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Conheça mais sobre André Luiz

Palavras que trazem Luz
Como é a vida no plano espiritual.
Porque pensar e fazer o Bem.
As consequências dos sentimentos negativos.
A Mediunidade na evolução do homem
Conhecendo os dois planos da existência.
A vida depois da desencarnação.
A Sexualidade do ponto de vista espiritual!
Estudo da obra No Mundo Maior!
As conquistas no campo da renovação mental.
Estudando a mediunidade!
A semeadura é livre, porém a colheita é obrigatória!
Os trabalhadores da última hora!
A vida em dois mundos!
Produzido pelo
Lar Irmã Esther
Guaíba/RS
Desenvolvimento:
Marcelo Plocharski

Estudos sobre o Livro "Entre a terra e o Céu" de André Luiz com psicografia de Chico Xavier

Clique sobre o assunto que você quer estudar e vá direto para o texto:

Porque tantos não crêem no valor da prece? * Evangelização nº 159 do LIE.

Quadros de obsessão * Evangelização nº 160 do LIE.

Ódios que não se apagam * Evangelização nº 161 do LIE.

Suicídio – Paixão e Obsessão * Evangelização nº 162 do LIE.

Paixão, vida, morte e renascimento de um celerado * Evangelização nº 163 do LIE.

A sabedoria de Clarêncio * Evangelização nº 164 do LIE.

Somos herdeiros de nós mesmos * Evangelização nº 165 do LIE.

Amor e Reencarnação * Evangelização nº 166 do LIE.

Quando Espíritos não querem voltar à Terra * Evangelização nº 167 do LIE.

Como traçamos nosso próprio destino * Evangelização nº 168 do LIE.

Remorsos na outra vida * Evangelização nº 169 do LIE.

Paixões desmoronando destinos * Evangelização nº 170 do LIE.

Calvário de espíritos apaixonados * Evangelização nº 171 do LIE.

Reencontro na Espiritualidade * Evangelização nº 172 do LIE.

Informação: No dia 15/08/2008 nossa médium Virginia Canabarro, principal conexão espiritual de um posto socorrista do Espaço localizado numa área que abrange a região metropolitana de Porto Alegre, RS, Brasil, informou-nos que o plano espiritual tinha uma solicitação a fazer-nos. O espírito que incorporou em Virginia foi o Dr. Frederico que nos disse o seguinte: "Estamos aqui em caravana de visitação a este Lar, estando conosco espíritos da equipe de André Luiz e vimos solicitar que vosso estudo evangélico das obras de André Luis, seja substituído, em vossos horários, pelo estudo da obra "O Evangelho Segundo o Espiritsmo". Motiva a nossa solicitação o grave problema que a civilização humana está presentemente vivendo neste Planeta, em meio a acentuados conflitos e choques de interesses, nos quais o elemento predominante é a falta de diálogo e indispensável fraternidade. Nossos irmãos terrenos estão com acentuada precisão de consolação tal como está nos Evangelhos do Nosso Divino Mestre Jesus. Agradecemos a vossa colaboração". A solicitação, de imediato, foi por nós atendida. Voltaremos mais tarde.


