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Conheça mais sobre André Luiz

Palavras que trazem Luz
Como é a vida no plano espiritual.
Porque pensar e fazer o Bem.
As consequências dos sentimentos negativos.
A Mediunidade na evolução do homem
Conhecendo os dois planos da existência.
A vida depois da desencarnação.
A Sexualidade do ponto de vista espiritual!
Estudo da obra No Mundo Maior!
As conquistas no campo da renovação mental.
Estudando a mediunidade!
A semeadura é livre, porém a colheita é obrigatória!
Os trabalhadores da última hora!
A vida em dois mundos!
Produzido pelo
Lar Irmã Esther
Guaíba/RS
Desenvolvimento:
Marcelo Plocharski

Estudos sobre o Livro "Os Mensageiros" de André Luiz com psicografia de Chico Xavier
Clique sobre o assunto que você quer estudar e vá direto para o texto:

Novos encargos * Evangelização nº 77/06 do LIE.

Como se preparam mensageiros no além * Evangelização nº 78/06 do LIE.

Casamentos do outro lado da vida * Evangelização nº 79/06 do LIE.

Mensagens aos médiuns que fracassam * Evangelização nº 80/06 do LIE.

Queda de um médium que fracassou * Evangelização nº 81/06 do LIE.

A culpa é maior no médium consciente * Evangelização nº 82/06 do LIE.

Remorsos de um ex-padre da inquisição * Evangelização nº 83/06 do LIE.

Um médium vivendo de aparências * Evangelização nº 84/06 do LIE.

Um médico que fracassou * Evangelização nº 85/06 do LIE.

Como um espírito aprende a voar - Parte 1 * Evangelização nº 86/06 do LIE.

Como um espírito aprende a voar - Parte 2 * Evangelização nº 87/06 do LIE.

Conseqüência de traição conjugal que não houve * Evangelização nº 88/06 do LIE.

Socorro em tempos de guerra * Evangelização nº 89/06 do LIE.

Em tempos de guerra * Evangelização nº 90/06 do LIE.

Você sabia que o sopro humano cura? * Evangelização nº 91/06 do LIE.

A inteligência humana após a morte * Evangelização nº 92/06 do LIE.

Existem cadáveres no outro lado da vida? * Evangelização nº 93/06 do LIE.

Quando a prece levanta corações * Evangelização nº 94/06 do LIE.

Desencarnados e as saudades dos familiares * Evangelização nº 95/06 do LIE.

Consequências da calúnia e da fofoca no outro lado da vida * Evangelização nº 96/06 do LIE.

Como são os trabalhos no outro lado da vida * Evangelização nº 97/06 do LIE.

Como é a vida dos espíritos * Evangelização nº 98/06 do LIE.

Vivendo no outro lado * Evangelização nº 99/06 do LIE.

Vida social na espiritualidade * Evangelização nº 100/06 do LIE.

Amostra de lazer e divertimento dos espíritos * Evangelização nº 101/06 do LIE.

Diário de uma expedição socorrista ao Rio de Janeiro * Evangelização nº 102

Como obsessores invadem a vida das pessoas * Evangelização nº 103

Os sonhos dos quais despertamos sem lembrar * Evangelização nº 104

Os que destroem a natureza * Evangelização nº 105

Como é uma reunião espiritual num domicílio de fé * Evangelização nº 106

O Instante da desencarnação de um moribundo * Evangelização nº 107

Conclusões primeiras sobre uma obra que retrata com fidelidade a vida inteligente no Além – extrafísico * Evangelização nº 108

Importância dos pensamentos que geramos e das palavras que falamos * Evangelização nº 109 - Observação: Esta evangelização pertence ao Livro "Nos Domínios da Mediunidade"


Novos encargos * Evangelização nº 77/06 do LIE.

Nesse livro de 51 capítulos e mais de 300 páginas, o Espírito André Luiz narra seu encaminhamento para o serviço socorrista o qual iria participar. Mostra como são dadas as primeiras instruções e como são aproveitados os novos candidatos, tendo em vista suas atividades profissionais na Terra. Médicos, enfermeiras, pedreiros, pintores, profissionais liberais, todos os de boa vontade, que querem se compromissar com as tarefas do bem e não são de reclamar, todos encontrarão atividades pertinentes. O nome desse Departamento da colônia espiritual “Nosso Lar” é intitulado “Homem Novo”, sendo escolhidos aqueles que combatem em si mesmos o egoísmo, as vaidades, o orgulho, e outras inflamações da alma. Era preciso mergulhar nas tarefas de atender os infelizes, sem mais perguntas ou inquirições. Além disso, após seu tratamento no “Nosso Lar” André certifica-se de que sua ex-esposa arranjara um novo casamento e ele ainda queria proteger seus familiares e foi isto o que o motivou a afastar-se momentaneamente daquela preocupação sua. Sua família, após a passagem pelo túmulo, eram os excluídos, os abandonados, os infelizes a partir do berço. Tomada essa decisão pediu a sua instrutora Narcisa felicitar-se pelo caminho de espinhos e gratificação que adotou, na certeza de que ele escolhera a melhor estrada que desemboca no caminho da Luz de Deus Criador. Leiamos o que André grafou acerca das instruções e informes que recebeu:
“Identificando-me a surpresa. Aniceto esboçou um gesto significativo e continuou:
- Nos trabalhos de emergência, destinado à preparação de colaboradores ativos, tenho um quadro suplementar de auxiliares, constantes de cinqüenta lugares para aprendizes. No momento, disponho de três vagas. Há intensa atividade de instrução, necessária a servidores que cooperarão em socorros urgentes, na Terra. Orientadores há que se fazem acompanhar, nos serviços da crosta, por todo o pessoal em aprendizado, mas eu adoto processo diferente. Costumo dividir a classe em grupos especializados, de acordo com a profissão familiar aos estudantes, para melhor aproveitamento no preparo e na prática. Tenho, presentemente, um sacerdote católico-romano, um médico, seis engenheiros, quatro professores, quatro enfermeiras, dois pintores, onze irmãs especializadas em trabalhos domésticos e dezoito operários diversos. Em “Nosso Lar”, a ação que nos compete é desdobrada de maneira coletiva; mas, nos dias de aplicação na crosta terrestre, não me faço seguido de todos. Naturalmente, não se negará ao engenheiro, ou ao operário, o ensejo de aquisição de conhecimentos outros, que transcendem a paisagem de realizações que lhes cabem; mas, tais manifestações devem constar do quadro de esforços espontâneos, no tempo vasto que cada qual aufere para descanso e entretenimento. Considerando, pois, o serviço atual, temos interesse em aproveitar as horas no limite máximo, não só em benefício dos que necessitam de nosso concurso fraternal, como também a favor de nós mesmos, no que toca à eficiência. Ponderei, admirado, o curioso processo, enquanto o orientador fazia longa pausa.
Após mergulhar toda a atenção em mim, como se desejasse perceber o efeito de suas palavras, Aniceto continuou: - Este método não visa apenas a criar obrigações para os outros. Aqui, como na Terra, quem alcança a melhor porção, nas aulas e demonstrações, não é propriamente o discípulo e sim o instrutor, que enriquece observações e intensifica experiências. Quando o Ministro Espiridião me chamou a exercer o cargo, aceitei-o sob a condição de não perder tempo na melhoria e educação de mim mesmo. Desse modo, não preciso alongar-me noutras considerações. Creio haver dito o bastante. Se está, portanto, disposto, não posso recusar-me a aceitá-lo.
– Compreendo seus nobres programas – respondi, comovido - , será honra para mim a possibilidade de acompanhá-lo e receber suas determinações de serviço.”

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Como se preparam os mensageiros do Além.* Evangelização nº 78/06 do LIE.

Nenhuma profissão ou ofício se alcança sem algum tempo de aprendizado e de experiências. Com André Luiz esse tempo de aquisição de experiências e preparo socorrista também foi de longo alcance em busca da Luz. O assistente Tobias encaminhou André ao Ministério da Comunicação, apresentando-o ao Instrutor Aniceto, que desde logo recebeu o novo candidato informando-o das regras exatas para a execução dos serviços em grupo, bem como da boa vontade que era preciso ter, que ali não se admitia reclamações e das crescentes necessidades de Luz para trabalhadores escolhidos. Portanto, tendo concordado plenamente com as regras de trabalho André iria apresentar-se aos trabalhos. Dentre os chamados seriam eleitos os escolhidos. Todos têm e terão necessidade de tarefas na vida, mas nem todos demonstram a necessária dedicação, empenho e compromisso ao se defrontarem com serviços a eles confiados. Constataremos aqui que, do lado de lá, as escolhas não são muito diferentes dos critérios de seleção de aptidão e adequação dos candidatos entre os que devem ocupar essa ou aquela tarefa, isso nos dois planos da vida, nas circunstâncias inerentes a cada plano. Leiamos com atenção o que narra André Luiz no trecho do capítulo 3 do livro em estudo:
“- Ah! Meu amigo – falou Tobias sorridente -, poderia você admitir que as obras do bem estivessem circunscritas a simples operações automáticas? Nossa visão, na Terra, costuma viciar-se no círculo dos cultos externos, na atividade religiosa. Cremos, por lá, resolver todos os problemas pela atitude suplicante. Entretanto, a genuflexão não soluciona questões fundamentais do espírito, nem a mera adoração à Divindade constitui a máxima edificação. Em verdade, todo ato de humildade e amor é respeitável e santo, e, incontestavelmente, o Senhor nos concederá suas bênçãos; no entanto, é imprescindível considerar que a manutenção e limpeza do vaso, para recolhê-las, é dever que nos assistisse. Não preparamos, pois, neste Centro, simples postalistas, mas espíritos que se transformem em cartas vivas de Jesus para a Humanidade encarnada. Pelo menos, este é o programa de nossa administração espiritual...
Calei, emocionado, ponderando a grandeza dos ensinamentos. Meu companheiro, após longa pausa, prosseguiu observando:
- Raros triunfam, porque quase todos estamos ainda ligados a extenso pretérito de erros criminosos, que nos deformaram a personalidade. Em cada novo ciclo de empreendimentos carnais, acreditamos muito mais em nossas tendências inferiores do passado, que nas possibilidades divinas do presente, complicando sempre o futuro. É desse modo que prosseguimos, por lá, agarrados ao mal e esquecidos do bem, chegando, por vezes, ao disparate de interpretar dificuldades como punições, quando todo obstáculo traduz oportunidade verdadeiramente preciosa aos que já tenham “olhos de ver”.
A essa altura, alcançamos enorme recinto. Centenas de entidades penetravam no vasto edifício, cujas escadarias galgamos em animada conversação. Os aspectos do maravilhoso átrio impressionavam pela imponente beleza. Espécies de flores, até então desconhecidas para mim, adornavam colunatas, espalhando cores vivas e delicioso perfume.
Quebrando-me o enlevo, Tobias explicou: - As diversas turmas de aprendizes encaminham-se às aulas. Procuremos Aniceto no departamento de instrutores. Atravessamos galerias vastíssimas, sempre defrontados por verdadeiras multidões de entidades que buscavam as aulas, em palestras vibrantes. Em pequeno grupo que parecia manter conversação muito discreta, encontramos o generoso amigo da véspera, que nos abraçou sorridente e calmo. - Muito bem! – disse, alegre e bondoso – esperava o novo aluno, desde a manhãzinha.”

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Alguns casamentos vistos do outro lado da vida.* Evangelização nº 79/06 do LIE.

O Espírito André Luiz estava recém sendo introduzido em departamento de socorro espiritual aos sofredores na crosta terrestre quando o instrutor Aniceto o apresentou a um novo colega nessa área socorrista, que na última encarnação na Terra também exercera a profissão de médico, além de laboratorista muito êxitoso. Como o companheirismo de tarefas estava recém começando, ambos contaram entre si episódios e tramas da última existência e André Luiz teve assim oportunidade de desabafar o espanto que sofreu quando, ao visitar o antigo lar, viu que sua viúva tinha casado de novo buscando a felicidade em outros braços. Vicente, esse era o nome do novo amigo de André; consolou-o lembrando que sua antiga esposa honrou-o com uma marcante felicidade conjugal. E para ilustrar o que dizia, narrou qual o tipo de morte que o fez desencarnar de modo e causas impensáveis, e que ele só veio, a saber, depois da morte física. Leiamos pois, com lúcida atenção o que Vicente contou a André Luiz com realismo mas, sem lances dramáticos:
“Contávamos dez anos de ventura conjugal, quando meu irmão Eleutério, advogado, solteiro, algo mais velho que eu, deliberou localizar-se junto de nós. Rosalinda foi inexcedível em atenções, considerando que se tratava de pessoa de minha família. Eleutério entrou em nossa casa como irmão. Embora residisse em hotel, compartilhava dos nossos serões caseiros, sempre bem-posto e interessado em agradar. Observei, desde então, que minha mulher se modificava pouco a pouco. Exigiu fosse contratada uma auxiliar que a substituísse nos meus serviços, alegando que os nossos filhinhos não dispensavam assistência maternal, mais assídua. Anuí, satisfeito. Tratava-se, afinal, de providência interessante ao bem-estar de nossos filhos. Contudo, a transformação de Rosalinda assumiu caráter impressionante. Passou a não comparecer ao laboratório, onde tantas vezes nos abraçávamos, alegremente, ao vermos coroados de êxito nossas pesquisas mais sérias. Preferia o cinema ou a estação de repouso, em companhia de Eleutério. Isso me entristecia bastante, mas eu não poderia desconfiar da conduta de meu irmão. Fora sempre criterioso, em família, não obstante ousado e filaucioso nas atividades profissionais. Minha vida doméstica, antes tão feliz, passou a ser de solidão assaz amarga, que eu tentava iludir com trabalho persistente e honesto.
Assim corriam as coisas, quando singular transformação me alterou a experiência. Pequena borbulha na fossa nasal, que nunca me trouxera incômodos de qualquer natureza, depois de levemente ferida, tomou caráter de extrema gravidade. Em poucas horas, declarou-se a septicemia. Reuniram-se colegas em verdadeira assembléia, junto de meu leito. Inúteis, todavia, todos os cuidados; anuladas as melhores expressões de assistência. Compreendi que o fim se aproximava, rápido. Rosalinda e Eleutério pareciam consternados e, até hoje, guardo a impressão de rever-lhes o olhar ansioso, no momento em que a neblina da morte me envolvia os olhos materiais. Nessa altura, Vicente fez longo estacato, como a fixar reminiscências mais dolorosas, e continuou menos vivaz:
- Depois de algum tempo de tristes perturbações nas zonas inferiores, quando já me encontrava restabelecido, em “Nosso Lar”, certifiquei-me de toda a verdade. Voltando ao lar terreno, encontrei a grande surpresa. Rosalinda havia desposado Eleutério em segundas núpcias.
– Como são idênticas as nossas histórias! – exclamei impressionado. – Isso é que não – protestou a sorrir. E continuou: Outra surpresa me dilacerava o coração. Somente ao regressar ao lar, soube que fora vítima de odioso crime. Meu próprio irmão inspirou a trama sutil e perversa. Minha mulher e ele apaixonaram-se perdidamente um pelo outro e cederam a tentações inferiores. Não havia que recorrer a divórcio, e, mesmo que a legislação o facultasse, constituiria um escândalo o afastamento de Rosalinda para unir-se, publicamente ao cunhado. Eleutério lembrou, porém, que possuíamos experiências de laboratório e sugeriu a idéia de me aplicarem determinada cultura microbiana, que ele mesmo se incumbiria de obter, na primeira oportunidade. A pobre da companheira não vacilou, e valendo-se do meu sono descuidado, introduziu na minúscula espinha nasal, algo ferida, o vírus destruidor. E aí tem você o meu caso naturalmente resumido.”

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Duas Mensagens aos médiuns que fracassam.* Evangelização nº 80/06 do LIE.

Em companhia do amigo Vicente, André Luiz assiste uma assembléia na qual participam muitos irmãos que foram médiuns na última encarnação e fracassaram na construção de seus compromissos mediúnicos anteriormente assumidos perante o Mais Alto. Para que constem aqui, vamos, resumir dois dos principais assuntos abordados nessa ocasião, a saber: 1º) Sim, todos devemos reconhecer que o globo terrestre é um mundo de provas e de expiação. Inobstante, é um mundo digno de se viver e, por causa disso mesmo, todos devemos aproveitar a oportunidade que o Pai Criador nos concede para nos elevarmos espiritualmente, aceitando nossas provas sem reclamações e trabalhando incessantemente para o nosso progresso. 2º) A uma pergunta de André Luiz ao instrutor Aniceto sobre o que lhe aconteceria, em se descuidando da elevação espiritual, se entregasse a conversas menos dignas. Aniceto lhe respondeu: “Será pior para você. Os espíritos superiores logo saberiam de tais deslizes, que surgiriam em sua aparência perispiritual e seu rosto logo se cobriria de sombras. Vamos recapitular esses ensinamentos que assinalaram entre muitas lágrimas de remorsos no final da palestra, para os médiuns que, por preguiça ou busca de prazeres discutíveis, deram um outro rumo à mediunidade que receberam de Deus. Leiamos com precisa atenção tais conselhos e advertências para os médiuns que se fragilizam na jornada terrestre:
“Contudo não abandonemos nossos deveres a meio da tarefa. Voltemos ao campo, retificando as semeaduras. O ministério da comunicação vem incentivando esse movimento renovador. Necessitamos de servidores de boa vontade, leais ao espírito da fé. Não serão admitidos os que não desejarem conhecer a glória oculta da cruz do testemunho, nem atendem aqui os que se aproximem com objetivos diferentes... Aqui estamos todos, companheiros da Comunicação, endividados com o mundo, mas esperançosos de êxito em nossa tarefa permanente. Levantemos o olhar. O Senhor renova diariamente nossas benditas oportunidades de trabalho, mas, para atingirmos os resultados preciosos, é imprescindível sejamos seguidores da renunciação ao inferior. Nenhum de nós, dos que aqui nos encontramos, está livre do ciclo de reencarnações na Crosta. Todos, portanto, somos sequiosos de Vida Eterna. Não olvidemos, desse modo, o Calvário de Nosso Senhor, convictos de que toda saída dos planos mais baixos deve ser uma subida para a esfera superior. E ninguém espere subir, espiritualmente, sem esforços, sem suor e sem lágrimas!... Nesse momento, cessou a preleção de Telésforo, que abençoou a assembléia, mostrando olhar infinitamente brilhante e aceitando, em seguida, o braço de Aniceto, para afastar-se. Debaixo de profunda impressão, em face das incisivas declarações do instrutor, observei que numerosos circunstantes choravam em silêncio.
Ao meu olhar interrogativo, Vicente explicou: - São servidores fracassados.
Nesse instante, Telésforo e o nosso orientador postaram-se junto de nós. Duas senhoras, de grave fisionomia, aproximaram-se respeitosamente e uma delas dirigiu-se a Aniceto, nestes termos:
- Desejávamos o obséquio de uma informação concernente à próxima oportunidade de serviço que será concedida a Otávio. O Ministério prestará esclarecimentos – respondeu o interpelado, atencioso.
–Todavia – tornou a interlocutora -, ousaria reiterar-lhe o pedido. É que Marina, grande amiga nossa, casada na Terra há alguns meses, prometeu-me cooperação para auxiliá-lo, e seria muito de meu agrado localizar, agora, o meu pobre filho em novos braços maternais. Aniceto esboçou um gesto de compreensão, sorriu e esclareceu, sem afetação: - Convém não estabelecer o plano por enquanto, porque, antes de tudo, precisamos conhecer a solução do processo de médiuns fracassados, em que está ele envolvido. Somente depois, minha irmã.”

