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A
Palestra de Flácus - Leis para os dois planos da vida
*
Evangelização nº 01/05 LIE.
Reflexões
sobre a vida *
Evangelização nº 02/05 do LIE.
Reencontros
de almas *
Evangelização nº 03/05 do LIE.
Descida
ao inferno umbralino*
Evangelização nº 04/05 do LIE.
Julgamento
*
Evangelização nº 05/05 do LIE.
Durante
o sono *
Evangelização nº 06/05 do LIE.
Na
igreja *
Evangelização nº 07/05 do LIE.
Ação
e reação *
Evangelização nº 08/05 do LIE.
Buscando
auxílio *
Evangelização nº 09/05 do LIE.
Causa
e efeito *
Evangelização nº 10/05 do LIE.
Ligações
cármicas
* Evangelização nº 11/05 do LIE.
Nos
Trabalhos mediúnicos *
Evangelização nº 12/05 do LIE.
Ciúmes
*
Evangelização nº 13/05 do LIE.
Conhece-te
a ti mesmo *
Evangelização nº 14/05 do LIE.
Em
busca da Luz *
Evangelização nº 15/05 do LIE.
A
Palestra de Flácus - Leis para os dois planos da vida
*
Evangelização nº 01/05 do LIE.
Esse
livro, do começo ao fim, traz imortais conhecimentos
tanto sobre falsas idéias e ilusórios profetas,
como restabelece os valores imperecíveis do Espírito
tanto na Terra quanto no Céu. Explica que os comandantes,
chefes ou célebres políticos, mesmo em vidas sucessivas,
nunca se ausentaram do mundo, pois seus atos e pensamentos continuam
influindo para o bem ou para o mal, na vida e nos destinos dos
povos. Escolhemos esse capítulo 1 do Livro em estudo
porque nele André Luiz, com psicografia de Chico Xavier
nos ensina com profundidade e altura, as verdadeiras leis que
regem os dois planos da vida. Leiamos e reflitamos sobre o que
nos diz e revela o ministro Flácus:
“.. Até então, ouvira
comentários alusivos a colônias purgatoriais, perfeitamente
organizadas para o trabalho expiatório a que se destinam,
arrebanhando milhares de criaturas arraigadas no mal; entretanto
agora o Instrutor Gúbio, que se mantinha silencioso,
em nossa companhia, concedera-nos a permissão de acompanhá-lo
a enorme centro dessa espécie. Interessados na palavra
fluente e primorosa do orador, seguíamos o curso das
elucidações com justificável expectação
de aluno que não deseja perder um til do ensinamento,
observando que a serenidade e a atenção transpareciam
no rosto de todos os aprendizes, considerando-se que todos,
no recinto éramos candidatos ao serviço de socorro
aos irmãos ignorantes, atormentados nas sombras... Senhoreando-nos
o espírito, o Ministro prosseguia satisfeito: - Os superiores
que se disponham a trabalhar em benefício dos inferiores,
em ação persistente e substancial, não
lhes podem utilizar as armas, sob pena de se precipitarem no
baixo nível deles. A severidade pertencerá ao
que instrui, mas o amor é o companheiro daquele que serve.
Sabemos que a educação, na maioria das vezes parte
da periferia para o centro; contudo, a renovação,
traduzindo aperfeiçoamento real, movimenta-se em sentido
inverso. Ambos os impulsos, todavia, são alimentados
e controlados pelos poderes quase desconhecidos da mente. O
espírito humano lida com a força da mente tão
quanto maneja a eletricidade, com a diferença, porém,
de que se já aprende a gastar a Segunda, no transformismo
incessante da Terra, mal conhece a existência da primeira,
que nos preside a todos os atos da vida. A rigor portanto, não
temos círculos infernais de acordo com os figurinos da
antiga teologia, onde se mostram indefinidamente gênios
satânicos de todas as épocas e sim, esferas obscuras
em que se agregam consciências embotadas na ignorância,
cristalizadas no ócio deplorável ou confundidas
no eclipse temporário da razão. Desesperadas e
insubmissas, criam zonas de tormentos reparadores. Semelhantes
criaturas, no entanto, não se regeneram à força
de palavras. Necessitam de amparo eficiente que lhes modifique
o tom vibratório, elevando-lhes o modo de sentir e pensar.
Eminentes pensadores do mundo traçam diretrizes à
salvação das almas; mas somos de parecer que possuímos
suficientes números de roteiros nesse sentido em todos
os setores do conhecimento terrestre. Reclama-mos, na atualidade,
quem ajude o pensamento do homem na direção do
Alto. Empreender o tentame, incentivando-se tão somente
os valores culturais, seria consagrar a tecnocracia, que procura
a simples mecanização da vida, destruindo-lhe
as sementes gloriosas de improvisação, de infinito
e de eternidade. Grandes políticos e veneráveis
condutores nunca se ausentaram do mundo. Passam pela multidão,
sacudindo-a ou arregimentando-a. É forçoso reconhecer
que a organização humana, por si só, não
atende ás exigências do ser imperecível...
... Cristo não brilha apenas pelo ensinamento sublimado.
Resplandece na demonstração. Em companhia d'Ele,
é indispensável mantenhamos a coragem de amparar
e salvar, descendo aos recessos do abismo....”
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Reflexões
sobre a vida * Evangelização
nº 02/05 do LIE.
O
capítulo 1º dessa obra ocupa 12 páginas e
registra ensinamentos muito preciosos sobre a vida, o destino,
as obsessões, enfermidades, as leis que a cada dia, governam
os dois planos da existência do Espírito. É
uma obra de vitais ensinamentos para melhorar a nossa conduta
diária, prevenindo, esclarecendo e preparando nossa vida
no Além, após libertar-nos da escravidão
dos laços físicos. Além do mais o livro
“Libertação” ensinar-nos-á
a cuidar, tratar e prevenir as doenças que, a partir
da nossa alma, se alojam no nosso corpo orgânico, criando
enfermidades que podem ser de longa duração. Leiamos
pois, com muita atenção, nesse 1º capítulo
trechos da sábia palestra do ministro Flácus que
a todos encanta e ajuda:
“Encarcerados ainda na lei de retorno,
temos efetuado multisseculares recapitulações,
por milênios consecutivos. Expressando-nos coletivamente,
sabemos hoje que o espírito humano lida com a razão
há 40 mil anos. Todavia com o mesmo ímpeto com
que o homem de Neandertal aniquilava o companheiro a golpes
de sílex, o homem da atualidade extermina o próprio
irmão a tiros de fuzil. Os investigadores do raciocínio,
ligeiramente tisnados de princípios religiosos, identificam
tão somente, nessa anomalia sinistra, a renitência
da imperfeição e da fragilidade da carne, como
se a carne fosse permanente individuação diabólica,
esquecidos de que a matéria mais densa não é
senão o conjunto das vidas inferiores incontáveis,
em processo de aprimoramento, crescimento e libertação.
Nos campos da Crosta Planetária, queda-se a inteligência,
qual se fora anestesiada por perigosos narcóticos da
ilusão; no entanto, auxiliá-la-emos a sentir e
reconhecer que o espírito permanece vibrando em todos
os ângulos da existência. Cada espécie de
seres, do cristal até o homem, e do homem até
o anjo, abrange inumeráveis famílias de criaturas,
operando em determinada freqüência do Universo. E
o amor divino alcança-nos a todos, à maneira do
Sol que abraça os sábios e os vermes. Todavia,
quem avança demora-se em ligação com quem
se localiza na esfera próxima. O domínio vegetal
vale-se do império mineral para sustentar-se e evoluir.
Os animais aproveitam os vegetais na obra de aprimoramento.
Os homens se socorrem de uns e outros para crescerem mentalmente
e prosseguir adiante... atritam os reinos da vida, conhecidos
na Terra, entre si. Torturam-se e entredevoram-se, através
de rudes experiências, a fim de que os valores espirituais
se desenvolvam e resplandeçam, refletindo a divina luz.
Mas além do princípio humano, para lá das
fronteiras sensoriais que guardam ciosamente a alma encarnada,
amparando-a com limitada visão e benéfico esquecimento,
começa vasto império espiritual, vizinho dos homens.
Aí se agitam milhões de Espíritos imperfeitos
que partilham, com as criaturas terrenas, as condições
de habitabilidade da Crosta do Mundo. Seres humanos, situados
noutra faixa vibratória, apoiam-se na mente encarnada,
através de falanges incontáveis, tão semiconscientes
na responsabilidade e tão incompletas na virtude, quanto
os próprios homens. A matéria, congregando milhões
de vidas embrionárias, é também a condensação
da energia, atendendo aos imperativos do “eu” que
lhe preside à destinação. Do hidrogênio
às mais complexas unidades atômicas, é o
poder do espírito eterno a alavanca diretora de prótons,
nêutrons e elétrons, na estrada infinita da vida.”
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Reencontros
de almas *
Evangelização
nº 03/05 do LIE.
O terceiro capítulo deste livro abençoado mostra-nos
claramente que, pelos caminhos espinhosos das vidas sucessivas,
o destino das pessoas se vão entrelaçando em meio
aos grupos reencarnantes, através do nascimento, dos
parentescos, também das amizades duradouras, dos encontros
e reencontros. Cada um de nós nasce na família
que precisa ou merece, as dívidas de desamor e os laços
estreitos do amor, tudo é aproveitado pela lei das reencarnações.
A constatação é a de que nenhuma injustiça
é praticada, pois, todos são filhos de Deus por
igual. Pelo contrario, o que sempre nos socorre ao longo do
tempo é a lei da misericórdia, muitas vezes sem
sequer o sabermos. O trecho que vamos ler e sobre o qual devemos
refletir é o de uma mãe amorosa, um espírito
de alta elevação que pede e obtém licença
para reencarnar, a fim de montar um novo lar que reuna aqueles
que se extraviaram por erros e até um assassinato por
bens materiais e que terão que mutuamente se perdoar
para poderem se amar, reconstruindo assim o passado delituoso.
Vejamos esse pequeno trecho do Livro Libertação
no capítulo 3º: “E logo
após a prece, formosa e espontânea, pronunciada
pelo responsável mais altamente categorizado na instituição,
eis que a tribuna doméstica se ilumina. Esbranquiçada
nuvem de substância leitosa-brilhante adensa-se em derredor
e, pouco a pouco, desse bloco de neve translúcida, emerge
a figura viva e, respeitável de veneranda mulher. Indizível
serenidade caracteriza-lhe o olhar simpático e o porte
de madona antiga, repentinamente trazida à nossa frente.