Porque tantos não crêem no valor da prece? * Evangelização nº 159 do LIE

Iniciamos aqui o estudo refletido deste livro de André Luiz o qual, no dizer de Emmanuel, nos coloca “em comunicação com nossas forças interiores”. O fato de tantas pessoas não acreditarem no valor da prece indica sua não – educação na área religiosa, sobretudo no período infantil. Pais e educadores que não ensinam seus pupilos a orar a Deus e aos espíritos de Luz estão subtraindo recursos positivos para essas vidas que desabrocham e que possivelmente serão lançados nas arenas da vida despreparados e desorientados para enfrentar e resolver os problemas que indesviavelmente surgirão. E essa ausência de fé e de norteamento na estrutura básica de cada personalidade irá apresentar-se como pedras no caminho da pessoa e, mais tarde, qual uma montanha de obstáculos na vida após o portal do túmulo. Sobre a riqueza da prece sincera, leiamos um trecho do capítulo inicial dessa obra e ouçamos as palavras sábias do Orientador Clarêncio:
“Quebrando o silêncio que se fizera natural para a nossa reflexão, o irmão Hilário perguntou:
– Contudo, como interpretar o ensinamento, quando estivermos à frente de propósitos malignos? Um homem que deseja cometer um crime estará também no serviço da prece?
– Abstenhamo-nos de empregar a palavra “prece”, quando se trate do desequilíbrio – aduziu Clarêncio, bondoso –, digamos “invocação”. E acrescentou:
– Quando alguém nutre o desejo de perpetrar uma falta está invocando forças inferiores e mobilizando recursos pelos quais se responsabilizará. Através dos impulsos infelizes de nossa alma, muitas vezes descemos às desvairadas vibrações da cólera ou do vício e, de semelhante posição, é fácil cairmos no enredado poço do crime, em cujas furnas nos ligamos, de imediato, a certas mentes estagnadas na ignorância, que se fazem instrumentos de nossas baixas idealizações ou das quais nos tornamos deploráveis joguetes na sombra. Todas as nossas aspirações movimentam energias para o bem ou para o mal. Por isso mesmo, a direção delas permanece afeta à nossa responsabilidade. Analisemos com cuidado a nossa escolha, em qualquer problema ou situação do caminho que nos é dado percorrer, porquanto o nosso pensamento voará, diante de nós, atraindo e formando a realização que nos propomos atingir e, em qualquer setor da existência, a vida responde, segundo a nossa solicitação. Seremos devedores dela pelo que houvermos recebido. O Ministro sorriu, benevolente, e lembrou:
– Estejamos convictos, porém, de que o mal é sempre um círculo fechado sobre si mesmo, guardando temporariamente aqueles que o criaram, qual se fora um quisto de curta ou longa duração, a dissolver-se, por fim, no bem infinito, à medida que se reeducam as Inteligências que a ele se aglutinam e afeiçoam. O Senhor tolera a desarmonia, a fim de que por intermédio dela mesma se efetue o reajustamento moral dos espíritos que a sustentam, de vez que o mal reage sobre aqueles que o praticam, auxiliando-os a compreender a excelência e a imortalidade do bem, que é o inamovível fundamento da Lei. Todos somos senhores de nossas criações e, ao mesmo tempo, delas escravos infortunados ou felizes tutelados. Pedimos e obtemos, mas pagaremos por todas as aquisições. A responsabilidade é principio divino a que ninguém poderá fugir. Nesse instante, uma jovem de semblante calmo penetrou no recinto e, dirigindo-se ao nosso orientador, falou algo aflita:
– Irmão Clarêncio, uma de nossas pupilas do quadro de reencarnações sob suas diretrizes pede socorro com insistência...
– É um apelo individual urgente? – indagou o Ministro, preocupado.
– É assunto inquietante, mas numa prece refratada. O prestimoso instrutor convidou-nos a acompanhá-lo e seguimo-lo, atentamente.”

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Quadros de Obsessão * Evangelização nº 160 do LIE

André Luis narra com profundidade os temas referentes à obsessão. E em todos os casos o que vemos é a identidade de pensamentos entre o espírito e a pessoa que está dentro do quadro obsessivo. O espírito benfeitor não pode por si só separar os dois entes envolvidos, tendo em vista que eles se ligam pelos canais do pensamento e mutuamente intercambiam vibrações e sentimentos íntimos ligados ao egoísmo escravizador. Na realidade ambos estão aprisionados pelas correntes de idéias maléficas que alimentam os quadros de tais enfermidades. Vejamos aqui um desses quadros descritos através da psicografia de Chico Xavier mostrando a enfermidade interligada do encarnado ao desencarnado. Leiamos o seguinte trecho:
“– Mas, então – clamou Hilário, contrafeito –, como extinguir essa união indébita? Não será justo afastar o algoz da vítima?
Clarêncio sorriu e ponderou: – Aqui, o quadro é diverso. Na esfera carnal, a cápsula física é precioso isolante das energias desequilibradas de nossa mente, entretanto, em nosso plano de ação, no problema que observamos, essas forças desbordam ameaçadoras sobre a infortunada mulher, cujo corpo pode ser comparado a uma lâmpada de fraca receptividade, sobre a qual seria perigoso arremessar uma corrente superior à capacidade de resistência a que se enquadra. A inutilização seria completa.
– Que poderíamos fazer? – indagou Hilário, desapontado.
– Precisamos atuar na elaboração dos pensamentos da infortunada irmã que tomou a iniciativa da perseguição. É imprescindível dar outro rumo à vontade dela, deslocando-lhe o centro mental e conferindo-lhe outros interesses e diferentes aspirações.
– E não podemos começar, exortando-a?
O Ministro, sereno, obtemperou sem alterar-se: – Talvez, assim de momento, não pudéssemos ou não soubéssemos. A preparação é indispensável.
– Nada custa uma conversação de censura... – alegou meu companheiro, admirado.
– Sim, uma doutrinação pura e simples seria cabível, contudo, não podemos esquecer que a organização cerebral da vítima permanece excessivamente martelada. Nossa intervenção no campo espiritual de Odila deve ser envolvente e segura para evitar choques e contrachoques, que repercutiriam desastrosamente sobre a outra. Nem doçura prejudicial, nem energia contundente...
O instrutor dirigiu piedoso olhar às duas mulheres e prosseguiu: – A questão nesta casa surge realmente melindrosa. É necessário buscar alguém que já tenha amealhado na alma bastante amor e bastante entendimento para conversar com o poder criador da renovação.
Refletiu alguns instantes e aduziu: – Contamos em nossas relações com a irmã Clara. Rogaremos o concurso dela. Modificará Odila com o seu verbo coroado de luz, inclinando-a ao serviço da conversão própria. Por agora, de nossa parte, somente nos é possível a dispensação de algum alívio e nada mais.
Recomendou a Eulália assistisse Evelina para o refazimento psíquico de que a menina necessitava e, em seguida, aplicou recursos magnéticos sobre Zulmira, em passes calmantes, de longo curso. Qual se fosse brandamente anestesiada, a enferma passou da irritação à serenidade e pareceu dormir aos olhos do esposo que chegara, de mansinho, acomodando-lhe os travesseiros.”

