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Palavras que trazem Luz
Como é a vida no plano espiritual.
Porque pensar e fazer o Bem.
As consequências dos sentimentos negativos.
A Mediunidade na evolução do homem
Conhecendo os dois planos da existência.
A vida depois da desencarnação.
A Sexualidade do ponto de vista espiritual!
Estudo da obra No Mundo Maior!
As conquistas no campo da renovação mental.
Estudando a mediunidade!
A semeadura é livre, porém a colheita é obrigatória!
Os trabalhadores da última hora!
A vida em dois mundos!
Produzido pelo
Lar Irmã Esther
Guaíba/RS
Desenvolvimento:
Marcelo Plocharski

Estudos sobre o Livro "Libertação" do Espírito André Luiz e psicografia de Francisco Cândido Xavier

Clique sobre o assunto que você quer estudar e vá direto para o texto:

A Palestra de Flácus - Leis para os dois planos da vida * Evangelização nº 01/05 LIE.

Reflexões sobre a vida * Evangelização nº 02/05 do LIE.

Reencontros de almas * Evangelização nº 03/05 do LIE.

Descida ao inferno umbralino* Evangelização nº 04/05 do LIE.

Julgamento * Evangelização nº 05/05 do LIE.

Durante o sono * Evangelização nº 06/05 do LIE.

Na igreja * Evangelização nº 07/05 do LIE.

Ação e reação * Evangelização nº 08/05 do LIE.

Buscando auxílio * Evangelização nº 09/05 do LIE.

Causa e efeito * Evangelização nº 10/05 do LIE.

Ligações cármicas * Evangelização nº 11/05 do LIE.

Nos Trabalhos mediúnicos * Evangelização nº 12/05 do LIE.

Ciúmes * Evangelização nº 13/05 do LIE.

Conhece-te a ti mesmo * Evangelização nº 14/05 do LIE.

Em busca da Luz * Evangelização nº 15/05 do LIE.


A Palestra de Flácus - Leis para os dois planos da vida * Evangelização nº 01/05 do LIE.

Esse livro, do começo ao fim, traz imortais conhecimentos tanto sobre falsas idéias e ilusórios profetas, como restabelece os valores imperecíveis do Espírito tanto na Terra quanto no Céu. Explica que os comandantes, chefes ou célebres políticos, mesmo em vidas sucessivas, nunca se ausentaram do mundo, pois seus atos e pensamentos continuam influindo para o bem ou para o mal, na vida e nos destinos dos povos. Escolhemos esse capítulo 1 do Livro em estudo porque nele André Luiz, com psicografia de Chico Xavier nos ensina com profundidade e altura, as verdadeiras leis que regem os dois planos da vida. Leiamos e reflitamos sobre o que nos diz e revela o ministro Flácus:
“.. Até então, ouvira comentários alusivos a colônias purgatoriais, perfeitamente organizadas para o trabalho expiatório a que se destinam, arrebanhando milhares de criaturas arraigadas no mal; entretanto agora o Instrutor Gúbio, que se mantinha silencioso, em nossa companhia, concedera-nos a permissão de acompanhá-lo a enorme centro dessa espécie. Interessados na palavra fluente e primorosa do orador, seguíamos o curso das elucidações com justificável expectação de aluno que não deseja perder um til do ensinamento, observando que a serenidade e a atenção transpareciam no rosto de todos os aprendizes, considerando-se que todos, no recinto éramos candidatos ao serviço de socorro aos irmãos ignorantes, atormentados nas sombras... Senhoreando-nos o espírito, o Ministro prosseguia satisfeito: - Os superiores que se disponham a trabalhar em benefício dos inferiores, em ação persistente e substancial, não lhes podem utilizar as armas, sob pena de se precipitarem no baixo nível deles. A severidade pertencerá ao que instrui, mas o amor é o companheiro daquele que serve. Sabemos que a educação, na maioria das vezes parte da periferia para o centro; contudo, a renovação, traduzindo aperfeiçoamento real, movimenta-se em sentido inverso. Ambos os impulsos, todavia, são alimentados e controlados pelos poderes quase desconhecidos da mente. O espírito humano lida com a força da mente tão quanto maneja a eletricidade, com a diferença, porém, de que se já aprende a gastar a Segunda, no transformismo incessante da Terra, mal conhece a existência da primeira, que nos preside a todos os atos da vida. A rigor portanto, não temos círculos infernais de acordo com os figurinos da antiga teologia, onde se mostram indefinidamente gênios satânicos de todas as épocas e sim, esferas obscuras em que se agregam consciências embotadas na ignorância, cristalizadas no ócio deplorável ou confundidas no eclipse temporário da razão. Desesperadas e insubmissas, criam zonas de tormentos reparadores. Semelhantes criaturas, no entanto, não se regeneram à força de palavras. Necessitam de amparo eficiente que lhes modifique o tom vibratório, elevando-lhes o modo de sentir e pensar. Eminentes pensadores do mundo traçam diretrizes à salvação das almas; mas somos de parecer que possuímos suficientes números de roteiros nesse sentido em todos os setores do conhecimento terrestre. Reclama-mos, na atualidade, quem ajude o pensamento do homem na direção do Alto. Empreender o tentame, incentivando-se tão somente os valores culturais, seria consagrar a tecnocracia, que procura a simples mecanização da vida, destruindo-lhe as sementes gloriosas de improvisação, de infinito e de eternidade. Grandes políticos e veneráveis condutores nunca se ausentaram do mundo. Passam pela multidão, sacudindo-a ou arregimentando-a. É forçoso reconhecer que a organização humana, por si só, não atende ás exigências do ser imperecível...
... Cristo não brilha apenas pelo ensinamento sublimado. Resplandece na demonstração. Em companhia d'Ele, é indispensável mantenhamos a coragem de amparar e salvar, descendo aos recessos do abismo....”

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Reflexões sobre a vida * Evangelização nº 02/05 do LIE.

O capítulo 1º dessa obra ocupa 12 páginas e registra ensinamentos muito preciosos sobre a vida, o destino, as obsessões, enfermidades, as leis que a cada dia, governam os dois planos da existência do Espírito. É uma obra de vitais ensinamentos para melhorar a nossa conduta diária, prevenindo, esclarecendo e preparando nossa vida no Além, após libertar-nos da escravidão dos laços físicos. Além do mais o livro “Libertação” ensinar-nos-á a cuidar, tratar e prevenir as doenças que, a partir da nossa alma, se alojam no nosso corpo orgânico, criando enfermidades que podem ser de longa duração. Leiamos pois, com muita atenção, nesse 1º capítulo trechos da sábia palestra do ministro Flácus que a todos encanta e ajuda:
“Encarcerados ainda na lei de retorno, temos efetuado multisseculares recapitulações, por milênios consecutivos. Expressando-nos coletivamente, sabemos hoje que o espírito humano lida com a razão há 40 mil anos. Todavia com o mesmo ímpeto com que o homem de Neandertal aniquilava o companheiro a golpes de sílex, o homem da atualidade extermina o próprio irmão a tiros de fuzil. Os investigadores do raciocínio, ligeiramente tisnados de princípios religiosos, identificam tão somente, nessa anomalia sinistra, a renitência da imperfeição e da fragilidade da carne, como se a carne fosse permanente individuação diabólica, esquecidos de que a matéria mais densa não é senão o conjunto das vidas inferiores incontáveis, em processo de aprimoramento, crescimento e libertação. Nos campos da Crosta Planetária, queda-se a inteligência, qual se fora anestesiada por perigosos narcóticos da ilusão; no entanto, auxiliá-la-emos a sentir e reconhecer que o espírito permanece vibrando em todos os ângulos da existência. Cada espécie de seres, do cristal até o homem, e do homem até o anjo, abrange inumeráveis famílias de criaturas, operando em determinada freqüência do Universo. E o amor divino alcança-nos a todos, à maneira do Sol que abraça os sábios e os vermes. Todavia, quem avança demora-se em ligação com quem se localiza na esfera próxima. O domínio vegetal vale-se do império mineral para sustentar-se e evoluir. Os animais aproveitam os vegetais na obra de aprimoramento. Os homens se socorrem de uns e outros para crescerem mentalmente e prosseguir adiante... atritam os reinos da vida, conhecidos na Terra, entre si. Torturam-se e entredevoram-se, através de rudes experiências, a fim de que os valores espirituais se desenvolvam e resplandeçam, refletindo a divina luz. Mas além do princípio humano, para lá das fronteiras sensoriais que guardam ciosamente a alma encarnada, amparando-a com limitada visão e benéfico esquecimento, começa vasto império espiritual, vizinho dos homens. Aí se agitam milhões de Espíritos imperfeitos que partilham, com as criaturas terrenas, as condições de habitabilidade da Crosta do Mundo. Seres humanos, situados noutra faixa vibratória, apoiam-se na mente encarnada, através de falanges incontáveis, tão semiconscientes na responsabilidade e tão incompletas na virtude, quanto os próprios homens. A matéria, congregando milhões de vidas embrionárias, é também a condensação da energia, atendendo aos imperativos do “eu” que lhe preside à destinação. Do hidrogênio às mais complexas unidades atômicas, é o poder do espírito eterno a alavanca diretora de prótons, nêutrons e elétrons, na estrada infinita da vida.”

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Reencontros de almas * Evangelização nº 03/05 do LIE.

