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Introdução
- A Vida não cessa *
Evangelização nº 42/04 do LIE.
Investidas
das trevas *
Evangelização nº 43/04 do LIE.
O
Que é o umbral *
Evangelização nº 44/04 do LIE.
No
lar *
Evangelização nº 45/04 do LIE.
Quando
a Luz substitui o dinheiro *
Evangelização nº 46/04 do LIE.
Herança
e eutanásia *
Evangelização nº 47/04 do LIE.
Erros
do passado *
Evangelização nº 48/04 do LIE.
Segundo
casamento *
Evangelização nº 49/04 do LIE.
Apego
ao corpo físico *
Evangelização nº 50/04 do LIE.
Reencarnação
* Evangelização
nº 51/04 do LIE.
Culto
familiar *
Evangelização nº 52/04 do LIE.
Introdução
- A Vida não cessa *
Evangelização nº 42/04 do LIE.
O
Estudo longo e aprofundado da extraordinária obra de
André Luiz, induz-nos a sua divulgação
âmpla e irrestrita, surgindo daí a idéia
de recorrermos a Internet, dada a sua importância vital
parta os rumos da civilização moderna. Também
pela sua essencial importância para corrigir rumos das
civilização consumista, desarmonizada e violenta
como é esta neste conturbado inicio do terceiro milénio. Durante
19 séculos, a Igreja Católica aterrorizou mentes
e corações com descrições horrendas
do que aconteceria com os que não seguissem a Doutrina
de Roma, e com os que cometessem pecado mortal desobedecendo
aos seus mandamentos. Em todo esse tempo com a única
exceção do médium Emmanuel Swedenborg,
isto bem antes da codificação da Doutrina Espírita,
o único livro que descreveu com a máxima clareza
possível, como é a vida que todos iremos um dia
vivenciar após a morte do corpo material é: “Nosso
Lar”, de André Luiz com psicografia de Chico Xavier.
Publicado pela 1ª vez no ano de 1944 a obra descreve com
preciosos pormenores, como ocorre o episódio da morte
corporal e o que acontece a partir da desencarnação
da vida orgânica. Até hoje esse livro abençoado
espanta e ao mesmo tempo acalma e enche de esperanças
a mente e o coração dos fiéis que passam
a entender em altura e profundidade o que foi que Cristo Jesus
quis revelar quando anunciou: “Há muitas moradas
na casa de meu Pai". Agora nós temos a certeza de
que nossa existência na Terra é um constante semear
e colher o que se plantou, e os inúmeros planos da dimensão
extrafísica que iremos conquistar conforme tenha sido
nossa vida terrena. Vamos começar transcrevendo os textos
de capitulos seguidos deste livro, discorrendo sobre o tema
respectivo; contendo revelações importantes para
todos nós que teremos de transitar pela morte corporal
e renascer para a vida espiritual que reservamos para nós
mesmos. Todo leitor que pesquisar tal obra se jubilará
e enriquecerá com os conhecimentos que irá adquirir
daqui para diante. Vejamos o que André Luiz nos descreve
no capítulo inicial do misericordioso livro “Nosso
Lar”: “A
vida não cessa. A vida é fonte eterna e a morte
é jogo escuro das ilusões. O grande rio tem seu
trajeto, antes do mar imenso. Copiando-lhe a expressão,
a alma percorre igualmente caminhos variados e etapas diversas,
também recebe afluentes de conhecimentos, aqui e ali,
avoluma-se em expressão e purifica-se em qualidade, antes
de encontrar o Oceano Eterno da Sabedoria. Cerrar os olhos carnais
constitui operação demasiadamente simples. Permutar
a roupagem física não decide o problema fundamental
da iluminação, como a troca de vestidos nada tem
que ver com as soluções profundas do destino e
do ser. Oh! caminhos das almas, misteriosos caminhos do coração!
É mister percorrer-vos, antes de tentar a suprema equação
da Vida Eterna! É indispensável viver o vosso
drama, conhecer-vos detalhe a detalhe, no longo processo do
aperfeiçoamento espiritual!... Seria extremamente infantil
a crença de que o simples "baixar do pano"
resolvesse transcendentes questões do Infinito. Uma existência
é um ato. Um corpo - uma veste. Um século - um
dia. Um serviço - uma experiência. Um triunfo -
uma aquisição. Uma morte - um sopro renovador.
Quantas existências, quantos corpos, quantos séculos,
quantos serviços, quantos triunfos, quantas mortes necessitamos
ainda? E o letrado em filosofia religiosa fala de deliberações
finais e posições definitivas! Ai! por toda parte,
os cultos em doutrina e os analfabetos do espírito! É
preciso muito esforço do homem para ingressar na academia
do Evangelho do Cristo, ingresso que se verifica, quase sempre,
de estranha maneira - ele só, na companhia do Mestre,
efetuando o curso difícil, recebendo lições
sem cátedras visíveis e ouvindo vastas dissertações
sem palavras articuladas. Muito longa, portanto, nossa jornada
laboriosa.”
Investidas
das trevas *
Evangelização nº 43/04 do LIE.
Na
1ª parte do nosso estudo sobre o livro “Nosso Lar”,
de André Luiz com psicografia de Chico Xavier, estudamos
e refletimos sobre a história do médico André,
antes e após a sua desencarnação, num período
tormentosos de 8 anos depois de desligar-se do corpo físico.
Como ele próprio nos conta, morreu em pleno ateísmo,
com dívidas espirituais no setor de excessos de alimentação,
de alcoolismo e de infedelidades conjugais, embora tenha ganhado
a vida como médico e Ter constituído família
regularmente. Seu vendaval de sofrimentos entre espíritos
do Umbral só começou a dissipar-se quando ele,
em meio as trevas, após Ter alcançado o espírito
benemérito de Clarêncio, quando este veio preparar-lhe
um noivo “Caminho Para a Luz”. A partir desse encontro,
e mais as conversações fraternas com os espíritos
Henrique de Luna e Lísias, mudou totalmente sua visão
egoística e sua visão espiritual. Narra também
um acontecimento inusitado descrito no capítulo 9. Leiamos: “Dado
o alarme, o Governador não se perturbou. Terríveis
ameaças pairavam sobre todos. Ele, porém, solicitou
audiência ao Ministério da União Divina
e, depois de ouvir o nosso mais alto Conselho, mandou fechar
provisoriamente o Ministério da Comunicação,
determinou funcionassem todos os calabouços da Regeneração,
para isolamento dos recalcitrantes, advertiu o Ministério
do Esclarecimento, cujas impertinências suportou mais
de trinta anos consecutivos, proibiu temporariamente os auxílios
às regiões inferiores, e, pela primeira vez na
sua administração, mandou ligar as baterias elétricas
das muralhas da cidade, para emissão de dardos magnéticos
a serviço da defesa comum. Não houve combate,
nem ofensiva da colônia, mas resistência resoluta.