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Ódios que não se apagam* Evangelização nº 161 do LIE

Quando o corpo físico se extingue no Sepulcro, não se finda no Espírito o ódio, os sentimentos de culpa e de vingança pela revanche, o ciúme, a vaidade, o egoísmo, o desrespeito, os vícios, as paixões, a raiva contra quem o prejudicou na vida física e o desencarnado pode permanecer neste círculo de fogo por anos, décadas e até séculos. É o que Jesus anunciou em seus Evangelhos: “E do abismo não saireis até que se pague o último ceitil”. O ódio que Zulmira sente por Odila, e este por aquele, é daqueles que não dá trégua nem perdão. Zulmira acusa-a de ser responsável por um filhinho que morreu afogado aos dois anos e a confrontação se estabeleceu. O instrutor Clarêncio expõe a explicação para a obsessão que se estabeleceu e, para melhor análise deste enlaçamento de sombras, leiamos o que está escrito logo no início deste capítulo 4: “Zulmira ausentara-se do corpo, mas não desfrutava a paz que se lhe estampara na máscara física. Enlaçada por Odila, a cujo olhar dominador se inclinava, submissa, não nos identificou a presença. Com evidentes sinais de terror, ouvia as objurgatórias da rival que a acusava, exclamando:
– Que fizeste de meu filhinho? Assassina! assassina! Pagarás muito caro a intromissão no lar que é somente meu!... Destroçarei tua vida, não me furtarás o afeto de Amaro... Armarei o coração de Evelina contra ti!...
– Não, não!... – respondia a vítima. – Não matei! Não fui eu quem matou!...
– Hipócrita! acompanhei os teus pensamentos, teus desejos, teus votos...
Zulmira desembaraçou-se, de inopino, dos braços que a envolviam e correu para fora, seguida pela outra.
Esclarecendo-nos, bondoso, Clarêncio observou:
– Quando a pobrezinha consegue sossegar o corpo, cai no pesadelo agitado. Acompanhemo-las. Dirigem-se à praia, onde ocorreu a morte do pequenino. Premida pelo assédio de nossa irmã desequilibrada, Zulmira ainda não se libertou das aflitivas reminiscências de que se vê possuída.”

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Suicídio – Paixão e Obsessão * Evangelização nº 162 do LIE

Entre os cinco personagens deste capítulo – com os nomes de Zulmira, Odila, Amaro, Júlio e Etelvina, ferve um caldeirão de sentimentos discutíveis, destinos cármicos temperados com emoções violentas em encarnações de provas e expiações. Amaro enviuvou de Odila, com a qual teve dois filhos (Júlio e Etelvina) e casou com Zulmira, a qual passou a ter ciúmes de Júlio, o filho pequeno que amava muito o pai (Amaro). Odiando a criança, Zulmira leva-a a uma praia de mar e, por seu descuido a criança morreu afogada. Aí a desencarnada Odila prometeu vingar-se da madrasta Zulmira e o primeiro resultado é que o casamento de Amaro e Zulmira esfria até terminar-se. Vejamos inobstante, um pequeno trecho desse movimentado capítulo:
“Era um suicida reencarnado... A segunda esposa de Amaro, porém, sofre o resultado das infelizes deliberações que albergou no espírito. Padece o retorno das vibrações envenenadas que arremessou na direção do menino. Pelo ciúme, criou ao redor de si mesma um ambiente pestilencial, em que os seus próprios pensamentos malignos conseguiram prosperar, assim como um fruto apodrecido desenvolve em si mesmo os vermes que o devoram. Supondo-se responsável pela morte da criança, de vez que asilou o delituoso plano a que nos referimos, Zulmira abandonou-se ao mal que trazia consigo, imantando-se, ainda, ao mal de que a adversária é portadora, e tornou-se, por isso, enferma e dementada.
– E o pequeno, em toda a história? – inquiri, admirado.
– Júlio foi conduzido à região que lhe é própria.
– Mas, Odila não poderia vê-lo, certificando-se de toda a verdade?
– Infelizmente – explicou o venerando instrutor –, a infortunada criatura tem o centro genésico plenamente descontrolado e isso lhe impede a visão mais ampla. Não consegue querer senão o marido, em vista do apego enlouquecedor aos vínculos do sexo, que a paixão nada faz senão desvirtuar. Odila possui admiráveis qualidades morais que jazem, por enquanto, eclipsadas... Desencarnou em largo vigor de seu idealismo feminino, sem uma fé religiosa capaz de reeducar-lhe os impulsos, justificando-se, desse modo, a superexcitação em que se encontra. Semelhante estado, contudo, é transitório e esperamos se submeta, de boa vontade, ao tratamento de reajuste que lhe será dispensado, em breve. Melhorada a situação dela, creio que o problema terá imediata e construtiva solução. Ia perguntar algo de novo, mas atingíramos a praia e Clarêncio determinou nos puséssemos a observar.”

