos. À noite, exausta pela dor, adormece e sonha com o filho querido. O mundo espiritual, sempre em vigilância, possibilitou, que esse sonho se transformasse em realidade no outro plano de vida. Ou seja, a mãe desconsolada encontra o filho que julgava perdido para sempre e transborda de júbilo. André descreve o reencontro espiritual e como a mãe fica agradecida ao filho amado, que a conduz pelo braço ao Ministério do auxílio, para fins de consolação e reabilitação, amparo e conscientização. No pequeno trecho da narrativa, o autor expõe a relevância e a perpetuidade do amor em todos os planos de vida, mostrando que o portal da morte não apaga nem desvitaliza os afetos desenvolvidos no mundo físico. Pelo contrário, o amor se revigora com o passar do tempo e o renovar das vidas sucessivas. E tanto os afetos humanos quanto os conflitos familiares se estabelecem conforme esculpimos o nosso destino. E é por isso que no Estatuto Divino não existe a palavra injustiça. Quem pratica injustiça são os seres humanos, uns com os outros. Leiamos agora um trecho do capítulo que descreve episódios a respeito das repercussões de situações que nós mesmos criamos:
“Atravessada à zona magnética de defesa, confundimo-nos com os passantes. Não longe de mim, interessante menino, que aparentava nove a dez anos de idade, revestido de gracioso halo de luz, guiava uma senhora de passos incertos. Parecia enferma, incapaz de autocontrole. O pequeno, porém, segurava-lhe firmemente a destra e, após saudar a Irmã Zenóbia, respeitoso, exclamou para matrona hesitante: - Por aqui, mamãe! Por aqui! Venha sem medo. Ouvindo-o, a interpelada parecia acordar num sonho bom e gritava, semi-inconsciente: - Meu filhinho, meu filhinho! Não me deixes voltar. Quero-te sempre, sempre!... As expressões de meiguice misturavam-se a copioso pranto. Fixei-lhe os traços fisionômicos. A pobre mãe não nos enxergava. Seguia, acanhada e insegura de si. Seus olhos, que vertiam grossas lágrimas, permaneciam presos na contemplação da criança, revelando a suprema ternura de mãe, exausta de saudade, a reencontrar o objeto de seu amor, que parecera perdido para sempre. – Mamãe, caminhe! Não desfaleça! – clamava o rapazinho, exultando de júbilo. – Já vou, meu filho! Eu te seguirei, leva-me contigo! – tornava a palavra maternal, afogada em sublime emoção. Meus companheiros, habituados talvez, desde muito, ao espetáculo, conversavam, descuidados, entre si; todavia, segui, de olhos umedecidos, a criança carinhosa que amparava a sua mamãe, até que desapareceram através de uma das portas laterais. Não contive surpresa que me dominava. Tocando o braço do padre Hipólito, indaguei: - Meu amigo, com que fim seguiriam a senhora e o menino? Esboçou ele significativo gesto de espanto e observou: - Não os vi. Falhei-lhe, então, do quadro que tanto me enternecera, bordando meus informes de considerações afetivas. O ex-sacerdote sorriu compassivo e acrescentou: - Ora, André, são tantas mães e tantas crianças a transitarem por aqui!... Certamente, o filhinho, como tantos outros, conduz a genitora a gabinetes de auxilio.”

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O amor de mãe é o maior do mundo. * Evangelização nº 143 do LIE

Dentre os inúmeros sentimentos que se desenvolvem na Terra o mais elevado e profético dentre todos é o amor, maiormente o amor de mãe. Os episódios que envolvem o médico desencarnado Dr. Gotuzo, trazem à Luz da evidência como o amor de uma mãe despertada para o Mais Alto pode proteger e salvar um filho nas encruzilhadas do Amor que conduz a Deus. Na realidade o Dr. Gotuzo trabalhava como médico socorrista na Espiritualidade, atendendo grupos numerosos de pacientes recém-desencarnados, mas, mesmo depois de anos, guardava em seu íntimo, mágoas profundas dos familiares que deixara no Globo Terrestre, principalmente de sua esposa, da qual sentia ciúme por ter ela casado com outra pessoa após a sua morte. Nesse episódio a mãe de Gotuzo, que já era um habitante das altas esferas celestiais, lhe apareceu e fez rogativas de mãe amada para que ele desperte para as realidades Divinas, perdoe tudo o que deve perdoar e se disponha a reencarnar novamente na Terra, reagrupando de novo o grupo familiar a que todos pertenceram. A narrativa de André expõe com muita clareza como são recorrentes e eternos os laços afetivos nas vidas sucessivas, daqueles que se amam verdadeiramente. Leiamos agora um trecho do capítulo aqui citado:
“Respeitoso e humilde, Gotuzo rogou à Irmã Zenóbia lhe permitisse aproximar-se. Obtido o consentimento, avançou para a poltrona em que Luciana traduzia a personalidade materna, e ajoelhou-se, beijando-lhe a mão: Letícia, bondosa, recomendou: - Levante-se, meu filho... Sei que você me ama intensamente. Todavia, há irmãos nossos que lhe esperam a estima e a compreensão. Não venho sozinha ao seu encontro. Enquanto me dispunha a visitá-lo, solicitei o comparecimento de alguém dos círculos mais densos, para colher a certeza de suas disposições. Para a nossa felicidade completa não basta que você me beije e admire. É indispensável que se aproxime fraternalmente daqueles a quem ainda não sabe amar. Alguém confabulará conosco, dentro de minutos breves. Abrir-se-ão as portas desta casa de bênçãos, em benefício de nossa congregação familiar. Espere. Mantinha-se Gotuzo em ansiosa expectativa, em face das singulares observações.
Surpreendendo-nos a todos, poucos segundos após, duas senhoras penetraram o recinto. A que apresentava maior número de anos, revelava alta posição de orientadora, na luz que a circundava, mas a segunda mostrava a obscura condição de alma encarnada, em temporário afastamento do corpo, através do sono físico. Reconheceu Gotuzo, de longe, e, evidenciando incontestável deficiência de disciplina emotiva, estendeu-lhe os braços, descontrolada e inquieta, bradando: - Gotuzo! Gotuzo! Que felicidade, este reencontro! Parecendo, porém, perturbada pelo choque das lembranças relativas à diferente situação que o desprendimento do primeiro esposo lhe trouxera acrescentava, aflita: - Não me queira mal! Ajude-me por amor de Deus! Não me abandone, não me abandone!...
Dolorosos soluços rebentavam-lhe o peito. O interpelado quedou silencioso, atendendo, talvez, à íntima angústia que dominava, mas Letícia interveio generosa. “Erguendo-se, firme, recolheu a nora nos braços e a tranquilizou.”