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Queda de um médium que fracassou. * Evangelização nº 81/06 do LIE.

Enquanto ouvia a estória da queda do médium Otávio que decaiu como médium na sua última encarnação ele ficou impressionado com o que escutou. Otávio relata com precisão o que lhe aconteceu. A profundidade abismal que ocorreu com o tombo espiritual que levou na esfera carnal. O que vamos ler é um exemplo e uma lição para todos nós, de qualquer religião no planeta. Ou seja, é uma advertência para os que vêem ao mundo com muito idealismo e, chegados a Terra esquecem seus compromissos maiores na busca pelo prazer. Vamos ler com atenção um significativo trecho deste capítulo 7:
“E após longa pausa, continuou, gravemente: - Depois de contrair dívidas enormes na esfera carnal, noutro tempo, vim bater às portas de “Nosso Lar”, sendo atendido por irmãos dedicados, que se revelaram incansáveis para comigo. Preparei-me, então durante trinta anos consecutivos, para voltar a Terra em tarefa mediúnica, com desejo de saldar minhas contas e elevar-me alguma coisa. Não faltaram lições verdadeiramente sublimes, nem estímulos santos ao meu coração imperfeito. O Ministério da Comunicação favoreceu-me com todas as facilidades e, sobretudo, seis entidades amigas movimentaram os maiores recursos em benefício do meu êxito. Técnicos do Auxílio acompanharam-me a Terra, nas vésperas do meu renascimento, entregando-me um corpo físico rigorosamente sadio. Segundo a magnanimidade dos meus benfeitores daqui, ser-me-ia concedido certo trabalho de relevo, na esfera de consolação às criaturas. Permaneceria junto das falanges de colaboradores encarregados do Brasil, animando-lhes os esforços e atendendo a irmãos outros, ignorantes, perturbados ou infelizes. O matrimônio não deveria entrar na linha de minhas cogitações, não que o casamento possa colidir com o exercício da mediunidade, mas porque meu caso particular assim o exigia. Nada obstante, solteiro, deveria receber, aos vinte anos, os seis amigos que muito trabalharam por mim, em “Nosso Lar”, os quais chegariam ao meu círculo como órfãos. Meu débito para com essas entidades tornou-se muito grande e a providência não só constituiria agradável resgate para mim. Como também garantia de triunfo pelo serviço de assistência a elas, o que me preservaria o coração de leviandades e vacilações, porquanto o ganha-pão laborioso me compeliria a não aceder a sugestões inferiores nos domínios do sexo e das ambições incontidas. Ficou também assentado que minhas atividades novas começariam com muitos sacrifícios, para que o possível carinho de outrem não amolecesse minha fibra de realização, e para que se não escravizasse minha tarefa a situação caprichosa do mundo, distante dos desígnios de Jesus, e, sobretudo, para que fosse mantida a impessoalidade do serviço. Mais tarde, então, com o correr dos anos de edificação, me enviariam de “Nosso Lar” socorros materiais, cada vez maiores, à medida que fosse testemunhado renúncia de mim mesmo, desprendimento das posses efêmeras, desinteresse pela remuneração dos sentidos, de maneira a intensificar, progressivamente, a semeadura de amor confiada às minhas mãos. Tudo combinado, voltei, não só prometendo fidelidade aos meus instrutores, como também hipotecando a certeza do meu devotamento às seis entidade amigas, a quem muito devo até agora. Otávio, nesse momento, fez uma pausa mais longa, suspirou fundamente, e prosseguiu: - Mas, ai de mim, que olvidei todos os compromissos! Os benfeitores de “Nosso Lar” localizaram-me ao lado de verdadeira serva de Jesus. Minha mãe era espiritista cristã desde moça, não obstante as tendências materialistas de meu pai, que era, todavia, um homem de bem. Aos treze anos fiquei órfão de mãe e, aos quinze, começaram para mim os primeiros chamados da esfera superior. Por essa ocasião, meu pai contraiu segundas núpcias, e, apesar da bondade e cooperação que a madrasta me oferecia, eu me colocava num plano de falsa superioridade, a respeito dela. Em vão, minha genitora endereçou, do invisível, apelos sagrados ao meu coração. Eu vivia revoltado, entre queixas e lamentações descabidas. Meus parentes conduziram-me a um grupo espiritista de excelente orientação evangélica, onde minhas faculdades poderiam ser postas a serviço dos necessitados e sofredores; entretanto, faltavam-me qualidades de trabalhador e companheiro fiel. Minha negação em matéria de confiança nos orientadores espirituais e acentuado pendor para a crítica dos atos alheios compeliam-me a desagradável estacionamento.

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A culpa é maior no médium consciente. * Evangelização nº 82/06 do LIE.

André Luiz, Vicente, Otávio e Acelino, espíritos de Luz, trocavam esclarecimentos e confidências entre si, sobre as experiências amargas que vivenciaram na última encarnação terrestre. Não faziam tais rememorações por motivo de curiosidade nem para passatempo e sim para que mutuamente se conhecessem e todos aprendessem com as espinhosas lições de um passado que deviam sublimar pela prática da caridade com misericórdia. A pedido de André Luiz, o instrutor Acelino relatou a sua história pessoal. O que Acelino não perdoara a si mesmo era a circunstância de estar consciente dos erros que praticava e, mesmo assim, não se afastar do caminho errado. O que mais o atormentava era a evidência de que transformara sua mediunidade de missão na fé em negócio lucrativo e ambicioso. Granjeara acumulada fortuna agindo dessa forma. E só parou de encompridar o seu fracasso quando a morte o levou para o outro lado da vida e então, nos redutos de sombra, teve que resgatar suas dolorosas dívidas perante a contabilidade Divina a fim de receber de Jesus uma nova oportunidade de diminuir suas dores de consciência até que a misericórdia de Deus lhe desse uma nova oportunidade de corrigir o passado delituoso. Leiamos o que Acelino contou com as próprias palavras: “Debalde, movimentaram-se os amigos espirituais aconselhando-me o melhor caminho. Em vão, companheiros encarnados chamavam-me a esclarecimento oportuno. Agarrei-me ao interesse inferior e fixei meu ponto de vista. Ficaria definitivamente por conta dos consulentes. Arbitrei o preço das consultas, com bonificações especiais ao pobres e desvalidos da sorte, e meu consultório encheu-se de gente. Interesse enorme foi despertado entre os que desejavam melhoras físicas e soluções de negócios materiais. Grande número de famílias abastadas tomou-me por consultor habitual, para todos os problemas da vida. As lições de espiritualidade superior, a confraternização amiga, o serviço redentor do Evangelho e as preleções dos emissários divinos ficaram a distância. Não mais a escola da virtude, do amor fraternal, da edificação superior, e sim a concorrência comercial, as ligações humanas legais ou criminosas, os caprichos apaixonados, os casos de polícia e todo um cortejo de misérias da humanidade, em suas experiências menos dignas. Transformaram-se completamente a paisagem espiritual que me rodeava. A força de me cercar de pessoas criminosas, por questões de ganho sistemático, as baixas correntes mentais dos inquietos clientes encarceraram-me em sombria cadeia psíquica. Cheguei ao crime de zombar do Evangelho de Nosso Senhor Jesus, esquecido de que os negócios delituosos dos homens de consciência viciada contam igualmente com entidades perniciosas, que se interessam por eles nos planos invisíveis. E transformei a mediunidade em fonte de palpites materiais e baixos avisos. Nesse momento, os olhos do narrador cobriram-se de súbita vermelhidão, estampando-se-lhe fundo horror nas pupilas, como se estivesse revivendo atrozes dilacerações. – Mas a morte chegou, meus amigos, e arrancou-me a fantasia – prosseguiu mais grave. Desde o instante da grande transição, a ronda escura dos consulentes criminosos, que me haviam precedido no túmulo, rodeou-me a reclamar palpites e orientações de natureza inferior. Queriam notícias de cúmplices encarnados, de resultados comerciais, de soluções atinentes a ligações clandestinas. Gritei, chorei, implorei, mas estava algemado a eles por sinistros elos mentais, em virtude da imprevidência na defesa do meu próprio patrimônio espiritual. Durante onze anos consecutivos, expiei a falta, entre eles, entre o remorso e a amargura. Acelino calou-se, parecendo mais comovido, em vista das lágrimas abundantes. Fundamente sensibilizado, Vicente considerou: - Que é isso? Não se atormente assim. Você não cometeu assassínios, nem alimentou a intenção deliberada de espalhar o mal. A meu ver, você enganou-se também, como tantos de nós.”

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Remorsos e castigos de um ex-padre da Inquisição. * Evangelização nº 83/06 do LIE.

Para fins de reparação e de expiação é certo que na vida após-túmulo sempre teremos acesso às recordações de vidas passadas por ser essa Providência Divina necessária para planejarmos a próxima reencarnação. É um tempo que Deus nos concede para meditação e novas correções de rumo. E ali surge o que aconteceu com o médium Joel, que fracassara na sua última reencarnação terrena, pois em vida anterior teria sido muito cruel com os perseguidos pela Inquisição na Espanha. Na época seu nome era Alexandre Pizarro e fora relacionado com expressivas figuras do Clero e autoridades espanholas vinculadas as atrocidades que foram praticadas contra os acusados de bruxaria ou que eram considerados infiéis. Pois esse padre monsenhor, décadas mais tarde, reencarnou como o médium Joel, descrito por André Luiz como um médium que embora agraciado com qualidades mediúnicas tais como clarividência, clariaudiência e com o dom da palavra consoladora para os sofredores, inclinou-se em vida para o usufruto dos desejos e valores humanos menos dignos. Era perseguido por visões monstruosas e tormentos mentais. Vamos agora ler o dramático relato do médium Joel no trecho final desse capítulo 10, tal como ali foi transcrito:
“Minhas recordações adormecidas, como o disco sob a agulha da vitrola, e lembrei toda a minha penúltima existência, quando envergara a batina, sob o nome de Monsenhor Alejandre Pizarro, nos últimos períodos da Inquisição Espanhola. Foi, então, que abusei da lente sagrada que me referi. A volúpia das grandes sensações, que pode ser tão prejudicial como o uso do álcool que embriaga os sentidos, fez-me olvidar os deveres mais santos. Bafejaram-me claridades espirituais de elevada expressão. Desenvolveu-se-me a clarividência, mas não estava satisfeito senão com rever meus companheiros visíveis e invisíveis, no setor das velhas lutas religiosas. Impunha a mim mesmo a obrigação de localizar cada um deles no tempo, fazendo questão de reconstituir-lhes as fichas bibliográficas, sem cuidar do verdadeiro aproveitamento no campo do trabalho construtivo. A audição psíquica tornou-se-me muito clara; entretanto, não queria ouvir os benfeitores espirituais sobre tarefas proveitosas e sim interpelá-los, ousadamente, no capítulo da minha satisfação egoística. Despendi um tempo enorme, dentro do qual fugia aos companheiros que me vinham pedir atividades a bem do próximo, engolfado em pesquisas referentes à Espanha do meu tempo. Exigia notícias de bispos, de autoridades políticas da época, de padres amigos que haviam errado tanto quanto eu mesmo. Não faltaram generosas advertências. Freqüentemente, os colegas do nosso grupo espiritista chamavam-me a atenção para os problemas sérios de nossa casa. Eram sofredores que nos batiam à porta, situações que reclamavam testemunho cristão. Tínhamos um abrigo de órfãos em projeto, um ambulatório que começava a nascer e, sobretudo, serviços semanais de instrução evangélica, nas noites de terças e sextas-feiras. Mas, qual! Eu não queria saber senão das minhas descobertas pessoais. Esqueci que o Senhor me permitia aquelas reminiscências, não por satisfazer-me à vaidade, mas para que entendesse a extensão dos meus débitos para com os necessitados do mundo e me entregasse à obra de esclarecimento e conforto aos feridos da sorte. Contrariamente à expectativa dos abnegados amigos que me auxiliaram na obtenção da oportunidade sublime, não me movi no concurso fraterno e desinteressei-me da doutrina consoladora, que hoje revive o Evangelho de Jesus entre os homens. Somente procurei, a rigor, os que se encontravam afins comigo, desde o pretérito. Nesse propósito, descobri, com evidentes sinais de identidade, personalidades outrora eminentes, em relação comigo. Reconheci o Senhor Higino de Salcedo, grande proprietário de terras, que me havia sido magnânimo protetor, perante as autoridades religiosas da Espanha, reencarnado como proletário inteligente e honesto, mas em grande experiência de sacrifício individual. Revi o velho Gaspar de Lorenzo, figura solerte de inquisidor cruel, que me quisera muito bem, reencarnado como paralítico e cego de nascença. E desse modo meu amigo, passei a existência, de surpresa em surpresa, de sensação em sensação. Eu, que renascera recordando para edificar alguma coisa de útil, transformei a lembrança em viciação de personalidade. Perdi a oportunidade bendita de redenção, e o pior é o estado de alucinação em que vivo. Com o meu erro, a mente desequilibrou-se e as perturbações psíquicas constituem doloroso martírio. Estou sendo submetido a tratamento magnético de longo tempo.”

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Monteiro, um médium que vivia para produzir aparências. * Evangelização nº 84/06 do LIE.

André Luiz, em companhia do Espírito Vicente prosseguia entrevistando médiuns que, apesar da proteção de Espíritos orientadores e benfeitores, transformaram sua missão na Terra em fracassos pessoais. Parece claro, neste ponto, que a intenção do Espírito André Luiz, é a de advertir os que se desorientam ao sucumbirem nas armadilhas da roupagem física. O mundo terrestre oferece a todos nós infinitas tentações enquanto o corpo físico hospeda mil necessidades e paixões da carne sequiosa de entretenimentos. Monteiro fora um médium que, nas sessões de intercâmbio que dirigia, brincava e ou ironizava com irmãozinhos menos esclarecidos que freqüentavam o seu Centro Espírita como quem busca socorro e luz para suas trevas. Foi preciso desencarnar para perceber a reaproximação daqueles espíritos insatisfeitos. Narrou também sua perturbadora vida econômica, sempre protestando títulos em cartório, não oferecendo um tanto de paciência para com os devedores que lhe pediam inutilmente dilatação de prazos para pagamento de dívidas. Vamos ler aqui um trecho da história que Monteiro expôs naquele encontro de mensageiros espirituais:
“Andava cego. Não conseguia perceber que a existência terrestre, por si só, é uma sessão permanente. Talhava o Espiritismo a meu modo. Toda proteção e garantia para mim, e valiosos conselhos ao próximo. Ao demais disso, não conseguia retirar a mente dos espetáculos exteriores. Fora das sessões práticas, minha atividade doutrinária consistia em vastíssimos comentários dos fenômenos observados, duelos palavrosos, narrações de acontecimentos insólitos, crítica rigorosa dos médiuns. Monteiro deteve-se um pouco, sorriu e continuou:
- De desvio em desvio, a angina encontrou-me absolutamente distraído da realidade essencial. Passei para cá, qual demente necessitado de hospício. Tarde reconhecia que abusara das sublimes faculdades do verbo. Como ensinar sem exemplo, dirigir sem amor? Entidades perigosas e revoltadas aguardaram-me à saída do plano físico. Sentia, porém, comigo, singular fenômeno. Meu raciocínio pedia socorro divino, mas meu sentimento agarrava-se a objetivos inferiores. Minha cabeça dirigia-se ao Céu, em súplica, mas o coração colava-se à Terra. Nesse estado triste, vi-me rodeado de seres malévolos que me repetiam longas frases de nossas sessões. Com atitude irônica, recomendavam-me serenidade, paciência e perdão às alheias faltas; perguntavam-me, igualmente, por que me não desgarrava do mundo, estando já desencarnado. Vociferei, roguei, gritei, mas tive de suportar esse tormento por muito tempo.
Quando os sentimentos de apego à esfera física se atenuaram, a comiseração de alguns bons amigos me trouxe até aqui. E imagine o irmão que meu Espírito infeliz ainda estava revoltado. Sentia-me descontente. Não havia fomentado as sessões de intercâmbio entre os dois planos? Não me consagrara ao esclarecimento dos desencarnados?
Percebendo-me a irritação ridícula, amigos generosos submeteram-me a tratamento. Não fiquei satisfeito. Pedi à Ministra Veneranda uma audiência, visto ter sido ela a intercessora da minha oportunidade. Queria explicações que pudessem atender ao meu capricho individual. A Ministra é sempre muito ocupada, mas sempre atenciosa. Não marcou a audiência, dada a insensatez da solicitação; no entanto, por demasia de gentileza, visitou-me em ocasião que reservara a descanso. Crivei-lhe os ouvidos de lamentações, chorei amargamente e, durante duas horas, ouviu-me a benfeitora por um prodígio de paciência evangélica. Em silêncio expressivo, deixou que me cansasse na exposição longa e inútil. Quando me calei, à espera de palavras que alimentassem o monstro da minha incompreensão, Veneranda sorriu e respondeu: - “Monteiro, meu amigo, a causa da sua derrota não é complexa, nem difícil de explicar. Entregou-se, você, excessivamente ao Espiritismo prático, junto dos homens, nossos irmãos, mas nunca se interessou pela verdadeira prática do Espiritismo junto de Jesus, nosso Mestre”. Nesse instante, Monteiro fez longa pausa, pensou uns momentos e falou, comovido: - Desde então, minha atitude mudou muitíssimo, entendeu? Aturdido com a lição profunda, respondi, mastigando palavras, como quem pensa mais, para falar menos:
- Sim, sim, estou procurando compreender.”