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Paixão, vida, morte e renascimento de um celerado * Evangelização nº 163 do LIE

O ser humano é um eterno apaixonado. Desde o surgimento do Espírito inteligente na civilização terrestre, a história nos conta os impulsos e paixões que motivaram a aventura do homem desde que empunhava lanças para caçar nas savanas africanas. Milhares de anos foram necessários para que se completasse o grande início do incremento espiritual que se formatou a partir do nascimento de Jesus em Belém na Judéia, sob domínio dos Cézares romanos. O personagem Leonardo Pires, que fora enfermeiro na guerra do Paraguai (1869) era apaixonado por Lola e que o atraiu com seu desleal amigo oficial Esteves o que motivou Leonardo Pires a envenená-lo na lancheria do Acampamento, todos eles juntos são personagens violentos, orgulhosos e vingativos. Neste capítulo do livro vamos encontrar o Espírito Leonardo Pires sendo afinal socorrido no Além por uma expedição socorrista cujo mentor é Clarêncio. Leiamos um trecho em que o Leonardo é socorrido, quase um século após sua morte no Plano Físico.
“- ...Esteves, o cão infiel...
Nesse instante, porém, a voz extinguiu-se-lhe na garganta. Esbugalharam-se-lhe os olhos e, como se estivesse atenazado no íntimo por forças terríveis, insondáveis à nossa observação, começou a queixar-se, desesperado:
– Ah! Não posso continuar!... Ele, novamente ele, a crescer dentro de mim! Observa-me com asco e ainda lhe ouço as últimas palavras no estertor da morte... Não! Não! – bradava ele, agora, com evidentes sinais de angústia – hei de libertar-me! Hei de libertar-me! Tenho fé!
Comovidamente, acerquei-me do pobrezinho e considerei:
– Sim, meu amigo, a fé representa o milagroso salva-vidas de todos os náufragos. Você tem orado? Tem pedido a Jesus amparo e assistência?
– Sim, sim...
– E ainda não lhe chegou qualquer sinal de socorro celeste?
O infortunado centralizou em mim o olhar inquieto e informou:
– Há alguns dias, fui à Igreja do Rosário, recordando, como sempre, a visita que fiz até lá, na véspera de minha partida para a guerra, e tanto rezei que tive a felicidade de ver o Marechal, que me apareceu, de súbito... Estava mais moço e incompreensivelmente refeito... Roguei-lhe proteção ao que me respondeu, informando que o meu caso seria tomado em apreço, que eu descansasse, pois ainda que os nossos erros sejam grandes, maior é a compaixão de Deus que nunca nos desampara...
E, exibindo um gesto de profundo abatimento, acrescentou:
– Mas, até agora, não tive o menor sinal de renovação do caminho...
Acariciei-lhe a nevada cabeça e considerei, comovidamente:
– Esteja convencido, porém, de que a bondade de Jesus não nos faltará.
– Prometa ajudar-me! Compadeça-se de mim! – gritou o infeliz.
De coração, intimamente tocado por semelhante apelo, hipotequei- lhe a decisão de colaborar em sua paz e soerguimento.
Quando o infortunado ancião procurava abraçar-me, Clarêncio chegou, guiando a outra pupila que nos acompanharia na excursão.“

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A sabedoria de Clarêncio * Evangelização nº 164 do LIE