Por mais de seis meses, os serviços de alimentação,
em "Nosso Lar", foram reduzidos à inalação
de princípios vitais da atmosfera, através da
respiração, e água misturada a elementos
solares, elétricos e magnéticos. A colônia
ficou, então, sabendo o que vem a ser a indignação
do espírito manso e justo. Findo o período mais
agudo, a Governadoria estava vitoriosa. O próprio Ministério
do Esclarecimento reconheceu o erro e cooperou nos trabalhos
de reajustamento. Houve, nesse comenos, regozijo público
e dizem que, em meio da alegria geral, o Governador chorou sensibilizado,
declarando que a compreensão geral constituía
o verdadeiro prêmio ao seu coração. A cidade
voltou ao movimento normal. O antigo Departamento da Regeneração
foi convertido em Ministério. Desde então, só
existe maior suprimento de substâncias alimentícias
que lembram a Terra, nos Ministérios da Regeneração
e do Auxílio, onde há sempre grande número
de necessitados. Nos demais há somente o indispensável,
isto é, todo o serviço de alimentação
obedece a inexcedível sobriedade. Presentemente, todos
reconhecem que a suposta impertinência do Governador representou
medida de elevado alcance para nossa libertação
espiritual. Reduziu-se a expressão física e surgiu
maravilhoso coeficiente de espiritualidade. Lísias silenciou
e eu me entreguei a profundos pensamentos sobre a grande lição."
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O
Que é o umbral *
Evangelização nº 44/04 do LIE.
O
estudo continuado desse livro é altamente significativo
e conscientizador, algo muito importante na vida de cada um
de nós. Todas as descrições, feitas pelo
espírito André Luiz recordam situações
e circunstâncias pelas quais já devemos ter passado,
e, com certeza vamos tornar a atravessá-la, queira Deus,
sempre com maior compreensão da Justiça Divina.
As informações tanto do ministro Clarêncio
como do enfermeiro Lisias, foram e são como poderoso
foco de luz num porão de intensa escuridão. O
que todos devemos conscientizar-nos é da nossa condição
de almas a caminho da clarificação e da luminosidade
do reino de Jesus. Nesta obra o mundo espiritual mostra o que
até aqui permanecia em hipóteses, especulações
e interpretações das diversas religiões,
notando-se o extraordinário senso de misericórdia,
dos espíritos elevados para conosco que caminhamos penosamente
na Terra. Temos que aproveitar o tempo que o Pai Divino nos
concede na Terra, para estarmos convictos de que no outro lado
da vida continuamos percorrendo os caminhos da evolução,
e como foi a nossa vida aqui neste plano será o nosso
reinicio na outra dimensão existencial. Quem foi desesperado
e problemático trate de resolver aqui essas dificuldades
com Jesus para não chegar lá e consumir meses
e dezenas de anos para recomeçar em condições
melhores. O chamado repouso eterno na verdade nunca existiu,
ou seja, os espírito egoístas e preguiçosos
ficam um tempo indefinido num pesadelo sofrido que começa
com a morte. Leiamos e reflitamos pois, diante das descrições
autenticas de André Luiz que transmite a todos para que
a nossa existência melhore de situação espiritual:
Ver capítulo 12 – "Notando-me
a dificuldade para apreender todo o conteúdo do ensinamento,
com vistas à minha quase total ignorância dos princípios
espirituais, Lísias procurou tornar a lição
mais clara: - Imagine que cada um de nós, renascendo
no planeta, somos portadores de um fato sujo, para lavar no
tanque da vida humana. Essa roupa imunda é o corpo causal,
tecido por nossas mãos, nas experiências anteriores.
Compartilhando, de novo, as bênçãos da oportunidade
terrestre, esquecemos, porém, o objetivo essencial, e,
ao invés de nos purificarmos pelo esforço da lavagem,
manchamo-nos ainda mais, contraindo novos laços e encarcerando-nos
a nós mesmos em verdadeira escravidão. Ora, se
ao voltarmos ao mundo procurávamos um meio de fugir à
sujidade, pelo desacordo de nossa situação com
o meio elevado, como regressar a esse mesmo ambiente luminoso,
em piores condições? O Umbral funciona, portanto,
como região destinada a esgotamento de resíduos
mentais; uma espécie de zona purgatorial, onde se queima
a prestações o material deteriorado das ilusões
que a criatura adquiriu por atacado, menosprezando o sublime
ensejo de uma existência terrena. A imagem não
podia ser mais clara, mais convincente. Não havia como
disfarçar minha justa admiração. Compreendendo
o efeito benéfico que me traziam aqueles esclarecimentos."
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No
lar * Evangelização
nº 45/04 do LIE.
O
capitulo 20, nos mostra a visita do espírito André
Luiz ao lar espiritual de seu amigo Lísias. Obtemos notáveis
ensinamentos sobre como deve ser a vida de pais e filhos que
se reúnem em residências do “Nosso Lar”.
A mãe de Lísias de nome Laura recebeu fraternalmente
o visitante André, proporcionando-lhe muitos ensinamentos
sobre a união nas relações conjugais do
homem e da mulher à Luz das Leis Divinas. E quais são
essas Leis que deveriam guiar a todos também aqui na
Terra, mas que tantas vezes não são observadas.
Leiamos e reflitamos sobre o que diz Dona Laura ao visitante
de sua casa espiritual: "...(o lar
é como se fora um ângulo reto nas linhas do plano
da evolução divina. A reta vertical é o
sentimento feminino, envolvido nas inspirações
criadoras da vida. A reta horizontal é o sentimento masculino,
em marcha de realizações no campo do progresso
comum. O lar é o sagrado vértice onde o homem
e a mulher se encontram para o entendimento indispensável.
É templo, onde as criaturas devem unir-se espiritual
antes que corporalmente). ...(o lar é conquista sublime
que os homens vão realizando vagarosamente. Onde, nas
esferas do globo, o verdadeiro instituto doméstico, baseado
na harmonia justa, com os direitos e deveres legitimamente partilhados?
Na maioria, os casais terrestres passam as horas sagradas do
dia vivendo a indiferença ou o egoísmo feroz.