Cumprimenta-nos com um gesto de bênção,
como que nos endereçando, a todos, os raios da luz esmeraldina
que em forma de auréola lhe exornam a cabeça.
As duas moças que formavam a comissão de serviços,
estranha à nossa, avançaram com lágrimas
discretas e rojaram-se, genuflexas. - Mãe querida - clamou
uma delas, com tal inflexão de voz que nos cortava as
fibras mais íntimas -, ajuda-me a falar-te! A saudade
longamente reprimida é um fogo que consome o coração.
Auxilia-me! não me deixes perder este doce e divino minuto!
Apesar dos soluços de emoção que lhe vibravam
no peito, continuou: - Abençoa-nos para a grande jornada!
... Há muito tempo aguardamos esta hora breve de reencontro
contigo... Perdoa-nos Mãezinha, se insistimos tanto na
rogativa... Contudo, sem tua proteção amorosa,
como vencer nos turbilhões do abismo? Desejando talvez
justificar-se, ante os olhos maternos, acrescentava em pranto:
- De conformidade com as tuas amadas recomendações,
além de nossas tarefas habituais na zona de serviço
em que a tua bondade nos situou, temos velado pelo Paizinho,
mergulhado nas sombras. todavia, há seis anos buscamo-lo
embalde... Escapa-nos à influência renovadora e
se compraz na companhia de entidades que, por onde passam, vampirizam
as criaturas. Não nos recebe a atuação
carinhosa, senão em forma de pensamentos vagos, de que
se desvencilha facilmente, e, se multiplicamos providências
salvacionistas, procede como louco... Gesticula a esmo, colérico
e irritado, grita blasfêmias e solicita o concurso de
seres viciados, a cujas radiações escuras se entrelaça,
:repelindo-nos as sugestões e a presença... Prefere
o contato de entidades ignorantes e infelizes, detestando-nos
a ternura... Neste ponto, crise mais intensa de emotividade
impediu-lhe continuar. A nobre senhora que descera da tribuna,
erguendo as filhas e acolhendo-as nos braços, exclamou
com acento consolador na voz sem lágrimas, não
obstante a visível melancolia: - Filhas amadas, o Sol
combate a treva todos os dias. Batalhemos contra o mal, incessantemente,
até a vitória. Não se suponham sozinhas
no conflito doloroso. Desculpemos Papai, infinitamente, e colaboremos
por restituí-lo à terra firme da luz. Se o Cristo
trabalha por nós, desde o princípio dos séculos,
sem que lhe possamos compreender a amplitude de sacrifícios,
que dizer das nossas obrigações de amparo e tolerância,
uns para com os outros? Cláudio se fez para sempre credor
da nossa estima e gratidão, apesar do pavoroso crime
oculto que no-lo arrebatou às profundezas... Envenenou
um parente para conseguir a riqueza material que nos ofereceu
educação e conforto na esfera carnal. Por extrema
dedicação a nós três, não
hesitou diante da tentação que o constrangeu a
infernal compromisso.”
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Descida
ao inferno umbralino *
Evangelização
nº 04/05 do LIE.
O
capítulo 4º deste extraordinário livro “Libertação”,
psicografia de Chico Xavier, o Espírito André
Luiz, sob o comando do encarregado da expedição,
o Espírito Gúbio, descreve-nos com fortes minúcias
essa viagem infernal a regiões umbralinas tão
fortes quanto foram as descrições do poeta italiano
Dante Alighieri, em livro publicado na Itália séculos
atrás. Sombras, nuvens densas, árvores horríveis,
charcos lamacentos, gemidos e uivos horríveis de cães
e lobos famintos, exclamações de dor e pedidos
de socorro, ar denso e pestilento, o que vamos ler é
apenas pálida descrição das regiões
verdadeiras do umbral logo acima da crosta terrestre. Tais zonas,
povoadas por espíritos que foram perversos, muito egoístas
e frios é o retrato que esperam todos aqueles que, na
vida física da Terra, espalharam males, danos e morte
aos seus semelhantes. O inferno que criaram aqui os aguarda
lá. O pior é que essa descrição
é pura verdade, ou seja, a realidade cruel que os aguarda
após a morte. Leiamos trecho da descrição
de André Luiz feita da expedição socorrista
desse grupo espiritual de luz num meio hostil e agressivo para
tais anjos: “Após a travessia
de várias regiões, “em descida”, com
escalas por diversos postos e instituições socorristas,
penetramos vasto domínio de sombras. A claridade solar
jazia diferenciada. Fumo cinzento cobria o céu em toda
a sua extensão. A volitação fácil
se fizera impossível. A vegetação exibia
aspecto sinistro e angustiado. As árvores não
se vestiam de folhagem farta e os galhos, quase secos, davam
a idéia de braços erguidos em súplicas
dolorosas. Aves agoureiras, de grande tamanho, de uma espécie
que poderá ser situada entre os corvídeos, crocitavam
em surdina, semelhando-se a pequenos monstros alados espiando
presas ocultas. O que mais contristava, porém, não
era o quando desolador, mais ou menos semelhante a outros de
meu conhecimento, e, sim, os apelos cortantes que provinham
dos charcos. Gemidos tipicamente humanos eram pronunciados em
todos os tons. Acredito, teríamos examinado individualmente
os sofredores que aí se localizavam, se nos entregássemos
a detida apreciação; todavia, Gúbio, à
maneira de outros instrutores, não se detinha para atender
a curiosidade improfícua. Lembrando a "selva escura"
a que Alighieri se reporta no imortal poema, eu trazia o coração
premido de interrogativas inquietantes. Aquelas árvores
estranhas, de frondes ressecadas, mas vivas, seriam almas convertidas
em silenciosas sentinelas de dor, qual a mulher de Lot, transformada
simbolicamente em estátua de sal? E aquelas grandes corujas
diferentes, cujos olhos brilhavam desagradavelmente nas sombras,
seriam homens desencarnados sob tremendo castigo da forma? Quem
chorava nos vales extensos de lama? Criaturas que houvessem
vivido na Terra que recordávamos, ou duendes desconhecidos
para nós? De quando em quando, grupos hostis de entidades
espirituais em desequilibro nos defrontavam, seguindo adiante,
indiferentes, incapazes de registrar-nos a presença.
Falavam em alta voz, em português degradado, mas inteligível,
evidenciando, pelas gargalhadas, deploráveis condições
de ignorância. Apresentavam-se em trajes bisonhos e conduziam
apetrechos de lutar e ferir. Avançamos mais profundamente,
mas o ambiente passou a sufocar-nos. Repousamos, de algum modo,
vencidos de fadiga singular, e Gúbio, depois de alguns
momentos, nos esclareceu: - Nossas organizações
perispiríticas, à maneira de escafandro estruturado
em material absorvente, por ato deliberado de nossa vontade,
não devem reagir contra as baixas vibrações
deste plano. Estamos na posição de homens que,
por amor, descessem a operar num imenso lago de lodo; para socorrer
eficientemente os que se adaptaram a ele, são 'compelidos
a cobrir-se com as substâncias do charco, sofrendo-lhes,
com paciência e coragem, a influenciação
deprimente. Atravessamos importantes limites vibratórios
e cabe-nos entregar a forma exterior ao meio que nos recebe,
a fim de sermos realmente úteis aos que nos pro- pomos
auxiliar. Finda a nossa transformação transitória,
seremos vistos por qualquer dos habitantes desta região
menos feliz. A oração, de agora em diante, deve
ser nosso único fio de comunicação com
o Alto, até que eu possa verificar, quando na Crosta,
qual o minuto mais adequado de nosso retorno aos dons luminescentes.
Não estamos em cavernas infernais, mas atingimos grande
império de inteligências perversas e atrasadas,
anexo aos círculos da Crosta, onde os homens terrestres
lhes sofrem permanente influenciação.”
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Julgamento
* Evangelização
nº 05/05 do LIE.
Reflitamos
sobre o capítulo 5 do livro Libertação,
que mostra a expedição em que Gúbio, André
Luiz e outros espíritas da equipe socorrista, após
pedir licença aos Espíritos Justiceiros daquelas
estranhas construções erguidas como se fossem
cinzentos e misteriosos edifícios ou grandes auditórios
da justiça terrena, reuniam mais de 10.000 espíritos
que, pela própria consciência, se condenavam quando
o magnetismo da consciência do perispírito vinha
à tona. Havia magistrados e espiritas selecionadores
mas, tais juizes não condenavam nem absolviam ninguém.
Aqueles que eram escolhidos para falarem de suas fraquezas,
embora pela boca se declarassem inocentes. O poder hipnótico
do Juiz, atuando nas consciências das pessoas culpadas,
obrigava-os a dizer a verdade sobre si mesmos, os quais acabavam
se condenando. Trata-se de um curioso processo em que o juiz
é a própria consciência. Leiamos pois um
trecho do que nos conta André Luiz em visita a esse lugar
sombrio, cheio de cinzas e paixões.: “À
frente de vasta tribuna vazia e sob as galerias laterais abarrotadas
de povo, compacta multidão se amontoava, irreverente.
Alguns minutos decorreram, desagradáveis e pesados, quando
absorvente vozerio se fez ouvido: Os magistrados! os magistrados!