De todos os instrutores espirituais da obra de André Luiz, o ministro Clarêncio é um dos mais sábios das altas esferas celestiais. Aqui André desenha o perfil de um velho enfermeiro que participara de batalhas na guerra do Paraguai e que por quase um século, permanece na escuridão da erraticidade reclamando contra um oficial que o afastara de sua guarnição militar, com o fim de tomar-lhe a mulher Lola. No capítulo acima o velho soldado desencarnado é atendido pela equipe socorrista do instrutor Clarêncio, que no decorrer do atendimento emite aos de sua equipe pensamentos de alto nível de sabedoria. Leiamos:
“– Compreendemos – ajuntou o Ministro, generoso –, compreendemos quanta inquietação punge o espírito reencarnado, mormente quando desperto para a beleza da vida superior; entretanto, é indispensável saibamos louvar a oportunidade de servir, sem jamais desmerecê-la. Achamo-nos ainda distantes da redenção total e todos nós, com alternativas mais ou menos longas, devemos abraçar a luta na carne, de modo a solver com dignidade nossos velhos compromissos. Somos viajores nos milênios incessantes. Ontem fomos auxiliados, hoje nos cabe auxiliar.
À medida que avançávamos, ondas de perfume acentuavam-se, em torno de nós, revigorando-nos as energias e induzindo-nos a respirar a longos sorvos. Flores de contextura delicada pendiam abundantemente de árvores vigorosas, embalsamando as leves virações que sussurravam encantadoras melodias...
Como se trouxesse agora todo o busto engrinaldado de luz, Clarêncio sorria bondoso. Emudecera-se-lhe a palavra. Sentíamo-nos todos magnetizados e enternecidos ante a beleza do quadro que nos prendia a admiração. Antonina, porém, como se estivesse irradiando insopitável curiosidade, mesclada de alegria, voltou a exclamar: – Ah! Se morrêssemos hoje!... Se a carne não nos pesasse mais!...
O Ministro, contudo, imprimindo mais grave entonação à voz, mas sem perder a brandura que lhe era peculiar, considerou de imediato: – Se hoje abandonassem o veículo de matéria densa, quem diz que seriam felizes? Quem de nós obterá a suprema ventura, sem a perfeita sublimação pessoal?
E, fitando Antonina com bondade misturada de compaixão, observou: – Agora, vocês visitarão filhinhos abençoados que a morte lhes arrebatou temporariamente ao convívio terrestre. Vocês se sentem como que num palácio dourado, em pleno paraíso de amor, mas, e os filhinhos que ficam? Haverá Céu sem a presença daqueles que amamos? Teremos paz sem alegria para os que moram em nosso coração? Imaginemos que as algemas do cárcere físico se partissem agora... O atormentado lar humano cresceria de vulto na saudade que as tomaria de assalto... A lembrança dos filhos aprisionados no Planeta acorrentá-las-ia ao mundo carnal, à maneira de forte raiz retendo a árvore no solo escuro. Os rogos e os gemidos, as lutas e as provas dos rebentos menos felizes da existência lhes falariam ao espírito mais imperiosamente que os cânticos de bem-aventurança dos filhos afortunados e, naturalmente, desceriam do Céu para a Terra, preferindo a posição de angustiadas servas invisíveis, trocando a resplendente glória da liberdade pelos dolorosos padecimentos da prisão, de vez que a ventura maior de quem ama reside em dar de si mesmo, a favor das criaturas amadas...
As duas mulheres ouviram as sensatas ponderações sem dizer palavra. Finda a pausa ligeira, o instrutor continuou: – Somos devedores uns dos outros!... Laços mil nos jungem os corações. Por enquanto, não há paraíso perfeito para quem volta da Terra, tanto quanto não existe purgatório integral para quem regressa ao humano sorvedouro! O amor é a força divina, alimentando-nos em todos os setores da vida e o nosso melhor patrimônio é o trabalho com que nos compete ajudar-nos mutuamente.”

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Somos herdeiros de nós mesmos * Evangelização nº 165 do LIE

Está é a vital descoberta – revelação que André Luiz nos apresenta com a obra “Nosso Lar”. Cada um de nós é um espírito antigo no mundo que, através de várias encarnações, chegou ao estágio atual. Ele nos afirma com muita convicção e acerto: “Somos herdeiros de nós mesmos”. Dito assim tal revelação pode ser simples demais, eis que reencarnamos em grupo e podemos renascer como filhos ou netos de nossos filhos e aí a afirmação de André e Clarêncio ganha profundo e cósmico conteúdo. Todos nós temos e teremos vidas sucessivas, sendo que nossa reencarnação estará nos nossos descendentes. Esta é a Lei sábia e justa. Leiamos um trecho do capítulo 12:

“Renascemos na Terra junto daqueles que se afinam com o nosso modo de ser. O dipsômano não adquire o hábito desregrado dos pais, mas sim, quase sempre, ele mesmo já se confiava ao vício do álcool, antes de renascer. E há beberrões desencarnados que se aderem àqueles que se fazem instrumentos deles próprios. E, imprimindo grave entoou à voz, ponderou:
– A hereditariedade é dirigida por princípios de natureza espiritual.
Se os filhos encontram os pais de que precisam, os pais recebem da vida os filhos que procuram. Lembrei-me repentinamente de alguns dos grandes gênios da humanidade, que produziram filhos monstruosos ou medíocres. Mas, vindo ao encontro do meu pensamento, o orientador observou:
– No campo das grandes virtudes, os pais usam, por vezes, a compaixão reedificante, empenhando-se em tarefas de sacrifício. Temos no mundo mulheres e homens admiráveis que, consolidando qualidades superiores na própria alma, se dispõem a buscar afetos que permanecem à distância, no passado, em tentativas heróicas de auxílio e reajustamento.
E, sorrindo, acrescentou:
– Na família consangüínea ou na família humana, obtemos o que buscamos. Quem já acertou as próprias contas com a justiça, pode confiar-se aos sublimes rasgos do amor”.

