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Um
lugar para onde vão os mortos*
Evangelização nº 120/07 do LIE.
Como
é para muitos a vida depois da morte
*
Evangelização
nº 121/07 do LIE.
Ação
e Reação *
Evangelização
nº 122/07 do LIE.
Resgate
para os médicos que falham
*
Evangelização
nº 123/07 do LIE.
Mecanismos
de culpa e reparação
*
Evangelização
nº 124/07 do LIE.
Quando
as orações são aludidas?
*
Evangelização
nº 125/07 do LIE.
Pessoas
que plantam sementes do mal
*
Evangelização
nº 126/07 do LIE.
Filosofia
Moral acerca da vida, da morte e do destino que nós mesmos
criamos *
Evangelização
nº 127/07 do LIE.
Espíritos
Não-conhecidos que interferem por nós
*
Evangelização
nº 128/07 do LIE.
Diálogo
na hora da morte *
Evangelização
nº 129/07 do LIE.
O
porque das mortes nos desencarnes coletivos
*
Evangelização
nº 130/07 do LIE.
Episódios
de sofrimentos coletivos
*
Evangelização
nº 131/07 do LIE.
Como
funciona a Lei de Ação e Reação
*
Evangelização
nº 132/07 do LIE.
Um
lugar para onde vão os mortos.*
Evangelização
nº 120 do LIE
Não há quem não queira saber para onde
vão os recém desencarnados. A Doutrina Espírita
nos mostra que cada pessoa, após a desencarnação,
irá para o lugar que ela própria edificou para
si. Quem viveu ao nível das paixões e dos instintos,
fez a sua própria morada nas regiões inferiores
e sem Luz. Aquele que se esforçou, lutou e despertou
para a Luz Divina, este vai para as regiões iluminadas
de Deus. Não foi debalde que Jesus nos revela: “Há
muitas moradas na Casa de meu Pai.” Neste livro André
Luiz nos relata e descreve as regiões e colônias
de recuperação e refazimento onde estagiou no
serviço de aprendizado. O trecho a seguir conta sobre
a vida difícil e sofredora que acontece nessas regiões
de aprendizado pela dor.
“São delinqüentes comuns
ou criminosos acusados de grandes faltas? Encontraríamos
por aí seres primitivos como os nossos indígenas,
por exemplo? Os apontamentos do amigo não se fizeram
esperar. Tais inquirições – disse ele, quando
de minha vinda para cá, me assomaram igualmente à
cabeça. Há cinqüenta anos sucessivos estou
neste refúgio de socorro, oração e esperança.
Penetrei os umbrais desta casa como enfermo grave, após
o desligamento do corpo terrestre. Encontrei aqui um hospital
e uma escola. Amparado, passei a estudar minha nova situação,
anelando servir. Fui padioleiro, cooperador da limpeza, enfermeiro,
professor, magnetizador, até que, de alguns anos para
cá, recebi jubilosamente o encargo de orientar a instituição,
sob o comando positivo dos instrutores que nos dirigem. Obrigado
a pacientes e laboriosas investigações, por força
de meus deveres, posso adiantar-lhes que às densas trevas
em torno somente aportam às consciências que se
entenebreceram nos crimes deliberados, apagando a luz do equilíbrio
em si mesma. Nestas regiões inferiores não transitam
as almas simples, em qualquer aflição purgativa,
situadas que se encontram nos erros naturais das experiências
primárias. Cada ser está jungido, por impositivos
da atração magnética, ao círculo
de evolução que lhe é próprio.