O terceiro capítulo deste livro abençoado mostra-nos claramente que, pelos caminhos espinhosos das vidas sucessivas, o destino das pessoas se vão entrelaçando em meio aos grupos reencarnantes, através do nascimento, dos parentescos, também das amizades duradouras, dos encontros e reencontros. Cada um de nós nasce na família que precisa ou merece, as dívidas de desamor e os laços estreitos do amor, tudo é aproveitado pela lei das reencarnações. A constatação é a de que nenhuma injustiça é praticada, pois, todos são filhos de Deus por igual. Pelo contrario, o que sempre nos socorre ao longo do tempo é a lei da misericórdia, muitas vezes sem sequer o sabermos. O trecho que vamos ler e sobre o qual devemos refletir é o de uma mãe amorosa, um espírito de alta elevação que pede e obtém licença para reencarnar, a fim de montar um novo lar que reuna aqueles que se extraviaram por erros e até um assassinato por bens materiais e que terão que mutuamente se perdoar para poderem se amar, reconstruindo assim o passado delituoso. Vejamos esse pequeno trecho do Livro Libertação no capítulo 3º: “E logo após a prece, formosa e espontânea, pronunciada pelo responsável mais altamente categorizado na instituição, eis que a tribuna doméstica se ilumina. Esbranquiçada nuvem de substância leitosa-brilhante adensa-se em derredor e, pouco a pouco, desse bloco de neve translúcida, emerge a figura viva e, respeitável de veneranda mulher. Indizível serenidade caracteriza-lhe o olhar simpático e o porte de madona antiga, repentinamente trazida à nossa frente. Cumprimenta-nos com um gesto de bênção, como que nos endereçando, a todos, os raios da luz esmeraldina que em forma de auréola lhe exornam a cabeça. As duas moças que formavam a comissão de serviços, estranha à nossa, avançaram com lágrimas discretas e rojaram-se, genuflexas. - Mãe querida - clamou uma delas, com tal inflexão de voz que nos cortava as fibras mais íntimas -, ajuda-me a falar-te! A saudade longamente reprimida é um fogo que consome o coração. Auxilia-me! não me deixes perder este doce e divino minuto! Apesar dos soluços de emoção que lhe vibravam no peito, continuou: - Abençoa-nos para a grande jornada! ... Há muito tempo aguardamos esta hora breve de reencontro contigo... Perdoa-nos Mãezinha, se insistimos tanto na rogativa... Contudo, sem tua proteção amorosa, como vencer nos turbilhões do abismo? Desejando talvez justificar-se, ante os olhos maternos, acrescentava em pranto: - De conformidade com as tuas amadas recomendações, além de nossas tarefas habituais na zona de serviço em que a tua bondade nos situou, temos velado pelo Paizinho, mergulhado nas sombras. todavia, há seis anos buscamo-lo embalde... Escapa-nos à influência renovadora e se compraz na companhia de entidades que, por onde passam, vampirizam as criaturas. Não nos recebe a atuação carinhosa, senão em forma de pensamentos vagos, de que se desvencilha facilmente, e, se multiplicamos providências salvacionistas, procede como louco... Gesticula a esmo, colérico e irritado, grita blasfêmias e solicita o concurso de seres viciados, a cujas radiações escuras se entrelaça, :repelindo-nos as sugestões e a presença... Prefere o contato de entidades ignorantes e infelizes, detestando-nos a ternura... Neste ponto, crise mais intensa de emotividade impediu-lhe continuar. A nobre senhora que descera da tribuna, erguendo as filhas e acolhendo-as nos braços, exclamou com acento consolador na voz sem lágrimas, não obstante a visível melancolia: - Filhas amadas, o Sol combate a treva todos os dias. Batalhemos contra o mal, incessantemente, até a vitória. Não se suponham sozinhas no conflito doloroso. Desculpemos Papai, infinitamente, e colaboremos por restituí-lo à terra firme da luz. Se o Cristo trabalha por nós, desde o princípio dos séculos, sem que lhe possamos compreender a amplitude de sacrifícios, que dizer das nossas obrigações de amparo e tolerância, uns para com os outros? Cláudio se fez para sempre credor da nossa estima e gratidão, apesar do pavoroso crime oculto que no-lo arrebatou às profundezas... Envenenou um parente para conseguir a riqueza material que nos ofereceu educação e conforto na esfera carnal. Por extrema dedicação a nós três, não hesitou diante da tentação que o constrangeu a infernal compromisso.”

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Descida ao inferno umbralino * Evangelização nº 04/05 do LIE.

O capítulo 4º deste extraordinário livro “Libertação”, psicografia de Chico Xavier, o Espírito André Luiz, sob o comando do encarregado da expedição, o Espírito Gúbio, descreve-nos com fortes minúcias essa viagem infernal a regiões umbralinas tão fortes quanto foram as descrições do poeta italiano Dante Alighieri, em livro publicado na Itália séculos atrás. Sombras, nuvens densas, árvores horríveis, charcos lamacentos, gemidos e uivos horríveis de cães e lobos famintos, exclamações de dor e pedidos de socorro, ar denso e pestilento, o que vamos ler é apenas pálida descrição das regiões verdadeiras do umbral logo acima da crosta terrestre. Tais zonas, povoadas por espíritos que foram perversos, muito egoístas e frios é o retrato que esperam todos aqueles que, na vida física da Terra, espalharam males, danos e morte aos seus semelhantes. O inferno que criaram aqui os aguarda lá. O pior é que essa descrição é pura verdade, ou seja, a realidade cruel que os aguarda após a morte. Leiamos trecho da descrição de André Luiz feita da expedição socorrista desse grupo espiritual de luz num meio hostil e agressivo para tais anjos: “Após a travessia de várias regiões, “em descida”, com escalas por diversos postos e instituições socorristas, penetramos vasto domínio de sombras. A claridade solar jazia diferenciada. Fumo cinzento cobria o céu em toda a sua extensão. A volitação fácil se fizera impossível. A vegetação exibia aspecto sinistro e angustiado. As árvores não se vestiam de folhagem farta e os galhos, quase secos, davam a idéia de braços erguidos em súplicas dolorosas. Aves agoureiras, de grande tamanho, de uma espécie que poderá ser situada entre os corvídeos, crocitavam em surdina, semelhando-se a pequenos monstros alados espiando presas ocultas. O que mais contristava, porém, não era o quando desolador, mais ou menos semelhante a outros de meu conhecimento, e, sim, os apelos cortantes que provinham dos charcos. Gemidos tipicamente humanos eram pronunciados em todos os tons. Acredito, teríamos examinado individualmente os sofredores que aí se localizavam, se nos entregássemos a detida apreciação; todavia, Gúbio, à maneira de outros instrutores, não se detinha para atender a curiosidade improfícua. Lembrando a "selva escura" a que Alighieri se reporta no imortal poema, eu trazia o coração premido de interrogativas inquietantes. Aquelas árvores estranhas, de frondes ressecadas, mas vivas, seriam almas convertidas em silenciosas sentinelas de dor, qual a mulher de Lot, transformada simbolicamente em estátua de sal? E aquelas grandes corujas diferentes, cujos olhos brilhavam desagradavelmente nas sombras, seriam homens desencarnados sob tremendo castigo da forma? Quem chorava nos vales extensos de lama? Criaturas que houvessem vivido na Terra que recordávamos, ou duendes desconhecidos para nós? De quando em quando, grupos hostis de entidades espirituais em desequilibro nos defrontavam, seguindo adiante, indiferentes, incapazes de registrar-nos a presença. Falavam em alta voz, em português degradado, mas inteligível, evidenciando, pelas gargalhadas, deploráveis condições de ignorância. Apresentavam-se em trajes bisonhos e conduziam apetrechos de lutar e ferir. Avançamos mais profundamente, mas o ambiente passou a sufocar-nos. Repousamos, de algum modo, vencidos de fadiga singular, e Gúbio, depois de alguns momentos, nos esclareceu: - Nossas organizações perispiríticas, à maneira de escafandro estruturado em material absorvente, por ato deliberado de nossa vontade, não devem reagir contra as baixas vibrações deste plano. Estamos na posição de homens que, por amor, descessem a operar num imenso lago de lodo; para socorrer eficientemente os que se adaptaram a ele, são 'compelidos a cobrir-se com as substâncias do charco, sofrendo-lhes, com paciência e coragem, a influenciação deprimente. Atravessamos importantes limites vibratórios e cabe-nos entregar a forma exterior ao meio que nos recebe, a fim de sermos realmente úteis aos que nos pro- pomos auxiliar. Finda a nossa transformação transitória, seremos vistos por qualquer dos habitantes desta região menos feliz. A oração, de agora em diante, deve ser nosso único fio de comunicação com o Alto, até que eu possa verificar, quando na Crosta, qual o minuto mais adequado de nosso retorno aos dons luminescentes. Não estamos em cavernas infernais, mas atingimos grande império de inteligências perversas e atrasadas, anexo aos círculos da Crosta, onde os homens terrestres lhes sofrem permanente influenciação.”

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Julgamento * Evangelização nº 05/05 do LIE.