Lugar! Lugar para os sacerdotes da justiça! Procurei
a paisagem exterior, curiosamente, tanto quanto me era possível,
e vi que funcionários rigorosamente trajados à
moda dos lictores da Roma antiga, carregando a simbólica
machadinha (fasces) ao ombro, avançavam, ladeados por
servidores que sobraçavam grandes tochas a lhes clarearem
o caminho. Penetraram o átrio em passos rítmicos
e, depois deles, sete andores, sustentados por dignitários
diversos daquela corte brutalizada, traziam os juizes, esquisitamente
ataviados. Que solenidade religiosa era aquela? As poltronas
suspensas eram, em tudo, idênticas à "sédia
gestatória" das cerimônias papalinas. Varando,
agora, o recinto, os lictores passaram o instrumento simbólico
às mãos e alinharam-se, corretos, perante a tribuna
espaçosa, sobre a qual resplandecia alarmante facho de
luz. Os julgadores, por sua vez, desceram, pomposos, dos tronos
içados e tomaram assento numa espécie de nicho
a salientar-se de cima, inspirando silêncio e temor, porque
a turba inconsciente, em redor, calou-se de súbito. Tambores
variados rufaram, como se estivéssemos numa parada militar
em grande estilo, e uma composição musical semi-selvagem
acompanhou-lhes o ritmo, torturando-nos a sensibilidade. Terminado
aquele ruído, um dos julgadores se levantou e dirigiu-se
à massa, aproximadamente nestes termos: - "Nem lágrimas,
nem lamentos. Nem sentença condenatória, nem absolvição
gratuita. Esta casa não pune, nem recompensa. A morte
é caminho para a justiça. Escusado qualquer recurso
à compaixão, entre criminosos. Não somos
distribuidores de sofrimento, e, sim, mordomos do Governo do
Mundo. Nossa função é a de selecionar delinqüentes,
a fim de que as penas lavradas pela vontade de cada um sejam
devidamente aplicadas em lugar e tempo justos. Quem abriu a
boca para vilipendiar e ferir, prepare-se a receber, de retorno,
as forças tremendas que desencadeou através da
palavra envenenada, Quem abrigou a calúnia, suportará
os gênios infelizes aos quais confiou os ouvidos. Quem
desviou a visão para o ódio e para a desordem,
descubra novas energias para contemplar os resultados do desequilibro
a que se consagrou, espontaneamente. Quem utilizou as mãos
em sementeiras de malícia, discórdia, inveja,
ciúme e perturbação deliberada, organize
resistência para a colheita de espinhos. Quem centralizou
os sentidos no abuso de faculdades sagradas espere, doravante,
necessidades enlouquecedoras, porque as paixões envilecentes,
mantidas pela alma no corpo físico, explodem aqui, dolorosas
e arrasadoras. A represa por longo tempo guarda micróbios
e monstros, segregados a distância do curso tranqüilo
das águas; todavia, chega um momento em que a tempestade
ou a decadência surpreendem a obra vigorosa de alvenaria
e as formas repelentes, libertadas, se espalham e crescem em
toda a extensão da corrente. Seguidores do vício
e do crime, tremei!! Condenados por vós mesmos, conservas
a mente prisioneira das mais baixas forças da vida, à
maneira do batráquio encarcerado no visco do pântano,
ao qual se habituou no transcurso dos séculos!"
Nesse ponto, o orador fez pausa e reparei os circunstantes.
Olhos esgazeados pelo pavor jaziam abertos em todas as máscaras
fisionômicas. O juiz, por sua vez, não parecia
respeitar o menor resquício de misericórdia. Mostrava-se
interessado em criar ambiente negativo a qualquer espécie
de soerguimento moral, estabelecendo nos ouvintes angustioso
temor.
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Durante
o sono * Evangelização
nº 06/05 do LIE.
Importa
registrar aqui sobre este capítulo, o que narra André
Luiz, após ouvir o Instrutor Gúbio, o que acontece
com grande parte da população humana enquanto
as pessoas dormem a sono solto. Mais do que supomos, extensas
zonas de intercâmbio ocorrem entre encarnados dormindo
e desencarnados apegados à crosta terrestre. Muitas informações
sobre o cotidiano da vida na Terra são trocadas nessas
horas cinzentas e, que quase sempre, ao acordarmos não
lembramos o que aconteceu durante tais sonos profundos e, seguidamente,
olvidamos onde estivemos, com quem falamos e o que intercambiamos.
Em algumas ocasiões, já em vigília, lembramos
estranhas idéias desses contatos imperceptíveis.
Reflitamos sobre o que narra André Luiz sobre estes inconscientes
contatos noturnos: “Dirigi-me a
Gúbio, buscando-lhe oportuno esclarecimento. - Não
mediste, ainda - respondeu, prestimoso -, a extensão
do intercâmbio entre encarnados e desencarnados. A determinadas
horas da noite, três quartas partes da população
de cada um dos hemisférios da Crosta Terrestre se acham
nas zonas de contato conosco e a maior percentagem desses semi-libertos
do corpo, pela influência natural do sono, permanecem
detidos nos círculos de baixa vibração
qual este em que nos movimentamos provisoriamente. Por aqui,
multas vezes se forjam dolorosos dramas que se desenrolam nos
campos da carne. Grandes crimes têm nestes sítios
as respectivas nascentes e, não fosse o trabalho ativo
e constante dos Espíritos protetores que se desvelam
pelos homens no labor sacrificial da caridade oculta e da educação
perseverante, sob a égide do Cristo, acontecimentos mais
trágicos estarreceriam as criaturas. De alma voltada
para as noções da vida imensa que o ambiente sugeria,
relembrei o curso incessante das civilizações.
Pensamentos mais altos clarearam-me os raciocínios. A
Bondade do Senhor não violenta o coração.
O Reino Divino nascerá dentro dele e, à maneira
da semente de mostarda que se liberta dos envoltórios
inferiores, medrará e crescerá gradativamente,
sob os impulsos construtivos do próprio homem. Que temerária
concepção a de um paraíso fácil!
Gúbio percebeu-me a posição mental e falou
em socorro de minhas pobres reflexões intimas: - Sim,
André, a coroa da sabedoria e do amor é conquistada
por evolução, por esforço, por associação
da criatura aos propósitos do Criador. A marcha da Civilização
é lenta e dolorosa. Formidandos atritos se fazem indispensáveis
para que o espírito consiga desenvolver a luz que lhe
é própria. O homem encarnado vive simultaneamente
em três Planos diversos. Assim como ocorre à árvore
que se radica no solo, guarda ele raízes transitórias
na Vida física; estende os galhos dos sentimentos e desejos
nos círculos de matéria mais leve, quanto o vegetal
se alonga no ar; e é sustentado pelos princípios
sutis da mente, tanto quanto a árvore é garantida
pela própria seiva. Na árvore, temos raiz, copa
e seiva por três processos diferentes de manutenção
para a mesma vida e, no homem, vemos corpo denso de carne, organização
perispiritica em tipo de matéria mais rarefeita e mente,
representando três expressões distintas de base
vital, com vistas aos mesmos fins. Segundo observamos, o homem
exige para sustentar-se, no quadro evolucionário, segurança
relativa no campo biológico, alimento das emoções
que lhe são próprias nas esferas de vida psíquica
que se afinam com ele e base mental no mundo intimo. A vida
é patrimônio de todos, mas a direção
pertence a cada um. A inteligência caída precipita-se,
despenhadeiro abaixo, encontrando sempre, nos círculos
inferiores que elege por moradia, milhões de vidas inferiores,
junto às quais é aproveitada pela Sabedoria Celestial
para maior glorificação da obra divina. Na economia
do Senhor, coisa alguma se perde e todos os recursos são
utilizados na química do Infinito Bem. Aqui mesmo, nesta
cidade, tínhamos, a principio, autêntico império
de vidas primitivas que, pouco a pouco, se fez ocupado por extensas
coletividades de almas vaidosas e cruéis. Entrincheiraram-se
nestes sítios, guardando o louco propósito de
hostilizar a Bondade Excelsa, e exercem funções
úteis junto a enorme agrupamento de criaturas, ainda
sub-humanas, não obstante atenderem a serviço
que para nós outros seria presentemente insuportável.
Usam a violência em largas doses, todavia, no curso dos
anos, a influenciação intelectual delas trará
grandes benefícios aos oprimidos de agora e estejamos
convictos que apesar de blasonarem inteligência e poder,
permanecerão nos postos que ocupam apenas enquanto perdurar
o consentimento da Divina Direção, atento ao princípio
que determina tenha cada assembléia o governo que merece.”
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Na
igreja * Evangelização
nº 07/05 do LIE.
Qual
é e como é o ambiente espiritual dentro de uma
igreja? Aparentemente é calmo, a maioria está
rezando, imagina-se que estarão ali muitos espíritos
de luz cercando e abençoando os que rezam. Antes que
assim fosse. Vamos ver nesse capítulo do Livro de André
Luiz que, mesmo dentro dos templos suntuosos defrontam-se legiões
de espíritos do mal e mesmo obsessivos, sendo pequeno
o número de espíritos benfeitores, iluminados
e interessados em servir ao Bem. Acontece que, em cada templo,
humilde ou luxuoso, há pessoas físicas de todos
os níveis morais e espirituais e cada pessoa leva junto
aquilo que traz consigo. Principalmente naqueles templos nos
quais se prega muito a preponderância do dinheiro, o ambiente
se faz escuro com fortes vibrações negativas.
Vejamos o que mostra o capítulo 9, página 117,
onde se lê: “Penetramos o
templo onde se comprimiam nada menos de sete a oito centenas
de pessoas. A algazarra dos desencarnados ignorantes e perturbadores
era de ensurdecer. A atmosfera pesava. A respiração
fizera-se me difícil pela condensação dos
fluidos semicarnais ali reinantes; todavia ao fixar os altares,
confortante surpresa aliviou-me o coração. Dos
adornos e objetos do culto emanava doce luz que se espraiava
pelos cimos da nave visitada de sol; fazia-se perceptível
a nítida linha divisória entre as energias da
parte inferior do recinto e as do plano superior. Dividiam-se
os fluidos, à maneira de água cristalina e azeite
impuro, num grande recipiente. Contemplando a formosa claridade
dos nichos, perguntei ao nosso Instrutor: - Que vemos ? não
reza o segundo mandamento, trazido por Moisés, que o
homem não deve fazer imagens de escultura para representar
a Paternidade Celeste? - Sim - concordou o orientador -, e determina
o Testamento que ninguém se deve curvar diante delas.
Efetivamente, pois, André, é um erro criar ídolos
de barro ou de pedra para simbolizar a grandeza do Senhor, quando
nossa obrigação primordial é a de render-lhe
culto na própria consciência; entretanto, a Bondade
Divina é infinita e aqui nos achamos perante apreciável
quantidade de mentes infantis. E sorrindo, acrescentou: - Quantas
vezes, meu amigo, a criança acalenta bibelôs, a
fim de preparar-se convenientemente para as responsabilidades
da vida madura? Ainda existem na Terra tribos primitivas que
adoram o Pai na voz do trovão e coletividades vizinhas
da taba que fazem de vários animais objeto de idolatria.
Nem por isso o Senhor as abandona. Vale-se dos impulsos elevados
que elas lhe oferecem e socorre-lhes as necessidades educativas.
Nesta casa de oração, os altares recebem as projeções
de matéria mental sublimada dos crentes. Há quase
um século, as preces fervorosas de milhares deles aqui
envolvem os nichos e apetrechos do culto. E' natural que resplandeçam.
Através de semelhante material, os mensageiros celestes
distribuem dádivas espirituais com todos quantos sintonizem
com o plano superior. A luz que oferecemos ao Céu serve
sempre de base às manifestações do Céu
para a Terra. Ante ligeira pausa, alonguei o olhar pela multidão
bem vestida. Quase todas as pessoas, ainda aquelas que ostentavam
nas mãos delicados objetos de culto, revelavam-se mentalmente
muito distantes da verdadeira adoração à
Divindade. O halo vital de que se cercavam definia pelas cores
o baixo padrão vibratório a que se acolhiam. Em
grande parte, dominavam o pardo-escuro e o cinzento-carregado.