Os selvagens, em grande maioria, até que se lhes desenvolva
o mundo mental, vivem quase sempre confinados à floresta
que lhes resume os interesses e os sonhos, retirando-se vagarosamente
do seu campo tribal, sob a direção dos Espíritos
benevolentes e sábios que os assistem, e as almas notoriamente
primárias, em grande parte, caminham aos influxos dos
gênios beneméritos que as sustentam e inspiram,
laborando com sacrifício nas bases da instituição
social e aproveitando os erros, filhos das boas intenções,
à maneira de ensinamentos preciosos que garantem a educação
dessas almas. Asseguro-lhes, assim, que, nas zonas infernais
propriamente ditas, apenas residem aquelas mentes que, conhecendo
as responsabilidades morais que lhes competiam, delas se ausentaram,
deliberadamente, com o louco propósito de ludibriarem
o próprio Deus. O Inferno, a rigor, pode ser, desse modo,
definido como vasto campo de desequilíbrio, estabelecido
pela maldade calculada, nascido da cegueira voluntária
e da perversidade completa. Aí vivem domiciliados, às
vezes por séculos, Espíritos que se bestializaram,
fixos que se acham na crueldade e no egocentrismo. Constituindo,
porém, larga província vibratória, em conexão
com a Humanidade terrestre, de vez que todos os padecimentos
infernais são criações dela mesma, estes
lugares tristes funcionam como crivos necessários para
todos os Espíritos que escorregam nas deserções
de ordem geral, menosprezando as responsabilidades que o Senhor
lhes outorga.”
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Como
é para muitos a vida depois da morte.*
Evangelização
nº 121/07 do LIE
Erra muito a atual civilização humana ao mostrar
o mundo como conquista sucessiva de gozo e prazeres. Somos educados
desde a infância, como se a felicidade fosse acima de
tudo a posse daquilo que cobiçamos e usufruímos.
De Deus e Jesus só superficialmente nos lembramos em
etapas de dores, sofrimentos, quedas ou acontecimentos cruéis.
Buscamos avidamente só o que agrada aos nossos sentidos.
A frase que melhor condensa esse materialismo desvairado é:
“Temos que aproveitar o máximo, por que o que se
leva da vida é a vida prazerosa que a gente leva”.
Embora a busca de prazeres sensatos não seja proibida
por Deus, a verdade é que o sentido evolucionista da
vida criada pela Providência Divina é bem outro.
Aqui nós vamos transcrever um trecho do capítulo
2 desse livro que mostra sem enfeites o que acontece com aqueles
que, tendo jogado fora às oportunidades superiores da
vida, chegam do outro lado como réus condenados pela
própria consciência a viverem como bichos adoentados
em meio aos escombros do umbral que podemos chamar de inferno.
Leiamos:
“Ao clarão de vários
lampadários, podíamos observar, ao largo estrado
em que nos instaláramos com o orientador, os semblantes
disformes que, em maioria, ali se congregavam. Aqui e ali se
acomodavam assistentes e enfermeiros, cuja posição
espiritual era facilmente distinguível pela presença
simpática com que encorajavam os sofredores. Calculei
em duas centenas, aproximadamente, o número de enfermos
que à nossa frente se reuniam. Mais de dois terços
apresentavam deformidades fisionômicas. Quem terá
visitado um sanatório de moléstias da pele, analisando
em conjunto os doentes mais graves, poderá imaginar o
que fosse aquele agregado de almas silenciosas e dificilmente
reconhecíveis. Notando a quase completa quietude ambiente,
indaguei de Druso quanto à tempestade que se contorcia
lá fora, informando-me o generoso amigo que nos achávamos
em salão interior da cidadela, exteriormente revestido
de abafadores de som. Integrando a equipe dirigente, Hilário
e eu passamos a conhecer companheiros agradáveis e distintos,
os Assistentes Silas e Honório e a irmã Celestina,
três dos mais destacados assessores na condução
daquela morada socorrista.
Não nos foi possível qualquer entendimento, além
das saudações comuns, por que o orientador, após
indicar um dos enfermos para proferir a oração
de início, que ouvimos emocionadamente, tomou a palavra
e falou com naturalidade, qual se estivesse conversando numa
roda de amigos: - Irmãos, continuemos hoje nosso comentário
acerca do bom ânimo. Não me creiam separado de
vocês por virtudes que não possuo. A palavra fácil
e bem posta é, muita vez, dever espinhoso em nossa boca,
constrangendo-nos à reflexão e à disciplina.