Reflitamos sobre o capítulo 5 do livro Libertação, que mostra a expedição em que Gúbio, André Luiz e outros espíritas da equipe socorrista, após pedir licença aos Espíritos Justiceiros daquelas estranhas construções erguidas como se fossem cinzentos e misteriosos edifícios ou grandes auditórios da justiça terrena, reuniam mais de 10.000 espíritos que, pela própria consciência, se condenavam quando o magnetismo da consciência do perispírito vinha à tona. Havia magistrados e espiritas selecionadores mas, tais juizes não condenavam nem absolviam ninguém. Aqueles que eram escolhidos para falarem de suas fraquezas, embora pela boca se declarassem inocentes. O poder hipnótico do Juiz, atuando nas consciências das pessoas culpadas, obrigava-os a dizer a verdade sobre si mesmos, os quais acabavam se condenando. Trata-se de um curioso processo em que o juiz é a própria consciência. Leiamos pois um trecho do que nos conta André Luiz em visita a esse lugar sombrio, cheio de cinzas e paixões.: “À frente de vasta tribuna vazia e sob as galerias laterais abarrotadas de povo, compacta multidão se amontoava, irreverente. Alguns minutos decorreram, desagradáveis e pesados, quando absorvente vozerio se fez ouvido: Os magistrados! os magistrados! Lugar! Lugar para os sacerdotes da justiça! Procurei a paisagem exterior, curiosamente, tanto quanto me era possível, e vi que funcionários rigorosamente trajados à moda dos lictores da Roma antiga, carregando a simbólica machadinha (fasces) ao ombro, avançavam, ladeados por servidores que sobraçavam grandes tochas a lhes clarearem o caminho. Penetraram o átrio em passos rítmicos e, depois deles, sete andores, sustentados por dignitários diversos daquela corte brutalizada, traziam os juizes, esquisitamente ataviados. Que solenidade religiosa era aquela? As poltronas suspensas eram, em tudo, idênticas à "sédia gestatória" das cerimônias papalinas. Varando, agora, o recinto, os lictores passaram o instrumento simbólico às mãos e alinharam-se, corretos, perante a tribuna espaçosa, sobre a qual resplandecia alarmante facho de luz. Os julgadores, por sua vez, desceram, pomposos, dos tronos içados e tomaram assento numa espécie de nicho a salientar-se de cima, inspirando silêncio e temor, porque a turba inconsciente, em redor, calou-se de súbito. Tambores variados rufaram, como se estivéssemos numa parada militar em grande estilo, e uma composição musical semi-selvagem acompanhou-lhes o ritmo, torturando-nos a sensibilidade. Terminado aquele ruído, um dos julgadores se levantou e dirigiu-se à massa, aproximadamente nestes termos: - "Nem lágrimas, nem lamentos. Nem sentença condenatória, nem absolvição gratuita. Esta casa não pune, nem recompensa. A morte é caminho para a justiça. Escusado qualquer recurso à compaixão, entre criminosos. Não somos distribuidores de sofrimento, e, sim, mordomos do Governo do Mundo. Nossa função é a de selecionar delinqüentes, a fim de que as penas lavradas pela vontade de cada um sejam devidamente aplicadas em lugar e tempo justos. Quem abriu a boca para vilipendiar e ferir, prepare-se a receber, de retorno, as forças tremendas que desencadeou através da palavra envenenada, Quem abrigou a calúnia, suportará os gênios infelizes aos quais confiou os ouvidos. Quem desviou a visão para o ódio e para a desordem, descubra novas energias para contemplar os resultados do desequilibro a que se consagrou, espontaneamente. Quem utilizou as mãos em sementeiras de malícia, discórdia, inveja, ciúme e perturbação deliberada, organize resistência para a colheita de espinhos. Quem centralizou os sentidos no abuso de faculdades sagradas espere, doravante, necessidades enlouquecedoras, porque as paixões envilecentes, mantidas pela alma no corpo físico, explodem aqui, dolorosas e arrasadoras. A represa por longo tempo guarda micróbios e monstros, segregados a distância do curso tranqüilo das águas; todavia, chega um momento em que a tempestade ou a decadência surpreendem a obra vigorosa de alvenaria e as formas repelentes, libertadas, se espalham e crescem em toda a extensão da corrente. Seguidores do vício e do crime, tremei!! Condenados por vós mesmos, conservas a mente prisioneira das mais baixas forças da vida, à maneira do batráquio encarcerado no visco do pântano, ao qual se habituou no transcurso dos séculos!" Nesse ponto, o orador fez pausa e reparei os circunstantes. Olhos esgazeados pelo pavor jaziam abertos em todas as máscaras fisionômicas. O juiz, por sua vez, não parecia respeitar o menor resquício de misericórdia. Mostrava-se interessado em criar ambiente negativo a qualquer espécie de soerguimento moral, estabelecendo nos ouvintes angustioso temor.

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Durante o sono * Evangelização nº 06/05 do LIE.

Importa registrar aqui sobre este capítulo, o que narra André Luiz, após ouvir o Instrutor Gúbio, o que acontece com grande parte da população humana enquanto as pessoas dormem a sono solto. Mais do que supomos, extensas zonas de intercâmbio ocorrem entre encarnados dormindo e desencarnados apegados à crosta terrestre. Muitas informações sobre o cotidiano da vida na Terra são trocadas nessas horas cinzentas e, que quase sempre, ao acordarmos não lembramos o que aconteceu durante tais sonos profundos e, seguidamente, olvidamos onde estivemos, com quem falamos e o que intercambiamos. Em algumas ocasiões, já em vigília, lembramos estranhas idéias desses contatos imperceptíveis. Reflitamos sobre o que narra André Luiz sobre estes inconscientes contatos noturnos: “Dirigi-me a Gúbio, buscando-lhe oportuno esclarecimento. - Não mediste, ainda - respondeu, prestimoso -, a extensão do intercâmbio entre encarnados e desencarnados. A determinadas horas da noite, três quartas partes da população de cada um dos hemisférios da Crosta Terrestre se acham nas zonas de contato conosco e a maior percentagem desses semi-libertos do corpo, pela influência natural do sono, permanecem detidos nos círculos de baixa vibração qual este em que nos movimentamos provisoriamente. Por aqui, multas vezes se forjam dolorosos dramas que se desenrolam nos campos da carne. Grandes crimes têm nestes sítios as respectivas nascentes e, não fosse o trabalho ativo e constante dos Espíritos protetores que se desvelam pelos homens no labor sacrificial da caridade oculta e da educação perseverante, sob a égide do Cristo, acontecimentos mais trágicos estarreceriam as criaturas. De alma voltada para as noções da vida imensa que o ambiente sugeria, relembrei o curso incessante das civilizações. Pensamentos mais altos clarearam-me os raciocínios. A Bondade do Senhor não violenta o coração. O Reino Divino nascerá dentro dele e, à maneira da semente de mostarda que se liberta dos envoltórios inferiores, medrará e crescerá gradativamente, sob os impulsos construtivos do próprio homem. Que temerária concepção a de um paraíso fácil! Gúbio percebeu-me a posição mental e falou em socorro de minhas pobres reflexões intimas: - Sim, André, a coroa da sabedoria e do amor é conquistada por evolução, por esforço, por associação da criatura aos propósitos do Criador. A marcha da Civilização é lenta e dolorosa. Formidandos atritos se fazem indispensáveis para que o espírito consiga desenvolver a luz que lhe é própria. O homem encarnado vive simultaneamente em três Planos diversos. Assim como ocorre à árvore que se radica no solo, guarda ele raízes transitórias na Vida física; estende os galhos dos sentimentos e desejos nos círculos de matéria mais leve, quanto o vegetal se alonga no ar; e é sustentado pelos princípios sutis da mente, tanto quanto a árvore é garantida pela própria seiva. Na árvore, temos raiz, copa e seiva por três processos diferentes de manutenção para a mesma vida e, no homem, vemos corpo denso de carne, organização perispiritica em tipo de matéria mais rarefeita e mente, representando três expressões distintas de base vital, com vistas aos mesmos fins. Segundo observamos, o homem exige para sustentar-se, no quadro evolucionário, segurança relativa no campo biológico, alimento das emoções que lhe são próprias nas esferas de vida psíquica que se afinam com ele e base mental no mundo intimo. A vida é patrimônio de todos, mas a direção pertence a cada um. A inteligência caída precipita-se, despenhadeiro abaixo, encontrando sempre, nos círculos inferiores que elege por moradia, milhões de vidas inferiores, junto às quais é aproveitada pela Sabedoria Celestial para maior glorificação da obra divina. Na economia do Senhor, coisa alguma se perde e todos os recursos são utilizados na química do Infinito Bem. Aqui mesmo, nesta cidade, tínhamos, a principio, autêntico império de vidas primitivas que, pouco a pouco, se fez ocupado por extensas coletividades de almas vaidosas e cruéis. Entrincheiraram-se nestes sítios, guardando o louco propósito de hostilizar a Bondade Excelsa, e exercem funções úteis junto a enorme agrupamento de criaturas, ainda sub-humanas, não obstante atenderem a serviço que para nós outros seria presentemente insuportável. Usam a violência em largas doses, todavia, no curso dos anos, a influenciação intelectual delas trará grandes benefícios aos oprimidos de agora e estejamos convictos que apesar de blasonarem inteligência e poder, permanecerão nos postos que ocupam apenas enquanto perdurar o consentimento da Divina Direção, atento ao princípio que determina tenha cada assembléia o governo que merece.”

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Na igreja * Evangelização nº 07/05 do LIE.

Qual é e como é o ambiente espiritual dentro de uma igreja? Aparentemente é calmo, a maioria está rezando, imagina-se que estarão ali muitos espíritos de luz cercando e abençoando os que rezam. Antes que assim fosse. Vamos ver nesse capítulo do Livro de André Luiz que, mesmo dentro dos templos suntuosos defrontam-se legiões de espíritos do mal e mesmo obsessivos, sendo pequeno o número de espíritos benfeitores, iluminados e interessados em servir ao Bem. Acontece que, em cada templo, humilde ou luxuoso, há pessoas físicas de todos os níveis morais e espirituais e cada pessoa leva junto aquilo que traz consigo. Principalmente naqueles templos nos quais se prega muito a preponderância do dinheiro, o ambiente se faz escuro com fortes vibrações negativas. Vejamos o que mostra o capítulo 9, página 117, onde se lê: “Penetramos o templo onde se comprimiam nada menos de sete a oito centenas de pessoas. A algazarra dos desencarnados ignorantes e perturbadores era de ensurdecer. A atmosfera pesava. A respiração fizera-se me difícil pela condensação dos fluidos semicarnais ali reinantes; todavia ao fixar os altares, confortante surpresa aliviou-me o coração. Dos adornos e objetos do culto emanava doce luz que se espraiava pelos cimos da nave visitada de sol; fazia-se perceptível a nítida linha divisória entre as energias da parte inferior do recinto e as do plano superior. Dividiam-se os fluidos, à maneira de água cristalina e azeite impuro, num grande recipiente. Contemplando a formosa claridade dos nichos, perguntei ao nosso Instrutor: - Que vemos ? não reza o segundo mandamento, trazido por Moisés, que o homem não deve fazer imagens de escultura para representar a Paternidade Celeste? - Sim - concordou o orientador -, e determina o Testamento que ninguém se deve curvar diante delas. Efetivamente, pois, André, é um erro criar ídolos de barro ou de pedra para simbolizar a grandeza do Senhor, quando nossa obrigação primordial é a de render-lhe culto na própria consciência; entretanto, a Bondade Divina é infinita e aqui nos achamos perante apreciável quantidade de mentes infantis. E sorrindo, acrescentou: - Quantas vezes, meu amigo, a criança acalenta bibelôs, a fim de preparar-se convenientemente para as responsabilidades da vida madura? Ainda existem na Terra tribos primitivas que adoram o Pai na voz do trovão e coletividades vizinhas da taba que fazem de vários animais objeto de idolatria. Nem por isso o Senhor as abandona. Vale-se dos impulsos elevados que elas lhe oferecem e socorre-lhes as necessidades educativas. Nesta casa de oração, os altares recebem as projeções de matéria mental sublimada dos crentes. Há quase um século, as preces fervorosas de milhares deles aqui envolvem os nichos e apetrechos do culto. E' natural que resplandeçam. Através de semelhante material, os mensageiros celestes distribuem dádivas espirituais com todos quantos sintonizem com o plano superior. A luz que oferecemos ao Céu serve sempre de base às manifestações do Céu para a Terra. Ante ligeira pausa, alonguei o olhar pela multidão bem vestida. Quase todas as pessoas, ainda aquelas que ostentavam nas mãos delicados objetos de culto, revelavam-se mentalmente muito distantes da verdadeira adoração à Divindade. O halo vital de que se cercavam definia pelas cores o baixo padrão vibratório a que se acolhiam. Em grande parte, dominavam o pardo-escuro e o cinzento-carregado. Em algumas, os raios rubro-negros denunciavam cólera vingativa que, a nossos olhos, não conseguiriam disfarçar. Entidades desencarnadas, em deplorável situação, espalhavam-se em todos os recantos, nas mesmas características. Reconheci que os crentes elegantes, ainda mesmo que desejassem orar com sinceridade, precisariam despender imenso esforço. A liturgia anunciou o início da cerimônia, mas, com grande assombro para mim, o sacerdote e os acólitos, não obstante se dirigirem para o campo de luz do altar-mor, enxergando soberba vestimenta, jaziam em sombras, sucedendo o mesmo aos assistentes. Entretanto, procedendo de mais alto, três entidades de sublime posição hierárquica se fizeram visíveis à santa mesa, com o evidente propósito de ali semearem os benefícios divinos. Magnetizaram as águas expostas, saturando-as de princípios salutares e vitalizantes, como acontece nas sessões de Espiritismo Cristão, e, em seguida, passaram a fluidificar as hóstias, transmitindo-lhes energias sagradas à fina contextura. Admirado, voltei a observar a platéia religiosa, mas os irmãos ignorantes que operavam no templo, sem corpo físico, tanto quanto ocorria aos encarnados, nem de longe registravam a presença dos nobres emissários espirituais que agiam em nome do Infinito Bem.