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Amor e Reencarnação * Evangelização nº 166 do LIE

Todos os seres humanos da grande família terrestre devem ter o máximo cuidado com os próprios sentimentos e serem bem prudentes com a explosão de paixões, emoções profundas e os vícios dependentes. A história dos desencarnados Leonardo e Lola se arrasta por 4 capítulos, com narrativas impressionantes acerca do que aconteceu a estes dois personagens ao longo de suas encarnações. Falaremos hoje sobre o desfecho desse amor desencontrado entre Lola, Leonardo e Antonina, e suas conseqüências no jogo infernal das vidas sucessivas. Leiamos:
“Nesse ínterim, Leonardo soerguera-se. Parecia animado de estranha energia. O corpo, não obstante continuar obscuro e pastoso, revelava-se desempenado. Repentinamente refeito, vigoroso e móbil, clamou:
– Lola! Lola! Estás aqui? Sinto-te a presença... Onde te ocultas? Ouve-me! Ouve-me!
Com inexprimível espanto, vimos dona Antonina escapar do aposento, no corpo espiritual com que a divisáramos na véspera. Avançou ao nosso encontro, extremamente surpreendida, e, avistando o avô transfigurado, como se fosse tangida no imo da personalidade por misteriosa influência, estampou súbita alteração facial, renovando-se igualmente aos nossos olhos. As linhas do semblante modificaram-se, de inopino, e vimo-lá realmente mais bela, todavia, menos serena e menos espiritualmente. Favorecendo-nos o máximo proveito nas observações, o Ministro falou em voz baixa:
– Nossa irmã exige tão somente leve auxílio magnético para lembrar-se. Basta-lhe a emotividade anormal do reencontro para cair na posição vibratória do passado, de vez que ainda não se encontra quitada com a Lei. Aterrada, Antonina rojou-se de joelhos aos pés do ancião que se rejuvenescera ao influxo dos passes de Clarêncio e gritou:
– Leonardo! Leonardo!
Ele, porém, irradiando no olhar ódio e padecimento intraduzíveis bradou:
– Enfim!... Enfim!”

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Quando Espíritos não querem voltar à Terra * Evangelização nº 167 do LIE

Há pouco tempo escrevemos uma peça de teatro EQM (Experiência de Quase Morte) em que a personagem principal, após ter sofrido parada cardíaca e interrupção da atividade cerebral, seu espírito é levado por outros espíritos amigos a um lugar muito formoso com flores perfumadas e músicas de suave langor. Ela fica deslumbrada, pois, sofrera muito na vida terrestre e principalmente no hospital no qual deixara seu sacrificado corpo. Foi necessário que viesse em auxílio o Dr. Bezerra de Menezes, esclarecendo aqui que devia voltar à vida de encarnado, pois seu organismo em alguns instante voltaria a respirar, ela ainda tinha compromissos e amores na vida física. É exatamente o que acontece com Antonina que, levada em sonho a uma região muito aprazível, comenta com o dirigente da expedição socorrista que a atendera que não gostaria de voltar ao corpo e ter que resolver todos os problemas e tormentos que a aguardava na vida física. Leiamos:
“Deixando-o a sós, na sala estreita, saímos para a noite. Entrelaçando as mãos e conservando nossas irmãs no circuito fechado de nossas forças, empreendemos a formosa romagem. Quem na Terra poderá imaginar as deliciosas sensações da alma livre? Viajando com a rapidez do pensamento, avançamos à frente da sombra noturna, largando para trás o deslumbramento da aurora, em colorido e cantante dilúculo... Atingindo formosa paisagem, banhada de suave luz, em que um parque imponente e acolhedor se distendia, fixei o semblante de nossas companheiras, que se mostravam extáticas e felizes. Dona Antonina, amparando-se em Clarêncio qual se fora uma filha apoiada nos braços paternos, inquiriu, maravilhada:
– Porque não transformar esta excursão em transferência definitiva? Pesa o corpo, à maneira de insuportável cruz de carne, quando conseguimos sentir a Terra, de longe...
– É verdade – concordou a outra irmã, que se sustentava em nós –, porque não nos é dado permanecer, olvidando os pesares e os dissabores do mundo?
– Compreendemos – ajuntou o Ministro, generoso –, compreendemos quanta inquietação punge o espírito reencarnado, mormente quando desperto para a beleza da vida superior; entretanto, é indispensável saibamos louvar a oportunidade de servir, sem jamais desmerecê-la. Achamo-nos ainda distantes da redenção total e todos nós, com alternativas mais ou menos longas, devemos abraçar a luta na carne, de modo a solver com dignidade nossos velhos compromissos. Somos viajores nos milênios incessantes. Ontem fomos auxiliados, hoje nos cabe auxiliar. À medida que avançávamos, ondas de perfume acentuavam-se, em torno de nós, revigorando-nos as energias e induzindo-nos a respirar a longos sorvos. Flores de contextura delicada pendiam abundantemente de árvores vigorosas, embalsamando as leves vibrações que sussurravam encantadoras melodias...”