Também sou aqui um companheiro à espera da volta.
A prisão redentora da carne acena-nos ao regresso. É
que o propósito da vida trabalha em nós e conosco,
através de todos os meios, para guiar-nos à perfeição.
Cerceando-lhe os impulsos, agimos em sentido contrário
à Lei, criando aflição e sofrimento em
nós mesmos.
No plano físico muitos de nós supúnhamos
que a morte seria ponto final aos nossos problemas, enquanto
outros muitos se acreditavam privilegiados da Infinita Bondade,
por haverem abraçado atitudes de superfície, nos
templos religiosos. A viagem do sepulcro, no entanto, ensinou-nos
uma lição grande e nova – a de que nos achamos
indissoluvelmente ligados às nossas próprias obras.”
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Ação
e Reação*
Evangelização
nº 122/07 do LIE
Em “Ação e Reação” André
Luiz põe em evidência como são aplicados
e como funcionam as leis Divinas, também na outra dimensão
da vida. As criaturas que ainda não despertaram, ou se
recusam a despertar, sofrem muito mais do que os que entenderam
e aplicam tais leis na sua conduta diária. Irmãos
compreendamos isto: não há efeito sem causa nem
ação sem reação. Temos que nos adaptar
ao modo de viver com Deus inspirando nossa consciência
e influindo em nossas ações diárias. A
vida para além do túmulo mostra isso com amplo
relevo porque lá já não temos um corpo
físico, somos apenas recordações expostas
à justiça do tribunal de Deus. Cada um se dirigirá
automaticamente para o lugar que merece ou conquistou. Ninguém
conseguirá mentir a si próprio nem a os outros.
Ficaremos libertos pelo bem que fizermos na vida física
ou algemados aos erros e transgressões que praticamos.
Foi por isto que Jesus nos revelou com clareza: “Conhecereis
a Verdade e a Verdade vos libertará”. Ou nos endereçamos
para as regiões de Luz e bem-estar ou iremos mergulhar
nas sombras do Umbral, lá onde há choro e ranger
de dentes. Vamos ouvir aqui um trecho do capítulo 9 que
estamos estudando: Leiamos.
“Paguemos nossas dividas, que respondem
por sombras espessas em nossas almas, e o espelho de nossa mente,
onde estivermos, refletirá a luz do Céu, a pátria
da Divina Lembrança!...
Compreendemos que Silas auxiliava Clarindo e Leonel, identificando-os
como irmãos de luta e aprendizado, no que discutivelmente,
ampliaria os próprios méritos. Muitas inquirições
explodiam, em pensamento, no meu acanhado mundo íntimo...
Quem lhe seria o pai amigo? Onde viveria sua abnegada genitora?
Esperava despender, ainda, longo tempo na procura da madrasta
infeliz?... Entretanto, a grandeza espiritual do Assistente
não nos favorecia qualquer pergunta indiscreta.
Apenas tive coragem para considerar, respeitoso: - Oh! Meu Deus,
quanto tempo gastamos para refazer, às vezes, a inconseqüência
de um simples minuto! – Você tem razão, André
– comentou Silias, generoso -, a lei é de ação
e reação... A ação do mal pode ser
rápida, mas ninguém sabe quanto tempo exigirá
o serviço da reação, indispensável
ao restabelecimento da harmonia soberana da vida, quebrada por
nossas atitudes contrárias ao bem... E, sorrindo: - Por
isso mesmo, recomendava Jesus às criaturas encarnadas:
- <<Reconcilia-te depressa com o teu adversário,
enquanto te encontras a caminho com ele...>> É
que Espírito algum penetrará o Céu sem
paz de consciência, e, se é mais fácil apagar
as nossas querelas e retificar nossos desacertos, enquanto estagiamos
no mesmo caminho palmilhado por nossas vítimas na Terra,
é muito difícil providenciar a solução
de nossos criminosos enigmas, quando já nos achamos mergulhados
nos nevoeiros infernais.