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Ação e reação * Evangelização nº 08/05 do LIE.

Esse estudo mostra-nos de forma ilustrada, como funciona a mecânica das reencarnações. Embora seja ela fruto expressivo da Misericórdia Divina, é de uma exatidão matemática, quase cruel. Quem semeia o Bem ou o Mal, vai colher o que plantou, mais cedo ou mais tarde. Neste extraordinário Livro, isto é mostrado em abundantes exemplos. Em torno da rica e obsedada Margarida e de seu pai, um juiz arrogante, movimentam-se vários personagens encarnados e desencarnados, formando uma interligada teia de espíritos devedores ou credores uns com os outros. Saldanha, Gabriel, Jorge, todos interligados por provas kármicas à infeliz Margarida, são como que atores de uma peça teatral dolorosa. Cada um pagando o que devia na contabilidade Divina, com exatidão implacável. Mostrando que somos nós mesmos os autores de nosso destino na vida física. Leiamos com atenção o que está registrado no capítulo 10, página 125: “A sós com o temível obsessor, Gúbio procurou sondar-lhe o intimo, discretamente. - Sem dúvida que a sua fidelidade aos compromissos assumidos - declarou o nosso orientador, atencioso - é bastante significativa. E enquanto Saldanha sorria, envaidecidamente, continuou, de olhar penetrante e doce. - Que razões teriam conduzido Gregório a conferir-lhe tão delicada missão? - O ódio, meu amigo, o ódio! - explicou o interpelado decidido. - À senhora? - aduziu Gúbio, indicando a doente. - Não propriamente a ela, mas ao pai, juiz sem alma que me devastou o lar. Faz onze anos, precisamente, que a sentença cruel de um magistrado caiu sobre os meus descendentes, exterminando-os... E, diante da expressão de real interesse que o nosso Instrutor deixava perceber, o infeliz continuou: - Tão logo abandonei o corpo físico, premido por uma tuberculose galopante, revoltado com a pobreza que me lançara à extrema penúria, não pude afastar-me do ambiente doméstico. Minha infortunada Iracema herdou-me um filho querido, a quem não pude legar qualquer recurso apreciável. Jorge e sua genitora passaram, desse modo, a enfrentar dificuldades e aflições que não posso relembrar sem imensa angústia. Operário em rude serviço braçal, meu filho não conseguia sustentar dignamente a casa, definhando-se-lhe a mãezinha em padecimentos continuados e sofridos em silêncio. Ainda assim, Jorge contraiu núpcias, muito cedo, com uma colega de trabalho, que, a seu turno, lhe deu uma filhinha atormentada e sofredora. A vida corria desesperadamente para o lar subalimentado e desprotegido, quando certo crime, constituído de roubo e assassínio, sobreveio na organização em que meu desventurado rapaz trabalhava, e toda a culpa, em face de circunstâncias inextricáveis, recaiu sobre ele. Acompanhei-lhe a prisão imerecida e, sem qualquer recurso para ampará-lo, segui os interrogatórios infernais a que foi submetido, como se fora homicida vulgar. Ora, eu que me anexara aos parentes, desde o instante horrível, para mim, da transição corporal, jamais me senti disposto à submissão. A experiência humana não me proporcionou tempo a estudos religiosos ou filosóficos. Habituei-me muito cedo à rebelião contra aqueles que gozam os benefícios do mundo em detrimento dos desfavorecidos da sorte e, reconhecendo que o túmulo não me revelara qualquer milagroso domínio, preferi a continuidade da vida em meu escuro pardieiro, onde a convivência de Iracema, através de profundos laços magnéticos, de algum modo me reconfortava... Assisti, por isto, com indescritível terror, aos detestáveis acontecimentos. Humilhado, na minha condição de homem invisível para os encarnados, visitei chefias e repartições, autoridades e guardas, tentando encontrar alguém que me auxiliasse a salvar Jorge, inocente. Identifiquei o verdadeiro criminoso que, ainda agora, desfruta posição social invejável e tudo fiz, sem resultado, por clarear o processo oprobrioso. Meu filho sofreu todo o gênero de atrocidades morais e físicas, castigado por um delito que não cometeu. Desanimado, por minha vez, de algo recolher de útil, junto aos carrascos policiais que chegaram a improvisar fantásticas confissões da vitima, procurei o juiz da causa, na esperança de interferir beneficamente. O magistrado, porém, longe de aceitar-me a inspiração, que o convidava à justiça e à piedade, preferiu ouvir pareceres de amigos influentes na política dominante, que vivamente se interessavam pela indébita condenação, na ânsia de exculpar o verdadeiro criminoso. Saldanha fez pequeno intervalo, acentuando a expressão de profundo rancor, e prosseguiu: - Descrever-lhe o que foi minha dor é alguma coisa de impraticável à capacidade verbal. Jorge recebeu dolorosa pena, quando seu corpo vacilava sob maus tratos, e Irene, minha nora, conturbada pela necessidade e pelo infortúnio, esqueceu as obrigações de mãe, suicidando-se para imantar-se ao espírito de meu pobre filho, já de si mesmo tão infeliz. Torturada pelos sucessos aflitivos, minha esposa desencarnou num catre de indigência, reunindo-se, por sua vez, ao angustiado casal. Minha neta, hoje menina e moça, mas ameaçada por incerto porvir, atende a serviço doméstico, aqui mesmo nesta casa, onde tresloucado irmão de Margarida procura arrastá-la sutilmente a grave desvio moral. O juiz; que aqui preside à assembléia familiar, recebendo-me em sonho as promessas de vingança, buscou colocá-la junto aos próprios parentes, empenhado em reparar de algum modo o seu crime; no entanto, apesar disso, meu esforço não se fará menos enérgico. Surpreendido, notei que o nosso orientador não ensaiava qualquer doutrinação. Pousando olhos cheios de simpatia no interlocutor, murmurou apenas: - Realmente a sementeira de dor é das que mais nos afligem...

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Buscando auxílio * Evangelização nº 09/05 do LIE.

O espírito humano é feito de mil expressões e muitas influências internas e externas. O capítulo 11 desse livro mostra o perigo que rondam as pessoas que buscam apoio em médiuns particulares ou professores de ciências psíquicas ou ocultas, bem como as forças espirituais colossais que rondam os médiuns que atendem nos ambientes de cura. Na leitura dos vários capítulos dessa obra iremos entender, não sem espanto, a ação obsessiva ou regeneradora que rodeiam tais médiuns, dependendo do resultado das forças do bem ou do mal que norteiam esse ou aquele trabalhador da seara de cura ou amenizações nos pacientes atendidos. Médiuns de cura tem conexão com milhões de espíritos em evolução, de todos os níveis. Para compreendermos melhor vamos prestar atenção na leitura narrativa desse capítulo no trecho em que lemos o seguinte: “Assumindo ares de pessoa superinteligente, comunicou ao nosso Instrutor que resolvera solicitar a neutralidade dos servos espirituais do professor operante. Com fina sagacidade asseverou que era necessário evitar a piedade do médium e confundir-lhe as observações, através de todos os recursos possíveis. Em seguida à elucidação que me surpreendeu, rogou a presença de um dos colaboradores mais influentes e apareceu diante de nós a esquisita figura de um anão de semblante enigmático e expressivo. Expedito, Saldanha pediu-lhe cooperação sem rebuços, esclarecendo que o operador da casa não deveria penetrar o problema de Margarida, na intimidade. Prometia-lhe, em troca do favor, não só a ele, mas também a outros auxiliares no assunto excelente remuneração em colônia não distante. E descreveu-lhe, com largas promessas, quanto lhe poderia proporcionar em regalo e prazeres no cortiço de entidades perturbadas e ignorantes, onde conhecêramos Gregório. O serviçal manifestou indisfarçado contentamento e assegurou que o médium não perceberia patavina. Com justificada curiosidade, acompanhei o desenrolar dos acontecimentos. Logo à entrada do gabinete, percebi que a oficina não inspirava segura confiança. O professor pôs-se imediatamente a combinar o preço do trabalho de que se encarregaria, exigindo adiantadamente de Gabriel significativo pagamento. O intercâmbio ali, entre as duas esferas, se resumia a negócio tão comum quanto outro qualquer. Sem detença, reconheci que o médium, se podia controlar, de algum modo, os Espíritos que se alimentavam de seu esforço, era também facilmente controlado por eles. O recinto jazia repleto de entidades em fase primária de evolução. Saldanha, excessivamente atarefado, anunciou-nos que presidiria, de perto, aos trâmites da ação mediúnica, notificando-nos, prazeroso, que lhe fora hipotecada plena ajuda das entidades ali dominantes. Em razão disso, podíamos analisar os fatos, em companhia de Gúbio, recolhendo preciosa lição. Depois de visivelmente satisfeito no acordo financeiro estabelecido, colocou-se o vidente em profunda concentração e notei o fluxo de energias a emanarem dele, através de todos os poros, mas muito particularmente da boca, das narinas, dos ouvidos e do peito. Aquela força, semelhante a vapor fino e sutil, como que povoava o ambiente acanhado e reparei que as individualidades de ordem primária ou retardadas, que coadjuvavam o médium em suas incursões em nosso plano, sorviam-na a longos haustos, sustentando-se dela, quanto se nutre o homem comum de proteína, carboidratos e vitaminas. Examinando a paisagem, Gúbio esclareceu-nos em voz imperceptível aos demais: - Esta força não é patrimônio de privilegiados. E' propriedade vulgar de todas as criaturas, mas entendem-na e utilizam-na somente aqueles que a exercitam através de acuradas meditações. E' o "spiritus subtilissimus" de Newton, o "fluido magnético" de Mesmer e a "emanação ódica" de Reichenbach. No fundo, é a energia plástica da mente que a acumula em si mesma, tomando-a ao fluido universal em que todas as correntes da vida se banham e se refazem, nos mais diversos reinos da natureza, dentro do Universo. Cada ser vivo é um transformador dessa força, segundo o potencial receptivo e irradiante que lhe diz respeito. Nasce o homem e renasce, centenas de vezes, para aprender a usá-la, desenvolvê-la, enriquecê-la, sublimá-la, engrandecê-la e divinizá-la. Entretanto, na maioria das vezes, a criatura foge à luta que interpreta por sofrimento e aflição, quando é inestimável recurso de auto-aprimoramento, adiando a própria santificação, caminho único de nossa aproximação do Criador.