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Como traçamos nosso próprio destino * Evangelização nº 168 do LIE

O pequeno trecho desse livro que vamos transcrever sintetiza conteúdos de grande sabedoria espiritual naquilo que se relaciona com a nossa trajetória de vida em vida. A fala do Ministro Clarêncio traz a sabedoria Celeste para as nossas peregrinações existenciais. Vejamos como cada espírito vai plantando e depois vai colhendo o que semeou pelo caminho de seus passos. Leiamos:
“– Mas se pudéssemos reconhecer no mundo os nossos antigos afetos, se pudéssemos rever os semblantes amigos de outras eras, identificando-os... – aventurou Antonina, reverente.
– Retomar o contacto com os melhores, seria recuperar igualmente os piores – atalhou Clarêncio, bondoso – e, indiscutivelmente, não possuímos até agora o amor equilibrado e puro, que se consagra aos desígnios superiores, sem paixão. Ainda não sabemos querer sem desprezar, amparar sem desservir. Nossa afetividade, por enquanto, padece deploráveis inclinações. Sem o esquecimento transitório, não saberíamos receber no coração o adversário de ontem para regenerar-nos, regenerando-o. A Lei é sábia. De qualquer modo, porém, não olvidemos que nosso espírito assinala todos os passos da jornada que lhe é própria, arquivando em si mesmo todos os lances da vida, para formar com eles o mapa do destino, de acordo com os princípios de causa e efeito que nos governam a estrada, mas somente mais tarde, quando o
amor e a sabedoria sublimarem a química dos nossos pensamentos, é que conquistaremos a soberana serenidade, capaz de abranger o pretérito em sua feição total...”

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Remorsos na outra vida * Evangelização nº 169 do LIE

A vida que segue após a morte sempre é um ajuste de contas com a consciência de cada um: Malquerenças, danos, ódios, ciúmes, rejeição, bem como tudo o que fizermos de bem, nada é esquecido no tribunal pelo que nos julgamos. É singularmente dramático o reencontro de Leonardo com Lola, na espiritualidade. Ela pede perdão ao homem a quem abandonara, e ele apega-se ao ódio daquela que o rejeitou por outro homem. No desejo de vingança explodem as acusações que dominavam o coração de Leonardo em quase 100 anos de sufocante espera. Para entender um tanto do que aconteceu nesse reencontro promovido pela expedição socorrista dirigida pelo extraordinário Irmão Clarêncio, Leiamos a parte de descrição feita por André Luiz:
“Antonina, modificada, esfregava os olhos como quem não desejava acreditar no que via, mas, resignando-se à evidência, continuou:
– Compadece-te de mim! compadece-te!...
– Lola, donde vens? – perguntou o infeliz.
– Não me induzas a lembrar!...
– Não lembrar? Que condenado no tormento da expiação será capaz de esquecer? A culpa é um fogo a consumir-nos por dentro...
– Não me reconduzas ao passado!...
– Para mim é como se o tempo fosse o mesmo. O inferno não tem horas diferentes... A dor paralisa a vida dentro de nós...
– É preciso olvidar...
– Nunca! O remorso é um monstro invisível que alimenta as labaredas da culpa... A consciência não dorme...
– Não me rebentes o coração!
– E acaso o meu não vive estraçalhado?
O diálogo prosseguia comovente e Antonina, genuflexa, explodindo em angustiosa crise de lágrimas, implorou com mais força:
– Não golpeies minhas feridas mal cicatrizadas! Não se rouba ao devedor o ensejo de pagar!
– Entretanto, por ti – gemeu o interlocutor –, enredei-me no crime.. Amei-te e perdi-me. Trazias nos olhos a traição disfarçada... Oh! Lola, porquê, porquê?... E, ante o doloroso acento com que essas palavras eram pronunciadas, a pobre mulher suplicou, mais triste:
– Leonardo, perdoa-me!... Sofri muito... Enlouqueceste, é verdade! Mas, a perturbação que me atacou era mais lastimável, mais amargosa!...”.

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Paixões desmoronando destinos * Evangelização nº 170 do LIE

Nem a psicanálise freudiana conseguiria uma visão transparente das paixões desnorteadas de Lima, Júlio e Esteves na montanha russa das subidas e descidas que o destino lhes preparara. Era como num jogo em que os jogadores apostavam tudo numa única parada. Aliás, as leis da vida nunca mudaram, os seres humanos é que, em não as reconhecendo não as aceitaram. Destinos como os de Antonina, Leonardo, Lola e vários outros personagens formam uma espécie de elenco de uma novela na qual contracenam sempre os mesmos atores, com outros nomes e épocas, sendo sempre os mesmos credores e devedores no livro da contabilidade Divina. A seguir vamos ler uma página que conta acerca da participação desses personagens no enredo da grande Roda do Destino: Leiamos, pois um trecho do capítulo a seguir.
“A paixão de Júlio era demasiado forte para resignar-se. Insinuou-se junto à recém-casada, cobriu-a de gentilezas e, provavelmente, quem sabe?
Nas vicissitudes da guerra e quase criança para guardar-se, como era preciso, nas responsabilidades do casamento, Lina envolveu-se nas atenções do rapaz, fazendo-lhe concessões...
Recordo-me do dia em que Esteves me procurou, desolado, comentando o golpe que recebera... Chorou debruçado nos meus ombros. Desejava desaparecer, aniquilar-se...
Fiz-lhe observar, porém, a inoportunidade de qualquer violência...
Enfermeiro bem conceituado e protegido do Conselheiro Silva Paranhos, nosso embaixador em missão extraordinária, junto às Repúblicas do Prata, não lhe seria difícil à retirada de Assunção...
Assim aconteceu.
Esteves afastou-se, primeiramente rio abaixo, na direção de Villeta, de onde havia trazido a esposa e onde se achavam, retardados, alguns camaradas enfermos, aos quais prestaria assistência...
Nada mais soube dele, a não ser que havia morrido misteriosamente em Piraju...
Evidenciando enorme padecimento moral, diante daquelas evocações, Silva estremeceu e, aproveitando o intervalo que se fizera, bradou, agoniado:
– E a tua participação no infortúnio de minha casa? Quem me convencerá de que também não te achavas de parceria com Júlio, na destruição de minha felicidade?”.