Em algumas, os raios rubro-negros denunciavam cólera
vingativa que, a nossos olhos, não conseguiriam disfarçar.
Entidades desencarnadas, em deplorável situação,
espalhavam-se em todos os recantos, nas mesmas características.
Reconheci que os crentes elegantes, ainda mesmo que desejassem
orar com sinceridade, precisariam despender imenso esforço.
A liturgia anunciou o início da cerimônia, mas,
com grande assombro para mim, o sacerdote e os acólitos,
não obstante se dirigirem para o campo de luz do altar-mor,
enxergando soberba vestimenta, jaziam em sombras, sucedendo
o mesmo aos assistentes. Entretanto, procedendo de mais alto,
três entidades de sublime posição hierárquica
se fizeram visíveis à santa mesa, com o evidente
propósito de ali semearem os benefícios divinos.
Magnetizaram as águas expostas, saturando-as de princípios
salutares e vitalizantes, como acontece nas sessões de
Espiritismo Cristão, e, em seguida, passaram a fluidificar
as hóstias, transmitindo-lhes energias sagradas à
fina contextura. Admirado, voltei a observar a platéia
religiosa, mas os irmãos ignorantes que operavam no templo,
sem corpo físico, tanto quanto ocorria aos encarnados,
nem de longe registravam a presença dos nobres emissários
espirituais que agiam em nome do Infinito Bem.
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Ação
e reação *
Evangelização
nº 08/05 do LIE.
Esse
estudo mostra-nos de forma ilustrada, como funciona a mecânica
das reencarnações. Embora seja ela fruto expressivo
da Misericórdia Divina, é de uma exatidão
matemática, quase cruel. Quem semeia o Bem ou o Mal,
vai colher o que plantou, mais cedo ou mais tarde. Neste extraordinário
Livro, isto é mostrado em abundantes exemplos. Em torno
da rica e obsedada Margarida e de seu pai, um juiz arrogante,
movimentam-se vários personagens encarnados e desencarnados,
formando uma interligada teia de espíritos devedores
ou credores uns com os outros. Saldanha, Gabriel, Jorge, todos
interligados por provas kármicas à infeliz Margarida,
são como que atores de uma peça teatral dolorosa.
Cada um pagando o que devia na contabilidade Divina, com exatidão
implacável. Mostrando que somos nós mesmos os
autores de nosso destino na vida física. Leiamos com
atenção o que está registrado no capítulo
10, página 125: “A sós
com o temível obsessor, Gúbio procurou sondar-lhe
o intimo, discretamente. - Sem dúvida que a sua fidelidade
aos compromissos assumidos - declarou o nosso orientador, atencioso
- é bastante significativa. E enquanto Saldanha sorria,
envaidecidamente, continuou, de olhar penetrante e doce. - Que
razões teriam conduzido Gregório a conferir-lhe
tão delicada missão? - O ódio, meu amigo,
o ódio! - explicou o interpelado decidido. - À
senhora? - aduziu Gúbio, indicando a doente. - Não
propriamente a ela, mas ao pai, juiz sem alma que me devastou
o lar. Faz onze anos, precisamente, que a sentença cruel
de um magistrado caiu sobre os meus descendentes, exterminando-os...
E, diante da expressão de real interesse que o nosso
Instrutor deixava perceber, o infeliz continuou: - Tão
logo abandonei o corpo físico, premido por uma tuberculose
galopante, revoltado com a pobreza que me lançara à
extrema penúria, não pude afastar-me do ambiente
doméstico. Minha infortunada Iracema herdou-me um filho
querido, a quem não pude legar qualquer recurso apreciável.
Jorge e sua genitora passaram, desse modo, a enfrentar dificuldades
e aflições que não posso relembrar sem
imensa angústia. Operário em rude serviço
braçal, meu filho não conseguia sustentar dignamente
a casa, definhando-se-lhe a mãezinha em padecimentos
continuados e sofridos em silêncio. Ainda assim, Jorge
contraiu núpcias, muito cedo, com uma colega de trabalho,
que, a seu turno, lhe deu uma filhinha atormentada e sofredora.
A vida corria desesperadamente para o lar subalimentado e desprotegido,
quando certo crime, constituído de roubo e assassínio,
sobreveio na organização em que meu desventurado
rapaz trabalhava, e toda a culpa, em face de circunstâncias
inextricáveis, recaiu sobre ele. Acompanhei-lhe a prisão
imerecida e, sem qualquer recurso para ampará-lo, segui
os interrogatórios infernais a que foi submetido, como
se fora homicida vulgar. Ora, eu que me anexara aos parentes,
desde o instante horrível, para mim, da transição
corporal, jamais me senti disposto à submissão.
A experiência humana não me proporcionou tempo
a estudos religiosos ou filosóficos. Habituei-me muito
cedo à rebelião contra aqueles que gozam os benefícios
do mundo em detrimento dos desfavorecidos da sorte e, reconhecendo
que o túmulo não me revelara qualquer milagroso
domínio, preferi a continuidade da vida em meu escuro
pardieiro, onde a convivência de Iracema, através
de profundos laços magnéticos, de algum modo me
reconfortava... Assisti, por isto, com indescritível
terror, aos detestáveis acontecimentos. Humilhado, na
minha condição de homem invisível para
os encarnados, visitei chefias e repartições,
autoridades e guardas, tentando encontrar alguém que
me auxiliasse a salvar Jorge, inocente. Identifiquei o verdadeiro
criminoso que, ainda agora, desfruta posição social
invejável e tudo fiz, sem resultado, por clarear o processo
oprobrioso. Meu filho sofreu todo o gênero de atrocidades
morais e físicas, castigado por um delito que não
cometeu. Desanimado, por minha vez, de algo recolher de útil,
junto aos carrascos policiais que chegaram a improvisar fantásticas
confissões da vitima, procurei o juiz da causa, na esperança
de interferir beneficamente. O magistrado, porém, longe
de aceitar-me a inspiração, que o convidava à
justiça e à piedade, preferiu ouvir pareceres
de amigos influentes na política dominante, que vivamente
se interessavam pela indébita condenação,
na ânsia de exculpar o verdadeiro criminoso. Saldanha
fez pequeno intervalo, acentuando a expressão de profundo
rancor, e prosseguiu: - Descrever-lhe o que foi minha dor é
alguma coisa de impraticável à capacidade verbal.
Jorge recebeu dolorosa pena, quando seu corpo vacilava sob maus
tratos, e Irene, minha nora, conturbada pela necessidade e pelo
infortúnio, esqueceu as obrigações de mãe,
suicidando-se para imantar-se ao espírito de meu pobre
filho, já de si mesmo tão infeliz. Torturada pelos
sucessos aflitivos, minha esposa desencarnou num catre de indigência,
reunindo-se, por sua vez, ao angustiado casal. Minha neta, hoje
menina e moça, mas ameaçada por incerto porvir,
atende a serviço doméstico, aqui mesmo nesta casa,
onde tresloucado irmão de Margarida procura arrastá-la
sutilmente a grave desvio moral. O juiz; que aqui preside à
assembléia familiar, recebendo-me em sonho as promessas
de vingança, buscou colocá-la junto aos próprios
parentes, empenhado em reparar de algum modo o seu crime; no
entanto, apesar disso, meu esforço não se fará
menos enérgico. Surpreendido, notei que o nosso orientador
não ensaiava qualquer doutrinação. Pousando
olhos cheios de simpatia no interlocutor, murmurou apenas: -
Realmente a sementeira de dor é das que mais nos afligem...
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Buscando
auxílio * Evangelização
nº 09/05 do LIE.
O
espírito humano é feito de mil expressões
e muitas influências internas e externas. O capítulo
11 desse livro mostra o perigo que rondam as pessoas que buscam
apoio em médiuns particulares ou professores de ciências
psíquicas ou ocultas, bem como as forças espirituais
colossais que rondam os médiuns que atendem nos ambientes
de cura. Na leitura dos vários capítulos dessa
obra iremos entender, não sem espanto, a ação
obsessiva ou regeneradora que rodeiam tais médiuns, dependendo
do resultado das forças do bem ou do mal que norteiam
esse ou aquele trabalhador da seara de cura ou amenizações
nos pacientes atendidos. Médiuns de cura tem conexão
com milhões de espíritos em evolução,
de todos os níveis. Para compreendermos melhor vamos
prestar atenção na leitura narrativa desse capítulo
no trecho em que lemos o seguinte: “Assumindo
ares de pessoa superinteligente, comunicou ao nosso Instrutor
que resolvera solicitar a neutralidade dos servos espirituais
do professor operante. Com fina sagacidade asseverou que era
necessário evitar a piedade do médium e confundir-lhe
as observações, através de todos os recursos
possíveis. Em seguida à elucidação
que me surpreendeu, rogou a presença de um dos colaboradores
mais influentes e apareceu diante de nós a esquisita
figura de um anão de semblante enigmático e expressivo.
Expedito, Saldanha pediu-lhe cooperação sem rebuços,
esclarecendo que o operador da casa não deveria penetrar
o problema de Margarida, na intimidade. Prometia-lhe, em troca
do favor, não só a ele, mas também a outros
auxiliares no assunto excelente remuneração em
colônia não distante. E descreveu-lhe, com largas
promessas, quanto lhe poderia proporcionar em regalo e prazeres
no cortiço de entidades perturbadas e ignorantes, onde
conhecêramos Gregório. O serviçal manifestou
indisfarçado contentamento e assegurou que o médium
não perceberia patavina. Com justificada curiosidade,
acompanhei o desenrolar dos acontecimentos. Logo à entrada
do gabinete, percebi que a oficina não inspirava segura
confiança. O professor pôs-se imediatamente a combinar
o preço do trabalho de que se encarregaria, exigindo
adiantadamente de Gabriel significativo pagamento. O intercâmbio
ali, entre as duas esferas, se resumia a negócio tão
comum quanto outro qualquer. Sem detença, reconheci que
o médium, se podia controlar, de algum modo, os Espíritos
que se alimentavam de seu esforço, era também
facilmente controlado por eles. O recinto jazia repleto de entidades
em fase primária de evolução. Saldanha,
excessivamente atarefado, anunciou-nos que presidiria, de perto,
aos trâmites da ação mediúnica, notificando-nos,
prazeroso, que lhe fora hipotecada plena ajuda das entidades
ali dominantes. Em razão disso, podíamos analisar
os fatos, em companhia de Gúbio, recolhendo preciosa
lição. Depois de visivelmente satisfeito no acordo
financeiro estabelecido, colocou-se o vidente em profunda concentração
e notei o fluxo de energias a emanarem dele, através
de todos os poros, mas muito particularmente da boca, das narinas,
dos ouvidos e do peito. Aquela força, semelhante a vapor
fino e sutil, como que povoava o ambiente acanhado e reparei
que as individualidades de ordem primária ou retardadas,
que coadjuvavam o médium em suas incursões em
nosso plano, sorviam-na a longos haustos, sustentando-se dela,
quanto se nutre o homem comum de proteína, carboidratos
e vitaminas. Examinando a paisagem, Gúbio esclareceu-nos
em voz imperceptível aos demais: - Esta força
não é patrimônio de privilegiados. E' propriedade
vulgar de todas as criaturas, mas entendem-na e utilizam-na
somente aqueles que a exercitam através de acuradas meditações.