Quando o marido permanece calmo, a mulher parece desesperada;
quando a esposa se cala, humilde, o companheiro tiraniza.) ...(Se
a mulher fala nos filhinhos, o marido excursiona através
dos negócios; se o companheiro examina qualquer dificuldade
do trabalho, que lhe diz respeito, a mente da esposa volta ao
gabinete da modista. É claro que, em tais circunstâncias,
o ângulo divino não está devidamente traçado.
Duas linhas divergentes tentam, em vão, formar o vértice
sublime, a fim de construírem um degrau na escada grandiosa
da vida eterna.) ...(o homem e a mulher aprenderão no
sofrimento e na luta. Por enquanto, raros conhecem que o lar
é instituição essencialmente divina e que
se deve viver, dentro de suas portas, com todo o coração
e com toda a alma. Enquanto as criaturas vulgares atravessam
a florida região do noivado, procuram-se mobilizando
os máximos recursos do espírito, e daí
o dizer-se que todos os seres são belos quando estão
verdadeiramente amando. O assunto mais trivial assume singular
encanto nas palestras mais fúteis. O homem e a mulher
comparecem aí, na integração de suas forças
sublimes. Mas logo que recebem a bênção
nupcial, a maioria atravessa os véus do desejo, e cai
nos braços dos velhos monstros que tiranizam corações.
Não há concessões recíprocas. Não
há tolerância e, por vezes, nem mesmo fraternidade.
E apaga-se a beleza luminosa do amor, quando os cônjuges
perdem a camaradagem e o gosto de conversar. Daí em diante,
os mais educados respeitam-se; os mais rudes mal se suportam.
Não se entendem. Perguntas e respostas são formuladas
em vocábulos breves. Por mais que se unam os corpos,
vivem as mentes separadas, operando em rumos opostos.) ...(na
fase atual evolutiva do planeta, existem na esfera carnal raríssimas
uniões de almas gêmeas, reduzidos matrimônios
de almas irmãs ou afins, e esmagadora porcentagem de
ligações de resgate. O maior número de
casais humanos é constituído de verdadeiros forçados,
sob algemas. As almas femininas não podem permanecer
inativas aqui. É preciso aprender a ser mãe, esposa,
missionária, irmã. A tarefa da mulher, no lar,
não pode circunscrever-se a umas tantas lágrimas
de piedade ociosa e a muitos anos de servidão. É
claro que o movimento coevo do feminismo desesperado constituí
abominável ação contra as verdadeiras atribuições
do espírito feminino. A mulher não pode ir ao
duelo com os homens, através de escritórios e
gabinetes, onde se reserva atividade justa ao espírito
masculino. Nossa colônia, porém, ensina que existem
nobres serviços de extensão do lar, para as mulheres.
A enfermagem, o ensino, a indústria do fio, a informação,
os serviços de paciência, representam atividades
assaz expressivas. O homem deve aprender a carrear para o ambiente
doméstico a riqueza de suas experiências, e a mulher
precisa conduzir a doçura do lar para os labores ásperos
do homem. Dentro de casa, a inspiração; fora dela,
a atividade. Uma não viverá sem a outra. Como
sustentar-se o rio sem a fonte, e como espalhar-se a água
da fonte sem o leito do rio?) ...(Quando o Ministério
do Auxílio me confia crianças ao lar, minhas horas
de serviço são contadas em dobro, o que lhe pode
dar idéia da importância do serviço maternal
no plano terreno. Entretanto, quando isso não acontece,
tenho meus deveres diuturnos nos trabalhos de enfermagem, com
a semana de quarenta e oito horas de tarefa. Todos trabalham
em nossa casa. A não ser minha neta convalescente, não
temos qualquer pessoa da família em zonas de repouso.
Oito horas de atividade no interesse coletivo, diariamente,
é programa fácil a todos. Sentir-me-ia envergonhada
se não o executasse também.)
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Quando
a Luz substitui o dinheiro *
Evangelização nº 46/04 do LIE.
Afinal,
se após a morte física o dinheiro não mais
existe, qual é a moeda de troca no outro lado da vida?
A Obra “Nosso Lar” do Espírito André
Luiz, psicografada por Chico Xavier e apresentada por Emmanuel
nos esclarece a esse respeito com bastante detalhe no capítulo
22. Explica o que é “bônus-hora”, que
não é propriamente uma moeda mas, um crédito
individual que serve para aquisições e investimentos
no Bem. Cada bônus-hora adquirido com trabalho em favor
do próximo é contabilizado fielmente na ficha
do trabalhador, e aí lembramos a promessa de Cristo quando
afirmou: “Um único copo d’água que
dessem em meu nome a alguém que tenha sede, isto de forma
alguma será esquecido”. Bem, leiamos o que informa
a Senhora Laura ao convidado André Luiz sobre o que significa
o bônus-hora: “(Não
é propriamente moeda, mas ficha de serviço individual,
funcionando como valor aquisitivo.)... (Todos cooperam no engrandecimento
do patrimônio comum e dele vivem. Os que trabalham, porém,
adquirem direitos justos. Cada habitante de "Nosso Lar"
recebe provisões de pão e roupa, no que se refere
ao estritamente necessário; mas os que se esforçam
na obtenção do bônus-hora conseguem certas
prerrogativas na comunidade social.)... (O espírito que
ainda não trabalha, poderá ser abrigado aqui;
no entanto, os que cooperem podem ter casa própria. O
ocioso vestirá, sem dúvida; mas o operário
dedicado vestirá o que melhor lhe pareça; Os inativos
podem permanecer nos campos de repouso, ou nos parques de tratamento,
favorecidos pela intercessão de amigos; entretanto, as
almas operosas conquistam o bônus-hora e podem gozar a
companhia de irmãos queridos, nos lugares consagrados
ao entretenimento, ou o contato de orientadores sábios,
nas diversas escolas dos Ministérios em geral. Precisamos
conhecer o preço de cada nota de melhoria e elevação.
Cada um de nós, os que trabalhamos, deve dar, no mínimo,
oito horas de serviço útil, nas vinte e quatro
de que o dia se constitui. Os programas de trabalho, porém,
são numerosos e a Governadoria permite quatro horas de
esforço extraordinário, aos que desejem colaborar
no trabalho comum, de boa vontade. Desse modo, há muita
gente que consegue setenta e dois bônus-hora, por semana,
sem falar dos serviços sacrificiais, cuja remuneração
é duplicada e, às vezes, triplicada.)... (A maioria
dos homens encarnados está simplesmente ensaiando o espírito
de serviço e aprendendo a trabalhar nos diversos setores
da vida humana. Por isso mesmo, é imprescindível
fixar as remunerações terrestres com maior atenção.