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Causa e efeito * Evangelização nº 10/05 do LIE.

O estudo do capitulo 13 dessa magnífica obra nos leva a considerar o livro como uma das mais preciosas obras da literatura espiritual desde o início dos tempos humanos. O relato do enredo histórico do Juiz de Direito que condenou Jorge, e a rede de vidas que se movimentam em torno de uma sentença jurídica. Quando espíritos de luz se defrontam com obsessores no palácio em que reside este Juiz que é pai de Margarida vêm à tona fatos e conseqüências nas vidas sucessivas dos diversos personagens .E na leitura lucificada pelo entendimento vamos compreender os meandros da lei da causa e efeito nas existências individuais, por via das reencarnações. Entremos pois na leitura do capitulo 13 da obra psicografada por Chico Xavier: página 166:
“Logo após, em companhia de nosso devotado orientador, passamos ao apartamento privado do juiz. O magistrado se mantinha de corpo repousado sobre o colchão macio, mostrando, contudo, a mente inquieta, flagelada. Permitiu Gúbio que eu lhe tocasse a fronte, auscultando-lhe os pensamentos mais profundos. Naquela hora avançada da noite, o encanecido cavalheiro meditava: “Onde estariam centralizados os supremos interesses da vida? Onde estava a ambicionada paz espiritual que não conquistara em mais de meio século de experiência ativa na Terra? Porque arquivava no coração os mesmos sonhos e necessidades do homem de quinze anos, quando ultrapassara já os sessenta? Crescera, estudara, casara-se. Todas as lutas, no fundo, não lhe haviam modificado a personalidade. Conquistara os títulos que assinalam no mundo os sacerdotes do direito e, por centenas de vezes, envergara a toga para julgar processos difíceis. Proferira sentenças inúmeras e tivera nas mãos, sob o próprio desígnio, a destinação de muitos lares e de coletividades inteiras. Recebera homenagens de pobres e de ricos, grandes e pequenos, no transcurso da viagem pelo encapelado mar da experiência terrestre em face da posição que desfrutava no ataviado barco do tribunal. Respondera a milhares de consultas em casos de harmonia social, mas na vida íntima, singular deserto lhe povoava a alma toda. Sentia sede de fraternidade com os homens; todavia, a posse do ouro e a eminência na atividade pública impunham-lhe grandes obstáculos para ler a verdade na máscara dos semelhantes. Experimentava intraduzível fome de Deus. No entanto, os dogmas das religiões sectárias e as discórdias entre elas, afastavam-lhe o espírito de qualquer acordo com a fé atuante no mundo. Por outro lado, a ciência comum, negativista e impenitente, ressecara-lhe o coração. Toda a existência se resumiria a simples fenômenos mecânicos dentro da natureza? Adotada essa hipótese, toda a vida humana seria tão importante como a bolha d'água a desfazer-se ao vento. Sentia-se dilacerado, oprimido, exausto. Ele que esclarecera a muitos, quanto às mais elevadas normas de conduta pessoal, como elucidaria, agora, a si mesmo? Defrontado pelos primeiros sintomas da velhice do corpo de carne, reagia, magoado, contra a extinção gradual das energias orgânicas. Porque as rugas do rosto, o alvejar dos cabelos, o enfraquecimento da visão e o empobrecimento do celeiro vital, se a mocidade lhe vibrava na mente ansiosa por renovação? Seria a morte simplesmente a noite sem alvorada? que misterioso poder dispunha, assim, da vida humana, conduzindo-a a objetivos inesperados e ocultos?" Retirei a destra, percebendo que o respeitável funcionário tinha os olhos úmidos. Aproximou-se Gúbio e colocou-lhe as mãos sobre a fronte, comunicando-nos que prepará-lo-ia para a conversação próxima, dirigindo-lhe a intuição para as reminiscências do processo em que Jorge fora implicado. Dai a instantes, notei que os olhos do juiz exibiam modificada expressão. Dir-se-ia contemplarem cenas distanciadas, com indizível tortura. Mostravam-se angustiados, doridos... O Instrutor recomendou-me tornar à auscultação psíquica e voltei a pousar a mão direita sobre o cérebro dele.

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Ligações cármicas * Evangelização nº 11/05 do LIE.

No capitulo 14 desta obra o quadro das ligações cármicas e familiares de mais de 30 personagens, se amplia e aprofunda no enredo dessas ligações. Para aquele que lê com atenção este livro há um condensado ensinamento sobre a lei de causa e efeito no destino de cada pessoa. Em torno de um maior acontecimento central com muitos implicados ou ligados por fatos paralelos. Desenha-se um vasto painel ligando encarnados e desencarnados lutando ativamente para atingir seus objetivos de amor, paixão, ódio, crueldade, etc.. Para dar aos nossos ouvintes idéias sobre tais elos, estamos apresentando um quadro no qual delineamos as ligações entre 30 personagens como se fosse uma peça de teatro. Leiamos a seguir: “Gúbio pousou significativo olhar em Saldanha e pediu-lhe em tom discreto - Meu amigo, chegou a minha vez de rogar. Releva-me a identificação, talvez tardia aos teus olhos, com relação aos objetivos que nos prendem aqui. E, denunciando imensa comoção na voz, esclareceu: - Saldanha, esta senhora doente é filha de meu coração desde outras eras. Sinto por ela o enternecimento com que cuidaste, até agora, do teu Jorge, defendendo-o com as forças de que dispões. Eu sei que a luta te impôs acerbos espinhos ao coração, mas também guardo sentimentos de pai. Não te merecerei, porventura, simpatia e ajuda? Somos Irmãos no devotamento aos filhos, companheiros da mesma luta. Observei, então, cena comovedora que, minutos antes, se me figuraria inacreditável. O perseguidor da enferma contemplou a nosso Instrutor com o olhar dum filho arrependido. Grossas lágrimas brotaram-lhe dos olhos antes frios e impassíveis. Parecia inabilitado a responder, diante da emotividade que lhe dominava a garganta; todavia, Gúbio, enlaçando-lhe fraternalmente o busto, acrescentou: - Passamos horas sublimes de trabalho, entendimento e perdão. Não desejarás desculpar os que te feriram, libertando, enfim, quem me é tão querida ao espírito? Chega sempre um instante no mundo em que nos entediamos dos próprios erros. Nossa alma se banha na fonte lustral do pranto renovador e esquecemos todo o mal a fim de valorizar todo o bem. Noutro tempo, persegui e humilhei, por minha vez. Não acreditava em boas obras que não nascessem de minhas mãos. Supunha-me dominador e invencível, quando não passava de infeliz e insensato. Considerava inimigos quantos me não compreendessem os caprichos perigosos e me não louvassem a insânia. Experimentava diabólico prazer, quando o adversário esmolasse piedade ao meu orgulho, e gostava de praticar a generosidade humilhante daquele que determina sem concorrentes. Mas a vida, que faz caminhos na própria pedra, usando a gota d'água, retalhou-me o coração com o estilete dos minutos, transformando-me devagar, e o déspota morreu dentro de mim. O titulo de irmão é, hoje, o único de que efetivamente me orgulho. Dize-me, Saldanha amigo, se o ódio está igualmente morto em teu espírito; fala-me se devo contar com o abençoado concurso de tuas mãos! Eu e Elói tínhamos lágrimas ardentes, diante daquela doutrinação emocionante e inesperada. Saldanha enxugou os olhos, fixou-os, humilde, no interlocutor bondoso e asseverou, comovendo-nos: - Ninguém me falou ainda como tu... Tuas palavras são consagradas por uma força divina que eu não conheço, porque chegam aos meus ouvidos, quando já me encontro confundido pelos teus atos convincentes. Faz de mim o que desejares. Adotaste, nesta noite, por filhos de teu coração todos os parentes em cuja memória ainda vivo. Amparaste-me o filho demente, ajudaste-me a esposa alucinada, protegeste-me a nora infeliz, socorreste-me a neta indefesa e repreendeste os que me perturbavam sem motivo justo... Como não enlaçar, agora, as minhas mãos com as tuas na salvação da pobre mulher que ama por filha? Ainda que ela própria me houvesse apunhalado mil vezes, teu pedido, após o bem que me fizeste, redimi-la-ia ao meu olhar... E, detendo a custo o pranto que lhe manava espontâneo, o ex-perseguidor acentuou, com expressão respeitosa: - Poderoso Espírito e bom amigo, que me procuraste na condição do servo apagado para acordar-me as forças enrijecidas no gelo da vingança, estou pronto a servir-te! Sou teu de ora em diante! – Seremos de Jesus para sempre! – corrigiu Gúbio, sem afetação.