E' o "spiritus subtilissimus" de Newton, o "fluido
magnético" de Mesmer e a "emanação
ódica" de Reichenbach. No fundo, é a energia
plástica da mente que a acumula em si mesma, tomando-a
ao fluido universal em que todas as correntes da vida se banham
e se refazem, nos mais diversos reinos da natureza, dentro do
Universo. Cada ser vivo é um transformador dessa força,
segundo o potencial receptivo e irradiante que lhe diz respeito.
Nasce o homem e renasce, centenas de vezes, para aprender a
usá-la, desenvolvê-la, enriquecê-la, sublimá-la,
engrandecê-la e divinizá-la. Entretanto, na maioria
das vezes, a criatura foge à luta que interpreta por
sofrimento e aflição, quando é inestimável
recurso de auto-aprimoramento, adiando a própria santificação,
caminho único de nossa aproximação do Criador.
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Causa
e efeito *
Evangelização
nº 10/05 do LIE.
O
estudo do capitulo 13 dessa magnífica obra nos leva a
considerar o livro como uma das mais preciosas obras da literatura
espiritual desde o início dos tempos humanos. O relato
do enredo histórico do Juiz de Direito que condenou Jorge,
e a rede de vidas que se movimentam em torno de uma sentença
jurídica. Quando espíritos de luz se defrontam
com obsessores no palácio em que reside este Juiz que
é pai de Margarida vêm à tona fatos e conseqüências
nas vidas sucessivas dos diversos personagens .E na leitura
lucificada pelo entendimento vamos compreender os meandros da
lei da causa e efeito nas existências individuais, por
via das reencarnações. Entremos pois na leitura
do capitulo 13 da obra psicografada por Chico Xavier: página
166:
“Logo após, em companhia
de nosso devotado orientador, passamos ao apartamento privado
do juiz. O magistrado se mantinha de corpo repousado sobre o
colchão macio, mostrando, contudo, a mente inquieta,
flagelada. Permitiu Gúbio que eu lhe tocasse a fronte,
auscultando-lhe os pensamentos mais profundos. Naquela hora
avançada da noite, o encanecido cavalheiro meditava:
“Onde estariam centralizados os supremos interesses da
vida? Onde estava a ambicionada paz espiritual que não
conquistara em mais de meio século de experiência
ativa na Terra? Porque arquivava no coração os
mesmos sonhos e necessidades do homem de quinze anos, quando
ultrapassara já os sessenta? Crescera, estudara, casara-se.
Todas as lutas, no fundo, não lhe haviam modificado a
personalidade. Conquistara os títulos que assinalam no
mundo os sacerdotes do direito e, por centenas de vezes, envergara
a toga para julgar processos difíceis. Proferira sentenças
inúmeras e tivera nas mãos, sob o próprio
desígnio, a destinação de muitos lares
e de coletividades inteiras. Recebera homenagens de pobres e
de ricos, grandes e pequenos, no transcurso da viagem pelo encapelado
mar da experiência terrestre em face da posição
que desfrutava no ataviado barco do tribunal. Respondera a milhares
de consultas em casos de harmonia social, mas na vida íntima,
singular deserto lhe povoava a alma toda. Sentia sede de fraternidade
com os homens; todavia, a posse do ouro e a eminência
na atividade pública impunham-lhe grandes obstáculos
para ler a verdade na máscara dos semelhantes. Experimentava
intraduzível fome de Deus. No entanto, os dogmas das
religiões sectárias e as discórdias entre
elas, afastavam-lhe o espírito de qualquer acordo com
a fé atuante no mundo. Por outro lado, a ciência
comum, negativista e impenitente, ressecara-lhe o coração.
Toda a existência se resumiria a simples fenômenos
mecânicos dentro da natureza? Adotada essa hipótese,
toda a vida humana seria tão importante como a bolha
d'água a desfazer-se ao vento. Sentia-se dilacerado,
oprimido, exausto. Ele que esclarecera a muitos, quanto às
mais elevadas normas de conduta pessoal, como elucidaria, agora,
a si mesmo? Defrontado pelos primeiros sintomas da velhice do
corpo de carne, reagia, magoado, contra a extinção
gradual das energias orgânicas. Porque as rugas do rosto,
o alvejar dos cabelos, o enfraquecimento da visão e o
empobrecimento do celeiro vital, se a mocidade lhe vibrava na
mente ansiosa por renovação? Seria a morte simplesmente
a noite sem alvorada? que misterioso poder dispunha, assim,
da vida humana, conduzindo-a a objetivos inesperados e ocultos?"
Retirei a destra, percebendo que o respeitável funcionário
tinha os olhos úmidos. Aproximou-se Gúbio e colocou-lhe
as mãos sobre a fronte, comunicando-nos que prepará-lo-ia
para a conversação próxima, dirigindo-lhe
a intuição para as reminiscências do processo
em que Jorge fora implicado. Dai a instantes, notei que os olhos
do juiz exibiam modificada expressão. Dir-se-ia contemplarem
cenas distanciadas, com indizível tortura. Mostravam-se
angustiados, doridos... O Instrutor recomendou-me tornar à
auscultação psíquica e voltei a pousar
a mão direita sobre o cérebro dele.
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Ligações
cármicas * Evangelização
nº 11/05 do LIE.
No
capitulo 14 desta obra o quadro das ligações cármicas
e familiares de mais de 30 personagens, se amplia e aprofunda
no enredo dessas ligações. Para aquele que lê
com atenção este livro há um condensado
ensinamento sobre a lei de causa e efeito no destino de cada
pessoa. Em torno de um maior acontecimento central com muitos
implicados ou ligados por fatos paralelos. Desenha-se um vasto
painel ligando encarnados e desencarnados lutando ativamente
para atingir seus objetivos de amor, paixão, ódio,
crueldade, etc.. Para dar aos nossos ouvintes idéias
sobre tais elos, estamos apresentando um quadro no qual delineamos
as ligações entre 30 personagens como se fosse
uma peça de teatro. Leiamos a seguir: “Gúbio
pousou significativo olhar em Saldanha e pediu-lhe em tom discreto
- Meu amigo, chegou a minha vez de rogar. Releva-me a identificação,
talvez tardia aos teus olhos, com relação aos
objetivos que nos prendem aqui. E, denunciando imensa comoção
na voz, esclareceu: - Saldanha, esta senhora doente é
filha de meu coração desde outras eras. Sinto
por ela o enternecimento com que cuidaste, até agora,
do teu Jorge, defendendo-o com as forças de que dispões.
Eu sei que a luta te impôs acerbos espinhos ao coração,
mas também guardo sentimentos de pai. Não te merecerei,
porventura, simpatia e ajuda? Somos Irmãos no devotamento
aos filhos, companheiros da mesma luta. Observei, então,
cena comovedora que, minutos antes, se me figuraria inacreditável.
O perseguidor da enferma contemplou a nosso Instrutor com o
olhar dum filho arrependido. Grossas lágrimas brotaram-lhe
dos olhos antes frios e impassíveis. Parecia inabilitado
a responder, diante da emotividade que lhe dominava a garganta;
todavia, Gúbio, enlaçando-lhe fraternalmente o
busto, acrescentou: - Passamos horas sublimes de trabalho, entendimento
e perdão. Não desejarás desculpar os que
te feriram, libertando, enfim, quem me é tão querida
ao espírito? Chega sempre um instante no mundo em que
nos entediamos dos próprios erros. Nossa alma se banha
na fonte lustral do pranto renovador e esquecemos todo o mal
a fim de valorizar todo o bem. Noutro tempo, persegui e humilhei,
por minha vez. Não acreditava em boas obras que não
nascessem de minhas mãos. Supunha-me dominador e invencível,
quando não passava de infeliz e insensato. Considerava
inimigos quantos me não compreendessem os caprichos perigosos
e me não louvassem a insânia. Experimentava diabólico
prazer, quando o adversário esmolasse piedade ao meu
orgulho, e gostava de praticar a generosidade humilhante daquele
que determina sem concorrentes. Mas a vida, que faz caminhos
na própria pedra, usando a gota d'água, retalhou-me
o coração com o estilete dos minutos, transformando-me
devagar, e o déspota morreu dentro de mim. O titulo de
irmão é, hoje, o único de que efetivamente
me orgulho. Dize-me, Saldanha amigo, se o ódio está
igualmente morto em teu espírito; fala-me se devo contar
com o abençoado concurso de tuas mãos! Eu e Elói
tínhamos lágrimas ardentes, diante daquela doutrinação
emocionante e inesperada. Saldanha enxugou os olhos, fixou-os,
humilde, no interlocutor bondoso e asseverou, comovendo-nos:
- Ninguém me falou ainda como tu... Tuas palavras são
consagradas por uma força divina que eu não conheço,
porque chegam aos meus ouvidos, quando já me encontro
confundido pelos teus atos convincentes. Faz de mim o que desejares.
Adotaste, nesta noite, por filhos de teu coração
todos os parentes em cuja memória ainda vivo. Amparaste-me
o filho demente, ajudaste-me a esposa alucinada, protegeste-me
a nora infeliz, socorreste-me a neta indefesa e repreendeste
os que me perturbavam sem motivo justo... Como não enlaçar,
agora, as minhas mãos com as tuas na salvação
da pobre mulher que ama por filha? Ainda que ela própria
me houvesse apunhalado mil vezes, teu pedido, após o
bem que me fizeste, redimi-la-ia ao meu olhar... E, detendo
a custo o pranto que lhe manava espontâneo, o ex-perseguidor
acentuou, com expressão respeitosa: - Poderoso Espírito
e bom amigo, que me procuraste na condição do
servo apagado para acordar-me as forças enrijecidas no
gelo da vingança, estou pronto a servir-te! Sou teu de
ora em diante! – Seremos de Jesus para sempre! –
corrigiu Gúbio, sem afetação.