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O poder de Deus mostrado no outro lado da vida. * Evangelização nº 144 do LIE

No pequeno trecho que vamos transcrever linhas abaixo iremos observar no relato de André Luiz um lance do poder ostensivo de Deus operando numa zona umbralina para mudança da “Casa Transitória Fabiano de Cristo” para um outro local em que pudessem melhor atender aos desencarnados sofredores e desorientados. E ali ocorre um extraordinário acontecimento. Era necessário transferir todo o imenso estabelecimento socorrista para local distante dali, por via aérea e sem que nada se perdesse nem fosse tocado. Por mercê esse milagroso prodígio foi conseguido. Após a diretora da casa Transitória com a bíblia na mão, ter lido e invocado em voz alta o salmo 104, todo o estabelecimento começou a subir em sentido vertical e após isso por 3 horas e 30 minutos em sentido horizontal, e só então voltou a assentar-se na nova região, de aspecto mais claro e reaproveitável. Este episódio singular está descrito pelo Espírito André Luiz nas páginas 167, 168 e 169. Algo assim como – só para efeito de comparação – à gigantesca onda Tsunami, que atingiu 11 praias da Indonésia, ocorrência essa verificada em Dezembro de 2005, após um terremoto fortíssimo. Leiamos o relato do Espírito André Luiz:
“A instituição, através de todos os administradores, e auxiliares, operava com indescritível heroísmo com fraqueza, de minha parte aguardava, ansioso por sinal de regresso ao interior, tal a impressão desagradável de que me sentia possuído. Fitas inflamadas do firmamento caíam sempre, em meio de formidáveis explosões, oriundas da desintegração de princípios etéricos...
Quando tudo fazia supor que não havia nas vizinhanças entidades em condições de serem socorridas, soou a clarinada equivalente ao toque de recolher. Enfim! Suspirei aliviado. Consoante instruções recebidas, abandonamos os aparelhos eletromagnéticos da defensiva, em funcionamento indiscriminado, e afastamo-nos apressadamente. Sorvedouros de chamas surgiam próximos e tamanha gritaria verificava, em derredor, que tínhamos perante os olhos, perfeita imagem de vasta floresta incendiada, a desalojar feras e monstros de furnas desconhecidas. Atravessamos o pórtico do asilo seguidos de todos os companheiros que ainda se conservavam no exterior. Escutávamos, agora, o ruído leve dos motores. Lá fora, espessos bandos de entidades perversas tentavam ainda romper os obstáculos, invadindo-nos o abrigo prestes a partir. Aflitiva inquietude empolgava-me. – Que seria de nós, se a multidão assaltasse o reduto? Por outro lado, a queda contínua de faíscas flamejantes, a meu ver, punha em perigo a organização. Porque não desferir vôo imediatamente? Era forçoso considerar que dentro do asilo reinava absoluta ordem, não obstante o ritmo apressado do trabalho. Acomodações simples, mas confortadoras, recebiam sofredores extenuados. E serena como sempre, como se estivesse habituada às perturbações externas, a irmã Zenóbia controlava a situação, ultimando providências.”

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O socorro de Deus nos estágios do Umbral * Evangelização nº 145 do LIE

No além, mesmo para espíritos que já alcançaram razoáveis níveis de conhecimento espiritual, é preciso estudar as leis de Deus que governam os diversos estágios no Espaço. Quem não estuda não progride tanto no plano físico quanto no Espiritual. O que devemos ter por base nesses conhecimentos que adquirimos, é a fé convicta na justiça perfeita e infinita de Deus, porque os princípios reinantes aqui e lei são os mesmos. As benditas oportunidades de trabalho e renovação são concedidas rigorosamente de acordo com os méritos de cada um. Quem faz de sua vida uma estrada de egoísmo, oportunismo, desrespeito ao semelhante, brabeza ou arrogância, não deve esperar dessa sábia justiça, luzes ou estágio mental prazeroso. A vida após a sepultura corrige com severidade adequada nossos erros, paixões e vícios. E os nossos atos de fé, bondade e compaixão pelo próximo são duplamente recompensados quer na vida após a morte, quer na reencarnação seguinte. Por isto precisamos conscientizar-nos de sermos bons e adquirir fé lúcida, é iniciativa pessoal de sabedoria e inteligência. Leiamos o que, sobre esta grande questão, nos esclarece o assistente Jerônimo na obra acima:
“Não era porventura, cheia de exemplos? Os temperamentos, por muitos anos fervorosos na fé, haviam sido pasto de feras. Os continuadores do Mestre foram vítimas de tremendas provações e Ele mesmo alcançara o Calvário em passadas dolorosas...
O Assistente percebeu o jogo de raciocínios que se me desdobrava no íntimo e esclareceu:
- Suas objeções mentais não têm razão de ser. A concepção humana do socorro divino é viciada desde muitos séculos. A criatura pressupõe no amparo de Deus o protecionismo do sátrapa terrestre. Espera perpetuidade de favores materialísticos, injustificável destaque entre os menos felizes, dominação e louvor permanentes. Costuma aguardar serviço, estima e entendimento, mas desdenha servir, estimar e entender, quando não seja em retribuição. O subsídio celeste traduz-se por benditas oportunidades de trabalho e renovação; chega, muitas vezes, ao círculo da criatura, como se foram gloriosas feridas, magníficas dores, abençoados suplícios. Enquanto predominem na Crosta Planetária os impulsos de animalidade primitiva, os agraciados pela benção divina serão, em sua maior parte, representantes do poder espiritual, os quais, de maneira alguma, ficarão isentos de testemunhos difíceis nas demonstrações imprescindíveis. Não que o Senhor intente transformar discípulos em cobaias, mas pela imposição natural da obra educativa em que a lição do aluno atento e fiel deve interessar à classe inteira. O que quase sempre parece sofrimento e tentação, constitui bem-aventurança transformando situações para o bem e para a felicidade eterna.
O argumento era lógico e incisivo. E porque o Assistente silenciasse, cogitando, talvez, do objetivo fundamental que nos conduzia ao trabalho previsto, procurei reter impulsos indagadores. Orientados por Jerônimo, atingíramos pequena cidade do interior e dirigimo-nos a certa casa humilde, na qual, em breves minutos, nos apresentava ele determinado companheiro, em lamentáveis condições, atacado de cirrose hipertrófica.”

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Palavras finais a uma irmã que vai desencarnar.* Evangelização nº 146 do LIE

Para quase totalidade das pessoas, há e haverá sempre momentos de reflexão final antes da morte. E tais momentos de reflexão são igualmente oportunos porquanto nos oferecem a chance, de fazermos um balanço final da vida que tivemos e das esperanças que devemos ter antes de cruzarmos o portal da desencarnação. É isto o que ocorre com a irmã Adelaide na hora do fechamento do balaço da vida física. Apesar de ter vivido uma existência de amor e caridade, alimentava ainda alguns receios pelo destino das tarefas físicas que ainda queria concluir. Mas quem está à sua cabeceira de enferma terminal é o próprio Dr. Adolfo Bezerra de Menezes, ele passa para a enferma, na hora desse transe, palavras de compreensão, regozijo, afastamento e libertação. Leiamos com atenção:
“Bezerra acomodou-se junto dela, com intimidade paternal, afagou-lhe com a luminosa destra a fronte abatida e falou otimista:
- Já sei. Você pensa nos parentes, nos amigos, nos orfãozinhos e nos trabalhos que ficarão. Ó Adelaide! Compreendo seu devotamento materno à obra de amor que lhe consumiu a vida. Entretanto você está cansada e Jesus, Médico Divino de nossa alma, autorizou o seu repouso. Confie e Ele as penas que lhe oprimem o espírito afetuoso. Deponha o precioso fardo de suas responsabilidades em outras mãos, esvazie o cálice de sua alma, alijando amarguras e preocupações. Converta saudades em esperanças e desate os elos mais fortes, atendendo a ordem divina.
Adelaide pousou no benfeitor os olhos muito lúcidos, revelando-se confortada e, após breve pausa, - Bezerra prosseguiu:
- Sua grande batalha está terminando. Você é feliz, minha amiga, muito feliz, porque seu Espírito virá condecorado de cicatrizes depois de resistir ao mal depois de muitos anos, como sentinela fiel, na fortaleza da fé viva... Ensinou aos que lhe cercaram o caminho todas as lições do bem e da verdade possíveis ao seu esforço... Entregue parentes e afeições a Jesus e medite, agora na Humanidade, nossa abençoada e grande família. Quanto aos serviços confiados por algum tempo à sua guarda, estão fundamentalmente afetos ao Cristo que providenciará as modificações que julgue oportunas e necessárias. Baste a você o júbilo do dever bem cumprido. Arregimente, pois, as suas forças e não se entristeça, porque é chegado para seu coração o prélio final... Coragem, muita coragem e fé!
A respeitável irmã sorriu, quase feliz. Logo em seguida, pequena auxiliar do instituto quebrou o colóquio espiritual, abrindo a porta inesperadamente e anunciando visitas. Dona Adelaide, em face das circunstâncias, centralizou a mente no círculo dos encarnados e perdeu o benfeitor de vista. O venerando médico dos infortunados passou a entender-se com Jerônimo, acerca de vários problemas que diziam respeito à nossa missão, enquanto nos retirávamos, discretamente, proporcionando-lhes liberdade à permuta de ideais.”