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Nos trabalhos mediúnicos * Evangelização nº 12/05 do LIE.

O trecho do capitulo 15 que estamos estudando mostra-nos, entre outras coisas, o atendimento que os espíritos do Bem dedicam aos trabalhos mediúnicos, prestam de modo especial ao trabalho dos médiuns que intermediam as sessões de desobsessão no plano físico. Todos prestemos muita atenção no que André Luiz nos descreve com detalhes. Para 9 médiuns que trabalhavam na mesa de atendimentos havia 21 espíritos assistentes e mobilizadores de energias curadoras ou amenizadoras. André Luiz nos atrai muita atenção quando relata que alguns médiuns despreparados nem se quer mantinham confiança na presença colaboradora dos Espíritos ali presentes. Mostrando-nos porque médiuns despreparados e de pouca fé, não devem participar, especialmente de sessões de desobsessão. Leiamos pois atentamente o descreve esta psicografia de Chico Xavier: “O interpelado anuiu com bondade: - Sim, Saldanha, permaneces bem inspirado. Estamos fracos para batalhar em conjunto. E' indispensável que Margarida alcance melhoras positivas, antes de tudo. Aguardemos a noite. Espero situar o caso em algum núcleo de amor fraternal. Até lá, convém guardarmos o ambiente doméstico sem alterações, mesmo porque Gaspar é outro doente, exigindo especial atenção: traz o veículo perispiritico enfermiço e viciado, reclamando caridoso concurso. Mal não havia terminado a observação e Gabriel entrou no aposento e abeirou-se da esposa, desalentada e abatida. Gúbio agora, senhor da situação, aproximou-se do rapaz, sem alarde, e colocou sobre a fronte dele a destra paternal, dominando-lhe, no cérebro, as zonas diretas da inspiração, dando curso, naturalmente, a forças magnéticas suscetíveis de inclinar o problema de assistência a solução favorável. Reparei que o, esposo de Margarida, sob a influência renovadora, passou a contemplar a companheira, enternecidamente. Tomou-lhe as mãos com sincera ternura e falou, espontâneo: - Margarida, dói-me ver-te assim, sob desânimo tão profundo. Pequena pausa pesou sobre ambos; contudo, ao cabo de alguns momentos, tornou o marido de olhos iluminados por indefinível esperança: - Ouve! Uma idéia súbita me brotou no pensamento. Desde muitos dias estamos atropelados por remédios violentos e medidas drásticas que não te socorreram com a eficiência precisa. Consentes em que eu peça, em nosso favor, o concurso de algum amigo interessado em Espiritismo Cristão? Tocada por aquela onda de abençoado carinho que fluía imperceptivelmente de Gúbio, por intermédio de Gabriel, a doente abriu os olhos, cheios de interesse novo, como quem encontrara inesperada senda salvadora e concordou, feliz: - Estou pronta. Aceitarei qualquer recurso que consideres por tua vez justo e digno. O esposo, num transporte de esperança, saiu precipitadamente, acompanhado de Gúbio, que nos recomendou a permanência ao lado de Saldanha, em preparativos de serviço para a noite próxima. Na intimidade do ex-perseguidor, não perdi tempo. Internara-me em atividade absolutamente nova para mim e desejava ampliar conhecimentos e recursos. Considerei que um trabalhador incompleto, em minha posição, precisa estudar sempre, e, aproximando-me do verdugo transformado em amigo, interroguei: - Saldanha, como explicar tamanho temor de nosso lado, perante os companheiros retardados? Ele fixou em mim o olhar espantado e observou: - Meu caro, conheço suficientemente este capítulo. Se nos dispusermos a lutar abertamente, conservando conosco esta jovem senhora enferma, em padrão físico de menor resistência, o malogro em nossos objetivos de socorro a ela será questão de alguns minutos. Nos círculos inferiores em que nos encontramos, a maldade é força dominante em quase toda parte, contando com intérpretes que nos vigiam através de todos os flancos e não nos é fácil escapar. Para combater o mal e vencê-lo, urge possuir a prudência e a abnegação dos anjos. De outro modo é perder o tempo e cair, sem defesa, em perigosas armadilhas das trevas. O novo aliado relanceou a olhar pelo quarto, a fim de certificar-se de que não vínhamos sendo ouvidos por adversários comuns, e prosseguiu: - Eu mesmo, logo depois de minha vinda, tudo fiz por fugir ao mal, mas em vão. Velhas orações por mim aprendidas nos recessos do lar, que o tempo não consumiu de todo em meu espírito, articuladas então por minha boca, mereceram sarcasmo cruel dos inimigos do bem. Em verdade, pensamentos menos dignos me povoavam a cabeça, mas a vontade de melhorar-me era sincera em meu coração. Esforcei-me de alguma sorte, reagi quanto pude; todavia, meu impulso para o bem legítimo era, no fundo, um sopro frágil à frente de um tufão. Ao contato dessa gente desencarnada, infeliz e vingativa, perdi o resto da compostura moral que procurava debalde sustentar. Se a alma, liberta do corpo de carne, não se encontra amparada em princípios robustos de virtude santificante, sentida e vivida, é quase impossível sair vitoriosa das ciladas escuras que nos armam.”

Cópia do trecho do livro “Libertação”, de André Luiz
(Para ser bem lido e muito refletido pelos médiuns de desobsessão).

Sobre a descrição que André Luiz faz de uma sessão de desobsessão aqui na Terra, sessão essa supervisionada no plano extra-físico pelo espírito Sidônio, sendo que no plano físico 9 médiuns trabalhavam em tal sessão. E o que aconteceu e acontece com médiuns desesperados, com pouca fé, naquilo que fazem. Apesar da “Luz ao Mais Alto”, comentem erros e omissões que prejudicam tanto o trabalho dos desencarnados quanto dos pacientes. Leiamos com atenção de estudo a narrativa de André Luiz para corrigirmos nossos erros e desatenções. “...mas o relógio mareava o momento de nossa cooperação ativa e pusemo-nos em forma. Para os trabalhos da reunião que congregava nove pessoas terrestres, vinte e um colaboradores espirituais se movimentaram em nosso circulo de ação. Gúbio e Sidônio, em esforço conjugado, efetuaram operações magnéticas ao redor de Margarida, desligando finalmente os "corpos ovóides" que foram entregues a uma comissão de seis companheiros que os conduziram, cuidadosamente, a postos socorristas. Logo após, enquanto a prece e os estudos evangélicos se faziam ouvir, dentro das contribuições de nosso círculo, grande cópia de força nêurica, com a devida compensação em fluidos revigoradores de nossa esfera, foi extraída, através da boca, narinas e mãos dos assistentes encarnados, força essa que Gúbio e Sidônio aplicaram sobre Margarida e Gaspar, no evidente intuito de restaurar-lhes as energias perispiríticas. A jovem senhora passou a demonstrar abençoados sinais de alívio e Gaspar, de impassível que se achava, pôs-se a gemer, qual se houvera acordado de intenso e longo pesadelo. A essa altura, nosso orientador preparou Dona Isaura, senhora daquele santuário doméstico e médium do culto familiar, adestrando-lhe a faculdade de incorporação, por intermédio de passes magnéticos sobre a laringe e, em particular, sobre o sistema nervoso. Quando a hora de amor cristão aos desencarnados começou a funcionar, os orientadores trouxeram Gaspar à organização rnedianímica, a fim de que pudesse ele recolher algum beneficio, ao contato dos companheiros materializados na experiência física, que lhe haviam fornecido energias vitalizantes, tal como acontece às flores que sustentam, sem perceber, o trabalho salutar das abelhas operosas. Reparei que os sentidos do insensível perseguidor ganharam inesperada percepção. Visão, audição, tato e olfato foram nele subitamente acordados e intensificados. Parecia um sonâmbulo, despertando. À medida que se lhe casavam as forças às energias da médium, mais se acentuava o fenômeno de reavivamento sensorial. Apossando-se provisoriamente dos recursos orgânicos de Dona Isaura, em visível processo de "enxertia psíquica", o hipnotizador gritou e chorou lamentosamente. Misturou blasfêmias e lágrimas, palavras comovedoras e palavras menos dignas, entre a penitência e a rebeldia. Escutando agora, com aguçada sensibilidade, conversou detidamente com o doutrinador. O senhor Silva, marido da médium, fez-lhe sentir a necessidade de renovação espiritual em edificante lição que nos tocava as fibras mais íntimas, e, depois de sessenta minutos de exaustivo embate emocional, Gaspar foi conduzido por dois servidores de nossa equipe ao lugar que lhe correspondia, isto é, à posição de demente com retorno gradativo à razão. Findos os serviços ativos, a reunião foi encerrada, notando-se que imensa alegria transbordava de todos os corações. Margarida estava, enfim, aliviada e, em pranto, pedia ao esposo agradecesse, de viva voz, as dádivas recebidas. Gúbio, porém, vendo Saldanha espantadiço, obtemperou, - O triunfo essencial ainda não veio. Margarida recebeu amparo imediato, mas precisamos agora socorrer-lhe a casa, até que ela mesma incorpore à própria individualidade, em caráter definitivo, os benefícios aqui recolhidos. Sorriu bondosamente e acrescentou: - Para que uma planta seja efetivamente preciosa, não basta que esteja bela e perfumada na estufa protetora. E' necessário receber o auxílio externo, consolidado a resistência própria, de modo a produzir utilidades no bem comum. E passando a entender-se com Sidônio, aceitou a colaboração, por dez dias sucessivos, de doze companheiros espirituais incorporados ao agrupamento destinado a reforçar as atividades defensivas na moradia de Gabriel, de vez que, segundo Saldanha e Leôncio, do dia seguinte em diante, teríamos guerra aberta com os assalariados de Gregório, que viriam naturalmente sobre nós, temíveis e insistentes.