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História de um médico que fracassou. * Evangelização nº 85/06 do LIE.

A profissão de médico é muito vigiada e cobrada na Espiritualidade. Se atentarmos para o fato de que todo paciente é enviado por Deus para cada médico, entenderemos que a responsabilidade deles é muito grande e profunda em relação à saúde humana. Os médicos na realidade receberam de Deus a oportunidade de estudarem e exercerem uma das mais complexas e trabalhosas profissões da Terra. Suas responsabilidades, depois que começam a clinicar é imensa. A rigor não deveriam negar-se a atender ninguém que não lhes possa pagar em dinheiro. Isso é tão entendido e ensinado nas faculdades de medicina que, ao receberem o diploma legal de médicos lhes é exigido prestar o juramento de Hipócrates, no qual esse dever é claramente cobrado em termos de percentagem sacrificial. O que acontece depois depende do livre arbítrio de cada profissional. Digamos ou raciocinemos que cada doutorando deveria doar 10% de seu horário de atividades em prol da saúde de seu próximo. Mas, há médicos que passam anos e anos sem atender nenhuma dessas pobres criaturas que morrem em meio à ventania de doenças e necessidades, sem que alguém lhes dê um pequeno atendimento, principalmente na área da saúde. A maioria dos médicos só atende pelo dinheiro, o que contribui para a vil metalização da profissão. Vamos ler agora, num pequeno trecho dessa obra de André Luiz, que também foi médico que falhou na sua vida profissional, como é para eles duro e amargo o fruto de seus egoísmos, com o apego ao dinheiro dos atendimentos pagos.
“Engolfara-me em pensamentos grandiosos, quando o companheiro voltou a falar:
- Tenho um amigo, nosso colega de profissão, que se encontra nas zonas inferiores, há alguns anos, atormentado por dois inimigos cruéis. Acontece que ele muito faliu como homem e médico. Era cirurgião exímio, mas, tão logo alcançou renome e respeito geral, impessionou-se com as aquisições monetárias e caiu desastradamente. Nos dias de grandes negócios financeiros, deslocava a mente das obrigações veneráveis, colocando-a distante, na esfera dos banqueiros comuns. Não fosse a proteção espiritual, essa atitude teria comprometido oportunidades vitais de muita gente. A colaboração do pobre amigo tornara-se quase nula, e alguns desencarnados, nas intervenções cirúrgicas que ele praticava, notando-lhe a irresponsabilidade, atribuíram-lhe a causa da morte física, quando não a esperavam, votando-lhe ódio terrível. Amigos do operador prestaram esclarecimentos justos a muitos; entretanto, dois deles, mais ignorantes e maldosos, perseveraram na estranha atitude e o esperaram no limiar do sepulcro.
- Horrível! – exclamei. Se ele, porém, não é culpado da desencarnação desses adversários gratuitos, como pode ser atormentado desse modo? Explicou Vicente, em tom mais grave: - Realmente, não tem culpa da morte deles. Nada fez para interromper-lhes a existência física. Mas é responsável pela inimizade e incompreensão criadas na mente dessas pobres criaturas, porque, não estando seguro do seu dever, nem tranqüilo com a consciência, o nosso amigo julga-se culpado, em razão das outras falhas a que se entregou imprevidentemente. Todo erro traz fraqueza, e, assim sendo, o nosso colega, por enquanto, não adquiriu forças para se desvencilhar dos algozes. Perante a Justiça Divina, portanto, ele não resgata crimes inexistentes, mas repara certas faltas graves e aprende a conhecer-se a si mesmo, a atender as obrigações nobres e praticá-las, compreendendo, por fim, a felicidade dos que sabem ser úteis com segurança de fé em Deus e em si mesmos. A noção do dever bem cumprido, André, ainda que todos os homens permaneçam contra nós, é uma luz firme para o dia e abençoado travesseiro para a noite. O nosso colega, tendo abusado da profissão, entrou em dolorosa prova.
- Ah! Sim – exclamei -, agora compreendo. Onde exista uma falta, pode haver muitas perturbações; onde apagamos a luz, podemos cair em qualquer precipício.”

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Como um espírito aprende a voar na Luz - Parte I * Evangelização nº 86/06 do LIE.

Desta vez vamos estudar e transcrever por inteiro em 2 polígrafos este importante capítulo nº15 no qual os Espíritos André Luiz e Vicente estão aprendendo a voar (volitar); cumprindo um trecho que vai do “Nosso Lar” até uma escura e montanhosa região umbralina na crosta terrestre. Após receberem tratamento de vibração magnética e luz no departamento de auxílio e percepções, os dois acompanharam o Espírito Aniceto, que é o instrutor deles; iam aprender a volitar em grandes distâncias. Evidente, que só conseguem trajar-se de luz e voar os espíritos virtuosos que já venceram os instintos humanos primitivos, tais como os sentimentos da cólera, do ciúme, da inveja, das ambições desmedidas, do egoísmo, etc.. Pela transcendência do assunto vamos transcrever aqui todo o capítulo 15, sendo que a parte primeira é a seguinte:
“Depois de empregarmos o processo de condução rápida, atravessando imensas distâncias, surgiu uma região menos bela. O firmamento cobrira-se de nuvens espessas e alguma coisa que eu não podia compreender impedia-nos a volitação com facilidade. Creio que o mesmo não acontecia ao nosso instrutor, mas Vicente e eu fazíamos enorme esforço para acompanhá-lo. Aniceto percebeu, de pronto, nossos obstáculos e considerou: - Será conveniente utilizarmos a locomoção. A atmosfera começa a pesar muitíssimo e não devemos andar muito distante de Campo da Paz. Não precisamos ir até lá; todavia, descansaremos no Posto de Socorro. Encontraremos, ali, os recursos indispensáveis. – Mas, que é isto? – perguntei, admirado da profunda modificação ambiente. – Estamos penetrando a esfera de vibrações mais fortes da mente humana. Achamo-nos a grande distância da Crosta; entretanto, já podemos identificar, desde logo, a influenciação mental da Humanidade encarnada. Grandes lutas desenrolam-se nestes planos e milhares de irmãos abnegados aqui se voltam à missão de ensinar e consolar os que sofrem. Em parte alguma escasseia o amparo divino. Nesse instante, chegáramos ao cume de grande montanha, envolvida em sombra fumarenta. No solo, desenhavam-se trilhas diversas, à maneira de labirintos bem formados. Observando-nos a estranheza, Aniceto falou com otimismo:
- Sigamos! Nesse momento, ó Deus de Bondade! Alguma coisa imprevista me felicitava o coração. Contrastando as sombras, raios de luz desprendiam-se intensamente de nossos corpos. Extraordinária comoção apossou–se–me d´alma. Vicente e eu ajoelhamo-nos a um só tempo, banhados em lágrimas, enviando ao Eterno os nossos profundos agradecimentos, em votos de júbilo fervoroso. Estávamos embriagados de ventura. Era a primeira vez que me vestia de luz, luz que se irradiava de todas as células de meu corpo espiritual. Aniceto, que se mantinha de pé, a contemplar-nos com expressão de alegria, falou comovidamente: - Muito bem, meus amigos! Agradecemos a Deus os dons de amor, sabedoria e misericórdia. Saibamos manifestar ao Pai o nosso reconhecimento. Quem não sabe agradecer, não sabe receber e, muito menos pedir. Durante muito tempo, Vicente e eu mantivemo-nos em prece repleta de alegrias e de lágrimas... Em seguida, retomamos a marcha, como se estivéssemos vestidos em sublime luminosidade. As surpresas, no entanto, sucediam-se ininterruptamente. Aquelas vias de comunicação eram muito diversas das que conhecia ali. Mergulhávamos num clima estranho, onde predominava o frio e a ausência de luz solar. A topografia era um conjunto de paisagens misteriosas, lembrando filmes fantásticos da cinematografia terrestre. Picos altíssimos semelhavam vigorosas agulhas de treva, desafiando a vastidão. Descíamos sempre, como viajores ladeando escuros precipícios, em país de exotismo ameaçador. Esquisita vegetação subia do solo, de espaço a espaço, entre os granes abismos. Aves de horripilante aspecto surgiam, medrosas, de quando em quando, enchendo o silêncio de pios angustiados. Rija ventania soprava em todas as direções. Fundamente assombrado, cobrei ânimo e perguntei ao nosso instrutor: - Que dizeis de tudo isto? Ignorava que houvesse tais regiões entre a Crosta e nossa cidade espiritual. À nossa frente, sinto um mundo novo, que me é totalmente desconhecido... Por quem sois, nobre Aniceto, nada vos pergunto por ociosidade, mas estas terras me surpreendem profundamente.”

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Como um espírito aprende a voar na Luz - Parte II * Evangelização nº 87/06 do LIE.

Conforme registramos no polígrafo anterior, vamos transcrever aqui a 2ª parte do capítulo 15, tendo em vista a significativa importância do aprendizado de volitação (voar) no aperfeiçoamento evolutivo para os Espíritos Socorristas, e as defesas estratégicas que devem adquirir para protegerem-se e pontuarem nas condições adversas que enfrentarão nas expedições por regiões de sombras, gritos e ranger de dentes emitidos por espíritos em duras provações de resgate. Que todos possamos aprender, principalmente os médiuns de curas, vibrações e passes com as narrativas pormenorizadas contidas nas consagradas obras de André Luiz, para vigoroso proveito de todos nós. O texto final é o seguinte:
“- Todo este mundo que vemos é continuação de nossa Terra. Os olhos humanos vêem apenas algumas expressões do vale em que se exercitam para a verdadeira visão espiritual, como nós outros que, observando agora alguma coisa, não estamos igualmente vendo tudo. Este, André, é um domínio diferente. A percepção humana não consegue apreender senão determinado número de vibrações. Comparando as restritas possibilidades humanas com as grandezas do Universo Infinito, os sentidos físicos são muitíssimo limitados. O homem recebe reduzido noticiário do mundo que lhe é moradia. É verdade que tem devassado com a sua ciência problemas profundos. A astronomia terrena conhece que o Sol, por medidas aproximadas, é 1.300.000 vezes maior que a Terra e que a estrela Capela é 5.800 vezes maior que o nosso Sol; sabe que Arcturo equivale a milhares de sóis, iguais ao que nos ilumina; está informada de que Canópus corresponde a 8.760 sóis idênticos ao nosso, reunidos; mediu as distâncias entre o nosso planeta e a Lua; acompanha certo fenômenos em Marte, Saturno, Vênus e Júpiter; sonda os milhões de sóis aglomerados na Via-Láctea; conhece as estrelas variáveis, as nebulosas espirais e difusas. E não param as observações humanas na grandeza ilimitada do Macrocosmo. A ciência vai, igualmente, aos círculos atômicos; analisa a materialização da energia, o movimento dos elétrons, estuda o bombardeio de átomos e esquadrinha corpúsculos diversos. Mas todo esse trabalho, com a colaboração das lunetas de alta potência e dos geradores de milhões de volts, ainda é serviço que apenas identifica os aspectos exteriores da vida. Há, porém, André, outros mundos sutis, dentro dos mundos grosseiros, maravilhosas esferas que se interpenetram. O olho humano sofre variadas limitações e todas as lentes físicas reunidas não conseguiriam surpreender o campo da alma, que exige o desenvolvimento das faculdades espirituais para tornar-se perceptível. A eletricidade e o magnetismo são duas correntes poderosas que começam a descortinar aos nossos irmãos encarnados alguma coisa dos infinitos potenciais do invisível, mas ainda é cedo para cogitarmos de êxito completo. Somente ao homem de sentidos espirituais desenvolvidos é possível revelar alguns pormenores das paisagens sob nossos olhos. A maioria das criaturas ligadas à Crosta não entende estas verdades, senão após perderem os laços físicos mais grosseiros. É da lei, que não devemos ver senão o que possamos observar com proveito.
Nessa altura, Aniceto calou-se. Comovido com as instruções, guardei religioso silêncio. Agora, em meio das sombras, divisava alguns vultos negros, que pareciam fugir apressados, confundindo-se na treva das furnas próximas. Nosso orientador avisou, cauteloso:
- Procuremos interromper os efeitos luminosos do nosso corpo espiritual. Bastará que pensem com vigor na necessidade dessa providência. Estamos atravessando extensa zona, a que se acolhem muitos desventurados, e não é justo humilhar os que sofrem com a exibição de nossos bens. Obedecendo ao conselho, verifiquei o efeito imediato. Os fios de luz que me irradiavam do corpo apagaram-se como por encanto. A excursão tornou-se menos agradável. Descíamos milagrosamente, através dos despenhadeiros de longa extensão. A sombra fizera-se mais densa, a ventania mais lamentosa e impressionante. Após algum tempo de marcha em silêncio, divisamos ao longe um grande castelo iluminado. Aniceto fez um gesto significativo com o indicador e explicou:
- É um dos Postos de Socorro de Campo da Paz.”

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Conseqüência de traição conjugal que não houve.* Evangelização nº 88/06 do LIE.

O romance de Alfredo e Ismália, eles se amavam muito, terminou em tragédia. Alfredo era bem de finanças, mas tinha um sócio infiel, que queria roubar dele o afeto da fiel Ismália. Após uma série de acontecimentos negativos, com os quais Alfredo não soube lidar, roído de ciúmes doentios de Ismália, Alfredo separou-se dela e dos dois filhinhos. Ele foge para o Rio de Janeiro e, dois anos após sua ida, Ismália falece vitima de tuberculose. Depois disto Alfredo regressa para recuperar os 2 filhinhos que abandonara. André Luiz conta o que aconteceu com os 2 membros do casal, no trecho final da vida física de ambos e, no plano espiritual, narrou o que sucedeu com eles. É uma história de plantação e colheita, de ação e reação, que vale a pena conhecer. Leiamos com atenção o que está registrando do trecho final do capítulo 17, para que com essa lição ninguém venha a cair nos mesmos abismos em que Alfredo mergulhou sua alma:
“Corri, desesperado, detonando balas a esmo, mas nada consegui. Regressei ao quarto e, para cúmulo da calúnia odiosa, o desconhecido deixara, atrás de si, um chapéu novo, rigorosamente moderno, para que se acentuassem meus sentimentos terríveis. Olhos congestos, vomitando insultos, quis eliminar Ismália, banhada em lágrimas a meus pés; no entanto, alguma coisa, que nunca pude compreender na Terra, paralisou-me o braço quase homicida. Vociferando blasfêmias, surdos aos rogos dela, afastei-me do lar, tomado de horror. No dia imediato, fiz valer meu direito exclusivo sobre os filhos e providenciei para que Ismália, convertida em estátua de dor, fosse restituída à fazenda paterna. Contratei uma governanta para os meninos e, logo após, tomei um paquete para a Europa, onde me demorei mais de três anos. Nunca me propus a verificações sérias, e, embora tivesse o espírito incessantemente atormentado, humilhei os sentimentos mais íntimos, jamais procurando notícias da companheira caluniada. Certo dia, recebi uma carta lacônica na costa francesa. Um parente dava-me informações da esposa. Após dois anos angustiosos, entre a saudade e o abandono, Ismália fora colhida pela tuberculose, falecendo em terrível martirológio moral. Deliberei, então, a volta. Fixei-me novamente no Rio, eduquei os filhinhos e conservei a dolorosa viúves no desencanto do coração. Os anos rolaram uns sobre os outros, quando fui chamado à cabeceira do ex-sócio agonizante. O infeliz, em face da morte, confessou o crime odioso, pedindo um perdão que, infelizmente, não pude conceder. Transformei-me, desde então, num louco irremediável. Cansado, envelhecido, procurei a propriedade rural dos sogros, tentando reparar, de alguma sorte, a injustiça, mas a morte não me deu ensejo e voltei para a esfera dos desencarnados, em tristes condições espirituais.
Nesse instante, fez uma pausa, para continuar comovido: - Não preciso dizer que recebi de Ismália todo o amparo de que necessitava. Todavia, infelizmente para mim, estávamos separados. Não mereci a benção da união sublime. Ismália segue-me de perto, mas tem residência num plano superior, que devo esforçar-me para alcançar. Desde muito, dediquei-me aos serviços do nosso Posto de Socorro, consagrei-me aos ignorantes e sofredores, e minha santa Ismália vem até aqui, mensalmente, incentivar-me o bom ânimo e amparar-me nas lutas.
- Mas não poderia ela transferir-se definitivamente para aqui? – indagou Vicente, tão impressionado quanto eu, com o romance comovedor. Alfredo sorriu e falou: - Sei que Ismália tem trabalhado para isso, que seu ideal de união eterna é idêntico ao meu, atendendo à circunstância de estar o superior sempre em posição de dar ao inferior; mas não ignoro que foi advertida por nossos maiores, sobre as minhas atuais necessidades de esforço e solidão. Preciso conhecer o preço da felicidade, para não menosprezar, de novo, as bênçãos de Deus. Minha esposa deseja descer para encontrar-se definitivamente comigo; entretanto, é necessário que eu aprenda a subir e, por este motivo, ainda não recebemos a devida permissão para o definitivo consórcio espiritual. Observando-nos a emoção, concluiu: - Estou resgatando crimes de precipitação. Pela impulsividade delituosa, perdi minha paz, meu lar e minha devotada companheira. Conforme ouviram, não matei nem roubei a ninguém, mas envenenei-me a mim próprio. A calúnia é um monstro invisível, que ataca o homem através dos ouvidos invigilantes e dos olhos desprevenidos.”