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Descrição de 5 desencarnações conjuntas – Adelaide subindo num carro de fogo de Elias – A morte de Dimas* Evangelização nº 147 do LIE

A descrição dos instantes finais de vários desencarnados em lugares diversos mostra a salvaguarda que os espíritos do bem dão aos moribundos, preparando-nos para libertação dos laços físicos. A volitação de Adelaide e Fábio, trabalhadores da Seara do Cristo, reproduz um painel cintilante que lembra o carro de fogo que elevou às alturas o profeta Elias, do Antigo testamento. Um espetáculo maravilhoso e multicolorido comprovando o Poder de Deus vencendo a lei da gravidade e o império de Luz abatendo as trevas. Leiamos essa narrativa de André Luiz, que a tudo assistiu e protagonizou, para refletirmos numa das situações que ocorrem nas fases finais da morte física:
“De regresso à câmara de Adelaide, encontramos os demais à nossa espera. Irene e Luciana haviam trazido Albina para os trabalhos preparatórios. Sem perda de tempo, demandamos a grande casa de saúde, em busca de Cavalcante. Hipólito adivinhara. O doente mostrava-se muito aflito. Bonifácio ao lado dele, cooperava devotadamente conosco, para desprendê-lo temporariamente do corpo oprimido. O enfermo, no entanto, se deixara tomar por horríveis impressões de medo, dificultando os nossos melhores esforços. Após trabalho ingente de magnetização do vago e em seguida à ministração de certos agentes anestesiantes, destinados a propiciar-lhe brando sono, retiramo-lo do corpo, que permaneceu sob os cuidados de Bonifácio. Em minutos rápidos, púnhamo-nos de regresso. Com aquiescência de Jerônimo, alguns amigos dos enfermos acompanhar-nos-iam à Casa Transitória. Dos cinco doentes, Adelaide e Fábio eram os únicos que revelavam consciência mais nítida da situação. Os demais titubeavam, enfraquecidos, baldos de noção clara do que ocorria.
O Assistente organizou a corrente magnética, tomando posição guiadora. Cada irmão encarnado localizava-se entre dois de nós outros, almas libertas do plano físico, mais experimentadas no campo espiritual. De mãos entrelaçadas, para permutar energias em assistência mútua, utilizamos intensivamente a volitação, ganhando alturas. Adelaide e Fábio, algo habituados ao desdobramento, assumiram discreta atitude de observação e silêncio. Os outros, porém, comentavam o acontecimento em altos brados. – Ó grande Deus! – exclamava Albina, rememorando passagens bíblicas – estaremos nós no glorioso carro de Elias? – Dai-me forças, ó Pai de Misericórdia! – Expressava-se Cavalcante, de alma opressa – falta-me a confiança geral! Ainda não recebi o Viático! Oh! Não me deixeis enfrentar os vossos juízos com a consciência mergulhada no mal!... Suas rogativas sensibilizavam-nos os corações. Dimas, por sua vez, balbuciava exclamações ininteligíveis, entre assombrado e inquieto. Atravessada a região estratosférica, a ionosfera surgia-nos à vista apresentando enorme diferença, por causa do fluxo intenso dos raios cósmicos em combinação com as emanações lunares. Espantado, Dimas perguntou em voz alta: - Que rio é este? Ah! Tenho medo! Não posso atravessá-lo, não posso, não posso!... O impulso magnético inicial fornecido por Jerônimo era, no entanto, excessivamente forte para sofrer solução de continuidade, ante tão débil resistência; e o grupo avançou, avançou sem recuos, até que, muito além, alcançamos o asilo de Fabiano, onde a Irmã Zenóbia nos acolheu de braços carinhosos.

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Equipes que cuidam dos desencarnados logo após a morte.* Evangelização nº 148 do LIE

Vemos que a desencarnação do médium Dimas causou forte movimentação em torno do velório, nos dois planos de vida. Enquanto os familiares e os participantes do velório davam curso à cerimônia, os desencarnados ali presentes também prestavam auxílio e vibrações ao próprio Dimas, o qual ainda permanecia ligado aos restos mortais por um provisório fio prateado. Enquanto o Instrutor Jerônimo aguardava na casa Transitória por algumas horas até o momento oportuno de desligar aquela espécie última de cordão umbilical, André Luiz se fez presente na tarefa de atender e libertar Dimas para a amplitude infinita da vida espiritual que se apresenta após a morte física. Num recanto da casa em que se desenrolava o velório estava o assistido Dimas, sua mãe desencarnada e dois auxiliares na vigilância. Vejamos o que ele André Luiz descreve dos lances ocorridos após a desencarnação do médium Dimas. Leiamos:
“Deixando a Casa Transitória, em plena noite, v i-me, em breve no ambiente doméstico onde o amigo se desfizera dos elos da matéria mais espessa. Entrei. A casa enchia-se de amigos e simpatizantes, encarnados e desencarnados. Não se articulavam quaisquer serviços de defesa. Notei que havia trânsito livre pelos grupos de variadas procedências. Em recuado recanto, ainda ligado as vísceras inertes pelo cordão fluídico-prateado, permanecia Dimas no regaço da genitora, ao pé de dois amigos que, cuidadosos, o assistiam. A nobre matrona reconheceu-me, comovida, apresentando-me aos companheiros presentes. Um deles, Fabriciano, acolheu-me, prestativo, interessando-se pelos informes atinentes ao desenlace. Relatei-lhe os trabalhos, pormenorizadamente. Em seguida, o interlocutor passou a explicar-se:
- Sempre tive por Dimas sincera admiração, pelo proveitoso concurso que soube oferecer-nos. Integro a comissão espiritual de serviço que vem atendendo aos necessitados, por intermédio dele, nos últimos seis anos. Foi sempre assíduo nas obrigações, bom companheiro, leal irmão. Surpreso com as referências, indaguei:
- Há, desse modo, comissões de colaboração permanente para os médiuns em geral?
- Não me reporto à generosidade – redargüiu o interlocutor -, porque a mediunidade é titulo de serviço como qualquer outro. E há pessoas que pugnam pela obtenção dos títulos, mas desestimam as obrigações que lhes correspondem. Gostariam, por certo, do intercâmbio com o nosso plano, mas, não cogitam de finalidades e responsabilidades. Em vista disso não estabelecem conjuntos de cooperação para os médiuns em geral, mas apenas para aqueles que estejam dispostos ao trabalho ativo. Há muitos aprendizes que não ultrapassam a fronteira da tentativa, da observação. Desejariam o caminho bem aplainado, exigindo a convivência exclusiva dos Espíritos genuinamente bondosos. Experimentam a luta construtiva, através de sondagens superficiais e, à primeira dificuldade, abandonam compromissos assumidos.”