Todo o ganho externo do mundo é lucro transitório.
Vemos trabalhadores obcecados pela questão de ganhar,
transmitindo fortunas vultosas à inconsciência
e à dissipação; outros amontoam expressões
bancárias que lhes servem de martírio pessoal
e de ruína à família. Por outro lado, é
indispensável considerar que setenta por cento dos administradores
terrenos não pesam os deveres morais que lhes competem,
e que a mesma porcentagem pode ser adjudicada a quantos foram
chamados à subordinação. Vivem, quase todos,
a confessar ausência do impulso vocacional, recebendo
embora os proventos comuns aos cargos que ocupam. Governos e
empresas pagam a médicos que se entregam à exploração
de interesses outros e a operários que matam o tempo.
Onde, aí, a natureza de serviço? Há técnicos
de indústria econômica, que nunca prezaram integralmente
a obrigação que lhes assiste e valem-se de leis
magnânimas, à maneira de moscas venenosas no pão
sagrado, exigindo abonos, facilidades e aposentadorias. Creia,
porém, que todos pagarão muito caro a displicência.
Parece ainda distante o tempo em que os institutos sociais poderão
determinar a qualidade de serviço dos homens, porque,
para o plano espiritual superior, não se especificará
teor de trabalho, sem a consideração dos valores
morais despendidos.)... (O verdadeiro ganho da criatura é
de natureza espiritual.)... (As aquisições fundamentais
constituem-se de experiência, educação,
enriquecimento de bênçãos divinas, extensão
de possibilidades. Nesse prisma, os fatores assiduidade e dedicação
representam, aqui, quase tudo.)... (Quanto maior a contagem
do nosso tempo de trabalho, maiores intercessões podemos
fazer. Compreendemos, aqui, que nada existe sem preço
e que para receber é indispensável dar alguma
coisa. Pedir, portanto, é ocorrência muito significativa
na existência de cada um. Somente poderão rogar
providências e dispensar obséquio os portadores
de títulos adequados.).”
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Herança
e eutanásia *
Evangelização nº 47/04 do LIE.
O
capítulo de hoje nos abre uma visão muito realista
da situação dolorosa de enfermidades perispirituais
e psíquicas dos espíritos que chegam aos locais
de recepção e atendimento em “Nosso Lar”.
São almas endividadas que na Terra contraíram
débitos escabrosos junto a contabilidade Divina. Vemos
também como despertam do lado de lá os que saíram
indesviavelmente dos rigores da vida pela porta da eutanásia,
que quer dizer morte induzida ou imposta. E a responsabilidade
causal de quem autorizou tal procedimento médico que
até hoje ocorrem em alguns hospitais do mundo. Na outra
dimensão da vida, ninguém engana ninguém.
No Livro lemos o caso de um velho milionário que foi
eutanasiado por um filho médico, que estava de olho na
fortuna do pai, e a reação do pai assassinado
quando soube que o filho lhe tirara a vida com uma injeção
letal. Todos esses acontecimentos e suas conseqüências
irão nos conscientizar acerca daquilo que iremos colher
das sementes que plantamos. Vamos então ler com atenção
um trecho do capítulo 30: (“...
Ouvindo-lhe a voz muito meiga, o doente se pôs a chorar
convulsivamente. - Perdoe Edelberto, papai! Procure sentir nele,
não o filho leviano, mas o irmão necessitado de
esclarecimento. Estive em nossa casa, ainda hoje, lá
observando extremas perturbações. Daqui, deste
leito, o senhor envolve todos os nossos em fluidos de amargura
e incompreensão, e eles lhe fazem o mesmo por idêntico
modo. O pensamento, em vibrações sutis, alcança
o alvo, por mais distante que esteja. A permuta de ódio
e desentendimento causa ruína e sofrimento nas almas.
Mamãe recolheu-se, faz alguns dias, ao hospício,
ralada de angústia. Amália e Cacilda entraram
em luta judicial com Edelberto e Agenor, em virtude dos grandes
patrimônios materiais que o senhor ajuntou nas esferas
da carne. Um quadro terrível, cujas sombras poderiam
diminuir, se sua mente vigorosa não estivesse mergulhada
em propósitos de vingança. Aqui, vemo-lo em estado
grave; na Terra, mamãe louca e os filhos perturbados,
odiando-se entre si. Em meio de tantas mentes desequilibradas,
uma fortuna de um milhão e quinhentos mil cruzeiros.
E que vale isso, se não há um átomo de
felicidade para ninguém? - Mas eu leguei enorme patrimônio
à família - atalhou o infeliz, rancorosamente
-, desejando o bem-estar de todos... Paulina não o deixou
terminar, retomando a palavra: - Nem sempre sabemos interpretar
o que seja benefício, no capítulo da riqueza transitória.
Se o senhor assegurasse o futuro dos nossos, garantindo-lhes
a tranqüilidade moral e o trabalho honesto, seu esforço
seria de valiosa previdência; mas, às vezes, papai,
costumamos amealhar o dinheiro por espírito de vaidade
e ambição. Querendo viver acima dos outros, não
nos lembramos disso, senão nas expressões externas
da vida. São raros os que se preocupam em ajuntar conhecimentos
nobres, qualidades de tolerância, luzes de humildade,
bênçãos de compreensão. Impomos a
outrem os nossos caprichos, afastamo-nos dos serviços
do Pai, esquecemos a lapidação do nosso espírito.
Ninguém nasce no planeta simplesmente para acumular moedas
nos cofres ou valores nos bancos. É natural que a vida
humana peça o concurso da previdência, e é
justo que não prescinda da contribuição
de mordomos fiéis, que saibam administrar com sabedoria;
mas ninguém será mordomo do Pai com avareza e
propósitos de dominação. Tal gênero
de vida arruinou nossa casa. Debalde, noutro tempo, busquei
levar socorro espiritual ao ambiente doméstico. Enquanto
o senhor e mamãe se sacrificavam por aumentar haveres,
Amália e Cacilda esqueceram o serviço útil
e, como preguiçosas da banalidade social, encontraram
ociosos que as desposaram, visando a vantagens financeiras.
Agenor repudiou o estudo sério, entregando-se a más
companhias. Edelberto conquistou o título de médico,
alheando-se por completo da Medicina e exercendo-a tão
somente de longe à maneira do trabalhador que visita
o serviço por curiosidade. Todos arruinaram belas possibilidades
espirituais, distraídos pelo dinheiro fácil e
apegados à idéia de herança. O enfermo
tomou uma expressão de pavor e acrescentou: - Maldito
Edelberto! Filho criminoso e ingrato! Matou-me sem piedade,
quando ainda necessitava regularizar minhas disposições
testamentárias! Malvado!... Malvado!... - Cale-se, papai!