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Em tempo de guerra, como são recebidos os espíritos desencarnados nos postos de atendimento espiritual. * Evangelização nº 89/06 do LIE.

Este tema é oportuno e amplamente atual no campo das angústias humanas neste alvorecer do Terceiro Milênio. A começar que o livro ora em estudo veio à lume em 26 de fevereiro de 1944, ou seja, no final da Segunda Guerra Mundial, pela psicografia divina do nosso saudoso Chico Xavier. No trecho que vamos ler a seguir, constataremos que no “Castelo Paz”, situado em zona umbralina, o instrutor Aniceto, o administrador Alfredo, Vicente, André Luiz e outros participam de um diálogo esclarecedor sobre o que acontece nos postos socorristas nas colônias de atendimento espiritual sempre que há guerras e conflitos de armas, qualquer que seja o país ou região da Terra. As vibrações dos grupos guerreiros são mortíferas e têm como conseqüência à eclosão de tempestades magnéticas nas zonas umbralinas provindas dos campos de batalha e bombardeios de guerras na superfície do planeta. Evidente que tais tempestades magnéticas são as mesmas que atualmente estão acontecendo no Oriente Médio e na África, por exemplo. Vale a pena estudar esse assunto para entendermos melhor o que está acontecendo na Palestina, a antiga Judéia do tempo de Jesus; e o que se está preparando no mundo dos políticos ambiciosos e cegos neste apagar das luzes do ano 2006. Leiamos então o trecho do capítulo 18:
“A volta de Ismália ao círculo da conversação impediu o prosseguimento do assunto. Aproveitando, talvez, a oportunidade, Aniceto perguntou ao administrador: - Quem me diz da continuação da nossa viagem? Estimaríamos alcançar ainda hoje, as esferas da Crosta.
Dirigiu-nos Alfredo significativo olhar e falou: - Não me sinto com o direito de alterar-lhes o plano de serviço, mas seria conveniente pernoitarem aqui. Nossos aparelhos assinalam aproximação de grande tempestade magnética, ainda para hoje. Sangrentas batalhas então sendo travadas na superfície do globo. Os que não se encontram nas linhas de fogo, permanecem nas linhas da palavra e do pensamento. Quem não luta nas ações bélicas, está no combate das idéias, comentando a situação. Reduzido número de homens e mulheres continuam cultivando a espiritualidade superior. É natural, portanto, que se intensifiquem, ao longo da Crosta, espessas nuvens de resíduos mentais dos encarnados invigilantes, multiplicando as tormentas destruidoras. Aniceto escutava com atenção. – Não me preocupo com sua pessoa – continuou Alfredo, dirigindo-se de maneira particular ao nosso instrutor -, mas este dois amigos, penso, seriam desagradavelmente surpreendidos.
– Tem razão – concordou Aniceto. E, esboçando significativa expressão fisionômica, prosseguiu: - Avalio o sacrifício dos nossos companheiros espirituais, nos trabalhos de prevenção da saúde humana.
– São grandes servidores – disse o senhor do castelo. – De quando em quando, observo-lhes, pessoalmente, os núcleos de atividade santa. A Humanidade parece preferir a condição de eterna criança. Faz e desfaz os patrimônios da civilização, com se brincasse com bonecos. Nossos amigos suportam pesados fardos de serviço para que as tormentas magnéticas invisíveis ao olhar humano, não disseminem vibrações mortíferas, a se traduzirem pela dilatação de penúrias da guerra e por epidemias sem conta. As colônias espirituais da Europa, mormente as de nosso nível, estão sofrendo amargamente para atenderem às necessidades gerais. Já começamos a receber grandes massas de desencarnados, em conseqüência dos bombardeios. “Nosso Lar”, pela missão que lhe cabe, ainda não pode imaginar todo o esforço que o conflito mundial vem exigindo da nossa colaboração nas esferas mais baixas. Os postos de socorro de várias colônias, ligados a nós, estão superlotados de europeus desencarnados violentamente. Fomos notificados de que as súplicas da Europa dilaceram o coração angélico dos mais altos cooperadores de Nosso Senhor Jesus Cristo.”

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O que acontece nas altas esferas quando os homens guerreiam na Terra. * Evangelização nº 90/06 do LIE.

Este capítulo é muito esclarecedor se quisermos entender a vastíssima extensão do mal que praticamos: Aniceto relembra uma visita que ele fez à colônia “Nova Alvorada”, pertencente a um planeta vizinho ao nosso, isso em 1944 na 2ª Guerra Mundial, e ali ficou sabendo que os extraterrestres haviam fechado as fronteiras vibracionais com o planeta Terra, pois as armas e bombardeiros na Europa prejudicavam as vibrações deles lá. Quando um homem alucinado está à frente de um povo e aos vizinhos (no caso Adolph Hitler) as vibrações guerreiras são tão fortes que avançam muito além de nossa atmosfera. Os políticos atuais deveriam ler o que aconteceu na cidade de Bristol, na Inglaterra daquele tempo. Leiamos nós o trecho respectivo:
“Nesse ínterim, Aniceto interveio, esclarecendo: - Embalde voltarão os países do mundo aos massacres recíprocos. O erro de uma nação influirá em todas, como um ruído de um homem perturbaria o contentamento de milhões. A neutralidade é um mito, o insulamento uma ficção do orgulho político. A Humanidade terrestre é uma família de Deus, como bilhões de outras famílias planetárias do Universo Infinito. Em vão a guerra desfechará desencarnações em massa. Esses mesmos mortos pesarão na economia espiritual da Terra. Enquanto houver discórdia entre nós, pagaremos dolorosos preços em suor e lágrimas. A guerra fascina a mentalidade de todos os povos, inclusive de grande número de núcleos das esferas invisíveis. Quem não empunha as armas destruidoras, dificilmente se afastará do verbo destruidor, no campo da palavra ou da idéia. Mas, todos nós pagaremos tributo. É da lei divina, que nos entendamos e nos amemos uns aos outros. Todos sofreremos os resultados do esquecimento da lei, mas cada um será responsabilizado, de perto, pela cota de discórdia que haja trazido à família mundial. Alfredo, que parecia ponderar seriamente os conceitos ouvidos, observou: - É justo. Aniceto voltou a considerar, após silêncio mais longo: - Estive pessoalmente, a semana passada, em “Alvorada Nova”, que fica em zonas mais altas, e vim a saber que avançados núcleos de espiritualidade superior, dos planetas vizinhos, desde as primeiras declarações desta guerra, determinaram providências de máxima vigilância, nas fronteiras vibratórias mantidas conosco. Ensinam-nos os vizinhos beneméritos que devemos suportar, nos próprios ombros, toda a produção de mal que levarmos a efeito. Somos, finalmente, a casa grande, obrigada a lavar a roupa suja nas próprias dependências. Sorrimos todos, com essa comparação. Ismália, que permanecia em silêncio, não obstante a funda impressão que se lhe estampara no rosto, considerou com delicadeza: - Infelizmente, na feição coletiva, somos ainda aquela Jerusalém escravizada ao erro. Todos os dias somos curados por Jesus e todos os dias conduzimo-lo ao madeiro. Nossas obras estão reduzidas quase a simples recapitulações que fracassam sempre. Não saímos do estágio da experiência. E, dolorosamente para nós, estamos sempre a ensaiar, no mundo, a política com os Césares, a justiça com os Pilatos, a fé religiosa com os Fariseus, o sacerdócio com os rabinos do Sinério, a crença com os Jairos que acreditam e duvidam ao mesmo tempo, os negócios com os Anases e Caifases. Neste passo, não podemos prever a extensão dos acontecimentos cruciais. Encantado com as definições ouvidas, aventurei-me a dizer: - Como é angustiosa, porém, a destruição pela guerra! – Nestes tempos, contudo – observou Alfredo, bondosamente -, a prece é uma luz mais intensa no coração dos homens. Bem se diz que a estrela brilha mais fortemente nas noites sem luz. Imaginem que, para iniciar providências de recepção aos desencarnados em desespero, já fui, mais de uma vez, aos serviços de assistência na Europa. Há dias, em missão dessa natureza, fomos, eu e alguns companheiros, aos céus de Bristol. A nobre cidade inglesa estava sendo sobrevoada por alguns aviões pesados de bombardeio. As perspectivas de destruição eram assustadoras. No seio da noite, porém, destacava-se, à nossa visão espiritual, um farol de intensa luz. Seus raios faiscavam no firmamento, enquanto as bombas eram arremessadas ao solo. A chefia da expedição recomendou nossa descida no ponto luminoso. Com surpresa, verifiquei que estávamos numa igreja, cujo recinto devia ser quase sombrio para o olhar humano, mas altamente luminoso para nossos olhos. Notei, então, que alguns cristãos corajosos reuniam-se ali e cantavam hinos. O Ministro do Culto lera a passagem dos Atos, em que Paulo e Silas cantavam à meia-noite, na prisão, e as vozes cristalinas elevavam-se ao Céu, em notas de fervorosa confiança. Enquanto rebentavam estilhaços lá fora, os discípulos do Evangelho cantavam, unidos, em celestial vibração de fé viva. Nosso chefe mandou que nos conservássemos de pé, diante daquelas almas heróicas, que recordavam os primeiros cristãos perseguidos, em sinal de respeito e reconhecimento. Ele também acompanhou os hinos e depois nos disse que os políticos construiriam os abrigos antiaéreos, mas que os cristãos edificariam na terra os abrigos antitrevosos. Às vezes – concluiu o senhor do castelo, em tom significativo – é preciso sofrer para compreender as bênçãos divinas.”

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Você sabia que o sopro humano cura? * Evangelização nº 91/06 do LIE.

No capítulo 19 acima citado, vamos redescobrir algo importante sobre o sopro humano e estaremos constatando o quão pouco é o conhecimento dos homens sobre o valor terapêutico do sopro humano. Para que isso aconteça são especificados quais os cuidados que devemos ter com nossa boca. 1º) devemos alimentar-nos adequadamente, com pouca gordura e frituras; 2º) higienizar bem os dentes e a boca várias vezes; 3º) falar adequadamente sobre assuntos positivos e sem nomes pornográficos. 4º) não fumar e não beber álcool nem drogas; 5º) viver corretamente. E o sopro ganhará valores terapêuticos. Aliás, Cristo explicou que o que nos condena ou prejudica não é o que entra mas, o que sai da boca; tendo em vista, a linguagem que usamos e as pessoas que abençoamos. Vamos então ler um trecho desse capítulo para entendermos melhor o assunto:
“- Mas, semelhante patrimônio está a disposição de qualquer espírito encarnado? – pergunta Vicente, compartilhando minha surpresa. Nosso interlocutor pensou alguns instantes e respondeu, atencioso: - Como o passe, que pode ser movimentado pelo maior número de pessoas, com benefícios apreciáveis, também o sopro curativo poderia ser utilizado pela maioria das criaturas, com vantagens prodigiosas. Entretanto, precisamos acrescentar que, em qualquer tempo e situação, o esforço individual é imprescindível. Toda realização nobre requer apoio sério. O bem divino, para manifestar-se em ação, exige a boa vontade humana. Nossos técnicos do assunto não se formaram de pronto. Exercitaram-se longamente, adquiriram experiências a preço alto. Em tudo há uma ciência de começar. São servidores respeitáveis pelas realizações que atingiram, ganham remunerações de vulto e gozam enorme acatamento, mas, para isso, precisam conservar a pureza da boca e a santidade das intenções. Compreendendo o interesse que suas palavras despertavam, continuou o administrador, depois de pequena pausa: - Nos círculos carnais, para que o sopro se afirme suficientemente, é imprescindível que o homem tenha estômago sadio, a boca habituada a falar o bem, com abstenção do mal, e a mente reta, interessada em auxiliar. Obedecendo a esses requisitos, teremos o sopro calmante e revigorador, estimulante e curativo. Através dele, poder-se-á transmitir, também na Crosta, a saúde, o conforto e a vida. E, como Vicente e eu não pudéssemos ocultar a perplexidade, Alfredo considerou: - Isto não é novo. Jesus, além de tocar naqueles a quem curava, concedia-lhes, por vezes, o sopro divino. O sopro da vida percorre a Criação inteira. Toda página sagrada, comentando o princípio da existência, refere-se a isso. Nunca pensaram no vento, como sopro criador da Natureza? Quanto a mim, desde o ingresso em Campo da Paz, quando fui ali recolhido em péssimas condições espirituais, tenho aprendido maravilhosas lições nesse particular. Tanto assim que, chefiando este Posto, tenho incentivado, com as possibilidades ao meu alcance, a formação de novos cooperadores nesse sentido, oferecendo compensações aos que se decidam iniciar a tarefa de especialização, nem sempre fácil para todos. A esse tempo, Ismália recebia algumas colaboradoras de importância, que se preparavam para a tarefa. Impressionado com o que ouvira, acompanhei de perto as providências que se organizavam. Encontrando-me, porém, mais a sós com Aniceto, transmiti-lhe minha enorme surpresa, respondendo-me ele em tom confidencial: - Esquecem-se de que a própria Bíblia, aludindo aos primórdios do homem, narra que o Criador assoprou na forma criada, comunicando-lhe o fôlego da vida. Referindo-nos aos nossos irmãos encarnados, faz-se preciso reconhecer, André, que, mesmo partindo de homens imperfeitos, mas de boa vontade, todo o sopro com intenção de aliviar ou curar tem relevante significação entre as criaturas, porque todos nós somos herdeiros diretos do Divino Poder. Aliás, é necessário observar também que não estamos diante de uma exclusividade. Você, por certo, passou muito ligeiramente pelo nosso Ministério de auxílio. Temos, ali, grande instituto especializado nesse sentido, onde nobres colegas se votam a essa modalidade de cooperação. No plano carnal, toda boca, santamente intencionada, pode prestar apreciáveis auxílios, notando-se, porém, que as bocas generosas e puras poderão distribuir auxílios divinos, transmitindo fluidos vitais de saúde e reconforto. Esperava que Aniceto prosseguisse, mostrando-me as qualidades magnéticas do sopro, mas Alfredo acercara-se de nós, operoso e solícito, exclamando: - Estamos no momento destinado aos trabalhos de assistência e oração. - Segui-lo-emos com prazer – respondeu nosso instrutor, sorrindo. Era necessário interpretar a lição, atendendo a deveres diferentes.”

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Como funciona a inteligência humana após a morte? * Evangelização nº 92/06 do LIE.

Essa é uma pergunta que muitos fazem e outros tantos nem se quer cogitam dela, até porque se declaram materialistas e agnósticos. Esta é portanto, a pergunta que nunca quis calar-se desde os albores da civilização do homem. As religiões tentam explicar o que acontece com a alma dos que morrem mas, só pela fé se encontra resposta para todas as indagações em torno dessa porta estreita pela qual todos teremos de cruzar. André Luiz narra com detalhes a situação espiritual da maior parte dos desencarnados quando chegam nos sítios do Além. Nevoeiro, desmemoria, sentimentos conflitados, ambições desnorteadas, traições, vontade de voltar ao mundo do qual saiu sem se dar conta, a confusão e a ansiedade são muito grandes. Surge então a contestação de que é em vida física que devemos corrigir-nos das paixões, demência e seqüelas da alma. O estudo da vida atuante do pós-morte que há na obra de André Luiz abre na mente de cada um de nós, peça por peça, um imenso e claro painel mostrando-nos o que devemos evitar quando na carne em nosso próprio favor. Leiamos pois, um trecho significativo do capitulo 21 desse livro:
“- Entretanto, a demora é muito grande!... – falou o cavalheiro, impaciente, como se estivesse diante de um subordinado vulgar. – Mas, meu caro Aristarco – respondeu o administrador, muito calmo-, acredito que você está sendo experimentado para conhecer a grandeza da herança divina. Que valem os patrimônios terrestres, ante os patrimônios imperecíveis? Não pense no que tem perdido; medite nos bens sublimes que poderá alcançar, diante da vida Eterna. Esqueça os primos ambiciosos e o Visconde que não o compreendeu. Terão eles de deixar quanto possuem, no campo transitório, a fim de prestarem contas à Divindade. Nunca pensou nisto? Aristarco pareceu perder, por momentos, a inquietação, sorriu francamente e respondeu: - É verdade! Os tratantes morrerão... Uma senhora, mostrando-se aflita, pôs-se à nossa frente e interpelou, altiva: - Senhor Alfredo, peço-lhe não me retenha aqui. Meu marido é nosso próprio adversário. Prometeu perseguir as filhas, tão logo me ausentasse de casa. Aqui permanecendo, estou certa de que ele nos dissipará os bens, desmoralizar-no-á o nome. Por favor, autorize o meu regresso. O coração me diz que as filhinhas estão desesperadas. Convenço-me, cada vez mais, de que a minha moléstia teve origem neste estado de coisas...
- Já sei, minha irmã – respondeu o nosso amigo com a mesma solicitude-; no entanto, que adiantaria regressar, tão fortemente atormentada? Não será melhor curar-se, tranqüilizar o espírito para ajudar as filhinhas com eficiência? – Mas, nem sequer sei onde estou – reclamou a pobre senhora, torcendo as mãos -, creio me tenham trazido ao fim do mundo, para tratamento de uma simples perda de sentidos! – Todavia, ninguém a maltrata – disse o interlocutor, bondosamente – e seu caso não é tão simples como parece. Tenha calma. Os laços consangüíneos são edificantes, mas, acima deles, vibra a família universal. Há criaturas suportando fardos muito mais pesados que o seu. Aprenda, quanto esteja em suas possibilidades, a desfazer-se de aquisições passageiras, para ganhar os eternos bens. A infeliz não sorriu como os outros. Fechando-se em sombria catadura, afastou-se pesadamente, olhos fulgurantes de cólera, como se a mente estivesse cravada muito longe, incapaz de qualquer compreensão. Adiantaram-se outros enfermos, mas o administrador falou em voz alta: - Não posso atender a todos no momento. Depois de amanhã, serão recebidos para explicações. E, voltando-se para nós, esclareceu a sorrir: - No círculo carnal, seriam todos absolutamente normais; no entanto, aqui, são verdadeiros loucos. São desencarnados que, por muito tempo, se agarraram aos problemas inferiores. Reclamam providências, sem falar no ensejo de iluminação que menosprezam, acusam os outros, sem relacionarem os próprios erros. Procurei ouvi-los para lhes dar uma idéia do nosso trabalho, no setor dos que se desequilibram mentalmente por excesso de centralização em propósitos inferiores. Não é crime interessar-se alguém pelas atividades rurais, pela recepção de uma herança, pelo bem-estar da família; mas, no fundo, o velhinho que reclama terras e escravos nunca pensou senão em tirania no campo; o cavalheiro, que aguarda a herança, deseja lesar os primos; e a senhora, se revelou tão interessada pelo ambiente doméstico, desencarnou quando pretendia envenenar o marido, às ocultas. Conheço-lhes os processos, um a um. Acordaram de longo sono, na inconsciência, e julgam-se ainda encarnados, supondo igualmente que podem dissimular a pretensões criminosas. Eu estava assombrado. Expressando minha profunda admiração, perguntei: - Esses doentes demoram-se aqui? Como alcançaram o Posto? Gentil, como sempre, Alfredo respondeu: - Foram recolhidos em pior estado. Já estiveram em pesado sono durante muito tempo e vão readquirindo a memória, gradativamente, até que possam ser encaminhados aos Institutos Magnéticos de “Campo da Paz”, a fim de receberem maiores auxílios e necessários esclarecimentos.”