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A descrição de uma morte* Evangelização nº 149 do LIE

O morrer é tão importante quanto nascer. No sentido do reconhecimento, a obra de André Luiz é um vasto painel revelador de Misericórdia Divina para aveludar os acidentados caminhos do homem terrestre. A constatação ampla e irretratável de que a alma humana é imortal nos re-harmoniza com o verdadeiro sentido e os sofrimentos da vida. Tudo o que acontece nos dois planos da vida, no episódio da morte de Dimas é um majestoso hino de reconhecimento e louvor a Deus Criador, mantenedor de tudo quanto existe e Diretor geral do grande teatro evolutivo cósmico que é o Universo. Agora podemos e devemos cantar – “Hosanas – Aleluia” - que entoe em todas as latitudes da Criação. Agora já é possível para as grandes multidões, habitantes deste Planeta de provas expiações, louvar e seguir o caminho de Luz que vem do Mais Alto. Deus existe, a alma imortal levanta-se através da lei da Reencarnação, levanta-se em vidas sucessivas no rumo dos píncaros de Perfeição Absoluta. A Clemência Divina nos protege a todos defendendo-nos dos abismos do inferno e da treva que pretende se perpetuar. Salve Jesus, Allan Kardec, Francisco Cândido Xavier e André Luiz. Leiamos, a seguir:
“Duas horas antes de organizar-se o cortejo fúnebre, estávamos a postos. A residência de Dimas enchia-se de pessoas gradas, além de apreciável assembléia de entidades espirituais. Jerônimo, resoluto, penetrou a casa, seguido de nós outros. Encaminhou-se para o recanto onde o recém-desencarnado permanecia abatido e sonolento, sob a carícia materna. Reparei que o médium liberto tinha agora o corpo espiritual mais aperfeiçoado, mais concreto. Tive a nítida impressão que atrás do cordão fluídico, de cérebro morto a cérebro vivo, o desencarnado absorvia os princípios vitais restantes do campo fisiológico. Nosso dirigente contemplou-o, enternecido, e pediu informes a genitora, que os forneceu, satisfeita:
- Graças a Jesus, melhorou sensivelmente. É visível o resultado de nossa influência restauradora e creio que bastará o desligamento do último laço para que retome a consciência de si mesmo.
Jerônimo examinou-o e auscultou-o, como clínico experimentado. Em seguida, cortou o liame final verificando-se que Dimas, desencarnado, fazia agora o esforço do convalescente ao despertar, estremunhado, findo logo o sono. Somente então notei que, se o organismo perispírico recebia as últimas forças do corpo inanimado, este, por sua vez, absorvia também algo de energia do outro, que o mantinha sem notável alterações. O apêndice prateado era verdadeira artéria fluídica, sustentando o fluxo e o refluxo dos princípios vitais em readaptação. Retirada a derradeira via de intercâmbio, o cadáver mostrou sinais, quase de imediato, de avançada composição. A análise do cadáver de Dimas causava tristeza. Inumeráveis germes microscópicos entravam como exércitos vorazes, em combate aberto, liberando gases ocultos que revelavam o apodrecimento dos tecidos e líquidos em geral. Os traços fisionômicos do defunto achavam-se degenerando-se também a estrutura dos membros. Os órgãos autônomos, por seu turno, perdiam a feição característica, já tumefactos e imóveis.”

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Afinal, hora de acordar.* Evangelização nº 150 do LIE

O desencarne de Dimas é uma antologia iluminada da morte física. Os detalhes minuciosos do falecimento do médium desde a moléstia que abateu seu físico até o despertar nas próximas horas após o rompimento dos laços terrestres desenham a peregrinação do ser humano através de vidas sucessivas no rumo da evolução. A narrativa retrata Dimas - espírito, desde o entorpecimento transorgânico incluindo o instante em que, ao se desligar do corpo, ouve a voz de sua mãe acolhendo-o maternalmente, aliás, tais páginas fazem reluzir o amor materno, mostrando que para muitas mães, receber carinhosamente os filhos no outro lado da vida é como se revivessem um “segundo parto”. Mãe é mãe em qualquer das instâncias da vida infinita. Leiamos então um trecho desse altamente significativo capítulo 15 de “Obreiros da Vida Eterna”.
“- Ó minha mãe! E a esposa, os filhos?...
A sábia benfeitora, todavia, cortou-lhe as palavras, consolando-o:
- Os laços terrenos, entre você e eles, foram interrompidos. Restitua-os a Deus, certo de que o Eterno Senhor da vida, a quem de fato pertencemos, permitirá sempre que nós amemos uns aos outros.
Contemplou-a Dimas, através de espesso véu de pranto, e, antes que ele enunciasse novas interrogações, falou a genitora carinhosa, apresentando-lhe Jerônimo, que acompanhava a cena, comovido:
- Eis aqui o amigo que o desligou das cadeias transitórias. Em breve, partirá você, em companhia dele, buscando o socorro eficiente de que necessita. Embora atordoado, o filho esboçou silencioso gesto de contrariedade, ante a perspectiva de nova separação do convívio materno, mas a velhinha interveio, acrescentando:
- Vim até aqui porque você me chamou, recorrendo à Mãe divina; contudo, não estou habilitada a lhe proporcionar ingresso em meus trabalhos, por enquanto. O irmão Jerônimo, todavia, é o orientador dedicado que conduzirá o serviço de sua restauração. Tenha confiança. Irei vê-lo quantas vezes for possível, até que nós possamos reunir noutro lar venturoso, sem as lágrimas da separação e sem as sombras da morte.
Em seguida, sussurrou algumas palavras que somente Dimas pôde escutar e, sob funda emoção vi-o desvencilhar-se dos braços maternos e avançar, cambaleante, para Jerônimo, osculhando-lhe respeitosamente as mãos. O Assistente agradeceu o carinhoso preito de reconhecimento e amor e, de olhos marejados explicou:
- Nada efetuamos aqui, senão o dever que nos trouxe. Guarde o seu agradecimento para Jesus, o nosso Benfeitor Divino. O trabalhador recém-liberto trazia o olhar nevoado de pranto, entre a alegria e a dor, a saudade e a esperança. A devotada mãe amparou-o, mais uma vez, animando-o:
- Dimas, congregam-se, aqui, diversos amigos seus, em manifestação inicial de regozijo pela sua vida. Entretanto, a sua posição é a do convalescente, cheio de cicatrizes a exigirem cuidado. Fale pouco e ore muito. Não se aflija e nem se lastime. Por hoje, não pergunte mais nada, meu filho. Seja dócil, sobretudo, para que nosso auxilio não seja mal interpretado pela visão deficiente que você traz da esfera obscura.”