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Calvário de espíritos apaixonados * Evangelização nº 171 do LIE

A grande contribuição que André Luiz prestou à causa do acesso ao conhecimento superior do Espírito humano no crucial estágio da vida após a morte física foi demonstrar que nós todos pouco ou nada mudamos após o sepulcro. E isso tem um componente lógico, afinal um espírito não fica sendo uma pessoa que perdeu o corpo, mas que continua vivo, pensando nas suas lembranças, da sua identidade, da sua personalidade terrestre? Somos eternos – é nisso que a ciência oficial ainda reluta refletindo uma tendência obscurantista de grande parte dos nossos cientistas comprometidos com a materialidade que pretende ser a única verdade, a qual nega a sobrevivência do psíquico humano após a morte. Mas como ninguém tem poderes para ocultar eternamente a verdade, esta acabará se impondo pelas evidências que já existiu, enfraquecendo os raciocínios materialistas. Vamos acompanhar o estudo dos acontecimentos espirituais que aguardam todos os mortais a partir da morte que nada mais é o que o caminho da libertação:
“– Júlio! Júlio! comparece, covarde! ... – bramia o enfermeiro, possesso. E percebendo talvez a simpatia que Amaro nos conquistara, à face da serenidade com que suportava a situação, prosseguiu, invocando, revel:
– Comparece para desmascarar o patife que procura comover-nos!
Júlio, odeio-te! Mas é necessário apareças! Acusa teu desalmado assassino!...
O Ministro procurava contê-lo, bondoso, mas Silva, como potro indomesticado, gesticulava a esmo e continuava, conclamando:
– Júlio!... Júlio!...
Sim, Júlio não respondeu à chamada, entretanto, alguém surgiu, surpreendendo-nos a atenção. A irmã Blandina, em pessoa, qual se fora nominalmente intimada, estacou junto de nós. Envolvidos na doce luz que nos banhou, de improviso, aquietamo-nos, perplexos, à exceção de Clarêncio que se mantinha calmo, como se aguardasse semelhante visita. Depois de saudar-nos, Blandina rogou, humilde:
– Irmãos, por amor a Jesus, atendei!... Temos Júlio, sob a nossa guarda. Acha-se doente, aflito... Vossos apelos individuais alteram-lhe o modo de ser... Poderia colocar-se mentalmente ao vosso encontro, contudo, atravessa agora difíceis provas de reajuste... Venho implorar-vos caridade!... Compadecei-vos de quem hoje se esforça por olvidar o que foi ontem para regenerar-se amanhã, com eficiência!”

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Reencontro na Espiritualidade * Evangelização nº 172 do LIE

Se, em termos humanos, se fizesse específica comparação, a obra “Nosso Lar” do Espírito André Luiz, seria como a Nona Sinfonia de Beethoven, ou maior parte da Bíblia sagrada. Pode-se afirmar com certeza que, no futuro, nenhum teólogo ou educador religioso estará apto a abrir a compreensão dos seres mortais para visualizar com certeza e sem erros, como é a vida no além-túmulo. Qualquer que seja sua opção religiosa na Terra. Posto isso, prossigamos nosso glorioso estudo do “Nosso Lar”, que é como se fôssemos tripulantes das caravelas de Cristóvão Colombo rumo à descoberta do Novo Mundo. O reencontro de espíritos algemados uns aos outros pelo remorso tendo uma reação de culpas pelo que praticaram em vidas anteriores, quase sempre é doloroso. Vejamos um trecho do capítulo 19 em que vozes e intenções de variados níveis de evolução se fazem ouvir no entrechoque das paixões. Leiamos:

“Clarêncio enlaçou Mário, como um pai que recolhe um filho, carinhosamente, e, apontando a enferma, esclareceu, generoso:
Amigo, acalma-te!
Lina Flores, atualmente, padece na forja da luta e do sacrifício, a fim de recuperar-se. Apaga a labareda de ódio que te requeima o coração!
Deixa que nova compreensão te beneficie a alma ulcerada!...
Não nos cabe prejudicar o caminho de quem procura a regeneração que lhe é necessária! Ante o olhar de Mário, espantadiço e agoniado, o Ministro considerou:
– Lina, hoje, com imensas dificuldades, tenta alcançar a altura do casamento digno e, superando tremendos obstáculos, constrói os alicerces da missão de maternidade para a qual se encaminha... Ajudemo-la com as nossas vibrações de compreensão e carinho. Quando amamos realmente, antes de tudo é a felicidade da criatura amada que nos interessa...”.

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