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Existirão no outro lado da vida cadáveres? * Evangelização nº 93/06 do LIE.

André Luiz narra o que ele, Vicente e os demais espíritos da sua equipe vivenciaram numa área sombria, com extensas edificações, que ele descreve como um grande cemitério. Uma espécie de albergue que alojava cerca de 2000 espíritos, todos mantendo expressões cadaverizadas. O instrutor Aniceto pede a todos os monitores presentes que trabalhem nos atendimentos prescritos. André Luiz atende quem estava mais próximo dele, era uma mulher que parecia morta, mas que, pelos sinais do perispírito, percebeu que estava viva e sofria. Estranhos pesadelos povoavam sua mente e memória. Através de anmese pelo frontal, André passou a tomar conhecimento do interior daquela mulher, da qual passou a ter pena e compaixão. Todos os espíritos que ali estavam traziam consigo memórias perispirituais de um passado tenebroso. Leiamos porém uma das principais cenas com grande ensinamento para todos que está descrita no final do capítulo 23:
“Estupefato, comecei a divisar formas movimentadas no âmbito da pequena tela sombria. Surgiu uma casa modesta de cidade humilde. Tive a impressão de transpor-lhe à porta. Lá dentro, um quadro horrível e angustioso. Uma senhora de idade madura, demonstrando crueldade impassível no rosto, lutava com um homem embriagado. – “Ana! Ana! pelo amor de Deus! não me mates!” – dizia ele, súplice, incapaz de defender-se. – “Nunca! Nunca te perdoarei!” – exclamava a mulher, acrescentando em tom lúgubre – “Morrerás esta noite”. – Vi o infeliz cair, exausto. – “Envenenaste-me com bebida mortal” – exclamava ele, lacrimoso – “perdoa-me se te causei algum mal! Sou pai! Ana! Preciso viver para meus filhos! Não me mates, por piedade!” – Ela ouviu com frieza e respondeu duramente: - “Morrerás mesmo assim. Tenho a infelicidade de amar-te, a ti que pertences à outra mulher! Não quiseste seguir-me e preciso vingar-me!” Rebolcando-se no assoalho, tornava o infeliz: - “Deus sabe que estou arrependido do meu criminoso passado! Quero viver para o bem, Ana! Perdoa-me por amor do Eterno Pai! Quem sabe poderei auxiliar-te como irmão? Ajuda-me para que te possa ajudar! Não me mates! Não me mates!” A mulher, porém, como se tivesse a maldade agravada, ao ouvir a expressão da virtude, tomou de um pesado martelo e exclamou: - “Deus não existe! Deus não existe! Morrerás, infame!” E, de súbito, crivou-lhe o crânio de marteladas surdas. O homem expirou sem um grito. Logo após, vi a criminosa conduzindo o cadáver em carrinho de mão, através de um trilho ermo. Acompanhava-lhe os movimentos com interesse. A noite estava muito escura, mas observei a parada junto à via férrea. Sondou os arredores, certificou-se do insulamento em que se encontrava e depôs a estranha carga sobre os trilhos. Via dispondo o cadáver para que a cabeça fosse decepada à passagem do comboio, retirando-se apressadamente, reconduzindo o pequeno carro vazio. Não esperei a máquina de ferro, Segui a mulher que me pareceu inquieta e pensativa. Antes, porém, que depusesse o carrinho no extenso quintal, vi que arregalava os olhos como louca, cercada de seres que me pareceram bandidos de negras vestes. Era ela, agora, quem acusava estranha embriaguez de pavor. Vencera um pobre homem invigilante, mas, a meu ver, seria vencida por seres mais perversos, talvez, que ela própria: - “Acudam-me! Acudam-me!” – gritava, espavorida. E continuava a cena, em que a desventurada golfava súplicas em vão. Senti-me como espectador que precisasse movimentar qualquer socorro. E, graças à Bondade Divina, não experimentei pela mulher infeliz senão a mais viva compaixão. Ao primeiro impulso de revolta pelo crime consumado, recordei as lições já recebidas em “Nosso Lar” e pensei na possibilidade de ser a criminosa alguma pessoa querida ao meu coração. Se Ana estivesse no mundo, ao meu lado, na família do sangue, não desejaria auxiliá-la? Por que haveria de acusá-la, se não lhe conhecia o passado total? Ter-lhe-iam dado a educação na infância, a bênção do lar, a segurança de um afeto sem manchas? Quem sabe viera de longe, como pedra incompreendida, rolando nos abismos do sofrimento? Que laços a uniriam à vítima, igualmente digna de piedade fraternal? Como teria começado o drama doloroso? Não sabia. Enxergava somente a pobre mulher rodeada de sombras agressivas, implorando socorro. Ignorava como ajudá-la, mas recordei que Ana era minha irmã, filha do mesmo Pai, irmã que adoecera no caminho comum, sem que eu pudesse, pelo menos, por agora, indagar a causa. Procurava, comigo mesmo, algum meio de auxilia-la, quando alguém me chamou de súbito. Era Aniceto que exclamava, bondoso: - Venha, André! Vicente e você têm sabido aproveitar alguma coisa. Estou satisfeito. Seus pensamentos de fraternidade e paz muito auxiliaram essa irmã infeliz. Guarde a certeza disso e continue buscando a compreensão para socorrer e ajudar com êxito. Conforme observaram de perto, sabem agora que cada um dos que aqui dormem sono atormentado, vivem estranhos pesadelos, de que não podem isentar-se de um instante para outro. Não precisamos comentar qualquer episódio dessas existências vividas em oposição à Vontade Divina. Bastará lembrar sempre que a dívida, em toda parte, anda com os devedores. E com expressivo olhar, acrescentou: - Voltemos ao centro. Devemos cooperar na oração.”

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Quando a prece levanta corações. * Evangelização nº 94/06 do LIE.

Este capítulo acende muita luz tanto nos corações dos encarnados como no dos desencarnados. Com sua equipe socorrista André, Vicente e Aniceto chegam a uma edificação com aproximadamente 3 quilômetros de comprimento; hospedando 1980 espíritos em sono povoado de pesadelos. Consciências adormecidas num tempo indefinível. Criaturas que foram humanos na Terra, repousando em longo sono magnético recuperador. Embora inerte e com feições cadaverizadas, tinham na memória preservada o que fizeram e o que não fizeram quando peregrinaram pelo Orbe Terrestre. Alimento específico e tratamento adequado com preces sinceras, tudo era renovado a cada dia. Quando a equipe de Aniceto e André faziam preces e irradiações para aquela multidão de enfermos espirituais adormecidos sucedeu que uns 400 deles começaram a despertar com grande espanto. Mas vamos reproduzir um trecho do capítulo 25, onde André Luiz narra o seguinte:
“As bolhas luminosas caiam incessantemente, mas agora, como se fossem dirigidas por uma vontade inteligente, concentravam-se quase todas sobre as frontes imóveis. Então, pude observar o inaudito e inconcebível para mim. As múmias, porque não posso dar outro nome aos irmãos que dormem, começaram a dar sinais de vida. Alguns daqueles infelizes deixavam escapar gemidos angustiosos, outros falavam em voz alta, dando conta dos pesadelos que os atormentavam, como sonâmbulos prestes a despertar. Muitos moviam os pés e as mãos, como a se esforçarem por fugir ao sono doloroso. Eminentemente surpreendido, reparei que dois se levantaram, distante de nós. Recordei que ambos faziam parte daqueles que haviam recebido toda espécie de assistência, inclusive o sopro curativo. Olharam-nos de longe, como loucos que acordassem de súbito, e dispararam a correr, espavoridos, não obstante a impressão de cadáveres ambulantes, que nos causavam. Admirado, verifiquei que ninguém esboçou a menor disposição de seguí-los. E quando me propunha, instintivamente, fazê-lo, Alfredo deteve-me, exclamando: - Não se preocupe. Eles seriam amargamente surpreendidos, se fossem notificados agora de sua permanência longa entre verdadeiras múmias. Acreditavam sonhar e é melhor assim. Não poderão fugir às nossas fortificações e voltarão a pedir socorro noutras dependências, a que serão recolhidos para adequado tratamento. Continuamos silenciosos mais alguns minutos, e notei que as luzes se foram apagando gradativamente, ao passo que os cadáveres retomavam a imobilidade anterior. Ismália declarou terminadas as nossas atividades da oração e o administrador, após o sinal luminoso, que notificava aos operários o término das obrigações, adiantou-se para nós, exclamando: - Gratíssimo pelo concurso fraternal. Realizamos belo serviço intercessório. Desde alguns dias, ninguém se levantava. Aniceto, percebendo-nos a perplexidade, falou a Vicente e a mim, de maneira significativa: - Conforme viram, o trabalho da prece é mais importante do que se pode imaginar no círculo dos encarnados. Não há prece sem resposta. E a oração, filha do amor, é não apenas súplica. É comunhão entre Criador e criatura, constituindo, assim, o mais poderoso influxo magnético que conhecemos. Acresce notar, porém, já que comentamos o assunto, que a rogativa maléfica conta, igualmente, com enorme potencial de influenciação. Toda vez que o Espírito se coloca nessa atitude mental, estabelece um laço de correspondência entre ele o Além. Se a oração traduz ativamente no bem divino, venha donde vier, encaminhar-se-á para o Além em sentido vertical, buscando as bênçãos da vida superior, cumprindo-nos advertir que os maus respondem aos maus nos planos inferiores, entrelaçando-se mentalmente uns com os outros. É razoável, porém destacar que toda prece impessoal dirigida às Forças Supremas do Bem, delas recebe resposta imediata, em nome de Deus. Sobre os que oram nessas tarefas benditas, fluem, das esferas mais altas, os elementos-força que vitalizam nosso mundo interior, edificando-nos as esperanças divinas, e se exteriorizam, em seguida, contagiados de nosso magnetismo pessoal, no intenso desejo de servir com o Senhor. E, procurando materializar o pensamento, para facilitar-nos a compreensão, acentuou: - Viram, vocês, cair sobre nós os elementos a que me refiro, e observaram a sua exteriorização com as luzes de cada um de nós, em benefício dos irmãos que dormem e sofrem. Concedeu-nos o Altíssimo a força auxiliar, em porções iguais para todos, mas nós a espelhamos de acordo com a nossa possibilidade e coloração individuais.”

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O que pode acontecer aos desencarnados quando as saudades apertam.* Evangelização nº 95/06 do LIE.

Na perda de entes queridos sempre é natural que a saudade sobrevenha nos dois lados da vida. Como não sentir a ausência de alguém que amamos que tenha cruzado o portal da desencarnação? Decorrido algum tempo após o desencarne, essa intensa saudade pode criar problemas. É o que aconteceu com o espírito de nome Alonso que, devido ao intenso choro dos familiares inconformados com o falecimento do chefe da família, fez com que o idoso, pedisse licença ao administrador Alfredo para visitar seu antigo lar doméstico. Alfredo então pediu a Alonso que ponderasse sobre o mal que iria resultar daquela visita a seus familiares. No trecho a seguir André Luiz narra quais os motivos que vieram a impedir que tal visita fosse efetuada. É bom que todos saibamos isso, ou seja, o que é que devemos e o que é que não devemos fazer quando se perde um ente amado. Leiamos pois, um trecho do capítulo a seguir:
“ - Reconheço, senhor Alfredo, a oportunidade de suas observações. Graças a Jesus, venho melhorando minha vida mental, nos deveres novos que me concedeu e, de fato sinto-me renovado espiritualmente. Sei que sua palavra não me advertiria sem razão, mas, ousaria pedir licença para visitar a esposa e os filhos. À noite, quando me concentro nas preces habituais, sinto, em torno de mim, os seus pensamentos. Esses pensamentos me penetram fundo, atraindo-me toda atenção para a Terra. Às vezes consigo repousar um pouco, mas com muita dificuldade. Sei que a esposa e os filhos estão chamando, dolorosamente por mim. Esta certeza me perturba de algum modo. Não tenho sentido a mesma firmeza no trabalho diário e desejaria remediar a situação. Reconheço que minhas obrigações presentemente, são outras e que devo estar conformado; no entanto, confesso que minha luta espiritual tem sido bem grande. Estou certo de que me perdoará a fraqueza. Que chefe de família não se sentiria atormentado, ouvindo angustiosos apelos no lar, sem meios de entender, como se faz indispensável? E, revelando o enorme anseio d`´alma, enxugou os olhos e prosseguiu: - Quisera rogar aos meus calma e coragem, esclarecendo que meu coração ainda é frágil e necessita de amparo deles: estimaria pedir-lhes esse auxílio para que eu possa atender às atuais obrigações, sem desfalecimentos. Quem sabe me concederá, agora, a permissão precisa? Temos bem perto de nossa casa um grupo de amigos espíritas... talvez não me fosse difícil transmitir algumas palavras, breves que fossem, tentando tranqüilizar a esposa e os filhos!... Alfredo imperturbável, não respondeu negativamente. Parecia compreender toda a inquietação do servidor simpático e humilde. Observei-lhe no olhar muito lúcido, o desejo sincero de atender, e com extrema simpatia por sua conduta generosa, ouvi-o ponderar: - Não será impossível satisfazê-lo meu caro Alonso! Nossos emissários poderão conduzí-lo, nas viagens comuns; entretanto, creia que, como amigo, ficaria preocupado com você, pela manutenção de sua paz. Não posso abusar da autoridade e sei que cada um tem a experiência que lhe cabe, mas creio seja de seu vital interesse o fortalecimento do coração. É imprescindível conformar-nos com os desígnios do Eterno. Você e sua mulher não ficariam separados se não necessitassem de experiências novas. As dificuldades que ela vem amargando com a sua ausência, sofre-as também você com a separação dela. Tenho a impressão, Alonso, de que Deus nos deixa sozinhos, por vezes, a fim de refazermos o aprendizado, melhorando o coração. A soledade, porém, quando aproveitada pela alma, precede o sublime reencontro. Além disso você não deve ignorar que os filhos pertencem a Deus, que cada um deles precisa definir responsabilidades e cogitar da própria realização. Por enquanto, vivem chorosos, desalentados. A revolta lhes visita a alma invigilante. Estabeleceu-se a desordem doméstica, depois da sua vinda. Entretanto, que fazer senão pedir para eles e para nós a bênção do Eterno? Precisam eles da conformação com a realidade justa, e você, que já lhes deu o que era razoável, necessita, igualmente, evolver e aperfeiçoar-se na senda nova a que formos chamados. Em que ficaria, meu caro, se permitisse a invasão total do sentimentalismo doentio em seus pensamentos? Tão dedicado é você à família do sangue, que, por agora, não o sinto com bastante preparo a tudo ver no antigo lar, sem sofrer desastrosamente. Há tempos, autorizei a visita de dois colegas nossos à esfera da Crosta, a fim de reverem as viúvas e abraçarem de novo os filhinhos; mas foram tão violentamente surpreendidos pela situação, que não puderam voltar aos seus deveres aqui, lá ficando agarrados ao ninho que haviam abandonado. Não vigiaram o coração, convenientemente. Ouviram, em demasia, o pranto dos familiares terrestres, envolveram-se nos pesados fluidos do clima doméstico e, passada a semana de licença, não conseguiram erguer-se para o regresso. Estavam como pássaros aprisionados pelo visgo das tentações. Os encarregados do noticiário particular voltaram ao Posto sem eles, com grande surpresa para mim. E, francamente, não sei quando poderão reassumir as funções que lhes cabem. O prejuízo de ambos é muito grande. Depois de pequena pausa, Alfredo rematou: - Os vôos de grande altura pedem asas fortes. Alonso, que ouvia de olhos arregalados, considerou resignado: - Desisto do pedido. O senhor tem razão. O administrador abraçou-o e murmurou: - Deus ilumine o seu entendimento. Admiradíssimo reparei que outros colaboradores se aproximavam, rogando esclarecimentos, pareceres, edificando-me no exemplo do administrador amigo, que respondia em voz firme e afetuosa demonstrando interesse de irmão.
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O que acontece no outro lado da vida aos que caluniam e fazem fofocas.* Evangelização nº 96/06 do LIE.