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Ocorrências no Campo Santo.* Evangelização nº 151 do LIE

O que ocorre num Campo Santo, ao fecho de uma vida que liberta-se do corpo físico, rarissimamente é percebido pelos encarnados que acompanham o enterro. Mas, é conveniente sabermos o que comumente ocorre nos cemitérios. Há grupos de desencarnados que se congregam na trajetória dos velórios. Leiamos um trecho que trata desse enriquecedor capítulo que explana fatos e circunstâncias que todos precisamos saber previamente: Leiamos.
“Entre os muitos afeiçoados do círculo carnal, reinava profundo constrangimento, mas, entre nós imperava tranqüilidade efetiva e espontânea. Prosseguíamos com as melhores notas de calma, quando nos acercamos do campo-santo. Estranha surpresa empolgou-me de súbito. Nenhum de meus companheiros exceto Dimas, que fazia visível esforço para sossegar a si mesmo, exteriorizou qualquer emoção diante do quadro que víamos. Mas não pude sofrear o espanto que me tomou o coração.
As grades da necrópole estavam cheias de gente de esfera invisível em gritaria ensurdecedora. Verdadeira concentração de vagabundos sem corpo físico apinhava-se à porta. Endereçavam ditérios e piadas à longa fila de amigos do morto. No entanto, ao perceberem a nossa presença, mostraram carantonhas de enfado, e um deles, mais decidido, depois de fitar-nos com desapontamento, bradou aos demais:
- Não adianta! É protegido...
Voltei-me, preocupado, e indaguei do padre Hipólito que significava tudo aquilo. O ex-sacerdote não se fez de rogado.
– Nossa função, acompanhando os despojos – esclareceu ele, afavelmente -, não se verifica apenas no sentido de exercitar o desencarnado para os movimentos iniciais da libertação. Destina-se também à sua defesa. Nos cemitérios costuma congregar-se compacta fileira de malfeitores atacando vísceras cadavéricas, para subtrair-lhes resíduos vitais.
Ante a minha estranheza, Hipólito considerou:
- Não é para admirar. O Evangelho, descrevendo o encontro de Jesus com endemoniados, refere-se a Espíritos perturbados que habitam entre os sepulcros.
Reconhecendo-me a inexperiência no trato com a matéria religiosa, Hipólito continuou:
- Como você não ignora, as igrejas dogmáticas da Crosta Terrena possuem erradas noções acerca do diabo, mas, inegavelmente, os diabos existem. Somos nós mesmos, quando, desviados dos desígnios, pervertemos o coração e a inteligência, na satisfação de criminosos caprichos...
– Oh! Mas que paisagem repugnante! – exclamei, surpreendido, interrompendo a instrutiva explanação.
– É verdade – concordou o interlocutor, é quadro deveras ascoroso; todavia, é reflexo do mundo, onde, também nós, nem sempre fomos leais filhos de Deus.
A observação me satisfez integralmente. Entramos. Logo após, ante meus olhos atônitos, Jerônimo inclinou-se piedosamente sobre o cadáver, no ataúde momentaneamente aberto antes da inumação, e, através de passes magnéticos longitudinais, extraiu todos os resíduos de vitalidade, dispersando-os em seguida, na atmosfera comum, através de processo indescritível na linguagem humana por inexistência de comparação analógica, para que inescrupulosas entidades inferiores não se apropriassem deles. Completada a curiosa operação, tive minha atenção voltada para gemidos lancinantes, emitidos de zonas diversas daquela moradia respeitável agora semelhante a vasto necrotério de almas”.

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Por que há tantas pessoas desencarnadas não sabendo ainda que já morreram?* Evangelização nº 152 do LIE

Conforme explica André Luiz a morte não significa que quem já passou por ela, de imediato se conscientiza do seu novo estado. Também mostra porque tantos espíritos, tão logo despertem do pesadelo da morte, buscam abrigo e calor humano nos lares em que vivem, junto aos seus familiares. Para estes, voltar ao lar é melhor que viver na erraticidade ou em lugares tenebrosos. Temos de considerar, todavia, que na vida física ou na extrafísica, o Espírito busca sempre a Verdade, mesmo que não enxergue. Daí o porque que não adianta ao Espírito demorar-se nos antigos lares sofrendo com o que descobrirá nas mudanças íntimas familiares que ocorreram e ocorrem após seu desencarne. Sobre isto vejamos um trecho bem significativo acerca dessa situação. Leiamos:
“Sentada sobre a terra fofa, infeliz mulher desencarnada, aparentando trinta e seis anos, aproximadamente, mergulhada a cabeça nas mãos, lastimando-se em tom comovedor. Compadecido, toquei-lhe a espádua e interroguei:
- Que sente, minha irmã?
– Que sinto? – gritou ela, fixando em mim grandes olhos de louca – não sabe? Oh! O senhor chama-me irmã... quem sabe me auxiliará para que minha consciência torne a si mesma? Se é possível, ajude-me, por piedade! Não sei diferenciar o real do ilusório... Conduziram-me à casa de saúde e entrei neste pesadelo que o senhor está vendo. Tentava erguer-se, debalde, e implorava, estendendo-me, as mãos: - Cavalheiro, preciso regressar! Conduza-me, por favor, à minha residência! Preciso retornar ao meu esposo e ao meu filhinho!... Se este pesado se prolongar, sou capaz de morrer!... Acorde-me, acorde-me!...
– Pobre criatura! – exclamei, distraído de toda a curiosidade, em face da compaixão que o triste quadro provocava – ignora que seu corpo voltou ao leito de cinzas! Não poderá ser útil ao esposo e ao filhinho, em semelhantes condições de desespero. Olhou-me, angustiada, como a desfazer-se em ataque de revolta inútil. Mas, antes que explodisse em rugidos de dor, acrescentei: - Já orou, minha amiga? Já se lembrou da Providência Divina?
– Quero um médico, depressa! Só ouço padres! – bradou irritadiça – não posso morrer... Despertem-me! Despertem-me!...
– Jesus é nosso Médico Infalível – tornei – e indico-lhe a oração como remédio providencial para que Ele a assista e cure. A infeliz, entretanto, parecia distanciada de qualquer noção de espiritualidade. Tentando agregar-me com as mãos cheias de manchas estranhas, embora não me alcançasse, gritou estentóricamente:
- Chamem meu marido! Não suporto mais! Estou apodrecendo!... Oh! Quem me despertará?! Dá fúria aflita, passou ao choro humilde, ferindo-me a sensibilidade. Compreendi, então, que a desventurada sentia todos os fenômenos da decomposição cadavérica e, examinando-a detidamente, reparei que o fio singular, sem a luz prateada que o caracterizava em Dimas, pendia-lhe da cabeça, penetrando chão a dentro. Ia exortá-la, de novo, recordando-lhe os recursos sublimes da prece, quando de mim se aproximou simpática figura de trabalhador, informando-me com espontânea bondade:
- Meu amigo, não se aflija. A advertência não me soou bem aos ouvidos. Como não preocupar-me, diante de infortunada mulher que se declara esposa e mãe? Como não tentar arrancá-la à perigosa ilusão? Não seria justo consola-la, esclarecê-la? Não contive a série de interrogações que me afloraram do raciocínio à boca. Longe de o interpelado perturbar-se, respondeu-me tranqüilamente:
- Compreendo-lhe a estranheza. Deve ser a primeira vez que freqüenta um cemitério como este. Falta-lhe experiência. Quanto a mim, sou do posto de assistência espiritual à necrópole. Desarmado pela serenidade do interlocutor, renovei a primeira atitude. Reconheci que o local, não obstante repleto de entidades vagabundas, não estava desprovido de servidores do bem.”