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Nos
trabalhos mediúnicos *
Evangelização
nº 12/05 do LIE.
O
trecho do capitulo 15 que estamos estudando mostra-nos, entre
outras coisas, o atendimento que os espíritos do Bem
dedicam aos trabalhos mediúnicos, prestam de modo especial
ao trabalho dos médiuns que intermediam as sessões
de desobsessão no plano físico. Todos prestemos
muita atenção no que André Luiz nos descreve
com detalhes. Para 9 médiuns que trabalhavam na mesa
de atendimentos havia 21 espíritos assistentes e mobilizadores
de energias curadoras ou amenizadoras. André Luiz nos
atrai muita atenção quando relata que alguns médiuns
despreparados nem se quer mantinham confiança na presença
colaboradora dos Espíritos ali presentes. Mostrando-nos
porque médiuns despreparados e de pouca fé, não
devem participar, especialmente de sessões de desobsessão.
Leiamos pois atentamente o descreve esta psicografia de Chico
Xavier: “O interpelado anuiu com
bondade: - Sim, Saldanha, permaneces bem inspirado. Estamos
fracos para batalhar em conjunto. E' indispensável que
Margarida alcance melhoras positivas, antes de tudo. Aguardemos
a noite. Espero situar o caso em algum núcleo de amor
fraternal. Até lá, convém guardarmos o
ambiente doméstico sem alterações, mesmo
porque Gaspar é outro doente, exigindo especial atenção:
traz o veículo perispiritico enfermiço e viciado,
reclamando caridoso concurso. Mal não havia terminado
a observação e Gabriel entrou no aposento e abeirou-se
da esposa, desalentada e abatida. Gúbio agora, senhor
da situação, aproximou-se do rapaz, sem alarde,
e colocou sobre a fronte dele a destra paternal, dominando-lhe,
no cérebro, as zonas diretas da inspiração,
dando curso, naturalmente, a forças magnéticas
suscetíveis de inclinar o problema de assistência
a solução favorável. Reparei que o, esposo
de Margarida, sob a influência renovadora, passou a contemplar
a companheira, enternecidamente. Tomou-lhe as mãos com
sincera ternura e falou, espontâneo: - Margarida, dói-me
ver-te assim, sob desânimo tão profundo. Pequena
pausa pesou sobre ambos; contudo, ao cabo de alguns momentos,
tornou o marido de olhos iluminados por indefinível esperança:
- Ouve! Uma idéia súbita me brotou no pensamento.
Desde muitos dias estamos atropelados por remédios violentos
e medidas drásticas que não te socorreram com
a eficiência precisa. Consentes em que eu peça,
em nosso favor, o concurso de algum amigo interessado em Espiritismo
Cristão? Tocada por aquela onda de abençoado carinho
que fluía imperceptivelmente de Gúbio, por intermédio
de Gabriel, a doente abriu os olhos, cheios de interesse novo,
como quem encontrara inesperada senda salvadora e concordou,
feliz: - Estou pronta. Aceitarei qualquer recurso que consideres
por tua vez justo e digno. O esposo, num transporte de esperança,
saiu precipitadamente, acompanhado de Gúbio, que nos
recomendou a permanência ao lado de Saldanha, em preparativos
de serviço para a noite próxima. Na intimidade
do ex-perseguidor, não perdi tempo. Internara-me em atividade
absolutamente nova para mim e desejava ampliar conhecimentos
e recursos. Considerei que um trabalhador incompleto, em minha
posição, precisa estudar sempre, e, aproximando-me
do verdugo transformado em amigo, interroguei: - Saldanha, como
explicar tamanho temor de nosso lado, perante os companheiros
retardados? Ele fixou em mim o olhar espantado e observou: -
Meu caro, conheço suficientemente este capítulo.
Se nos dispusermos a lutar abertamente, conservando conosco
esta jovem senhora enferma, em padrão físico de
menor resistência, o malogro em nossos objetivos de socorro
a ela será questão de alguns minutos. Nos círculos
inferiores em que nos encontramos, a maldade é força
dominante em quase toda parte, contando com intérpretes
que nos vigiam através de todos os flancos e não
nos é fácil escapar. Para combater o mal e vencê-lo,
urge possuir a prudência e a abnegação dos
anjos. De outro modo é perder o tempo e cair, sem defesa,
em perigosas armadilhas das trevas. O novo aliado relanceou
a olhar pelo quarto, a fim de certificar-se de que não
vínhamos sendo ouvidos por adversários comuns,
e prosseguiu: - Eu mesmo, logo depois de minha vinda, tudo fiz
por fugir ao mal, mas em vão. Velhas orações
por mim aprendidas nos recessos do lar, que o tempo não
consumiu de todo em meu espírito, articuladas então
por minha boca, mereceram sarcasmo cruel dos inimigos do bem.
Em verdade, pensamentos menos dignos me povoavam a cabeça,
mas a vontade de melhorar-me era sincera em meu coração.
Esforcei-me de alguma sorte, reagi quanto pude; todavia, meu
impulso para o bem legítimo era, no fundo, um sopro frágil
à frente de um tufão. Ao contato dessa gente desencarnada,
infeliz e vingativa, perdi o resto da compostura moral que procurava
debalde sustentar. Se a alma, liberta do corpo de carne, não
se encontra amparada em princípios robustos de virtude
santificante, sentida e vivida, é quase impossível
sair vitoriosa das ciladas escuras que nos armam.”
Cópia do trecho do livro “Libertação”,
de André Luiz
(Para ser bem lido e muito refletido pelos médiuns
de desobsessão).
Sobre a descrição que André Luiz faz de
uma sessão de desobsessão aqui na Terra, sessão
essa supervisionada no plano extra-físico pelo espírito
Sidônio, sendo que no plano físico 9 médiuns
trabalhavam em tal sessão. E o que aconteceu e acontece
com médiuns desesperados, com pouca fé, naquilo
que fazem. Apesar da “Luz ao Mais Alto”, comentem
erros e omissões que prejudicam tanto o trabalho dos
desencarnados quanto dos pacientes. Leiamos com atenção
de estudo a narrativa de André Luiz para corrigirmos
nossos erros e desatenções. “...mas o relógio
mareava o momento de nossa cooperação ativa e
pusemo-nos em forma. Para os trabalhos da reunião que
congregava nove pessoas terrestres, vinte e um colaboradores
espirituais se movimentaram em nosso circulo de ação.
Gúbio e Sidônio, em esforço conjugado, efetuaram
operações magnéticas ao redor de Margarida,
desligando finalmente os "corpos ovóides" que
foram entregues a uma comissão de seis companheiros que
os conduziram, cuidadosamente, a postos socorristas. Logo após,
enquanto a prece e os estudos evangélicos se faziam ouvir,
dentro das contribuições de nosso círculo,
grande cópia de força nêurica, com a devida
compensação em fluidos revigoradores de nossa
esfera, foi extraída, através da boca, narinas
e mãos dos assistentes encarnados, força essa
que Gúbio e Sidônio aplicaram sobre Margarida e
Gaspar, no evidente intuito de restaurar-lhes as energias perispiríticas.
A jovem senhora passou a demonstrar abençoados sinais
de alívio e Gaspar, de impassível que se achava,
pôs-se a gemer, qual se houvera acordado de intenso e
longo pesadelo. A essa altura, nosso orientador preparou Dona
Isaura, senhora daquele santuário doméstico e
médium do culto familiar, adestrando-lhe a faculdade
de incorporação, por intermédio de passes
magnéticos sobre a laringe e, em particular, sobre o
sistema nervoso. Quando a hora de amor cristão aos desencarnados
começou a funcionar, os orientadores trouxeram Gaspar
à organização rnedianímica, a fim
de que pudesse ele recolher algum beneficio, ao contato dos
companheiros materializados na experiência física,
que lhe haviam fornecido energias vitalizantes, tal como acontece
às flores que sustentam, sem perceber, o trabalho salutar
das abelhas operosas. Reparei que os sentidos do insensível
perseguidor ganharam inesperada percepção. Visão,
audição, tato e olfato foram nele subitamente
acordados e intensificados. Parecia um sonâmbulo, despertando.
À medida que se lhe casavam as forças às
energias da médium, mais se acentuava o fenômeno
de reavivamento sensorial. Apossando-se provisoriamente dos
recursos orgânicos de Dona Isaura, em visível processo
de "enxertia psíquica", o hipnotizador gritou
e chorou lamentosamente. Misturou blasfêmias e lágrimas,
palavras comovedoras e palavras menos dignas, entre a penitência
e a rebeldia. Escutando agora, com aguçada sensibilidade,
conversou detidamente com o doutrinador. O senhor Silva, marido
da médium, fez-lhe sentir a necessidade de renovação
espiritual em edificante lição que nos tocava
as fibras mais íntimas, e, depois de sessenta minutos
de exaustivo embate emocional, Gaspar foi conduzido por dois
servidores de nossa equipe ao lugar que lhe correspondia, isto
é, à posição de demente com retorno
gradativo à razão. Findos os serviços ativos,
a reunião foi encerrada, notando-se que imensa alegria
transbordava de todos os corações. Margarida estava,
enfim, aliviada e, em pranto, pedia ao esposo agradecesse, de
viva voz, as dádivas recebidas. Gúbio, porém,
vendo Saldanha espantadiço, obtemperou, - O triunfo essencial
ainda não veio. Margarida recebeu amparo imediato, mas
precisamos agora socorrer-lhe a casa, até que ela mesma
incorpore à própria individualidade, em caráter
definitivo, os benefícios aqui recolhidos. Sorriu bondosamente
e acrescentou: - Para que uma planta seja efetivamente preciosa,
não basta que esteja bela e perfumada na estufa protetora.
E' necessário receber o auxílio externo, consolidado
a resistência própria, de modo a produzir utilidades
no bem comum. E passando a entender-se com Sidônio, aceitou
a colaboração, por dez dias sucessivos, de doze
companheiros espirituais incorporados ao agrupamento destinado
a reforçar as atividades defensivas na moradia de Gabriel,
de vez que, segundo Saldanha e Leôncio, do dia seguinte
em diante, teríamos guerra aberta com os assalariados
de Gregório, que viriam naturalmente sobre nós,
temíveis e insistentes.
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Ciúmes
* Evangelização
nº 13/05 do LIE.