A ponderação era cabível e justa. Não
nos foi possível, porém, prosseguir a conversa.
Leonel, cuja impassibilidade reconhecíamos, com grande
surpresa para nós tinha os olhos umedecidos... Silas
ergueu os olhos para o Alto, agradecendo a benção
da transformação que se esboçava e recolheu-o
em seus braços. O desditoso irmão de Clarindo
queria falar... Percebemos que tencionava referindo-se à
morte de Alzira, no lago, mas o Assistente prometeu-lhe que
voltaríamos na noite seguinte. Logo, após, voltávamos,
mas nem Hilário nem eu nos animamos a conversar com o
denodado companheiro, que entrara, melancólico, em expressivo
silêncio.”
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Resgate
para os médicos que falham*
Evangelização
nº 123/07 do LIE
Desde Hipócrates os médicos sempre ocuparam lugar
de relevo na maioria das comunidades. Tendo também sido
médico na Terra, André Luiz conta-nos, acerca
de um Espírito de nome Assistente, o qual em vida física
exercera muito mal a carreira médica no plano terrestre
e então, via-se obrigado a providenciar o socorro na
hora do parto difícil de uma das suas ex-vitimas quando
estava encarnado. André fala também dos graves
compromissos que os profissionais da medicina assumem perante
a Consciência Divina principalmente quando se afastam
do reto dever a cumprir. Outro detalhe explicado foi que o “Assistente”,
por concessão da Misericórdia Divina voltaria
a Terra para novamente ser médico e, dessa vez, não
poderia cometer falhas ou iniciativas incompetentes ou irresponsáveis.
E a indesviável lei de Causa e Efeito, de Ação
e Reação diante das Leis Eternas. Leiamos com
atenção um trecho desse longo capítulo.
“Leonel, cuja inteligência
aguda não perdia os nossos menores movimentos, perguntou
a Silas, com ar respeitoso, se os trabalhos a que se dedicava
exprimiam alguma preparação, diante do porvir
ao que o Assistente respondeu sem pestanejar:
- Sem dúvida. Ainda ontem lhe falei dos meus erros de
médico, que praticamente jamais o fui, e comentei o plano
de abraçar a Medicina no futuro, entre os encarnados
nossos irmãos. Todavia, para que eu mereça a ventura
de tal reconquista, consagro-me, nas regiões inferiores
que me servem de domicílio, ao ministério do alívio,
criando causas benéficas para os serviços que
virão...
- Causas? Causas? – murmurou Clarindo, algo espantado.
– Sim, procurando ajudar espontaneamente além dos
deveres que me são impostos, na luta pela recuperação
moral de mim mesmo, com a Bênção Divina
alongarei a sementeira de simpatia em meu favor. E relanceando
significativamente o olhar sobre nós, acentuou, em seguida
a breve minuto de reflexão:
- Um dia, consoante às dívidas que me pedem resgate,
estarei novamente entre as criaturas encarnadas e, para solver
minhas culpas, também sofrerei obstáculo e dúvida,
enfermidade e aflição... Que mãos caridosas
e amigas me amparem daqui, em nome de Deus, porque isoladamente
ninguém consegue vencer... E para que braços amorosos
se me estendam, mais tarde, é imperioso movimente agora
os meus no voluntário exercício da solidariedade.
O ensinamento era precioso, não apenas para os dois perseguidores
que o registravam, perplexos, mas também para nós
que reconhecíamos, mais uma vez, a Infinita Bondade do
Supremo Senhor, que, ainda mesmo nos mais tenebrosos ângulos
da sombra, nos permite trabalhar pelo incessante engrandecimento
do bem, como abençoado preço de nossa felicidade.