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Por que certos espíritos ficam ligados ao corpo em decomposição após desencarnarem?* Evangelização nº 153 do LIE

Esta pergunta sempre oportuna é respondida e esclarecida pelos relatos de André Luiz. No final do velório de Dimas, André percebeu no cemitério a presença, ali de muitos espíritos vagabundos e sofredores, que ali se agrupavam em atitudes grosseiras e gritos. Leiamos o seguinte trecho dessa descrição, logo que aproximan-se de um sentinela desencarnado para socorrer um sofredor inconformado:
“Tomei atitude espontânea de quem desejava tentar a medida libertadora e perguntei:
- Quem sabe chegou o momento? Não será razoável cortar o grilhão?
– Que diz? – objetou surpreso, o interlocutor – não, não pode ser! Temos ordens.
- Porque tamanha exigência – insisti.
- Se desatássemos a algema benéfica, ela regressaria, intempestiva, à residência abandonada, como possessa de revolta, a destruir o que encontrasse. Não tem direito, como mãe infiel ao dever, de flagelar com a sua paixão desvairada o corpinho terno do filho pequenino e, como esposa desatenta às obrigações, não pode perturbar o serviço de recomposição psíquica do companheiro honesto que lhe ofereceu no mundo o que possuía de melhor. É da lei natural que o lavrador colha de conformidade com a semeadura. Quando acalmar as paixões vulcânicas que lhe consomem a alma, quando humilhar o coração voluntarioso, de modo a respeitar a paz dos entes amados que deixou no mundo, então será libertada e dormirá sono reparador, em estância de paz que nunca falta ao necessitado reconhecido às bênçãos de Deus.
A lição era dura, mas lógica. A infortunada criatura, alheia a nossa conversação, prosseguia gritando, qual demente hospitalizada em prisão dolorosa. Tentei ampliar as minhas observações, mas o servidor chamou-me a outras zonas de onde partiam gemidos estridentes.
– São vários infelizes, na vigília da loucura – disse calmo. E designado um velhote desencarnado, de cócoras sobre a própria campa, acrescentou:
- Venha e escute-o.
Acompanhando meu novo amigo, reparei que o sofredor mantinha-se igualmente em ligação com o fundo.
– Ai, meu Deus! – dizia – quem me guardará o dinheiro? Quem me guardará o dinheiro? Observando-nos a aproximação, rogava, súplice:
- Quem são? Querem roubar-me! Socorra-me, socorra-me!...
Debalde enderece-lhe palavras de encorajamento e consolação. – Não ouve – informou o sentinela, obsequiosos -, a mente dele está cheia das imagens de moedas, letras, cédulas e cifrões. Vai demorar-se bastante na presente situação e, como vê, não podemos em sã consciência facilitar-lhe a retirada, porque iria castigar os herdeiros e zurzi-los diariamente.
Porque não pudesse disseminar o espanto que me tomara o coração, o servidor otimista acentuou:
- Não há motivo para tamanho assombro. Estamos diante de infelizes, aos quais não falecem proteção e esperança, porquanto outros existem tão acentuadamente furiosos e perversos que, do fundo escuro do sepulcro, se precipitam nos tenebrosos despenhadeiros das esferas subcrostais, tal o estado deplorável de suas consciências, atraídas para as trevas pesadas.”

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Após a morte um espírito iluminado sente frio ou sede?* Evangelização nº 154 do LIE

André Luiz é um espírito centrado em pesquisas. Na Crosta Terrestre fora cientista; na vida do Além tornou-se um pesquisador das esferas espirituais para descrever a todos que queiram saber como se colhem as provas ou as bênçãos do céu, conforme a vida que semeamos no plano físico.
Após tudo concluído no enterro de Dimas, com o beneplácito do Instrutor Jerônimo, André manteve breve entrevista com “Dimas Espírito” ou seja, após seu desligamento total com aquilo que foram seus despojos. Leiamos um trecho dessa entrevista espiritual:
“Pode perguntar a Dimas o que você deseja saber. Manifestei-lhe reconhecimento, enquanto o recém-liberto aquiescia, bondoso, aos meus desejos.
– Sente, ainda aos fenômenos da dor física? – comecei.
– Guardo integral impressão do corpo que acabei de deixar – respondeu ele, delicadamente.
– Noto, porém, que, ao desejar permanecer ao lado dos meus, e continuar onde sempre estive durante muitos anos, volto a experimentar os padecimentos que sofri; portanto, ao conformar-me com os superiores desígnios, sinto-me logo mais leve e reconfortado. Apesar da reduzida fração de tempo em que me vejo desperto, já pude fazer semelhante observação.
– E os cinco sentidos?
- Tenho-os em função perfeita.
- Sente fome?
– Chego a notar o estômago vazio e ficaria satisfeito se recebesse algo de comer, mas esse desejo não é incômodo ou torturante.
– E sede?
– Sim , embora não sofra por isso.
Ia continuar o curioso inquérito, mas Jerônimo, sorridente, desarmou-me a pesquisa, asseverando:
- Você pode intensificar o relatório das impressões, quanto deseje, interessado em colaborar na criação da técnica descritiva da morte, certo, porém, de que não se verificam duas desencarnações rigorosamente iguais. O plano impressivo depende da posição espiritual de cada um. Sorrimos todos, ante meus impulsos juvenis de saber, e, amparando Dimas, carinhosamente, efetuamos, satisfeitos, a viagem de volta.”

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O quanto é bom pertencer a uma família espiritualizada.* Evangelização nº 155 do LIE