O
capitulo 15 fez importantes revelações sobre as
nossas dores e conseqüência do ciúme numa
pessoa, e no caso, sobre pessoas ligadas á direção
de um centro Espírita. É um verdadeiro estado
psicológico e moral sobre a vida interna da médium
Isaura casada com o diretor da casa Espírita e as influencias
e intervenções de entidades desencarnadas ligadas
a essa casa religiosa. Mostra claramente como o ciúme
destrói a vida, o casamento e as relações
sociais da pessoa que é presa a essa turbulenta e escravizadora
emoção. Além do mais, ciúme não
quer dizer amor. Ao contrario, o ciúme aprisiona e acaba
destruindo suas vítimas. Espíritos do mal através
de sentimentos negativos obsidiam a médium Isaura, esposa
do diretor do centro espírita e com isto conseguem atingir
diversas pessoas, alem de mobilizar Espíritos benfeitores
e com Luz para defender os médiuns de espíritos
sem luz. Leiamos e reflitamos sobre o trecho na narrativa de
André Luiz narrando as repercussões do ciúme
nos 2 lados da vida. “Encantamento
pernicioso: Finda a reunião, reparei que a médium
Dona Isaura Silva apresentava sensível transfiguração.
Enquanto perduravam os trabalhos, mostrava radiações
brilhantes, em derredor do cérebro, oferecendo simpático
ambiente pessoal; entretanto, encerrada que foi a sessão,
cercou-se de emissões de substância fluídica
cinzento-escura, qual se houvesse repentinamente apagado, em
torno dela, alguma lâmpada invisível. Impressionado,
dirigi-me a Sidônio, com natural indagação,
ao que ele me respondeu, atencioso: - A pobrezinha encontra-se
debaixo de verdadeira tempestade de fluidos malignos que lhe
vão sendo desfechados por entidades menos esclarecidas,
com as quais se sintonizou, inadvertidamente, pelos fios negros
do ciúme. Enquanto se acha sob nossa influência
direta, mormente nos trabalhos espirituais de ordem coletiva,
em que age como válvula captadora das forças gerais
dos assistentes, desfruta bom ânimo e alegria, porque
o médium é sempre uma fonte que dá e recebe,
quando em função entre os dois planos; terminada,
contudo, a tarefa, Isaura volta às tristes condições
a que se relegou. - Não há, porém, algum
recurso para socorrê-la? - indaguei, curioso. - Sem dúvida
- elucidou o orientador da pequena e simpática instituição
-, e, porque não a abandonamos, ainda não sucumbiu.
E' imprescindível, todavia, num processo de semelhante
natureza, agir com cautela, sem humilhá-la e sem feri-la.
Quando defendemos um broto tenro, do qual é justo aguardar
preciosa colheita no porvir, é necessário combater
os vermes invasores, sem atingi-lo. Crestar o grelo de hoje
é perder a colheita de amanhã. Nossa irmã
é valorosa cooperadora, revela qualidades apreciáveis
e dignas, porém, não perdeu ainda a noção
de exclusivismo sobre a vida do companheiro e, através
dessa brecha que a induz a violentas vibrações
de cólera, perde excelentes oportunidades de servir e
elevar-se. Hoje, viveu um dos seus dias mais infelizes, entregando-se
totalmente a esse gênero de flagelação interior.
Reclama-nos concurso ativo, nesta noite, pois cada servo acordado
para o bem, quando se projeta em determinada faixa de vibrações
inferiores durante o dia, marca quase sempre uma entrevista
pessoal, para a noite, com os seres e as forças que a
povoam. Estampou na fisionomia significativa expressão
e acrescentou: - Enquanto a criatura é vulgar e não
se destaca por aspirações de ordem superior, as
inteligências pervertidas não se preocupam com
ela; no entanto, logo que demonstre propósitos de sublimação,
apura-se-lhe o tom vibratório, passa a ser notada pelos
característicos de elevação e é
naturalmente perseguida por quem se refugia na inveja ou na
rebelião silenciosa, visto não conformar-se com
o progresso alheio. Convenci-me de que o caso assumiria grande
importância para os meus estudos particulares e, compreendendo
que Margarida já recebera grandes vantagens, pedi permissão
ao nosso Instrutor, após o consentimento de Sidônio,
para observar naquela noite o conflito inquietante entre a missionária
e os que se lhe prendiam às telas escuras do sentimento.
Gúbio concordou, sorridente. Aguardar-me-ia o regresso
no dia seguinte. Nosso grupo retirou-se conduzindo a doente
e o esposo infinitamente satisfeitos e coloquei-me, ao lado
de Sidônio, em interessante conversação.
- Por enquanto - explicou-me a certa altura da útil palestra
-, este domicílio está sob a guarda dos nossos
processos de vigilância. Entidades perturbadoras ou criminosas
não dispõem de acesso até aqui, mas nossa
amiga, transtornada pelo ciúme, vai, ela mesma, ao encalço
de maus conselheiros. Esperemos que abandone o veículo
de carne, sob a ação do sono, e verás,
de perto. Decorridas apenas duas horas, vimos o senhor Silva
que nos acenava de porta próxima, já desligado
do corpo físico. Sidônio levantou-se e, convocando
um de seus auxiliares, recomendou-lhe acompanhasse o dono da
casa em proveitosa excursão de estudos. O irmão
Silva, junto de nós, alegou, pesaroso: - Tanto desejava
que Isaura viesse, mas não me atendeu aos apelos! - Deixa-a!
- observou Sidônio, com "inflexão de energia
na voz - naturalmente ainda hoje não se acha preparada
para atender às lições. O interlocutor
mostrou profunda tristeza no semblante calmo, porém não
vacilou. Seguiu, sem delongas, o cooperador que lhe era apresentado.
Mais alguns minutos e D. Isaura, fora do corpo de carne, surgiu-nos
à vista, revelando o perispírito intensamente
obscuro. Passou rente a nós sem prestar-nos a mínima
atenção, mostrando-se encarcerada em absorvente
idéia fixa. Sidônio endereçou-lhe algumas
palavras amigas, que não foram absolutamente ouvidas.
Tentou o amigo tocá-la com a destra luminosa, mas a médium
precipitou-se em desabalada carreira, deixando-nos perceber
que a nossa aproximação lhe constituía,
aflitiva tortura.”
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Conhece-te
a ti mesmo * Evangelização
nº 14/05 do LIE.
A
alma humana será sempre fonte de estudo e pesquisas tal
são a sua complexidade. O oráculo do templo de
Delfos, na Grécia, em palavras gravadas no mármore,
diz as seguintes e sábias palavras: “CONHECE-TE
A TI MESMO.” E esse estudo do perfil humano prossegue
até com mais acuidade na outra dimensão da vida.
Quando Jesus disse: “Vós sois deuses”, ele
certamente via a luz celeste que emana do nosso íntimo,
como sementes de uma flor que irá desabrochar. A analise
que o Espírito André Luiz faz dos personagens
Margarida e Isaura atua como quais potentes refletores ensolarando
recônditos abismos na alma humana. Serve para acentuarmos
a caminhada rumo ao conhecimento de si mesmo e, com isto, concretizarmos
a auto-reforma, da qual todos precisamos. Leiamos com toda atenção
o trecho em que André Luiz nos descreve os recursos ardilosos
usados por espíritos malfeitores para obsedar ainda mais
a desprevenida médium Isaura: “Abeiraram-se
dela, amistosos e macios, sem se aperceberem da nossa presença.
- Com que então, Dona Isaura - disse um dos embusteiros,
apresentando na voz mentiroso acento de compaixão -,
a senhora tem sofrido bastante em seus respeitáveis sentimentos
de mulher... - Ah! meu amigo - clamou a interpelada visivelmente
satisfeita por encontrar alguém que se lhe associasse
às dores imaginárias e infantis então,
o senhor também sabe? - Como não? - comentou o
interlocutor, enfático - sou um dos Espíritos
que a "protegem" e sei que seu esposo lhe tem sido
desalmado verdugo. A fim de "ajudá-la", tenho
seguido o infeliz, por toda parte, surpreendendo-lhe as traições
aos compromissos domésticos. Isaura, em lágrimas,
confiou-se ao fingido amigo. - Sim - gritou, molestada -, esta
é que é a verdade! Sofro infinitamente ... Não
existe neste mundo criatura mais desventurada que eu ... - Reconheço
- acentuou o loquaz perseguidor -, reconheço a extensão
de seus padecimentos morais, vejo-lhe o esforço e o sacrifício
e não ignoro que seu marido eleva a voz nas preces, através
das sessões habituais, para simplesmente acobertar as
próprias culpas. Por vezes, em plena oração,
entrega-se a pensamentos 'de lascívia, fixando senhoras
que lhe freqüentam o lar. Envolvendo a médium imprevidente
na melifluidade das frases, aduzia: - E' um absurdo! Dói-me
vê-la algemada a um patife mascarado de apóstolo.
- E' isto mesmo... - confirmava a pobre senhora, qual se fora
andorinha delicada, portadora de importante mensagem, repentinamente
presa num tabuleiro de mel -, estou rodeada de gente desonesta.
Nunca sofri tanto! Indicando o quadro triste, Sidônio
informou-me: - Antes de tudo, os agentes da desarmonia perturbam-lhe
os sentimentos de mulher, para, em seguida, lhe aniquilarem
as possibilidades de missionária. O ciúme e o
egoísmo constituem portas fáceis de acesso à
obsessão arrasadora do bem. Pelo exclusivismo afetivo,
a médium, nesta conversação, já
se ligou mentalmente aos ardilosos adversários de seus
compromissos sublimes. Deixando transparecer imensa tristeza,
acrescentou: - Repara. O inteligente obsessor abraçou
a senhora, parcialmente desligada do corpo físico, e
prosseguiu: - Dona Isaura, acredite que somos seus leais amigos.
E os protetores verdadeiros são aqueles que, como nós,
lhe conhecem os padecimentos ocultos. Não é justo
que se submeta às arbitrariedades do marido infiel. Abstenha-se
de receber-lhe o séquito de companheiros hipócritas,
interessados em orações coletivas, que mais se
assemelham a palhaçadas inúteis. E' um perigo
entregar-se a práticas mediúnicas, qual vem fazendo
em companhia de gente dessa espécie... Tome cuidado!...
A médium invigilante arregalou os olhos, impressionada
com a estranha inflexão impressa nas palavras ouvidas,
e gritou: - Aconselhe-me, Espírito generoso e amigo,
que tão bem me conhece o martírio silencioso!