Este atualíssimo capítulo mostra-nos o que acontece no outro lado da vida com os caluniadores ou fofoqueiros e os que prestam falso testemunho. O espírito caluniador, neste caso é quem caluniou a honra de Ismália e de seu esposo Alfredo, hoje administrador do Posto de Socorro que acolheu Paulo para tratá-lo e ajudá-lo a sair da treva em que se achava. A vida humana sobre o orbe terrestre é como uma moeda de duas faces - causa e efeito - continuamente vamos colhendo o fruto das sementes que plantamos. No caso que estamos estudando o caluniado Alfredo recolheu Paulo seu algoz, que vagava enlouquecido pela treva, perdoou-o e tratou-o, sendo que Paulo logo estará sendo encaminhado para nova reencarnação como filho de uma das caluniadas por ele em vida física anterior. O trecho que vamos ler mostra o longo tratamento a que se submeteu por vários anos. Leiamos como estará sendo feita a sua reabilitação:
“- Concentrem no Paulo a capacidade de visão! Estimulado pela experiência anterior, fixei nele todo o meu potencial de observação. Aos poucos caracterizou-se a meus olhos a sua tela mental, parecendo formada em compacta sombra noturna. Com surpresa, divisei formas diversas que se movimentavam. Vários vultos de mulher ali surgiram, despertando-me enorme admiração. Entre eles, reparei o de Ismália como que doente, enfraquecida, ansiosa. Alguns homens passavam, igualmente, mostrando desesperação, e notei, nessas imagens, o próprio Alfredo a evidenciar cansaço e extrema velhice prematura. Vozes misteriosas se faziam ouvir. Sobre Paulo choviam maldições e blasfêmias. As mulheres pareciam acusá-lo, clamorosamente; os homens davam idéias de perseguidores ferozes, ocultos no mundo inteiro daquele enfermo estranho. Observando, porém, que os vultos de Ismália e Alfredo se movimentavam naquele painel escuro, não pude sofrear a curiosidade e interrompi o minucioso exame, voltando a conversar com o nosso orientador perguntando: - Como explicar o fenômeno? Estou assombrado! Antes, porém, que pudesse expressar maiormente o espanto que me dominara. Aniceto ajuntou: - Já sei. Admira-se da presença de Ismália e de seu marido nas reminiscências do enfermo. E, ante a minha perplexidade, continuou: - Lembram-se da história de Alfredo? Temos diante de nós o falso amigo que lhe arruinou o lar. Paulo, contudo, não somente cometeu a ingratidão, como envenenou o espírito de outras senhoras, traiu outros amigos e destruiu a alegria e a paz doutros santuários domésticos. Observando Ismália aflita e Alfredo desesperado, nas recordações dele, vemos as imagens criadas pelo caluniador, para seus próprios olhos. Nossos amigos deste Posto evoluíram, transpuseram a fronteira da mágoa, escaparam aos monstros do ódio, vestem-se hoje de Luz; no entanto Paulo os vê como imagina, para escarmento de suas culpas. O criminoso nunca consegue fugir da verdadeira justiça universal, porque carrega o crime cometido, em qualquer parte. Tanto nos círculos carnais, como aqui, a paisagem real do Espírito é a do campo interior. Viveremos, de fato, com as criações mais íntimas de nossa alma. Reparando-me a dificuldade para compreender de pronto, Aniceto prosseguiu, depois de pequeno intervalo: - Para melhor elucidação, recordemos a crucificação do Mestre Divino. Sabemos que Jesus penetrou na glória sublime logo após a suprema dor do Calvário; entretanto, estamos ainda vê-lo freqüentemente pendurado na cruz, martirizado pelos nossos erros, flagelado pelos nossos açoites, porque a visão interior a isso nos compele. A condenação do Mestre foi um crime coletivo e esse crime estará conosco até ao dia em que nos vestirmos na divina luz da redenção. O esclarecimento não poderia ser mais lúcido. Sentia-me diante de nobre revelação. – O dever possui as bênçãos da confiança, mas a divida tem os fantasmas da cobrança – tornou o generoso mentor, com grave acento. Readquirindo a serenidade, interroguei: - Mas Paulo veio ter casualmente a este Posto? – Não – respondeu Aniceto, atencioso -; foi trazido pelo próprio Alfredo, que se sentiu necessitado de disciplinar o coração. Nosso amigo, que hoje dirige esta casa de amor, desprendeu-se do mundo, sob intensa vibração de ódio e desesperação. Sofreu muitíssimo nos primeiros tempos, embora nunca fosse abandonado pela dedicação da abnegada companheira. Alfredo, todavia, não pôde ver Ismália enquanto não se desvencilhou das baixas manifestações do rancor. Socorrido em “Campo da Paz”, compreendeu as próprias necessidades.

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Como são os trabalhos no outro lado da vida.* Evangelização nº 97/06 do LIE.

As narrativas de Cecília explicam com generosa qualidade as diferentes prestações de serviços aos enfermos comparando em alguns aspectos os diferentes e adequados tratamentos nas duas colônias de refazimento espiritual, ou seja, a do “Nosso Lar” e a do “Campo da Paz”. Constatamos no trecho seguinte que os espíritos instrutores e monitores se visitam mutuamente de tempos em tempos, trocando informações aprendendo sempre a servir melhor. Mostram como e porque espíritos da mesma família são recebidos numa mesma colônia ou região característica tendo em vista que pais, avós, bisavós, cônjuges e filhos, e os que os precederam nos portais da morte, ali foram recebidos, acolhidos e recuperados. É a lei da atração entre os que se amam ou têm afinidades. O diálogo entre André Luiz, Vicente e Cecília se apresenta como de grande interesse e conteúdo. Vamos ler com igual interesse o que está escrito no trecho final deste capítulo 28:
“Começava a entender a lógica daquela argumentação, e, reconhecendo a impossibilidade de qualquer contradita, a jovem continuou, segura de si: - Aliás, é natural que assim seja. Estamos a pouca distância dos homens, nossos irmãos na carne. E sabemos que, na Crosta, a situação não é diferente. Quantos materialistas se fantasiam, por lá, de filósofos? Quantos demônios com capa de santos? Quanta má fé a fingir generosidade e boas intenções? A influência da Humanidade encarnada em nosso núcleo de serviço é vigorosa e inevitável. Vicente, que ouvia atencioso, obtemperou: - Deduzo de tudo isso manifestações sacrificiais muito grandes, mas o trabalho em “Campo da Paz” deve ser altamente meritório. – Incontestavelmente – respondeu a jovem. – A história da fundação é interessante. Alguns benfeitores, reconhecidos a Jesus, resolveram organizar, em nome dele, uma colônia em plena região inferior, que funcionasse como instituto de socorro imediato aos que são surpreendidos na Crosta com a morte física, em estado de ignorância ou de culpas dolorosas. O projeto mereceu a bênção do Senhor e o núcleo se criou, há mais de dois séculos. Nem todos os Espíritos evoluídos, no entanto, estimam o serviço nesse órgão de assistência constante. A maioria dos missionários vitoriosos, ao se ausentarem da Terra, necessitam refazer energias, por direito natural do trabalhador fiel, os mentores de nobre posição hierárquica têm seus programas de serviços, que não devem quebrar, em obediência aos desígnios do Senhor. Desse modo, nosso serviço é ativo, mas nossas aquisições são lentas e devemos sempre esperar por cooperadores que se eduquem na própria colônia, em benefício geral. Ganha-se excelente compensação, temos direito a grandes valores intercessórios, mas, por isso mesmo, nossas responsabilidades não são pequenas. Conhecendo a utilidade dos que servem em nossa colônia, não passamos nunca sem instrutores abnegados, que procedem da zona superior, alentando-nos o bom ânimo. O que pedimos, com fundamentação legítima, nunca é negado; e, se tarda o recurso, beneméritos orientadores de nossas atividades prestam explicações que nos libertam de qualquer angústia na espera. Por isso, nosso grupo está sempre coeso e muitos preferem adiar certas realizações sublimes, para permanecer ao lado de companheiros antigos, aos quais se unem com desvelado amor. Os esclarecimentos da jovem encantavam-me. Naquelas poucas palavras estava todo um resumo de lições sobre o sacrifício e o merecimento, o compromisso fraterno e a solidariedade compensadora. A sua família sempre viveu lá? – perguntei com interesse. A jovem sorriu e explicou: - Mau pai, há mais de cinqüenta anos, foi socorrido pelos benfeitores de “Campo da Paz” e, restabelecida a saúde espiritual, fixou-se na colônia, com razoável impulso de amizade e gratidão. Mais tarde, minha mãe reuniu-se a ele e, faz precisamente vinte anos, Aldonina e eu fomos atraídas amorosamente por ambos, a fim de continuarmos, ali, no santuário familiar. Desse modo, trabalhamos ao lado deles, desde a primeira hora. – E tem muitos programas para o futuro? – indaguei. Cecília fez um gesto que lhe caracterizava o coração de moça sonhadora, e redargüiu: - Tenho muitos projetos e problemas a resolver, mas estou aguardando a chegada de alguém que ainda se encontra na Terra.”

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Revelação sobre como é a vida dos Espíritos. )* Evangelização nº 98/06 do LIE.

André Luiz e seu amigo fraterno Dr. Vicente estão em visita de solidariedade a colônia “Campo da Paz” situada perto da Terra e em área semi-umbralina. Nele se recebem muitos enfermos, egoístas e endurecidos no mal e que permanecerão ali por muitos e muitos anos até que combatam em si mesmos o egoísmo grosseiro e a descrença sólida, nas Leis Divinas que nos guiam em meio às sombras que percorreram na vida física da Terra. Tanto o administrador Alfredo como seus auxiliares e monitores também ali estão desde prolongado tempo buscando resgatar o tempo perdido nas ilusões dos cinco sentidos. Tão logo resgatem as imensas dívidas contraídas serão transferidos para outros sítios de trabalho dedicado, recebendo pontos de bonificação. Para o nosso aprendizado doutrinário é muito bom que leiamos e reflitamos duradouramente sobre como é conduzida a vida que levaremos nos vários sítios que nos aguardam no outro lado da vida. Leiamos pois as generosas narrativas de André Luiz para esclarecer nossas legítimas indagações ou curiosidades:
“Voltávamos em conversação amiga para as belezas de “Nosso Lar”, quando Aldonina interveio, acrescentando: - Alguns membros de nossa família visitam a cidade de vocês, de tempos a tempos. Nossa irmã, Isaura, que se casou em “Campo da Paz”, há três anos, lá reside em companhia do esposo, que é funcionário dos Serviços de Investigação do Ministério do Esclarecimento. Percebendo-nos a curiosidade, prosseguiu: - Morava ele conosco, mas, desde muito tempo, foi convocado a serviço por lá, vindo, mais tarde, buscar a noiva. Vicente, que se mantinha em atitude expectante, exclamou: - Tocamos num assunto que muita admiração me tem despertado, desde que regressei dos círculos terrenos. Não tinha, no mundo, a menor idéia de que pudéssemos cogitar de uniões matrimoniais, depois da morte do corpo. Quando assisti a festividades dessa natureza, em “Nosso Lar”, confesso que minha surpresa raiou pela estupefação. Cecília, vivaz, acentuou, sorrindo: - Isto se deu também conosco. Entretanto, é forçoso reconhecer que tal estado d´alma resulta do exclusivismo pernicioso a que nos entregamos no plano carnal, porque, se o casamento humano é um dos mais belos atos da existência na Terra, por que deixaria de existir aqui, onde a beleza é sempre mais quintessenciada e mais pura? E, além do mais, é imprescindível ponderar que não vivemos à revelia de leis sábias e justas. – E como são felizes os que se casam em nossos planos! – acentuou o companheiro, denotando aspirações secretas do coração. Aldonina esboçou um gesto expressivo e considerou: - Sim, para possuirmos aqui essa ventura, é preciso ter amado na Terra, movimentando os mais nobres impulsos do espírito. Para colher os júbilos dessa natureza, é necessário ter amado com alma. Os que se consagram exclusivamente aos desejos do corpo, não sabem amar além da forma, são incapazes de sentir as profundas vibrações espirituais do amor sem morte. Desejando, porém, retomar o assunto referente à Isaura, interroguei, curioso: - Continuem falando-nos da irmã que se mudou para “Nosso Lar”. Estimaria saber como se realizou o consórcio. Se você, Cecília, está aguardando um prêmio de visita à nossa cidade, como se casou ela, transferindo-se para lá definitivamente? Cecília sorriu e retrucou: - Isto é outro caso. Isaura não poderia correr atrás do noivo, porque estava em situação inferior à dele, mas Antônio, como superior, poderia descer a buscá-la. Não creiam, porém, que o matrimônio se tenha verificado sem qualquer preparação ou exigência. O noivo poderia conduzí-la sem qualquer formalidade, desde que recebesse o devido consentimento, porquanto obtivera permissão das autoridades de “Nosso Lar”, mas um dos chefes de serviço aconselhou a Isaura, nesse sentido, explicando-lhe que, como administrador de uma colônia em condições de inferioridade, não podia opor qualquer embargo, mas pedia à noiva preparar-se, por seis anos sucessivos, em “Campo da Paz”, antes da partida definitiva, acrescentando sensatamente que, num casamento de almas, é indispensável apurar o enxoval dos sentimentos. Nossa irmã, que foi sempre muito prudente, aceitou a solicitação e trabalhou durante todo esse tempo em nossa colônia, adquirindo valores culturais e aprimorando o campo do pensamento. Recebia essas delicadas informações, sem disfarçar a enorme surpresa. – Já fui visitar o casal uma vez – disse Aldonina, honrada -, quando ganhei o prêmio de assiduidade e bom ânimo. Estive em “Nosso Lar”, durante uma quinzena inesquecível para mim; no entanto, embora visitasse sublimes instituições como o Bosque das Águas, o Salão da Arte Divina, o Campo da Prece Augusta, reconheço ter voltado muito longe de um conhecimento integral da enorme cidade.”

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A experiência de quem vivencia o lado de lá. * Evangelização nº 99/06 do LIE.

Há uma passagem muito interessante e significativa da vida que o Espírito Cecília conta a André Luiz e seu amigo Dr. Vicente, quando estes dois estão visitando a extensa colônia espiritual conhecida como “Campo da Paz”. A jovem contou o episódio de outra jovem chamada Isaura, que por diversos motivos não pode casar-se com seu noivo mas que, após ambos terem se transferido para a vida do Espaço após a morte física, terminaram por consorciar-se do lado de lá. O fato desperta curiosidade mesmo entre os Espíritos presentes. Cecília porém, esclareceu que Isaura só conseguiu o consentimento, para o casamento, dos seres superiores na colônia, após trabalhar dedicadamente 6 anos em grupos socorristas da Entidade que a recebeu. Este e outros detalhes constam com pormenores no magnífico livro de André Luiz “Os Mensageiros”. Leiamos a parte final do capítulo 30, que junto ao polígrafo anterior foi transcrito por inteiro nesse estudo esforçadamente abrangente da obra deste consagrado Espírito. Leiamos, pois:
“Lá irei, contudo, mais tarde, pois continuo em meu trabalho e nossos instrutores afirmam sempre que tudo de bom deve aguardar do destino quem saiba servir ao bem e trabalhar com esperança. Admirando a beleza de sentimentos daquelas jovens, indaguei emocionado: - Mas não tem vocês, em “Campo da Paz”, instituições semelhantes? Não existirão, por lá templos de alegria abertos à juventude? – Ah! Sim murmurou Cecília como quem não desejava ser ingrata às Benção do Eterno -, muito nos dá o Senhor, em nossa colônia; entretanto, permanecemos na vizinhança dos irmãos encarnados. As tempestades que nos atingem, obrigam-nos a serviços constantes. Os quadros inferiores que nos cercam são profundamente dolorosos. Nossa cidade não possui Ministérios da União Divina, nem da Elevação. Não podemos receber a influência superior com muita facilidade. Nossos trabalhos de comunicação e auxílio necessitam ainda de muita gente educada no Evangelho, para funcionar com eficiência. Além disso, temos os problemas de finalidade. Nossa colônia foi instituída para socorro urgente. A nosso ver, “Campo da Paz” é, mais que tudo, um avançado centro de enfermagem, rodeado de perigos, porque os irmãos ignorantes e infelizes nos cercam o esforço por todos os lados. De dez em dez quilômetros, nas zonas de nossa vizinhança, há Postos de Socorro como este, que funcionam como instituições de assistência fraternal e sentinelas ativas, ao mesmo tempo. A jovem fez uma pausa mais longa, observando o efeito de suas palavras, e rematou: - Nosso governador, quando se agravam os serviços, costuma asseverar que estamos num Campo de batalha, com a Paz de Jesus. Imagem alguma define tão bem o nosso núcleo, como esta. No exterior, o trabalho é rigoroso e incessante, mas, dentro de nós, existe uma tranqüilidade que nós mesmos dificilmente podemos compreender. – O serviço circunscreve-se à cidade? – perguntei. – Não – o trabalho é multiforme. Eu e Aldonina, por exemplo, temos grandes tarefas de assistência junto dos recém-encarnados. Nossa cidade prepara, em média, quinze a vinte reencarnações diárias e torna-se imprescindível assistir os companheiros ou tutelados, pelo menos no período infantil mais tenro, que compreende os primeiros sete anos de existência carnal. E talvez porque lesse em nossos olhos a mais viva admiração, a jovem adiantou-se, explicando: - Felizmente, porém, temos as faculdades de volitação bastante adestradas. Raramente encontramos empecilhos vibratórios e podemos, por isso mesmo, agir com grande economia de tempo. Além disso, somente nossos instrutores vão ao serviço sozinhos. Quanto a nós, não saímos, a não ser em grupos. Necessitamos auxílio recíproco, não só no que diz com a eficiência, senão também no que se refere ao amparo magnético. E, sorrindo de modo singular, concluiu: No trabalho de assistência aos outros e defesa de nós mesmos, não podemos dispensar a prática avançada e justa da cooperação sincera.”

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Vida social na espiritualidade. * Evangelização nº 100/06 do LIE.