É uma benção da misericórdia Divina nascer e renascer em berço espírita. Avós, pais, filhos e netos, em unida relação familiar, já a partir da educação desde a gravidez até aos 14 anos, quase todos participam dos encontros e reencontros familiares através das vidas sucessivas, tornando mais abreviados e menos árduos os longos caminhos da Evolução. Freqüentes vezes acontece o avô ou avó renascer como neto ou bisneto de seus próprios descendentes. Isto comprova a vital importância para cada um em tornar-se desde a infância um familiar que seja um bom pai, educando um bom filho, do qual descenderá um bom neto ou bisneto. Leiamos o seguinte trecho da página 266 e 267, deste livro:
“O menino modificou a expressão fisionômica, entristeceu-se instantaneamente, mas, colocando-se junto ao leito, e, na postura do crente submisso, ergueu os olhos ao alto e começou a cantar antigo e delicado hino das igrejas evangélicas: “- Jesus, sendo meu, Sou muito feliz, Eu vou para Céu, Meu lindo país...”
Expressava-se em voz tão dolorida que o hino parecia amarguroso lamento. Finda a primeira quadra esforçou-se para continuar, mas não conseguiu. Profunda emoção sufocou-lhe a garganta, as lágrimas saltaram-lhe, espontâneas; tentou debalde fixar Loide para ganhar coragem e, reparando que sua emoção contagiara a família, precipitou-se nos braços da doente e gritou, com força: - Não, vovó, não! A senhora não pode ir agora para o céu! Não pode! Deus não deixará!... Albina recolheu-o, carinhosa, feliz. – Que é isto, João? - perguntou, buscando sorrir. Observei a mim mesmo e só então reconheci que eu também chorava... Jerônimo, porém, mantinha-se firme e, rindo-se, bondoso, reafirmou: - O menino tem razão. Albina não irá mesmo desta vez... Atendendo-me à curiosidade, entrou em explicações finais, advertindo: - Que nota você de particular em Loide? Recorrendo a observações que já levara a efeito, respondi sem hesitar: - Reparo que aguarda alguém; uma filhinha que já entrevimos...
Desde o primeiro encontro, verifiquei que está em período ativo de maternidade, em vésperas da delivrança.
– Isto mesmo – confirmou o mentor amigo -, a prece de João é importante porque se reveste de profunda significação para o futuro. A menina, em processo reencarnacionista, é-lhe abençoada companheira de muitos séculos. Ambos possuem admirável passado de serviço à Crosta Planetária e escolheram nova tarefa com plena consciência do dever a cumprir. Foram associados de Albina em várias missões e, muito cedo, ser-lhe-ão continuadores na obra de educação evangélica. Não são Espíritos purificados, redimidos, mas trabalhadores valiosos, com suficiente crédito moral para a obtenção de oportunidades mais altas. Apesar da condição infantil, o servo reencarnado, pelas ricas percepções que o caracterizavam fora da esfera física recebeu conhecimento da morte próxima de nossa venerável irmã. Compreendeu, de antemão, que o fato repercutiria angustiosamente no organismo de Loide, compelindo-a talvez a claudicar no trabalho gestatório, em andamento. A carga de dor moral conduzi-la-ia efetivamente ao aborto, imprimindo profundas transformações no rumo do serviço de que João é feliz portador. Socorreu-se, então, de todos os valores intercessórios, nos instantes em que sua alma lúcida pode operar na ausência da instrumentalidade grosseira que triunfou com as súplicas insistentes, obtendo reduzida dilatação de prazo para a desencarnação de Albina. Sempre comedido nas informações, Jerônimo calou-se, preparando a retirada. A singular ocorrência enchia-me de encantamento e surpresa. E contemplando, sob forte enlevo, a pequena família em santificado júbilo doméstico, eu chegava à conclusão de que, ainda ali, numa câmara de moléstia grave, a oração, filha do trabalho com amor, vencia o vigoroso poder da morte.”

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Quando o doente não quer morrer.* Evangelização nº 156 do LIE

O enfermo Cavalcante era uma pessoa benévola, mas que, afetado por infecções terminais várias, ainda estava muito apegado ao corpo físico. Os espíritos Jerônimo e André Luiz estavam velando à sua cabeceira de enfermo e, só depois de muita ajuda o doente reconheceu que tinha chegado ao fim e mandou chamar um padre para confessa-se. Os Espíritos de Luz que ali se achavam conseguiram então desligar seus centros neurológicos e vitais. A mente do enfermo lutava poderosamente contra a morte, pois, pouco sabia e temia o que poderia lhe acontecer após seu desenlace. Leiamos para nossa reflexão, o trecho a seguir neste capítulo 18, que nos conscientiza sobre importantes ensinamentos:
“O doente por fim, já não suportava nenhuma alimentação. O estômago já expulsava até a própria água simples, deixando-o exausto, em vista do tremendo esforço despendido nos reiterados acessos de vômito. O sistema nervoso central e os órgãos abdominais, bem como os sistemas autônomos, acusavam desarmonia crescente. Reconhecia, entretanto, ali, naquele agonizante que teimava em viver de qualquer modo no corpo físico, o gigantesco poder da mente, que, em admirável decreto de vontade, estabelecia todo o domínio possível nos órgãos e centros vitais em decadência franca. Decorridos mais de quatro dias, em que atentávamos para o moribundo, cuidadosamente, Jerônimo deliberou fossem desatados os laços que o retinham à esfera grosseira. Bonifácio prestimoso e gentil coadjuvava-nos o trabalho. Informando-se de nossa resolução, de modo vago, através dos canais intuitivos, o doente, pela manhãzinha chamou o capelão, a fim de ouví-lo, e, após breve confissão, que o sacerdote reduziu ao mínimo de tempo, em virtude das emanações desagradáveis que se desprendiam da organização fisiológica em declínio, o pobre Cavalcante, mal suspeitando a paz que o aguardaria na morte, procurou reter o eclesiástico, em contristadora conversação:
- Padre - dizia ele, em voz súplice -, sei que morro sei que estou no fim...
– Entregue-se a Deus, meu amigo. Só ele pode saber em definitivo o que surgirá. Quem sabe se ainda tem longos anos à sua frente? Tudo pode acontecer... O capelão falava apressado, abreviando a palavra e tentando dissimular suas penosas impressões olfativas, mas o moribundo continuou, ingênuo:
- Tenho medo, muito medo de morrer...
– Bem – obtemperou o religioso, não ocultando um gesto de enfado que passou despercebido aos olhos do crente -, precisamos preparar o espírito para o que der e vier.
– Ouça, padre!... Acredita que me salvarei?
– Sem dúvida. Você foi sempre bom católico...
– Mas... Escute! – e a voz do enfermo fez-se triste, mais chorosa e sufocada – eu desejaria morrer noutras condições. Segundo lhe confessei, fui abandonado pela mulher, há muitos anos... Sabe que ela me trocou por outro homem e fugiu para nunca mais... Sempre admiti que experimentei semelhante prova por incapacidade de compreensão da parte dela, mas, agora, padre... Encarando a morte, frente a frente, reflito melhor... Quem sabe não fui eu o culpado direto? Talvez tivesse levado longe demais meu propósito de viver para a religião, faltando-lhe com a assistência necessária... Lembro-me de que, às vezes, chamavam-me “padre sem batina”. Possivelmente minha atitude impensada teria dado origem ao desvio da minha companheira... Após fitar o clérigo demoradamente, implorou: - Poderá sua caridade continuar indagando por mim? Necessito vê-la, a fim de apaziguar a consciência... há onze anos, perdi-a de vista... O sacerdote, no entanto, não parecia intimamente interessado em satisfazê-lo e repetia com paciência:
- Descanse, descanse... Prosseguirei nas diligências. Tenha coragem, Cavalcante! É provável que tudo venha ao encontro de nossos desejos.
O moribundo, voz entrecortada pelo cansaço, murmurou: - Obrigado, padre, obrigado!...