Enquanto volitávamos de retorno, Hilário, antecipando-me
na curiosidade, inclinou a conversação para o
caso de Laudemira. Era conhecida de Silas, desde muito tempo?
Assumira, assim, compromissos tão graves para com a maternidade?
Que papel representavam os filhos junto dela? Credores ou devedores?
Silas sorriu complacente para a argüição
cerrada e explicou:
- Inegavelmente, creio que o processo redentor de nossa amiga
serve por tema palpitante nos estudos de causa e efeito que
vocês vão acumulando.
Entregou-se a longa pausa de consulta à memória
e prosseguiu:
- Não podemos, assim de relance, mergulhar pormenorizadamente
no pretérito que lhe diz respeito, nem posso de mim mesmo
cometer qualquer indiscrição, abusando da confiança
que a Mansão me outorga, no exercício de meus
encargos.”
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Mecanismos
de culpa e reparação.*
Evangelização
nº 124/07 do LIE
Quando praticamos o mal, em nenhum outro lugar haverá
mais lembrança e remorso desse mal que na vida que segue
após a morte. Leonel e Clarindo, desencarnados, que em
vida anterior provocaram a morte de Alzira a caminho do arrependimento
pelo ato praticado, juntos a um grupo socorrista, foram levados
ao local do crime, num lago regional. Estava para acontecer
ali uma patética cena de comoção espiritual
e perdão de parte de sua vítima. Alzira haveria
de perdoar-lhes e, numa iniciativa de nobre sacrifício
e júbilo, iria recebê-los como filhos especiais
de seu coração, em tempos de reencarnação
para toda a ex-família. Agora, chegara o tempo do resgate,
da redenção a caminho da Luz. Leiamos a seguir
um trecho do capítulo acima citado, mostrando que o resgate
na recapitulação do fato delituoso é sempre
mais difícil do que ter evitado o mal antes que acontecesse
o episódio trágico. Vejamos, pois:
“Leonel e Clarindo, porém,
quase que de modo simultâneo, lamentaram-se quanto ao
problema de Alzira... Em verdade, no desespero da própria
causa, haviam aceitado as sugestões da loucura, gastaram
anos a fio estendendo a crueldade nas trevas; entretanto, nada
lhes doía tanto como a violência praticada contra
a esposa de Antônio Olímpio que, horrorizada ante
a perseguição deles, se havia arrojado naquelas
águas de terríveis reminiscências... Mas
e se Alzira lhes trouxesse em pessoa o abraço de entendimento
e de auxílio? E como sorrissem de esperança, no
turbilhão das próprias lágrimas, o Assistente
afastou-se por alguns minutos e voltou, trazendo em sua companhia
a generosa irmã que, envergando cintilante roupagem,
lhes estendeu as mãos, a ofertar-lhes o colo maternal,
resplendente de amor. Leonel e Clarindo, qual se fossem feridos
de morte, caíram genuflexos, esmagados de medo e de júbilo...
Alzira, no entanto, afagou-lhes as cabeças submissas
e falou em tom comovente: - Filhos de minhalma rendamos graças
a Deus por esta hora de bênção. E porque
Leonel tentasse debalde pedir-lhe perdão, ensaiando monossílabos
cortados pelos soluços, a genitora de Luís suplicou,
humilde:
- Sou eu quem deve ajoelhar-se, implorando-lhes caridoso indulto!...
O crime de meu esposo é também meu crime... Vocês
foram espoliados dos mais belos sonhos, quando a mocidade terrestre
começava-lhes a sorrir-lhes. Nossa desregrada ambição,
contudo, furtou-lhe os recursos e as possibilidades, inclusive
a existência... Perdoem-nos!... Pagaremos nossas dívidas.