No orbe terrestre muitos não sabem que, em determinados níveis de espíritos evangelizados, há concreta vida social. Este capítulo 31 é inteiramente dedicado à narrativa de um desses encontros entre famílias de espíritos de Luz onde a nota predominante é a sociabilidade saudável e a afetividade fraterna. O ambiente descrito por André Luiz é de júbilo e reconhecimento. Vamos ler em tais páginas, sob intensa luz de candelabros e nichos iluminados por diamantina claridade a jovem Cecília, trabalhadora socorrista de “Campo da Paz” dedilhando num enorme piano, cercada por 80 meninos e meninas de um coral encantador a inspirada música de Bach intitulada “Tocata e Fuga em Ré-menor”. Momentos de muita emotividade em comunhão espiritual de todos os presentes. Cecília parecia irradiar de si notáveis vibrações harmônicas. A mãe de Ismália (Senhora Bacelar), Ismália e seu esposo o administrador Alfredo, André e Vicente se congratulam com Cecília, pela fiel e pura demonstração de música erudita de Sebastian Bach. Vamos ler o trecho inicial do capítulo 31 para conhecermos esse aspecto insuspeitado da vida evangélica dos Espíritos.
“Poucas vezes, no círculo carnal, tivera o prazer de assistir a reunião tão seleta. Todos os lustres estavam magnificamente acessos e, lá fora, as grandes árvores, docemente agitadas pelo vento brando, pareciam refletir o clarão lunar. Pares graciosos passeavam ao longo da varanda e das escadarias extensas. O castelo enchera-se de alegria, com a crescente multiplicação de convidados. O administrador mostrava-se orgulhoso de confraternizar com os colaboradores diretos de sua obra, na recepção condigna aos amigos da colônia próxima. O júbilo transparecia em todos os rostos, e eu, observando a beleza do espetáculo, meditava na ventura da vida social, no ambiente daqueles começavam a compreender e praticar o “amai-vos uns aos outros”, distanciados da hipocrisia e das convenções aviltantes. Conversávamos, animadamente, quando Alfredo nos convidou para o Salão de Música. Houve geral contentamento. A senhora Bacelar, dando o braço à nobre Ismália, parecia encantada com a lembrança. Dirigindo-nos para o grande recinto, prodigiosamente iluminado por luzes de um azul doce e brilhante. Deliciosa música embalava-nos a alma. Observei, então, que um coro de pequenos musicantes executava harmoniosa peça, ladeando um grande órgão, algo diferente dos que conhecemos na Terra. Oitenta crianças, meninos e meninas, surgiam, ali, num quadro vivo, encantador. Cinqüenta instrumentos de corda e trinta conservavam-se, graciosamente, em posição de canto. Executavam, com maravilhosa perfeição, uma linda barcarola que eu nunca ouvira no mundo. Comovidíssimo, ouvi o administrador explicar: - As crianças do Posto são as nossas flores vivas. Dão-nos perfume, encantamento, alegria, suavizando-nos todos os trabalhos. Abeiramo-nos do órgão, sendo-nos todos em confortáveis poltronas. Quando as crianças terminaram, sob aplausos calorosos, Ismália pediu a Cecília executasse alguma coisa. – Eu? – disse a jovem, corando – se a senhora vem das altas esferas, onde a harmonia é santificada e pura, como poderei executar para os seus ouvidos? – Não diga isso, Cecília – tornou, sorridente, a generosa esposa do administrador -, a música elevada é sublime em toda parte. Vá, minha filha! Lembre-me o lar terreno nos dias mais belos!... E, antes que a jovem Bacelar perguntasse qual a peça preferida, Ismália continuou: - Os serviços musicais do Posto levam-me a recordas a velha Fazenda, quando voltava do Internato... Meus pais estimavam às composições européias e, quase todas as noites, ensaiava ao piano... E, fixando em Cecília os olhos úmidos e brilhantes, rematou: - Sua mamãe deve lembrar comigo a música predileta de meu velho e carinhoso pai... Notei que a senhora Bacelar disse alguma coisa à filha, em voz baixa, e vimos Cecília caminhar para o grande instrumento, sem hesitação. Com emoção indizível, ouvimo-la executar, magistralmente, a “Tocata e Fuga em Ré Menor”, de Bach, acompanhada pelas crianças exultantes. Fixei o rosto de Ismália, notando, pela luz do seu olhar, que seus pensamentos vagueavam longe, talvez em torno do antigo ninho doméstico. Vi-a enxugar as lágrimas discretas e abraçar Cecília carinhosamente, ao findar a execução. – Agora, Cecília, cante alguma canção da própria alma! – falou a nobre senhora com ternuras de mãe – mostre-nos seu coração... Os senhores Bacelar estavam satisfeitos e emocionados. Lia-se-lhes nos gestos o carinho com que acompanhavam os menores movimentos da filha. A jovem sorriu, voltou ao teclado, mas permanecia, agora, fundamente transfigurada. Seu belo semblante parecia refletir alguma luz diferente, que vinha de mais alto. Começou a cantar, de maneira misteriosa e comovedora. A música parecia sair-lhe das profundezas do coração, mergulhando-nos em sublime emotividade. Procurei guardar as palavras da maravilhosa canção, mas seria impossível repeti-las integralmente, no círculo dos encarnados na Terra.”

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Amostra de lazer e divertimento dos Espíritos.* Evangelização nº 101/06 do LIE.

Nesse segundo trecho que narra a apresentação de Cecília ao piano, em noite de gala espiritual, interpretando Sebastiam Bach, vêmo-la a seguir, a pedido dos integrantes da festa, entoar uma poesia cantada, tendo como fonte de inspiração seu próprio coração. Nessa execução musical, o Espírito Cecília entoa em versos de profundo encanto a lembrança do amado que ainda vive na Terra em infelizes condições. Apesar de ter ingressado na pátria celestial há longos anos, ela ainda o ama. Sofre por que tem notícias dos descaminhos que ele está percorrendo sem esperanças de harmonizar a vida. Sob tais circunstâncias Cecília sabe que sua única alternativa é rezar e esperar o retorno daquele ente que seu coração elegeu como o amor de sua existência. Com o exemplo que oferece comprova mais uma vez que as ligações entre almas que se atraem, formam-se aqui na Terra. Para o amor o tempo não conta. Os seres humanos, em épocas distintas, encarnam e desencarnam em grupos afins. Finalmente o que o capítulo acima nos rebate com detalhes significativos é que a vida além da morte tem notáveis organizações de acolhimento, vida estuante e, inclusive, vida social com desdobramentos fraternos. Leiamos, pois o seguinte trecho:
“A sombra da meia-noite não poderia traduzir o revérbero da aurora. Mas de algo me lembro, para registrar aqui, com a fidelidade de que é suscetível minha memória imperfeita. Como se fora rodeada de claridades diversas daquela em que nos banhávamos, Cecília cantou com voz veludosa e cariciante:

“Guardei para os teus olhos
As estrelas brilhantes do céu calmo...

Guardei para tua alma
Todos os lírios puros dos caminhos!...
Amado meu, amado meu,
Como é longe a viagem entre escolhos
Neste oceano imenso da saudade,
Ao sublime luar da eternidade!...

Em vão, a fada Esperança.
Acende a luz de mim...
Por que foste ao mundo, assim?!

Volta, amado!
Ainda mesmo
Que tuas mãos estejam frias
E que teus pés sangrem de dor.

Trago comigo o bálsamo, a ternura,
Volta a mim,
Vem respirar, de novo, no jardim.
Da imortal união!...

Curarei tuas chagas de amargura,
Dar-te-ei o roteiro para a estrada,
Amareis os que amas,
Para que me abençoes com o teu sorriso.
Volta, amado!
Esquece a dor e a sombra do passado.
Volta, de novo, ao nosso paraíso!...”

Quando desferiu as últimas notas, vi-lhe o semblante lavado em lágrimas, como se fora banhado em pérolas de luz. Observei que a senhora Bacelar, muitíssimo comovida, tocou de leve a mão de Ismália e falou: - Cecília nunca o esquece. A esposa do administrador, mostrando-se extremamente sensibilizada, indagou: - Não tem vocês novas notícias de Hermínio? – O pobrezinho tem vivido de queda em queda – esclareceu a nobre interlocutora – e Cecília sabe que não poderá contar com ele, por muito tempo ainda, guardando, por esse motivo, muita mágoa íntima. Entretanto, nossa filha não desanima e trabalha, incessantemente, cheia de esperança. Nesse momento, porém, a jovem regressava ao círculo familiar, enxugando os olhos. A esposa de Alfredo abraçou-a e falou: - Minhas felicitações! Não sabia que você progredira tanto na arte divina! E que bela canção!... Cecília fez um gesto de timidez, beijou a mão da carinhosa amiga e retrucou: - Perdoe-me, querida Ismália, meu coração permanece ainda muito ligado a Terra!... Ismália, porém, de olhos úmidos e compreendendo-lhe o sofrimento íntimo, conchegou-a ao peito e murmurou: - Devotar-se não é crime, minha boa Cecília. O amor é luz de Deus, ainda mesmo quando resplandeça no fundo do abismo.”

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Diário de uma expedição socorrista espiritual ao Rio de Janeiro.* Evangelização nº 102

Os 14 livros psicografados pela dupla “André Luiz – Francisco Cândido Xavier” representam um avanço essencial na grande jornada da raça humana na sua Evolução rumo à Luz do Mais Alto. Quem quer que tenha um certo conhecimento espiritual e possa examinar com isenção de critérios e sem preconceitos religiosos percebe que essa iluminada obra de André Luiz deveria ser mais conhecida e estudada no nosso globo terrestre, desde os primórdios do seu lançamento na década de 1940. Mesmo em termos de Brasil o estudo dos livros desse vanguardeiro autor espiritual é pouco difundido. Foi devido a estas constatações que nos propusemos a pesquisar e difundir suas pioneiras revelações (ver www.liefernando.com.br, em construção) acerca da vida após o túmulo que a todos nos espera no fim da existência física. Vamos resumí-la transcrevendo trechos significativos de capítulos escolhidos em cada livro, sempre antecedidos de análises ou apresentações objetivas dos assuntos ali enfocados. No capítulo acima citado, André Luiz, narra em estilo de reportagem iluminada um trecho de uma expedição socorrista, vinda da Colônia “Campo da Paz” próxima ao nosso planeta, até um bairro da cidade do Rio de Janeiro. Leiamos pois esse trecho:
“Entre dezoito e dezenove horas, atingimos uma casa singela de bairro modesto. No longo percurso, através de ruas movimentadas, surpreendia-me, sobremaneira, por se me depararem quadros totalmente novos. Identificava, agora, a presença de muitos desencarnados de ordem inferior, seguindo os passos de transeuntes vários, ou colados a eles, em abraço singular. Muitos dependuravam-se a veículos, contemplavam-nos outros, das sacadas distantes. Alguns em grupos, vagavam pelas ruas, formando verdadeiras nuvens escuras que houvessem baixado repentinamente ao solo.
Assustei-me. Não havia anotado tais ocorrências nas excursões anteriores ao círculo carnal. Aniceto, porém, explicou que não fora vão o auxilio recebido para intensificação do poder visual. Estávamos em tarefa de observação ativa, com vistas ao aprendizado. Não dissimulava, entretanto, minha surpresa. As sombras sucediam-se umas às outras e posso assegurar que o número de entidades inferiores, invisíveis ao homem comum, não era menor, nas ruas, ao de pessoas encarnadas, em contínuo vaivém. Não havia, ali, a serenidade dos ambientes de “Nosso Lar”, nem a calma relativa do Posto de Socorro de Campo de Paz. Receios imprevistos instalavam-se-me n´alma, desagradáveis choques íntimos assaltavam-me o coração, sem que lhes pudesse localizar a procedência. Tinha a impressão nítida de havermos mergulhado num oceano de vibrações muito diferentes, onde respirávamos com certa dificuldade. Nosso instrutor esclarecia que, com o tempo, seriam dilatados nossos poderes de resistência e que as penosas sensações experimentadas obedeciam à circunstâncias de ser aquela a primeira vez que descíamos ao ambiente da Crosta em serviço de análise mais intenso. Recomendava-nos bom ânimo e, sobretudo, a conservação da fortaleza mental, ante quaisquer quadros menos estimáveis que nos defrontassem de imprevisto. A eficiência do auxílio, exclamava ele, necessita educação persistente. Não seria possível ajudar alguém, prendendo-nos a fraqueza de qualquer espécie. Os conselhos de Aniceto acalmavam-nos a alma surpreendida e inquieta, e eu tudo fazia, no íntimo, para ajustar-me aos alvitres do bondoso orientador, mesmo porque asseverava ele que diversos companheiros adiavam nobres realizações, em virtude das manifestações de injustificável receio. Aquela residência de aspecto tão humilde, que alcançávamos, agora, proporcionava-me cariciosa impressão de conforto. Estava lindamente iluminada por clarões espirituais, que recordavam precisamente nossa cidade tão distante. Profundamente surpreendido, reparei que o nosso orientador se detivera. Notando a nossa admiração. Aniceto indicou a casa pobre, e falou: - Teremos aqui o nosso refúgio. É uma oficina que representa “Nosso Lar”. Profundo assombro empolgou-me o íntimo, mas não tive ensejo para indagações. Precisava seguir o instrutor, que tomara a direção da casa pequenina. Aproximamo-nos do jardim que rodeava a construção muito simples e, estupefato, observei que numerosos companheiros espirituais assomavam à janela, saudando-nos alegremente. Que significava tudo aquilo? De outras vezes, visitara minha cidade e meu antigo lar, mas nunca vira tal coisa. Aniceto compreendeu-me a perplexidade e explicou: - Os irmãos que nos saúdam são trabalhadores espirituais que se abrigam nesta tenda de amor. Um cavalheiro muito simpático e acolhedor abriu-nos a porta. Este pormenor foi outra nota imprevista. Tal não sucedia quando voltava à minha velha casa terrena. As portas cerradas não me ofereciam obstáculos. Ali, porém, vigorava um sistema vibratório de vigilância que eu não conhecia, até então. Nosso instrutor envolveu o anfitrião num abraço amistoso, apresentando-nos em seguida. – Aqui, meu caro Isidoro - disse a indicar-nos, carinhoso-, são nossos amigos Vicente e André, novos cooperadores de serviço, em “Nosso Lar”.

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Como os obsessores invadem a vida das pessoas incautas * Evangelização nº 103

O trecho que vamos transcrever é pequeno mas tem profundo significado. Tendo vindo numa expedição socorristas procedente da Crosta Terrestre André Luiz surpreende-se ao notar a presença de tantos espíritos iluminados pernoitando numa casa humilde no bairro Flamengo no Rio de Janeiro. Tranqüilizou-se porém ao participar de uma sessão espírita com muitos cooperadores, entre os quais Isidoro (desencarnado) e sua viúva Isabel (encarnada, dona da singela habitação). Após feitas as preces lido o Evangelho e conhecidas as mensagens, o instrutor da expedição visitante, indagado por André Luiz, e tendo em vista um grupo de espíritos errantes e sombrios que chegaram à porta da casa, - mas nela não conseguiram entrar, explicou a situação com palavras de real esclarecimento acerca das Leis Divinas que regem o estado próprio de cada espírito segundo suas obras e sua conduta na Terra após a passagem pelo túmulo. São frases de elevada sabedoria principalmente para os sofredores e os que ainda não tem visão espiritual. Leiamos pois com atenção.
“A essa altura do esclarecimento, notei que formas sóbrias, algumas monstruosas, se arrastavam na rua, à procura de abrigo conveniente. Reparei, com espanto, que muitas tomavam a nossa direção, para, depois de alguns passos, recuarem amedrontadas. Provocavam assombro. Muitas, pareciam verdadeiros animais perambulando na via pública. Confesso que insopitável recebi me invadira o coração. Calmo, como sempre, Aniceto nos tranqüilizou: - não temam – disse. Sempre que ameaça tempestade, os seres vagabundos da sombra se movimentam procurando asilo. São os ignorantes que vagueiam nas ruas, escravizados às sensações mais fortes dos sentidos físicos. Encontram-se ainda colados às expressões mais baixas da experiência terrestre e os aguaceiros os incomodam tanto quanto ao homem comum, distante do lar. Buscam, de preferência, as casas de diversão noturna, onde a ociosidade encontra válvula nas dissipações. Quando isto não se lhes torna acessível, penetram as residências abertas, considerando que, para eles, a matéria do plano ainda apresenta a mesma densidade característica. E, demonstrando interesse em valorizar a lição do minuto, acrescentou: - Observem como se inclinam para cá, fugindo, em seguida, espantados e inquietos. Estamos colhendo mais um ensinamento sobre os efeitos da prece. Nunca poderemos enumerar todos os benefícios da oração. Toda vez que se ora num lar, prepara-se a melhoria do ambiente doméstico. Cada prece do coração constitui emissão eletromagnética de relativo poder. Por isso mesmo, o culto familiar do Evangelho não é tão-só um curso de iluminação interior, mas também processo avançado de defesa exterior,pelas claridades espirituais que acendem em torno. O homem que ora traz consigo inalienável couraça. O lar que cultiva a prece transforma-se em fortaleza, compreenderam? As entidades da sombra experimentam choques de vulto, em contacto com as vibrações luminosas deste santuário doméstico, e é por isso que se mantêm à distância, procurando outros rumos... Daí a momentos, penetrávamos, de novo, no salão abençoado da modesta residência. Como quem estivesse atravessando um país de surpresa, outro fato me despertava profunda admiração. Isidoro e Isabel vieram a nos, de braços entrelaçados, irradiando ventura. Aquela viúva pobre do bairro humilde vestia-se agora lindamente, não obstante a adorável singeleza de sua presença. Sorria contente, ao lado do esposo, via-nos a todos, cumprimentava-nos, amável. – Meus amigos – disse ela, serena-, meu marido e eu temos uma excursão instrutiva para esta noite. Deixo-lhes as nossas crianças por algumas horas e, desde já lhes agradeço o cuidado e o carinho. – Vá, minha filha! – respondeu uma senhora idosa – aproveite o repouso corporal. Deixe os meninos conosco. Vá tranqüila! O casal afastou-se com a expressão dum sublime noivado. Nosso orientador inclinou-se para nós e falou: - observam vocês como a felicidade divina se manifesta no sono dos justos? Poucas almas encarnadas conheço com a ventura desta mulher admirável, que tem sabido aprender a ciência do sacrifício individual.”