Tenha compaixão de seu filho, perdoe e esqueça!...
O velho, porém, continuou a praguejar em voz alta. A
jovem preparava-se para discutir, mas Narcisa endereçou-lhe
significativo olhar, chamando Salústio para socorrer
o doente em crise. Calou-se Paulina, acariciando a fronte paterna
e contendo, a custo, as lágrimas. Daí a instante,
retirava-me em companhia de ambas, sob forte impressão.
...)".
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Erros
do passado *
Evangelização nº 48/04 do LIE.
Apesar
de já ter 61 anos desde sua publicação,
este livro sempre apresenta fatos e novidades que nos alargam
e aprofundam o conhecimento da existência na outra dimensão
da vida, que todos sem exceção iremos atravessar
por um largo período. Há uma passagem no livro
que iremos transcrever a seguir, contando a transferência
de uma senhora de escravos, do umbral para dependências
de atendimento socorrista do “Nosso Lar”, em que
ela se justifica dos erros que praticou na vida física,
quando era dona de uma rica fazenda que utilizava mão-de-obra
escrava vinda da África. Embora afirmando que era católica
praticante, comungando e confessando-se regularmente, ao desenvolver
a conversa com André Luiz, não negou que mandava
açoitar escravos, pois a escravidão era legal
e até o bispo de sua região tinha escravos. Leiamos
e reflitamos sobre o que ela contou, conforme transcrição
de trecho do Capítulo 34: “-
De grande distância. Fui, na Terra, meu filho, mulher
de muito bons costumes; fiz muita caridade, rezei incessantemente
como sincera devota. Mas, quem pode com as artes de Satanás?
Ao sair do mundo, vi-me cercada de seres monstruosos, que me
arrebataram em verdadeiro torvelinho. A princípio implorei
a proteção dos Arcanjos Celestes. Os espíritos
diabólicos, entretanto, conservaram-me enclausurada.
Mas eu não perdia a esperança de ser libertada,
de um momento para outro, porque deixei uns dinheiros para celebração
de missas mensais por meu descanso. Atendendo ao impulso vicioso
de perseguir assuntos que nada tinham que ver comigo, insisti:
- Como são interessantes as suas observações!
Mas não procurou saber as razões de sua demora
naquelas paragens? - Absolutamente não - respondeu, persignando-se.
Como lhe disse, enquanto estive na Terra, fiz o possível
por ser uma boa religiosa. Sabe o senhor que ninguém
está livre de pecar. Meus escravos provocavam rixas e
contendas, e embora a fortuna me proporcionasse vida calma,
de quando em quando era necessário aplicar disciplinas.
Os leitores eram excessivamente escrupulosos e eu não
podia hesitar nas ordens de cada dia. Não raro algum
negro morria no tronco para escarmento geral; outras vezes,
era obrigada a vender as mães cativas, separando-as dos
filhos, por questões de harmonia doméstica. Nessas
ocasiões, sentia morder-me a consciência, mas confessava-me
todos os meses, quando o padre Amâncio visitava a fazenda
e, depois da comunhão, estava livre dessas faltas veniais,
porque, recebendo a absolvição no confessionário
e ingerindo a sagrada partícula, estava novamente em
dia com todos os meus deveres para com o mundo e com Deus. A
essa altura, escandalizado com a exposição, comecei
a doutrinar: - Minha irmã, essa razão de paz espiritual
era falsa. Os escravos eram igualmente nossos irmãos.
Perante o Pai Eterno, os filhinhos dos servos são iguais
aos dos senhores. Ouvindo-me, ela bateu o pé autoritariamente
e falou, irritada: - Isso é que não! Escravo é
escravo. Se assim não fora, a religião nos ensinaria
o contrário. Pois se havia cativos em casa de bispos,
quanto mais em nossas fazendas? Quem haveria de plantar a terra,
senão eles? E creia que sempre lhes concedi minhas senzalas
como verdadeira honra!... Em minha fazenda nunca vieram ao terreiro
das visitas, senão para cumprir minhas ordens. Padre
Amâncio, nosso virtuoso sacerdote, disse-me na confissão
que os africanos são os piores entes do mundo, nascidos
exclusivamente para servirem a Deus no cativeiro. Pensa, então,
que me poderia encher de escrúpulos no trato com essa
espécie de criaturas? Não tenha dúvida;
os escravos são seres perversos, filhos de Satã!
Chego a admirar-me da paciência com que tolerei essa gente
na Terra. E devo declarar que saí quase inesperadamente
do corpo, por me haver chocado a determinação
da Princesa, libertando esses bandidos. Decorreram muitos anos,
mas lembro-me perfeitamente. Achava-me adoentada, havia muitos
dias, e quando padre Amâncio trouxe a nova da cidade,
piorei de súbito. Como poderíamos ficar no mundo,
vendo esses criminosos em liberdade? Certo, eles desejariam
escravizar-nos por sua vez, e a servir a gente dessa laia, não
seria melhor morrer? Recordo que me confessei com dificuldade,
recebi as palavras de conforto do nosso sacerdote, mas parece
que os demônios são também africanos e viviam
à espreita, sendo eu obrigada a sofrer-lhes a presença
até hoje..."
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Segundo
casamento *
Evangelização nº 49/04 do LIE.
O
enfermeiro espiritual Tobias convidou André Luiz para
visitar sua residência em Nosso Lar. Como esse caso se
explica por si mesmo no texto, dispensando maiores comentários,
vamos reproduzir essa visita com as informações
e experiências que revela André Luiz, no capítulo
38, onde lemos o seguinte: “A certa
altura da palestra amável, Tobias acrescentou, sorridente:
- O meu amigo, a bem dizer, é ainda novato em nosso Ministério
e talvez desconheça o meu caso familiar. Sorriam ao mesmo
tempo as duas senhoras; e, observando-me a silenciosa interpelação,
o dono da casa continuou: - Aliás, temos numerosos núcleos
nas mesmas condições. Imagine que fui casado duas
vezes... E, indicando as companheiras de sala, prosseguiu num
gesto de bom humor: - Creio nada precisar esclarecer quanto
às esposas. - Ah! sim - murmurei extremamente confundido
-, quer dizer que as senhoras Hilda e Luciana compartilharam
das suas experiências na Terra... - Isso mesmo - respondeu
tranqüilo. Nesse ínterim, a senhora Hilda tomou
a palavra, dirigindo-se a mim: - Desculpe o nosso Tobias, irmão
André. Ele está sempre disposto a falar do passado,
quando nos encontramos com alguma visita de recém chegados
da Terra. - Pois não será motivo de júbilo
- aduziu Tobias bem-humorado -, vencer o monstro do ciúme
inferior, conquistando, pelo menos, alguma expressão
de fraternidade real? - De fato - objetei -, o problema interessa
profundamente a todos nós. Há milhões de
pessoas, nos círculos do planeta, em estado de segundas
núpcias. Como resolver tão alta questão
afetiva, considerando a espiritualidade eterna? Sabemos que
a morte do corpo apenas transforma sem destruir. Os laços
da alma prosseguem, através do Infinito. Como proceder?