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Ciúmes * Evangelização nº 13/05 do LIE.

O capitulo 15 fez importantes revelações sobre as nossas dores e conseqüência do ciúme numa pessoa, e no caso, sobre pessoas ligadas á direção de um centro Espírita. É um verdadeiro estado psicológico e moral sobre a vida interna da médium Isaura casada com o diretor da casa Espírita e as influencias e intervenções de entidades desencarnadas ligadas a essa casa religiosa. Mostra claramente como o ciúme destrói a vida, o casamento e as relações sociais da pessoa que é presa a essa turbulenta e escravizadora emoção. Além do mais, ciúme não quer dizer amor. Ao contrario, o ciúme aprisiona e acaba destruindo suas vítimas. Espíritos do mal através de sentimentos negativos obsidiam a médium Isaura, esposa do diretor do centro espírita e com isto conseguem atingir diversas pessoas, alem de mobilizar Espíritos benfeitores e com Luz para defender os médiuns de espíritos sem luz. Leiamos e reflitamos sobre o trecho na narrativa de André Luiz narrando as repercussões do ciúme nos 2 lados da vida. “Encantamento pernicioso: Finda a reunião, reparei que a médium Dona Isaura Silva apresentava sensível transfiguração. Enquanto perduravam os trabalhos, mostrava radiações brilhantes, em derredor do cérebro, oferecendo simpático ambiente pessoal; entretanto, encerrada que foi a sessão, cercou-se de emissões de substância fluídica cinzento-escura, qual se houvesse repentinamente apagado, em torno dela, alguma lâmpada invisível. Impressionado, dirigi-me a Sidônio, com natural indagação, ao que ele me respondeu, atencioso: - A pobrezinha encontra-se debaixo de verdadeira tempestade de fluidos malignos que lhe vão sendo desfechados por entidades menos esclarecidas, com as quais se sintonizou, inadvertidamente, pelos fios negros do ciúme. Enquanto se acha sob nossa influência direta, mormente nos trabalhos espirituais de ordem coletiva, em que age como válvula captadora das forças gerais dos assistentes, desfruta bom ânimo e alegria, porque o médium é sempre uma fonte que dá e recebe, quando em função entre os dois planos; terminada, contudo, a tarefa, Isaura volta às tristes condições a que se relegou. - Não há, porém, algum recurso para socorrê-la? - indaguei, curioso. - Sem dúvida - elucidou o orientador da pequena e simpática instituição -, e, porque não a abandonamos, ainda não sucumbiu. E' imprescindível, todavia, num processo de semelhante natureza, agir com cautela, sem humilhá-la e sem feri-la. Quando defendemos um broto tenro, do qual é justo aguardar preciosa colheita no porvir, é necessário combater os vermes invasores, sem atingi-lo. Crestar o grelo de hoje é perder a colheita de amanhã. Nossa irmã é valorosa cooperadora, revela qualidades apreciáveis e dignas, porém, não perdeu ainda a noção de exclusivismo sobre a vida do companheiro e, através dessa brecha que a induz a violentas vibrações de cólera, perde excelentes oportunidades de servir e elevar-se. Hoje, viveu um dos seus dias mais infelizes, entregando-se totalmente a esse gênero de flagelação interior. Reclama-nos concurso ativo, nesta noite, pois cada servo acordado para o bem, quando se projeta em determinada faixa de vibrações inferiores durante o dia, marca quase sempre uma entrevista pessoal, para a noite, com os seres e as forças que a povoam. Estampou na fisionomia significativa expressão e acrescentou: - Enquanto a criatura é vulgar e não se destaca por aspirações de ordem superior, as inteligências pervertidas não se preocupam com ela; no entanto, logo que demonstre propósitos de sublimação, apura-se-lhe o tom vibratório, passa a ser notada pelos característicos de elevação e é naturalmente perseguida por quem se refugia na inveja ou na rebelião silenciosa, visto não conformar-se com o progresso alheio. Convenci-me de que o caso assumiria grande importância para os meus estudos particulares e, compreendendo que Margarida já recebera grandes vantagens, pedi permissão ao nosso Instrutor, após o consentimento de Sidônio, para observar naquela noite o conflito inquietante entre a missionária e os que se lhe prendiam às telas escuras do sentimento. Gúbio concordou, sorridente. Aguardar-me-ia o regresso no dia seguinte. Nosso grupo retirou-se conduzindo a doente e o esposo infinitamente satisfeitos e coloquei-me, ao lado de Sidônio, em interessante conversação. - Por enquanto - explicou-me a certa altura da útil palestra -, este domicílio está sob a guarda dos nossos processos de vigilância. Entidades perturbadoras ou criminosas não dispõem de acesso até aqui, mas nossa amiga, transtornada pelo ciúme, vai, ela mesma, ao encalço de maus conselheiros. Esperemos que abandone o veículo de carne, sob a ação do sono, e verás, de perto. Decorridas apenas duas horas, vimos o senhor Silva que nos acenava de porta próxima, já desligado do corpo físico. Sidônio levantou-se e, convocando um de seus auxiliares, recomendou-lhe acompanhasse o dono da casa em proveitosa excursão de estudos. O irmão Silva, junto de nós, alegou, pesaroso: - Tanto desejava que Isaura viesse, mas não me atendeu aos apelos! - Deixa-a! - observou Sidônio, com "inflexão de energia na voz - naturalmente ainda hoje não se acha preparada para atender às lições. O interlocutor mostrou profunda tristeza no semblante calmo, porém não vacilou. Seguiu, sem delongas, o cooperador que lhe era apresentado. Mais alguns minutos e D. Isaura, fora do corpo de carne, surgiu-nos à vista, revelando o perispírito intensamente obscuro. Passou rente a nós sem prestar-nos a mínima atenção, mostrando-se encarcerada em absorvente idéia fixa. Sidônio endereçou-lhe algumas palavras amigas, que não foram absolutamente ouvidas. Tentou o amigo tocá-la com a destra luminosa, mas a médium precipitou-se em desabalada carreira, deixando-nos perceber que a nossa aproximação lhe constituía, aflitiva tortura.”

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Conhece-te a ti mesmo * Evangelização nº 14/05 do LIE.

A alma humana será sempre fonte de estudo e pesquisas tal são a sua complexidade. O oráculo do templo de Delfos, na Grécia, em palavras gravadas no mármore, diz as seguintes e sábias palavras: “CONHECE-TE A TI MESMO.” E esse estudo do perfil humano prossegue até com mais acuidade na outra dimensão da vida. Quando Jesus disse: “Vós sois deuses”, ele certamente via a luz celeste que emana do nosso íntimo, como sementes de uma flor que irá desabrochar. A analise que o Espírito André Luiz faz dos personagens Margarida e Isaura atua como quais potentes refletores ensolarando recônditos abismos na alma humana. Serve para acentuarmos a caminhada rumo ao conhecimento de si mesmo e, com isto, concretizarmos a auto-reforma, da qual todos precisamos. Leiamos com toda atenção o trecho em que André Luiz nos descreve os recursos ardilosos usados por espíritos malfeitores para obsedar ainda mais a desprevenida médium Isaura: “Abeiraram-se dela, amistosos e macios, sem se aperceberem da nossa presença. - Com que então, Dona Isaura - disse um dos embusteiros, apresentando na voz mentiroso acento de compaixão -, a senhora tem sofrido bastante em seus respeitáveis sentimentos de mulher... - Ah! meu amigo - clamou a interpelada visivelmente satisfeita por encontrar alguém que se lhe associasse às dores imaginárias e infantis então, o senhor também sabe? - Como não? - comentou o interlocutor, enfático - sou um dos Espíritos que a "protegem" e sei que seu esposo lhe tem sido desalmado verdugo. A fim de "ajudá-la", tenho seguido o infeliz, por toda parte, surpreendendo-lhe as traições aos compromissos domésticos. Isaura, em lágrimas, confiou-se ao fingido amigo. - Sim - gritou, molestada -, esta é que é a verdade! Sofro infinitamente ... Não existe neste mundo criatura mais desventurada que eu ... - Reconheço - acentuou o loquaz perseguidor -, reconheço a extensão de seus padecimentos morais, vejo-lhe o esforço e o sacrifício e não ignoro que seu marido eleva a voz nas preces, através das sessões habituais, para simplesmente acobertar as próprias culpas. Por vezes, em plena oração, entrega-se a pensamentos 'de lascívia, fixando senhoras que lhe freqüentam o lar. Envolvendo a médium imprevidente na melifluidade das frases, aduzia: - E' um absurdo! Dói-me vê-la algemada a um patife mascarado de apóstolo. - E' isto mesmo... - confirmava a pobre senhora, qual se fora andorinha delicada, portadora de importante mensagem, repentinamente presa num tabuleiro de mel -, estou rodeada de gente desonesta. Nunca sofri tanto! Indicando o quadro triste, Sidônio informou-me: - Antes de tudo, os agentes da desarmonia perturbam-lhe os sentimentos de mulher, para, em seguida, lhe aniquilarem as possibilidades de missionária. O ciúme e o egoísmo constituem portas fáceis de acesso à obsessão arrasadora do bem. Pelo exclusivismo afetivo, a médium, nesta conversação, já se ligou mentalmente aos ardilosos adversários de seus compromissos sublimes. Deixando transparecer imensa tristeza, acrescentou: - Repara. O inteligente obsessor abraçou a senhora, parcialmente desligada do corpo físico, e prosseguiu: - Dona Isaura, acredite que somos seus leais amigos. E os protetores verdadeiros são aqueles que, como nós, lhe conhecem os padecimentos ocultos. Não é justo que se submeta às arbitrariedades do marido infiel. Abstenha-se de receber-lhe o séquito de companheiros hipócritas, interessados em orações coletivas, que mais se assemelham a palhaçadas inúteis. E' um perigo entregar-se a práticas mediúnicas, qual vem fazendo em companhia de gente dessa espécie... Tome cuidado!... A médium invigilante arregalou os olhos, impressionada com a estranha inflexão impressa nas palavras ouvidas, e gritou: - Aconselhe-me, Espírito generoso e amigo, que tão bem me conhece o martírio silencioso! O interlocutor, na intenção de destruir a célula iluminativa que funcionava com imenso proveito no santuário doméstico da jovem senhora, assediada agora por seus argumentos adocicados e venenosos, observou com malícia: - A senhora não nasceu com a vocação do picadeiro. Não permita a transformação de sua casa em sala de espetáculo. Seu marido e suas relações sociais exageram-lhe as faculdades. Precisa ainda de longo tempo para desenvolver-se suficientemente. E envolvendo-a nos pesados véus da dúvida que anulam tantos trabalhadores bem intencionados, aduziu: - Já meditou bastante na mistificação inconsciente? Está convencia de que não engana os outros? E' indispensável acautelar-se. Se estudar a grave questão do Espiritismo, com inteligência e acerto, reconhecerá que as mensagens escritas por seu intermédio e as incorporações de entidades supostamente benfeitoras não passam de pálidas influências de Espíritos perturbados e de alta percentagem dos produtos de seu próprio cérebro e de sua sensibilidade agitada pelas exigências descabidas das pessoas que lhe freqüentam a casa. Não vê a plena consciência com que se entrega ao imaginado intercâmbio? Não creia em possibilidades que não possui. Trate de preservar a dignidade de sua casa, mesmo porque seu esposo não tem outro objetivo senão o de utilizar-lhe a credulidade excessiva, lançando-a a triste aventura do ridículo.