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Algoz opinião de um padre e de um médico.* Evangelização nº 157 do LIE

Na “Parábola do bom Samaritano” Jesus conta o episódio de um viajante que foi assaltado por ladrões que o feriram e deixaram à beira da estrada. Por ali passou um Fariseu e um Sacerdote. O primeiro não socorreu o pobre homem por ter negócios em cidade próxima. O segundo também não prestou socorro por que precisava comparecer a um culto religioso. Depois passou por aquela estrada um samaritano que socorreu o ferido, balsamizou-lhe as feridas e conduziu-o a uma estalagem onde foi atendido. No presente capítulo igualmente o moribundo Cavalcante pede uma assistência pessoal ao seu sacerdote e ao seu médico e ambos estão planejando que seja aplicada ao enfermo a eutanásia para apressar o fim do queixoso. Na história da raça humana desde antes Abel e Caim a crueldade sempre campeou no coração dos homens. Inclusive no dos religiosos como Jesus frisou nessa parábola. Como pode um sacerdote que se proclama intermediário de Deus ser malvado? Leiamos o seguinte trecho de André Luiz.
“ - Poderá sua caridade continuar indagando por mim? Necessito vê-la, a fim de apaziguar a consciência... há onze anos, perdi-a de vista...
O sacerdote, no entanto, não parecia intimamente interessado em satisfazê-lo e repetia com paciência:
- Descanse, descanse... Prosseguirei nas diligências. Tenha coragem, Cavalcante! É provável que tudo venha ao encontro de nossos desejos. O moribundo, voz entrecortada pelo cansaço, murmurou:
- Obrigado, padre, obrigado!...
O religioso intentou sair, mas Cavalcante, amedrontado, perguntou, ainda:
- Acha que me demorarei muito tempo no purgatório?
– Que idéia! – resmungou o interlocutor entediado – falta-lhe suficiente confiança no poder de Deus?
Enunciou as últimas palavras com tamanha irritação que o enfermo percebeu o descontentamento, sorriu humilde e calou-se. O sacerdote, ao se afastar, aliviado, encontrou certo médico e indagou:
- Afinal o que acontece ao Cavalcante? Morre ou não morre? Estou cansado de tantos casos compridos.
- Tem sido gigante na reação - informou o clínico, bem humorado. – considerando-lhe, porém, os males sem cura, venho examinando a possibilidade de eutanásia.
– Parece-me caridade – redargüiu o religioso -, porque o infeliz apodrece em vida...
O esculápio abafou o riso franco e despediram-se. A cena chocava-me pelo desrespeito. Ambos os profissionais, o da Religião e o da Ciência, notavam situações meramente superficiais, incapazes de penetração nos sagrados mistérios da alma. Entretanto para compensar tão descaridosa incompreensão, Cavalcante era objeto de nosso melhor carinho. Por mim, não poderia ministrar benefícios, dada a insipiência de minha singela colaboração, mas Jerônimo e Bonifácio cercavam-no de singular cuidado, amparando-o como se fora bem amada criança. Quando o eclesiástico pisava mais longe, o meu Assistente considerou:
- O pobre sacerdote ainda não possui “olhos de ver”. Cavalcante foi, antes de tudo, perseverante trabalhador do bem.
Enquanto isso, o enfermo buscava enxugar as lágrimas copiosas. A atitude do capelão advertira-o do deplorável estado do seu corpo físico. Passou a sentir o cheiro desagradável de suas próprias vísceras, agravando-se-lhe o mal-estar. Sob incoercível angústia, pediu o comparecimento de determinada religiosa, dentre as diversas que atendiam a casa. Experimentava funda sede de consolo, necessitava coragem que viesse do exterior. Provavelmente encontraria no coração feminino o reconforto que o confessor não lhe soubera prodigalizar. Porém, a “irmã de caridade” não trazia consigo melhor humor. Fez questão de escutá-lo, alcançando desinfetante enérgico ao nariz, a infundir-lhe surpresa ainda mais dolorosa. Cavalcante chorou, queixou-se. Precisava viver mais alguns dias, declarou humilhado. Não desejava partir sem a reconciliação conjugal. Rogava providências médicas mais eficientes e prometia pagar todas as despesas, logo pudesse tornar ao serviço comum”.

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O fácil despertar após o túmulo* Evangelização nº 158 do LIE

Em contraste com o difícil desenlace de Cavalcante, André Luiz narra exatamente o contrário, ou seja, o rápido despertar da missionária Adelaide a qual, mesmo horas antes de desencarnar assistida por ninguém menos que Adolfo Bezerra de Menezes. O Espírito de Adelaide foi levado a visitar a instituição Fabiano de Cristo, lá levada pelo assistente Jerônimo. Ela conseguiu relutar no corpo moribundo e só então o desenlace final ocorreu em definitivo. Parece até ficção científica, mas, para quem conhece as inúmeras possibilidades que se oferecem aos desencarnados lúcidos e virtuosos, é apenas uma das possibilidades reais, pois, do lado de lá, muitas situações e decorrências não seguem as leis da física terrestre. Leiamos aqui o que aconteceu com Adelaide que em vida fora missionária na educação de crianças deficientes. Leiamos o seguinte trecho:
“Reparei que a abnegada irmã se mostrava mais calma e confortada, a essa altura. Interrompeu-se a conversação porque Adelaide foi obrigada a reanimar repentinamente o corpo, a fim de receber a última dose de medicação noturna. Ao regressar ao nosso plano, Jerônimo ofereceu-lhe o braço amigo para rápida excursão ao estabelecimento de Fabiano. A irmã Zenóbia desejava vê-la, antes do desenlace. A grande orientadora do asilo errático admirava-lhe os serviços terrestres e, por mais de uma vez, valeu-se de seu fraternal concurso em atividades de regeneração e esclarecimento. Adelaide acompanhou-nos, contente. Em breves minutos, pela admiradora, como que se repetia a mesma palestra de minutos antes, apenas com a diferença de que Zenóbia tomara a posição reanimadora do devotado Bezerra. A bondosa discípula de Jesus, em vias de retirar-se da Crosta, era alvo do carinho geral. Depois de considerações convincentes por parte de Zenóbia, que se esmerava em ministrar-lhe bom ânimo, Adelaide, humilde, expôs-lhe as derradeiras dificuldades.
Ligara-se, fortemente, à obra iniciada nos círculos carnais e sentia-se estreitamente ligada, não somente à obra, mas também aos amigos e auxiliares. Por força de circunstâncias imperiosas, acumulava funções diversas no quadro geral dos serviços. Possuía toda uma equipe de irmãs dedicadíssimas, que colaboravam com sincero desprendimento e alto valor moral, no amparo à infância desvalida. Se estimava profundamente as cooperadoras, era igualmente muito querida de todas elas. Como se haveria ante as dificuldades que se agravavam? No íntimo, estava preparada; no entanto, reconhecia a extensão e a complexidade dos óbices mentais. Seu quarto de dormir, na casa terrena, semelhava a redoma de pensamentos retentivos a interceptarem-lhe a saída. Quanto menos se via presa ao corpo, mais se ampliava a exigência dos parentes, dos amigos...
Como portar-se ante essa situação? Como fazer-lhes sentir a realidade? Enlaçara-se em vastos compromissos, tornara-se involuntariamente, a escora espiritual de muitos. Entretanto, ela mesma reconhecia a imprestabilidade do aparelho físico. A máquina fisiológica atingira o fim. Não conseguiria manter-se, ainda mesmo que os valores intercessórios lhe conseguissem prorrogação de tempo. A orientadora escutou-a, atenta, qual médico experimentado em face de doente aflito, e observou, por fim:
- Reconheço os obstáculos, mas não se amofine. A morte é o melhor antídoto da idolatria. Com a sua vinda operar-se-á a necessária descentralização do trabalho, porque se dará a imposição natural de novo esforço a cada um."

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