Condenar o homem ou a mulher que se casaram mais de uma vez?
Encontraríamos, porém, milhões de criaturas
nessas condições. Muitas vezes já lembrei,
com interesse, a passagem evangélica em que o Mestre
nos promete a vida dos anjos, quando se referiu ao casamento
na Eternidade. - Forçoso é reconhecer, todavia,
com toda a nossa veneração ao Senhor - atalhou
o anfitrião, bondoso -, que ainda não nos achamos
na esfera dos anjos e, sim, dos homens desencarnados. - Mas,
como solucionar aqui semelhante situação? - perguntei.
Tobias sorriu e considerou: - Muito simplesmente; reconhecemos
que entre o irracional e o homem há enorme série
gradativa de posições. Assim, também, entre
nós outros, o caminho até o anjo representa imensa
distância a percorrer. Ora, como podemos aspirar à
companhia de seres angélicos, se ainda não somos
nem mesmo fraternos uns com os outros? Claro que existem caminheiros
de ânimo forte, que se revelam superiores a todos os obstáculos
da senda, por supremo esforço da vontade; mas a maioria
não prescinde de pontes ou do socorro de guardiães
caridosos. Em vista dessa verdade, os casos dessa natureza são
resolvidos nos alicerces da fraternidade legítima, reconhecendo-se
que o verdadeiro casamento é de almas e essa união
ninguém poderá quebrantar.”
A seguir na continuação do capítulo, Hilda
descreve, após seu desencarne por ocasião do nascimento
do segundo filhinho, a dificuldade que teve em aceitar o segundo
casamento do esposo Tobias com Luciana e da obsessão
em que se viu presa, conseguindo libertar-se somente com a intervenção
providencial de sua avó materna, também desencarnada,
que durante longas conversas, conseguiu esclarece-la dos propósitos
divinos implícitos na situação que protagonizou,
conduzindo-a após ao Nosso Lar. Hilda consagrou-se ao
estudo sério e ao melhoramento moral si mesma. Vindo
Tobias a constituir uma família nova, que passou a pertencer
também a Hilda, igualmente, pelos sagrados laços
espirituais. Onde mais tarde, vieram todos a unir-se a para
sua completa alegria.
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Apego
ao corpo físico *
Evangelização nº 50/04 do LIE.
André
Luís voltava para o departamento de atendimento a enfermos
quando viu a enfermeira Narcisa abordando um rapaz que se mostrava
muito aflito e perturbado. A dedicada Narcisa orava mas o rapaz
continuava se debatendo em dores com muitas contrações.
O paciente jovem gritava que via um espírito horrendo,
queria fugir dele mas não conseguia. André Luiz
quis saber qual a razão de tamanha perturbação
e quem era o obsessor-fantasma. A resposta da enfermeira Narcisa
a André Luiz mostra o quadro espantoso e doloroso de
um jovem que obsedara com visões do próprio corpo,
ao qual era muito apegado. Leiamos o que consta no cap.29, do
Livro “Nosso Lar”: “-
Que me diz? - tornei, espantado. - O pobrezinho era excessivamente
apegado ao corpo físico e veio para a esfera espiritual
após um desastre, oriundo de pura imprudência.
Esteve, durante muitos dias, ao lado dos despojos, em pleno
sepulcro, sem se conformar com situação diversa.
Queria firmemente levantar o corpo hirto, tal o império
da ilusão em que vivera e, nesse triste esforço,
gastou muito tempo. Amedrontava-se com a idéia de enfrentar
o desconhecido e não conseguia acumular nem mesmo alguns
átomos de desapego às sensações
físicas. Não valeram socorros das esferas mais
altas, porque fechava a zona mental a todo pensamento relativo
à vida eterna. Por fim, os vermes fizeram-lhe experimentar
tamanhos padecimentos que o pobre se afastou do túmulo,
tomado de horror. Começou, então, a peregrinar
nas zonas inferiores do Umbral; no entanto, os que lhe foram
pais na Terra possuem aqui grandes créditos espirituais
e rogaram sua internação na colônia. Trouxeram-no
os Samaritanos, quase à força. Seu estado, contudo,
é ainda tão grave que não poderá
ausentar-se, tão cedo, das Câmaras de Retificação.
O amigo, que lhe foi genitor na carne, está presentemente
em arriscada missão, distante de "Nosso Lar".
- E vem visitar o doente? - perguntei. Já veio duas vezes
e experimentei grande comoção, observando-lhe
o sofrimento, discreto. Tamanha é a perturbação
do rapaz, que não reconheceu o pai generoso e dedicado.
Gritava, aflito, mostrando a demência dolorosa. O genitor,
que veio vê-lo em companhia do Ministro Pádua,
do Ministério da Comunicação, pareceu muito
superior à condição humana, enquanto se
encontrava com o nobre amigo que obtivera hospitalidade para
o filho infeliz. Demoraram-se bastante, comentando a situação
espiritual dos recém-chegados dos círculos carnais.
Mas, quando o Ministro Pádua se retirou, compelido por
circunstâncias de serviço, o pai do rapaz me pediu
lhe perdoasse o gesto humano e ajoelhou-se diante do enfermo.
Tomou-lhe as mãos, ansioso, como se estivesse a transmitir
vigorosos fluidos vitais, e beijou-lhe a face, chorando copiosamente.
Não pude conter as lágrimas e retirei-me, deixando-os
a sós Não sei o que se passou, em seguida, entre
ambos; mas notei que Francisco, desde esse dia, melhorou bastante.
A demência total reduziu-se a crises que são, agora,
cada vez mais espaçadas. - Como tudo isso comove! - exclamei
sob forte impressão. Entretanto, como pode a imagem do
cadáver persegui-lo?