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Os sonhos dos quais despertamos sem lembrar * Evangelização nº 104

Aqui, André Luiz nos conta acontecimentos que seguidamente ocorrem entre pessoas encarnadas e espíritos na hora do sono em que os sonhos são mais profundos. E por que existe uma muralha de véus entre encarnados e desencarnados. Narra-nos em detalhes o episódio do sonho no qual uma senhora (neta) se alegra ao rever a avó falecida há muitos anos. A avó, que se tornará benfeitora da neta, busca transmitir-lhe pensamentos edificantes sendo que ela passava por uma crise estressante na Terra. E ao mesmo tempo emitia fortes vibrações positivas para o ente querido, bem assim como o que seria lembrado pela sonhadora através de imagens, símbolos e enredos. Mostra-nos também o autor em que ponto o psicanalista Sigmund Freud se perdeu ao basear suas pesquisas científicas tão só nos instintos humanos (e na libido). Vamos então ler e buscar entender o trecho do capítulo 38 já citado:
“A jovem está recebendo consolações positivas, de Espírito a Espírito. Não se recordará, despertando nos véus materiais mais grosseiros, de todas as minúcias deste venturoso encontro que acabamos de presenciar. Acordará, porém, encorajada e bem disposta, sem poder identificar a causa da restauração do bom ânimo. Dirá que sonhou com a avó num lugar onde havia muita gente, sem recordar as minudências do fato, acrescentando que viu, no sonho, uma cobra ameaçadora, que logo se transformou em serpente de vidro, quebrando-se ao impulso de suas mãos, para transformar-se em perfumosa flor, da qual ainda conserva a lembrança agradável do aroma. Afirmará que soberano conforto lhe invadiu a alma e, no fundo, compreenderá a mensagem consoladora que lhe foi concedida. – Não se lembrará, contudo, das palavras ouvidas? – indagou Vicente, curioso. Precisaria ter adquirido profunda lucidez no campo da existência física – prosseguiu Aniceto, explicando – e devo esclarecer que recorrerá as imagens simbólicas da víbora e da flor, porque está em relação magnética com a veneranda avozinha, recebendo-lhe a emissão de pensamentos positivos. A benfeitora não fala apenas. Está pensando fortemente também. A neta, todavia, não está ouvindo ou vendo pelo processo comum, mas está percebendo claramente a criação mental da anciã amiga, e dará notícia exata dos símbolos entrevistos e arquivados na memória real e profunda. Desse modo, não terá dificuldade para informar-se à essência do que a bondosa avó deseja transmitir-lhe ao coração sofredor, compreendo que a calúnia, quando fere uma consciência tranqüila não passa de serpente mentirosa, a transformar-se em flor de virtude nova, quando enfrentada com o valor duma coragem serena e cristã. A lição fora profundamente significativa para mim. Começa a adquirir amplas noções do intercâmbio entre as duas esferas. Pensei no longo esforço dos que indagam o mundo dos sonhos. Quanta riqueza psíquica, suscetível de conquista, se os pesquisadores conseguissem deslocar o centro de estudo, das ocorrências fisiológicas para o campo das verdades espirituais! Lembrei a psicanálise, a tese freudiana, as manifestações instintivas, inferiores. Percebendo-me as elucubrações, o devotado mentor dirigiu-me a palavra de maneira especial: - Freud – asseverou Aniceto – foi um grande missionário da Ciência; no entanto, manteve-se, como qualquer Espírito encarnado, sob certas limitações. Fez muito, mas não tudo, na esfera da indagação psíquica. Pela pausa do nosso instrutor, percebi que ele não desejava entrar em minucioso exame da teoria famosa. Lembrando, porém, a extraordinária importância atribuída pelo grande cientista às tendências inferiores, indaguei, um tanto tímido: - Haverá, porém, centros de reunião para os espíritos desequilibrados no mal, como acontece, aqui, aos amigos interessados no bem? O generoso mentor sorriu, benévolo, e falou: - Não haja dúvidas quanto a isto. Através das correntes magnéticas suscetíveis de movimentação, quando se efetua o sono dos encarnados, são mantidas obsessões inferiores, perseguições permanentes, explorações psíquicas de baixa classe, vampirismo destruidor, tentações diversas. Ainda são poucos, relativamente, os irmãos encarnados que sabem dormir para o bem... E, fazendo um gesto por demais expressivo, concluiu: - Livre-nos o Senhor de cair novamente...”.

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Os que destroem a natureza * Evangelização nº 105 do LIE.

A natureza é guardada por inúmeros espíritos que cuidam e guardam as leis Divinas numa sempre difícil cooperação com a humanidade terrestre que, em ampla maioria, trata do nosso Planeta como se a Terra que nos hospeda, merecesse apenas depredação. O instrutor Aniceto, nessa expedição ao campo, fala secretamente e consternado, com o desrespeito do homem ante o planeta que habita por licença de Deus, e a sólida necessidade de se mudar essa mentalidade poluidora e destruidora. Diz também como deve ser de respeito e gratidão nosso relacionamento e interação com a Natureza desenvolvida pela Providência Divina. Reflitamos nas linhas que iremos ler, agora que o clima do Planeta está respondendo severamente às agressões que a civilização do homem impoz a quem lhe possibilita trabalhar, sobreviver e evoluir:
“Nesse momento, nossa atenção foi atraída por significativo movimento na estrada próxima. Dirigimo-nos para lá, seguindo os passos de Aniceto, que parecia adivinhar o acontecimento. Observei, então, um quadro interessante: um homem jazia por terra, numa poça de sangue, ao lado de pequeno veículo sustentado por um muar impaciente, dando mostras de grande inquietação. Dois companheiros encarnados prestavam socorro ao ferido, apressadamente. “É preciso conduzi-lo à fazenda sem perda de tempo”, dizia um deles, aflito, “temo haja fraturado o crânio”. O número de desencarnados que auxiliava o pequeno grupo, todavia, era muito grande.
Um amigo espiritual que me pareceu o chefe, naquela aglomeração, recebeu Aniceto e a nós com deferência e simpatia, explicou rapidamente a ocorrência. O carroceiro havia recebido a patada de um burro e era necessário socorrer o ferido. Serenada a situação, vi o referido superior hierárquico chamar um guarda do caminho, interpelando: - Glicério, como permitiu semelhante acontecimento? Este trecho da estrada está sob sua responsabilidade direta. O subordinado, respeitoso, considerou sensatamente: - Fiz o possível por salvar este homem, que, aliás é um pobre pai de família. Meus esforços foram improficuos, pela imprudência dele. Há muito procuro cercá-lo de cuidados, sempre que passa por aqui; entretanto, o infeliz não tem o mínimo respeito pelos dons naturais de Deus. É de uma grosseria inominável para com os animais que o auxiliam a ganhar o pão. Não estima senão a praga e o chicote. Hoje, tanto perturbou o pobre muar que o ajuda, tanto o castigou, que pareceu mais animalizado... Quando se tornou quase irracional, pelo excesso de fúria e ingratidão, meu auxílio espiritual se tornou ineficiente. Atormentado pelas descargas de cólera do condutor, o burro humilde o atacou com a pata. Que fazer? Minha obrigação foi cumprida... O superior, que ouvia atenciosamente as alegações, respondeu sem hesitar: - Tem razão. E como dirigisse o olhar a Aniceto, desejando aprovação, nosso orientador afirmou: - Auxiliemos o homem, quanto esteja em nossas mãos, cumpramos nosso dever com o bem, mas não desprezemos as lições. Esse trabalhador imprudente foi punido por si mesmo. A cólera é punida por suas conseqüências. Ao mal segue-se o mal. Se os seres inferiores, nossos irmãos no grande lar da vida, nos fornecem os valores do serviço, devemos dar-lhes, por nossa vez, os valores da educação. Ora, ninguém pode educar odiando, nem edificar algo de útil com a fúria e a brutalidade. E, indicando o grupo que conduzia o ferido a uma casa próxima, concluiu, imperturbável: - Como homem comum, nosso pobre amigo sofrerá muitos dias, chumbado ao leito; entre as aflições dos familiares, demorar-se-á um tanto a restabelecer o equilíbrio orgânico; mas, como Espírito eterno, recebeu agora uma lição útil e necessária. Altamente surpreendido, reparei na grande serenidade do nosso orientador e comecei a compreender que ninguém desrespeita a Natureza sem o doloroso choque, a todo tempo.”

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Como é uma reunião espiritual num domicílio de fé.* Evangelização nº 106 do LIE.

Vamos ler no trecho a seguir uma detalhada descrição de uma reunião na singela moradia de dona Isabel (médium encarnada) num bairro da cidade do Rio Janeiro, reunião essa que contou com dedicada cooperação de numerosos benfeitores, instrutores e de Espíritos de luz, descrevendo o tratamento de pessoas desencarnadas e obsedadas pelas doenças de que foram vítimas na vida física. Mantinham aspecto esquelético, alguns gemiam e outros choravam. Os espíritos cooperadores se subdividiam em grupos de atendimento atencioso e eficaz, enquanto filas imensas de sofredores se submetiam às terapias espirituais. André Luiz chama nossa atenção para os “doentes da alma”, ou seja, pessoas que tinham conhecimento do que acontece após o desenlace físico e, inobstante, não fazem a própria reforma íntima. A parte que vamos ler neste livro nos traz notícias reais daquilo que acontece aos nossos irmãos desencarnados que não atenderam ao aconselhamento de Cristo que está no Evangelho, quando ele nos disse: “Orai e vigiai”. Leiamos.
“Enquanto as atividades de preparação espiritual seguiam intensas. Dona Isabel e Joaninha, pondo arranjos diferentes. Usaram, largamente, a vassoura e o espanador. Revestiram a mesa de toalha muito alva e trouxeram pequenos recipientes de água pura. A uma ordem de um dos superiores daquele templo doméstico, espalharam-se os vigilantes, em derredor da moradia singela. Nos menores detalhes, estava a nobre supervisão dos benfeitores. Em tudo a ordem, o serviço e a simplicidade. Logo após alguns minutos além das dezoito horas, começaram a chegar os necessitados da esfera invisível ao homem comum. Se fosse concedida à criatura vulgar uma vista de olhos, ainda que ligeira, sobre uma assembléia de espíritos desencarnados, em perturbação e sofrimento, muito se lhes modificariam as atitudes na vida normal. Nessa afirmativa, devemos incluir, igualmente, a maioria dos próprios espiritistas, que freqüentam as reuniões doutrinárias, alheios ao esforço auto-educativo, guardando da espiritualidade uma vaga idéia, na preocupação de atender ao egoísmo habitual. O quadro de retificações individuais, após a morte do corpo, é tão extenso e variado que não encontramos palavras para definir a imensa surpresa. Aqueles rostos esqueléticos causavam compaixão. Chegavam ao recinto aquelas entidades perturbadas, em pequenos magotes, seguidas de orientadores fraternais. Pareciam cadáveres erguidos do leito da morte. Alguns se locomoviam com grande dificuldade. Tínhamos diante dos olhos uma autêntica reunião de “coxos e estropiados”, segundo o símbolo evangélico. – Em maioria – esclareceu Aniceto – são irmãos abatidos e amargurados, que desejam a renovação sem saber como iniciar a tarefa. Aqui, podemos observar apenas sofredores dessa natureza, porque o santuário familiar de Isidoro e Isabel não está preparado para receber entidades deliberadamente perversas. Cada agrupamento tem seus fins. Com efeito, os recém-chegados estampavam profunda angústia na expressão fisionômica. As senhoras em pranto eram numerosas. O quadro consternava. Algumas entidades mantinham a mão no ventre, calcando regiões feridas. Não eram poucas as que traziam ataduras e faixas. – Muitos – disse-nos o mentor – não concordam ainda com as realidades da morte corporal. E toda essa gente, de modo geral, está prisioneira da idéia de enfermidade. Existem pessoas, e vocês, como médicos, as terão conhecido largamente, que cultivam as moléstias com verdadeira volúpia. Apaixonam-se pelos diagnósticos exatos, acompanham no corpo, com indefinível ardor, a manifestação dos indícios mórbidos, estudam a teoria da doença de que são portadoras, como jamais analisam um dever justo no quadro das obrigações diárias, e quando não dispõem das informações nos livros, estimam a longa atenção dos médicos, os minuciosos cuidados da enfermagem e as compridas dissertações sobre a enfermidade de que se constituem voluntárias prisioneiras. Sobrevindo a desencarnação, é muito difícil o acordo entre elas e a verdade, porquanto prosseguem mantendo a idéia dominante. Às vezes, no fundo, são boas almas, dedicadas aos parentes do sangue e aproveitáveis na esfera restrita de entendimento a que se recolhem, mas, no entanto, carregadas de viciação mental por muitos séculos consecutivos.” E n´algum gesto diferente, nosso instrutor considerou: - Demoramo-nos todos a escapar da velha concha do individualismo. A visão de universalidade custa preço alto e nem sempre dispostos a pagá-lo. Não queremos renunciar ao gosto antigo, fugimos aos sacrifícios louváveis. Nessas circunstâncias, o mundo que prevalece para a alma desencarnada, por longo tempo, é o reino pessoal de nossas criações inferiores. Ora, desse modo, quem cultivou a enfermidade com adoração, submeteu-se-lhe ao império. É lógico que devemos, quando encarnados, prestar toda a assistência ao corpo físico, que funciona, para nós, como vaso sagrado, mas remediar a saúde e viciar a mente são duas atitudes essencialmente antagônicas entre si.

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O Instante da desencarnação de um moribundo.* Evangelização nº 107 do LIE.

Entendi que deve constar desse nosso estudo um trecho significativo em que André Luiz, em companhia do instrutor Aniceto, descreve os momentos finais do desencarne de uma pessoa que vivera na Terra sem a responsabilidade. Repete-se o quadro que gira em torno dos moribundos: O médico anuncia que o moribundo acaba de falecer; os parentes aflitos agora em prantos, etc.. Mas André descreve o que não se vê: o lado espiritual e a entidades presentes que o buscavam no velório que então começava. Vale a pena ler e refletir sobre o que passou e costuma passar nos velórios. Vamos ler com os ouvidos da alma.
“Meia hora passou, dentro da qual o médico e o senhor Januário, quase despreocupados do agonizante, pelas melhoras havidas, encetaram uma conversação animada, relativamente a problemas do mundo. Aproveitou Aniceto a serenidade ambiente e começou a retirar o corpo espiritual de Fernando, desligando-o dos despojos, reparando eu que iniciara a operação pelos calcanhares, terminando na cabeça, à qual, por fim, parecia estar preso o moribundo por extenso cordão, tal como se dá com os nascituros terrenos. Aniceto cortou-o com esforço. O corpo de Fernando deu um estremeção, chamando o médico humano ao novo quadro. A operação não fora curta e fácil. Demorara-se longos minutos, durante os quais vi o nosso instrutor empregar todo o cabedal de sua atenção e talvez de suas energias magnéticas. A família do morto, informada pelo senhor Januário, aflita penetrou no quarto, ruidosamente. A genitora do desencarnado, porém, auxiliada por Aniceto e pelo facultativo espiritual que nos levara até ali, prestou ao filho os socorros necessários. Daí a instantes, enquanto a família terrena se debruçava em pranto sobre o cadáver, a pequena expedição constituída por três entidades, as duas senhoras e o clínico, saía conduzindo o desencarnado ao instituto de assistência, preparando eu, contudo, que não saíam utilizando a volitação, mas caminhando como simples mortais. Sentia-me fortemente impressionado. Intrigava-me, sobretudo, o aparecimento daqueles rostos satânicos quando se abrira a janela. Por que semelhante menosprezo a um agonizante? Retirando-nos da residência, o instrutor me fitou atento, e, antes que formulasse qualquer pergunta, esclareceu: - Não se preocupe tanto, André, com os vagabundos que esperavam nosso irmão infeliz. Só não penetraram na câmara de dor porque a nobre presença maternal impedia tal assédio. E, depois de calar-se por momentos, acrescentou: - Cada criatura, na vida, cultiva as afeições que prefere. Fernando estimava os companheiros desregrados. Não é, pois, estranhável, que tenham vindo esperá-lo na estação de volta à existência real. Paulo de Tarso, no capítulo 12 da Epístola aos Hebreus, afirma que o homem está cercado de uma grande “nuvem de testemunhas”. Ora, essa invisível a que se devota na Terra. Mais tarde, quando a coletividade apreender a grandeza das lições evangélicas, todo homem terá cuidado na escolha de suas testemunhas.”

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Conclusões primeiras sobre uma obra que retrata com fidelidade a vida inteligente no Além – extrafísico.* Evangelização nº 108 do LIE.

Torna-se uma notável e inesquecível riqueza espiritual para aquele que lê e estuda a obra de André Luiz, sobretudo se o leitor tiver e algum conhecimento e fé na vida espiritual. Leiamos a parte final do livro:
“E conservando Isabel e Isidoro, unidos ao seu coração. Aniceto fixou os olhos no alto e falou com sublime beleza:
“Senhor, ensina-nos a receber as bênçãos do serviço! Ainda não sabemos. Amado Jesus, compreender a extensão do trabalho que nos confiaste! Permite, Senhor, possamos formar em nossa alma a convicção de que a Obra do Mundo te pertence, a fim de que a vaidade não se insinue em nossos corações com as aparências do bem!
Dá-nos, Mestre, o espírito de consagração aos nossos deveres e desapego aos resultados que pertencem ao teu amor!
Ensina-nos a agir sem as algemas das paixões, para que reconheçamos os teus santos objetivos!
Senhor amorável, ajuda-nos a ser teus leais servidores,
Mestre Amoroso, concede-nos, ainda, as tuas lições,
Juiz Reto, conduze-nos aos caminhos direitos,
Médico Sublime, restaura-nos a saúde,
Pastor compassivo, guia-nos à frente das águas vivas,
Engenheiro Sábio, dá-nos teu roteiro,
Administrador Generoso, inspira-nos a tarefa,
Semeador do bem, ensina-nos a cultivar o campo de nossas almas,
Carpinteiro Divino, auxilia-nos a construir nossa casa eterna,
Oleiro Cuidadoso, corrige-nos o vaso do coração,
Amigo Desvelado, sê indulgente, ainda, para com as nossas fraquezas,
Príncipe da Paz, compadece-te de nosso espírito frágil, abre nossos olhos e mostra-nos a estrada de teu Reino!”
Aniceto calou-se comovido, e, de olhos úmidos, contendo a custo as lágrimas do meu reconhecimento, incorporei-me à nobre caravana que seguiria conosco de regresso a Nosso Lar.”

Misericordioso e iluminado livro este que, pela graça de Jesus, André Luiz no-lo oferece. De 1958 para adiante desde que esta obra foi psicografada, milhares de gerações serão espiritualmente favorecidos por este livro de bênçãos do Senhor.

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