O interlocutor, na intenção de destruir a célula
iluminativa que funcionava com imenso proveito no santuário
doméstico da jovem senhora, assediada agora por seus
argumentos adocicados e venenosos, observou com malícia:
- A senhora não nasceu com a vocação do
picadeiro. Não permita a transformação
de sua casa em sala de espetáculo. Seu marido e suas
relações sociais exageram-lhe as faculdades. Precisa
ainda de longo tempo para desenvolver-se suficientemente. E
envolvendo-a nos pesados véus da dúvida que anulam
tantos trabalhadores bem intencionados, aduziu: - Já
meditou bastante na mistificação inconsciente?
Está convencia de que não engana os outros? E'
indispensável acautelar-se. Se estudar a grave questão
do Espiritismo, com inteligência e acerto, reconhecerá
que as mensagens escritas por seu intermédio e as incorporações
de entidades supostamente benfeitoras não passam de pálidas
influências de Espíritos perturbados e de alta
percentagem dos produtos de seu próprio cérebro
e de sua sensibilidade agitada pelas exigências descabidas
das pessoas que lhe freqüentam a casa. Não vê
a plena consciência com que se entrega ao imaginado intercâmbio?
Não creia em possibilidades que não possui. Trate
de preservar a dignidade de sua casa, mesmo porque seu esposo
não tem outro objetivo senão o de utilizar-lhe
a credulidade excessiva, lançando-a a triste aventura
do ridículo.
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Em
busca da Luz * Evangelização
nº 15/05 do LIE.
Nos
capítulos 19 e 20 dessa extraordinária obra, André
Luiz nos relata como e em que condições, diversos
espíritos encarnados se encaminharam para Deus através
de esforços pessoais, expiações compensatórias
e renúncias. Mostrando-nos que se é difícil
galgar estradas rumo a Luz que vem de cima, expressa claramente
como são abundantes as graças Divinas quando essa
Luz espiritual é alcançada. No trabalho da equipe
formada através de Gúbio, Elói e André
Luiz, dezenas de almas foram socorridas e encaminhadas. Espíritos
como Saldanha e seu grupo, a serviço do mal, foram antagonistas
de uma batalha perdida para eles, que se renderam à Luz
de Jesus e renunciaram ao mal. Aliás o livro “Libertação”,
inteiro, trata de espíritos que literalmente se libertaram
do mal para sempre. Descreve também como os Espíritos
podem ajudar-nos quando os queremos bem e desejamos elevar-nos.
Para o fecho final das 250 páginas do livro, escolhemos
um trecho muito elucidativo constante do capítulo 19
dessa obra, que narra o reencontro luminoso entre Matilde (espírito
de Luz) com sua filha Margarida, que está encarnada e
é casada com o Dr. Gabriel. Leiamos com toda a atenção
os diálogos e confissões desse emocionado reencontro,
quando o perispírito de Margarida é transportado
até uma espécie de cenáculo no mundo espiritual,
tal como nos descreve André Luiz:
“- Mãe! Querida mãezinha! - Sim, minha filha,
sou eu - disse a interlocutora, afagando-a com extremado afeto
-; o amor jamais desaparece! A união das almas vence
o tempo e a morte. - Porque me abandonaste? - inquiriu a esposa
de Gabriel, colando-se-lhe ao coração, num transporte
de inexprimível ventura. - Nunca te esqueci - elucidou
a benfeitora, acolhendo-a com mais intensa ternura. - O país
da "neblina carnal" multas vezes parece distanciar-nos
uns dos outros; entretanto, sombra alguma conseguirá
separar-nos. Nossas aspirações e esperanças
se confundem, quais pontos de luz, nas trevas da separação,
assim como as estrelas se assemelham a balizas brilhantes no
nevoeiro noturno recordando-nos o infinito e a eternidade. Ao
som caricioso daquelas palavras, a ex-obsidiada parecia acordar
cada vez mais largamente em nosso plano. De olhos ansiosos,
fixos na protetora, corno que magnetizada por incomensurável
afeto, ponderou, entre lágrimas: - Mãezinha querida,
estou cansada e infeliz! - Quando a boa luta apenas começa?
- perguntou Matilde, sorrindo. - Sinto-me cercada de inimigos
sem entranhas. Devo ser atormentada dia e noite. Noto invencível
antagonismo entre meus sentimentos e a realidade humana. O próprio
matrimônio, em que eu depositava os mais caros sonhos,
não me foi senão escuro livro de desenganos cruéis.
Trago meu coração extenuado e oprimido. Frustração
e ruína espiritual seguem-me de perto... Por isto, sou
um fardo pesado ao esposo dedicado e digno de melhor sorte...
Soluços violentos impediram-na de continuar. A veneranda
emissária enxugou-lhe o pranto e falou, bondosa: - Margarida,
viver no corpo terrestre, entendendo os deveres divinos que
nos cabem, não é tão fácil, ante
a glória infinita que em companhia dele podemos recolher.
Todos possuímos culposo pretérito a redimir. E'
imperioso reconhecer, todavia, que, se a experiência humana
pode ser doloroso curso de renunciação pessoal,
é também abençoada escola em que o Espírito
de boa vontade pode alcançar culminâncias. Para
isto, no entanto, é indispensável se abra o coração
ao clima interior da bondade e do entendimento. Somos diamantes
brutos, revestidos pelo duro cascalho de nossas milenárias
imperfeições, localizados pela magnanimidade do
Senhor na ourivesaria da Terra. A dor, o obstáculo e
o conflito são bem-aventuradas ferramentas de melhoria,
funcionando em nosso favor. Que dizer da pedra preciosa que
fugisse às mãos do lapidário, do barro
que repelisse a influência do oleiro? Modifica as mais
intimas disposições, com referência aos
adversários. O inimigo nem sempre é uma consciência
agindo deliberadamente no mal. Na maioria das vezes, atende
à incompreensão quanto qualquer de nós;
procede em determinada linha de pensamento, porque se acredita
em roteiro infalível aos próprios olhos, nos lances
do trabalho a que se empenhou nos círculos da vida; enfrenta,
qual ocorre a nós mesmos, problemas de visão que
só o tempo, aliado ao esforço pessoal na execução
do bem, conseguirá decidir. O batráquio e a ave
caracterizam-se por impulsos diferentes, não obstante
filhos do mesmo mundo. E' necessário, Margarida, sabermos
utilizar o inimigo, nele situando nossa lição
benfeitora. A rigor, em vista da nossa posição
de inferioridade, seremos adversários naturais da obra
dos Anjos, na esfera menos elevada que atravessamos presentemente;
todavia, as Potências Angélicas não nos
punem a incapacidade temporária de compreensão
ante os serviços divinos que lhes cabem na economia do
Universo. Ao invés de condenar-nos, identificam-nos as
deficiências compadecidamente e estendem-nos braços
fraternos. Através de mil recursos invisíveis
e indiretos, a fim de que aprendamos a escalar o monte da sublimação,
em marcha para os cumes celestes. Verificando-se pequena pausa
nas observações maternais, a jovem senhora obtemperou,
enlevada: - Amada Mãezinha! Pudessem meus ouvidos guardar
sempre a doce música de tuas palavras! Tristemente, antevejo
o torvelinho das dificuldades terrenas a que devo retornar.
Tudo agora é consolação e esperança;
todavia, amanhã serei nova- mente prisioneira no cárcere
físico e caminharei de memória anestesiada, em
conflito incessante com os monstros que me assediam! - Este,
filha - acrescentou Matilde, afetuosa -, é o imperativo
da tarefa que te compete realizar. Entretanto, não percas
os tesouros do tempo em considerações inúteis.
Enche as tuas horas de trabalho salutar com a possível
harmonia, fonte de toda a beleza. A inteligência que,
de algum modo, já se evadiu das limitações
da animalidade, encontra-se no corpo de carne, à maneira
do lidador num estádio de provas benfeitoras. Lá
dentro, na arena das possibilidades sublimes que a região
do nevoeiro oferece, há quem se encaminhe para cima e
há quem se dirija para baixo. Não fujas ao óbice
valioso na corrida de aperfeiçoamento, nem sorvas o mentiroso
elixir da ilusão, apaixonadamente usado por todos os
que se deixaram vencer pelas tentações do desânimo,
incapazes de aceitar o desafio que o mundo lhes endereça.
A vida, para toda alma que triunfa no carreiro áspero,
é serviço, movimento, ascensão. E à
rajada de luta que te conduzirá ao píncaro luminoso,
não te suponhas sozinha na jornada áspera. Outras,
aos milhares, suam e sangram, em silêncio. Passam na cena
do mundo, sem o afeto de um esposo e sem a bênção
de um lar. Não conhecem, como tu, a dádiva de
um corpo normal, nem podem guardar os mínimos sonhos
que arregimentas no coração feminil. São
homens esquecidos e mulheres desamparadas que passam despercebidos
e humilhados, do berço ao túmulo. Respiram em
regime de tortura moral e seguem, estrada afora, desprotegidos
e dilacerados, aos olhos do mundo, abafando os próprios
soluços que, se ouvidos, lhes acarretariam implacável
punição. Entretanto, apesar do espesso véu
de lágrimas que lhes dificulta a marcha, continuam caminhando
impávidos, contando com um amanhã, cada vez mais
impreciso e distante, que parece ocultar-se, indefinido, nos
horizontes sem fim. Margarida, que assinalava enternecidamente
a argumentação, rogou, súplice: - Mãezinha
querida, ensina-me a continuar. Desejo honrar a bendita oportunidade
que recebi! - Não procures ser atendida em todos os teus
desejos - falou a benfeitora, suavemente -, mas procura servir,
fraternalmente, a quantos te reclamem arrimo e braço
forte. Ajuda, antes de procurares auxilio. Compreende, sem exigir
compreensão imediata. Desculpa os outros, sem desculpar
a ti mesma. Ampara, sem a intenção de ser amparada.
Dá, sem o propósito de receber. Não persigas
o respeito humano que te faça aparecer melhor que és,
mas busca, em todo tempo e lugar, a bênção
divina na aprovação da própria consciência.
Não procures destacada posição, diante
dos outros; antes de tudo, aperfeiçoa os teus sentimentos,
cada vez mais, sem propaganda de tuas virtudes vacilantes e
problemáticas. Age corretamente e esquece as frases vazias
ou venenosas da maledicência contumaz. Em te socorrendo
das diretrizes alheias, desconfia das palavras que te lisonjeiem
a fantasiosa superioridade pessoal ou que te inclinem à
dureza de coração. Diante da fartura ou da escassez,
recorda o serviço que o Senhor te convocou a realizar
e produz o bem em seu nome, onde estiveres.
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