- A visão de Francisco - esclareceu a velhinha, atenciosa
-, é o pesadelo de muitos espíritos depois da
morte carnal. Apegam-se demasiadamente ao corpo, não
enxergam outra coisa, nem vivem senão dele e para ele,
votando-lhe verdadeiro culto, e, vindo o sopro renovador, não
o abandonam. Repelem quaisquer idéias de espiritualidade
e lutam desesperadamente pelo conservar. Surgem, no entanto,
os vermes vorazes, e os expulsam. A essa altura, horrorizam-se
do corpo e adotam nova atitude extremista. A visão do
cadáver, porém, como forte criação
mental deles mesmos, atormenta-os no imo da alma. Sobrevêm
perturbações e crises, mais ou menos longas, e
muito sofrem até à eliminação integral
do seu fantasma. Notando-me a comoção, Narcisa
acrescentou: - Graças ao Pai, venho aproveitando bastante,
nestes últimos anos de serviço. Ah! como é
profundo o sono espiritual da maioria de nossos irmãos
na carne! Isto, porém, deve preocupar-nos, mas não
deve ferir-nos. A crisálida cola-se à matéria
inerte, mas a borboleta alçará o vôo; a
semente é quase imperceptível e, no entanto, o
carvalho será um gigante. A flor morta volve à
terra, mas o perfume vive no céu. Todo embrião
de vida parece dormir. Não devemos esquecer estas lições.
E Narcisa calou-se, sem que me atrevesse a interromper-lhe o
silêncio."
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Reencarnação
* Evangelização
nº 51/04 do LIE.
Encaminhando a parte final do extraordinário estudo do
capítulo 46 do Livro Nosso Lar, escolhemos um trecho
muito significativo mostrando como verdadeiramente funciona
a mecânica reencarnatória que a todos nos enquadra,
ou seja, exatamente o que plantamos é o que vamos colher
mais adiante nessa vida ou na próxima. Queremos dizer
com isso, que os enredos e as implicações de nossos
atos presentes influenciam nosso futuro, em outras palavras,
o que fazemos de bem ou de mal em relação aos
nossos semelhantes tanto aos mais próximos como os mais
distantes recae sobre nós mesmos, retornando a nós
quase matematicamente. A espinhosa reencarnação
do espírito Dona Laura, mãe de André Luiz,
comprova os entrelaçamentos futuros dos episódios
que vivenciamos numa existência que vamos ter que resgatar
na vida seguinte, seja pela dor, seja pelo amor. Embora André
Luiz estivesse em desacordo com a reencarnação
de sua mãe, ela explica ao filho, as razões da
sua missão amorosa junto aos outros filhos que se desencaminharam
na existência física. Leiamos então a parte
final deste capítulo 46 em foco: “Mostrando
nobre expressão de serenidade, minha mãe ponderou:
- Não consideras a angustiosa condição
de teu pai, meu filho? Há muitos anos trabalho para reerguê-lo
e meus esforços têm sido improfícuos. Laerte
é hoje um céptico de coração envenenado.
Não poderia persistir em semelhante posição,
sob pena de mergulhar em abismos mais fundos. Que fazer, André?
Terias coragem de revê-lo em tal situação,
esquivando-te ao socorro justo? - Não - respondi, impressionado
-; trabalharia por auxiliá-lo; mas a senhora poderá
ajudá-lo mesmo daqui. - Não duvido. No entanto,
os espíritos que amam, verdadeiramente, não se
limitam a estender as mãos de longe. De que nos valeria
toda a riqueza material, se não pudéssemos estendê-la
aos entes amados? Poderíamos, acaso, residir num palácio
relegando os filhinhos à intempérie? Não
posso ficar a distância. Já que poderei contar
contigo aqui, doravante reunir-me-ei a Luísa a fim de
auxiliar teu pai a reencontrar o caminho certo. Pensei, pensei,
e redargüi: - Insistiria, no entanto, com a senhora. Não
haverá meios de evitar essa contingência? - Não.
Não seria possível. Estudei detidamente o assunto.
Meus superiores hierárquicos foram acordes no conselho.
Não posso trazer o inferior para o superior, mas posso
fazer o contrário. Que me resta, senão isso? Não
devo hesitar um minuto. Tenho em ti o amparo do futuro. Não
te percas, pois, meu filho, e auxilia tua mãe, quando
puderes transitar entre as esferas que nos separam da crosta.
Entrementes, zela por tuas irmãs, que talvez ainda se
encontrem nas sombras do Umbral, em trabalho ativo de purgação.
Estarei novamente no mundo, em breves dias, onde me encontrarei
com Laerte para os serviços que o Pai nos confiar. -
Mas - indaguei - como se encontra ele com a senhora? Em espírito?
- Não - disse minha mãe com significativa expressão
fisionômica. Com a colaboração de alguns
amigos, localizei-o na Terra, a semana passada, preparando-lhe
a reencarnação imediata sem que ele nos identificasse
o auxílio direto. Quis fugir das mulheres que ainda o
subjugam, talvez com razão, e aproveitamos essa disposição,
para jungi-lo à nova situação carnal. -
Mas isso é possível? E a liberdade individual?
Minha mãe sorriu, algo triste, e obtemperou: - Há
reencarnações que funcionam como drásticos.
Ainda que o doente não se sinta corajoso, existem amigos
que o ajudam a sorver o remédio santo, embora muito amargo.
Relativamente à liberdade irrestrita, a alma pode invocar
esse direito somente quando compreenda o dever e o pratique.
Quanto ao mais, é indispensável reconhecer que
o devedor é escravo do compromisso assumido. Deus criou
o livre-arbítrio, nós criamos a fatalidade. É
preciso quebrar, portanto, as algemas que fundimos para nós
mesmos. Enquanto me perdia em graves pensamentos, continuou
ela, retomando as anteriores observações: - As
infelizes irmãs que o perseguem, entretanto, não
o abandonam, e, não fosse a Proteção Divina
por intermédio de nossos guardas espirituais, talvez
lhe subtraíssem a oportunidade da nova reencarnação.
- Deus meu! - exclamei. - Será então possível?
Estamos à mercê do mal até esse ponto? Simples
joguetes em mão dos inimigos? - Essas interrogações,
meu filho - esclareceu minha genitora, muito calma -, devem
pairar em nossos corações e em nossos lábios,
antes de contrairmos qualquer débito, e antes de transformarmos
irmãos em adversários para o caminho. Não
tomes empréstimos à maldade... - E essas mulheres?