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Em busca da Luz * Evangelização nº 15/05 do LIE.

Nos capítulos 19 e 20 dessa extraordinária obra, André Luiz nos relata como e em que condições, diversos espíritos encarnados se encaminharam para Deus através de esforços pessoais, expiações compensatórias e renúncias. Mostrando-nos que se é difícil galgar estradas rumo a Luz que vem de cima, expressa claramente como são abundantes as graças Divinas quando essa Luz espiritual é alcançada. No trabalho da equipe formada através de Gúbio, Elói e André Luiz, dezenas de almas foram socorridas e encaminhadas. Espíritos como Saldanha e seu grupo, a serviço do mal, foram antagonistas de uma batalha perdida para eles, que se renderam à Luz de Jesus e renunciaram ao mal. Aliás o livro “Libertação”, inteiro, trata de espíritos que literalmente se libertaram do mal para sempre. Descreve também como os Espíritos podem ajudar-nos quando os queremos bem e desejamos elevar-nos. Para o fecho final das 250 páginas do livro, escolhemos um trecho muito elucidativo constante do capítulo 19 dessa obra, que narra o reencontro luminoso entre Matilde (espírito de Luz) com sua filha Margarida, que está encarnada e é casada com o Dr. Gabriel. Leiamos com toda a atenção os diálogos e confissões desse emocionado reencontro, quando o perispírito de Margarida é transportado até uma espécie de cenáculo no mundo espiritual, tal como nos descreve André Luiz: “- Mãe! Querida mãezinha! - Sim, minha filha, sou eu - disse a interlocutora, afagando-a com extremado afeto -; o amor jamais desaparece! A união das almas vence o tempo e a morte. - Porque me abandonaste? - inquiriu a esposa de Gabriel, colando-se-lhe ao coração, num transporte de inexprimível ventura. - Nunca te esqueci - elucidou a benfeitora, acolhendo-a com mais intensa ternura. - O país da "neblina carnal" multas vezes parece distanciar-nos uns dos outros; entretanto, sombra alguma conseguirá separar-nos. Nossas aspirações e esperanças se confundem, quais pontos de luz, nas trevas da separação, assim como as estrelas se assemelham a balizas brilhantes no nevoeiro noturno recordando-nos o infinito e a eternidade. Ao som caricioso daquelas palavras, a ex-obsidiada parecia acordar cada vez mais largamente em nosso plano. De olhos ansiosos, fixos na protetora, corno que magnetizada por incomensurável afeto, ponderou, entre lágrimas: - Mãezinha querida, estou cansada e infeliz! - Quando a boa luta apenas começa? - perguntou Matilde, sorrindo. - Sinto-me cercada de inimigos sem entranhas. Devo ser atormentada dia e noite. Noto invencível antagonismo entre meus sentimentos e a realidade humana. O próprio matrimônio, em que eu depositava os mais caros sonhos, não me foi senão escuro livro de desenganos cruéis. Trago meu coração extenuado e oprimido. Frustração e ruína espiritual seguem-me de perto... Por isto, sou um fardo pesado ao esposo dedicado e digno de melhor sorte... Soluços violentos impediram-na de continuar. A veneranda emissária enxugou-lhe o pranto e falou, bondosa: - Margarida, viver no corpo terrestre, entendendo os deveres divinos que nos cabem, não é tão fácil, ante a glória infinita que em companhia dele podemos recolher. Todos possuímos culposo pretérito a redimir. E' imperioso reconhecer, todavia, que, se a experiência humana pode ser doloroso curso de renunciação pessoal, é também abençoada escola em que o Espírito de boa vontade pode alcançar culminâncias. Para isto, no entanto, é indispensável se abra o coração ao clima interior da bondade e do entendimento. Somos diamantes brutos, revestidos pelo duro cascalho de nossas milenárias imperfeições, localizados pela magnanimidade do Senhor na ourivesaria da Terra. A dor, o obstáculo e o conflito são bem-aventuradas ferramentas de melhoria, funcionando em nosso favor. Que dizer da pedra preciosa que fugisse às mãos do lapidário, do barro que repelisse a influência do oleiro? Modifica as mais intimas disposições, com referência aos adversários. O inimigo nem sempre é uma consciência agindo deliberadamente no mal. Na maioria das vezes, atende à incompreensão quanto qualquer de nós; procede em determinada linha de pensamento, porque se acredita em roteiro infalível aos próprios olhos, nos lances do trabalho a que se empenhou nos círculos da vida; enfrenta, qual ocorre a nós mesmos, problemas de visão que só o tempo, aliado ao esforço pessoal na execução do bem, conseguirá decidir. O batráquio e a ave caracterizam-se por impulsos diferentes, não obstante filhos do mesmo mundo. E' necessário, Margarida, sabermos utilizar o inimigo, nele situando nossa lição benfeitora. A rigor, em vista da nossa posição de inferioridade, seremos adversários naturais da obra dos Anjos, na esfera menos elevada que atravessamos presentemente; todavia, as Potências Angélicas não nos punem a incapacidade temporária de compreensão ante os serviços divinos que lhes cabem na economia do Universo. Ao invés de condenar-nos, identificam-nos as deficiências compadecidamente e estendem-nos braços fraternos. Através de mil recursos invisíveis e indiretos, a fim de que aprendamos a escalar o monte da sublimação, em marcha para os cumes celestes. Verificando-se pequena pausa nas observações maternais, a jovem senhora obtemperou, enlevada: - Amada Mãezinha! Pudessem meus ouvidos guardar sempre a doce música de tuas palavras! Tristemente, antevejo o torvelinho das dificuldades terrenas a que devo retornar. Tudo agora é consolação e esperança; todavia, amanhã serei nova- mente prisioneira no cárcere físico e caminharei de memória anestesiada, em conflito incessante com os monstros que me assediam! - Este, filha - acrescentou Matilde, afetuosa -, é o imperativo da tarefa que te compete realizar. Entretanto, não percas os tesouros do tempo em considerações inúteis. Enche as tuas horas de trabalho salutar com a possível harmonia, fonte de toda a beleza. A inteligência que, de algum modo, já se evadiu das limitações da animalidade, encontra-se no corpo de carne, à maneira do lidador num estádio de provas benfeitoras. Lá dentro, na arena das possibilidades sublimes que a região do nevoeiro oferece, há quem se encaminhe para cima e há quem se dirija para baixo. Não fujas ao óbice valioso na corrida de aperfeiçoamento, nem sorvas o mentiroso elixir da ilusão, apaixonadamente usado por todos os que se deixaram vencer pelas tentações do desânimo, incapazes de aceitar o desafio que o mundo lhes endereça. A vida, para toda alma que triunfa no carreiro áspero, é serviço, movimento, ascensão. E à rajada de luta que te conduzirá ao píncaro luminoso, não te suponhas sozinha na jornada áspera. Outras, aos milhares, suam e sangram, em silêncio. Passam na cena do mundo, sem o afeto de um esposo e sem a bênção de um lar. Não conhecem, como tu, a dádiva de um corpo normal, nem podem guardar os mínimos sonhos que arregimentas no coração feminil. São homens esquecidos e mulheres desamparadas que passam despercebidos e humilhados, do berço ao túmulo. Respiram em regime de tortura moral e seguem, estrada afora, desprotegidos e dilacerados, aos olhos do mundo, abafando os próprios soluços que, se ouvidos, lhes acarretariam implacável punição. Entretanto, apesar do espesso véu de lágrimas que lhes dificulta a marcha, continuam caminhando impávidos, contando com um amanhã, cada vez mais impreciso e distante, que parece ocultar-se, indefinido, nos horizontes sem fim. Margarida, que assinalava enternecidamente a argumentação, rogou, súplice: - Mãezinha querida, ensina-me a continuar. Desejo honrar a bendita oportunidade que recebi! - Não procures ser atendida em todos os teus desejos - falou a benfeitora, suavemente -, mas procura servir, fraternalmente, a quantos te reclamem arrimo e braço forte. Ajuda, antes de procurares auxilio. Compreende, sem exigir compreensão imediata. Desculpa os outros, sem desculpar a ti mesma. Ampara, sem a intenção de ser amparada. Dá, sem o propósito de receber. Não persigas o respeito humano que te faça aparecer melhor que és, mas busca, em todo tempo e lugar, a bênção divina na aprovação da própria consciência. Não procures destacada posição, diante dos outros; antes de tudo, aperfeiçoa os teus sentimentos, cada vez mais, sem propaganda de tuas virtudes vacilantes e problemáticas. Age corretamente e esquece as frases vazias ou venenosas da maledicência contumaz. Em te socorrendo das diretrizes alheias, desconfia das palavras que te lisonjeiem a fantasiosa superioridade pessoal ou que te inclinem à dureza de coração. Diante da fartura ou da escassez, recorda o serviço que o Senhor te convocou a realizar e produz o bem em seu nome, onde estiveres.

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