- indaguei. Que será feito dessas infelizes? Minha mãe
sorriu e respondeu: - Serão minhas filhas daqui a alguns
anos. É preciso não esqueceres que irei ao mundo
em auxílio de teu pai. Ninguém ajuda eficientemente,
intensificando as forças contrárias, como não
se pode apagar na Terra um incêndio com petróleo.
É indispensável amar, André! Os que descrêem
perdem o rumo verdadeiro, peregrinando pelo deserto; os que
erram se desviam da estrada real, mergulhando no pântano.
Teu pai é hoje um céptico e essas pobres irmãs
suportam pesados fardos na lama da ignorância e da ilusão.
Em futuro não distante, colocarei todos eles em meu regaço
materno, realizando minha nova experiência. E, olhos brilhantes
e úmidos, como se estivesse a contemplar horizontes do
porvir, rematou: - E mais tarde... quem sabe? talvez regresse
a "Nosso Lar", cercada de outros afetos sacrossantos,
para uma grande festividade de alegria, amor e união...
Identificando-lhe o espírito de renúncia, ajoelhei-me
e beijei-lhe as mãos. Desde aquela hora, minha mãe
não era apenas minha mãe. Era muito mais que isso.
Era a mensageira do Amparo, que sabia converter verdugos em
filhos do seu coração, para que eles retomassem
o caminho dos filhos de Deus."
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Culto
familiar *
Evangelização nº 52/04 do LIE.
Ao finalizarmos o estudo desse livro de especial proveito para
todos os que almejam Ter maior familiaridade com a vida que
a todos nos espera após a morte física, vamos
transcrever um trecho do capítulo 48 que mostra a preparação
com detalhes de uma reunião em família na residência
do espírito Lísias, quando vários de seus
membros aguardam para falar com Ricardo, seu pai, que está
encarnado na Terra. Ricardo é ainda uma criança,
mas seu espírito é convocado para participar de
um culto do Evangelho no Lar para preparar a próxima
reencarnação de Laura, a qual, como mãe,
irá receber espíritos ligados a ele em vida anterior
e que se desviaram do caminho de Jesus. Leiamos o que está
escrito, neste capítulo:(“-
Estamos prontos; contudo, aguardamos a ordem da Comunicação.
Nosso irmão Ricardo está na fase da infância
terrestre e não lhe será difícil desprender-se
dos elos físicos, mais fortes, por alguns instantes.
- Mas virá ele até aqui? - indaguei. - Como não?
- revidou o interlocutor. - Nem todos os encarnados se agrilhoam
ao solo da Terra. Como os pombos-correio que vivem, por vezes,
longo tempo de serviço, entre duas regiões, espíritos
há que vivem por lá entre dois mundos. E, indicando
o aparelho à nossa frente, informou: - Ali está
a câmara que no-lo apresentará. - Por que o globo
cristalino? - perguntei, curioso. - Não poderia manifestar-se
sem ele? - É preciso lembrar - disse Nicolas, atenciosamente
- que a nossa emotividade emite forças suscetíveis
de perturbar. Aquela pequena câmara cristalina é
constituída de material isolante. Nossas energias mentais
não poderão atravessá-la. Nesse instante,
foi Lísias chamado ao fone por funcionários da
Comunicação. Era chegado o momento. Poder-se-ia
começar o trabalho culminante da reunião. Verifiquei,
no relógio de parede, que estávamos com quarenta
minutos depois da meia-noite. Notando-me o olhar interrogativo,
disse Nicolas em voz baixa: - Somente agora há bastante
paz no recente lar de Ricardo, lá na Terra. Naturalmente,
a casa descansa, os pais dormem, e ele, em a nova fase, não
permanece inteiramente junto ao berço... Não lhe
foi possível continuar. O Ministro Clarêncio, levantando-se,
pediu homogeneidade de pensamentos e verdadeira fusão
de sentimentos. Fez-se grande quietude, e Clarêncio disse
comovedora e singela prece. Em seguida, Lísias se fez
ouvir na citara harmoniosa, enchendo o ambiente de profundas
vibrações de paz e encantamento. Logo após,
Clarêncio tomou novamente a palavra: - Irmão -
disse - , enviemos, agora, a Ricardo a nossa mensagem de amor.
Observei, então, com surpresa, que as filhas e a neta
da senhora Laura, acompanhadas de Lísias, abandonavam
o estrado, tomando posição junto dos instrumentos
musicais. Judite, Iolanda e Lísias se encarregaram, respectivamente,
do piano, da harpa e da citara, ao lado de Teresa e Eloísa,
que integravam o gracioso coro familiar. As cordas afinadas
casaram os ecos de branda melodia e a música elevou-se,
cariciosa e divina, semelhante a gorjeio celeste. Sentia-me
arrebatado a esferas sublimes do pensamento, quando vozes argentinas
embalaram o interior. Lísias e as irmãs cantavam
maravilhosa canção, composta por eles mesmos....)”.
“(Às derradeiras notas da bela composição,
notei que o globo se cobria, interiormente, de substância
leitoso-acinzentada, apresentando, logo em seguida, a figura
simpática de um homem na idade madura. Era Ricardo. Impossível
descrever a sagrada emoção da família,
dirigindo-lhe amorosas saudações. O recém-chegado,
após falar particularmente à companheira e aos
filhos, fixou o olhar amigo em nós outros, pedindo fosse
repetida a suave canção filial, que ouviu banhado
em lágrimas. Quando se calaram as últimas notas,
falou comovidamente: - Oh! meus filhos, como é grande
a bondade de Jesus, que nos aureolou o culto doméstico
do Evangelho com as supremas alegrias desta noite! Nesta sala
temos procurado, juntos, o caminho das esferas superiores; muitas
vezes recebemos o pão espiritual da vida e é,
ainda aqui, que nos reencontramos para o estímulo santo.
Como sou feliz! A senhora Laura chorava discretamente. Lísias
e as irmãs tinham os olhos marejados de pranto. Percebi
que o recém-chegado não falava com espontaneidade
e não podia dispor de muito tempo entre nós. Possivelmente,
todos ali mantinham análoga impressão, porque
vi Judite abraçar-se ao globo cristalino, ouvindo-a exclamar
carinhosamente: - Pai querido, diga o que precisa de nós,
esclareça em que poderemos ser úteis ao seu abnegado
coração! Observei, então, que Ricardo pousou
o olhar profundo na senhora Laura e murmurou: - Sua mãe
virá ter comigo, em breve, filhinha! Mais tarde, virão
vocês, igualmente! Que mais eu poderia desejar, para ser
feliz, senão rogar ao Mestre que nos abençoe para
sempre?...)”.
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