Ajudar-nos-á o Senhor na recuperação de
nossa casa... Em breve, Antônio Olímpio e eu estaremos
no plano físico e, com o apoio da Misericórdia
Divina, restituiremos a vocês o sítio que não
nos pertence... Permitam, meus filhos, possa honrar-se minha
alma com o privilégio de ser-lhes amorosa mãe
no mundo... Para restaurar-lhes a esperança e refazer-lhes
o ideal, ofereço-lhes o meu coração...
Conceder-me-á o Senhor a bênção de
agasalhá-los em meu seio, criando-os com o hálito
de meus beijos e com o orvalho de minhas lágrimas...
Para isso, porém, é necessário que o olvido
de nossos pesares nasça, puro, do amor que devemos uns
aos outros... Esqueçamos ressentimentos e Deus nos suprirá
de recursos para que venhamos a solver nossos débitos...
Ergam-se, filhos queridos... Sabe Jesus que desejo conchegá-los
de encontro ao meu peito e guardá-los nos meus braços!...”
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Quando
as orações são aludidas?*
Evangelização
nº 125/07 do LIE
Uma pergunta interessante foi feita por Hilário sobre
se uma pessoa que julgamos santa e que teve deslizes na vida,
se tal desencarnado recente pode ouvir e atender nossas preces,
já que a julgávamos santa? A resposta do Assistente
não se fez esperar, esclarecendo que, se momentaneamente
o espírito invocado não tenha condições
de atender, embora tenha deixado na Terra pegadas de luz, outros
companheiros de jornada no bem se encarregarão de atender
as preces dos seus entes queridos ou afins que permanecem no
plano físico. André Luiz explica com um caso:
Se o Benfeitor Bezerra de Menezes for invocado para obtenção
de alguma graça, ele assiste pessoalmente a quem o está
invocando ou então, designa companheiros mais chegados
para fazê-lo. Vamos então ouvir com atenção
o que nos narra André Luiz no trecho final do capítulo
11 deste livro. Leiamos:
“Silas interrompeu-lhe a reflexão,
acentuando: - Segundo reconhecemos, o santuário, serve
a oração digna, sem cultos especiais. Ali, alguém
recorre ao amparo da monja de Lisieux, aqui um coração
infortunado pede socorro ao notável companheiro dos espíritas
do Brasil. Antes de desviar a minha atenção, fitei
o semblante do grande médico, segundo as recordações
da irmã que orava, confiante, anotando o primor da fotografia
mental que ela exteriorizava. Víamos, ali, o retrato
do Dr. Bezerra de Menezes, qual o conhecemos, sereno, simples,
bondoso, paternal...
Precedendo-nos as interrogações costumeiras, o
Assistente informou: - Com mais de cinqüenta anos consecutivos
de serviço à causa Espírita, depois de
desencarnado, Adolfo Bezerra fez jus à formação
de extensa equipe de colaboradores que lhe servem à bandeira
de caridade. Centenas de Espíritos estudiosos e benevolentes
obedecem-lhe às diretrizes na lavoura do bem, na qual
opera ele em nome do Cristo. – Desse modo – alegou
Hilário -, é fácil compreendê-lo
agindo em tantos lugares ao mesmo tempo...
– Perfeitamente – concordou Silas. – Como
acontece na radiofonia, em que uma estação emissora
está para os postos de recepção, assim
qual uma só cabeça pensante para milhões
de braços, um grande missionário da luz, em ação
no bem, pode refletir-se em dezenas ou centenas de companheiros
que lhe acatam a orientação no trabalho ajustado
aos desígnios do Senhor.
Bezerra de Menezes, invocado carinhosamente, em tantas instituições
e lares espíritas, ajuda em todos eles, pessoalmente
ou por intermédio das entidades que o representam com
extrema fidelidade. – Para isso – aduziu meu colega
– terá o seu campo próprio de atividade,
assim como um chefe de serviço humano possui a sede administrativa
da qual distribui com os comandos o pensamento diretor da organização...
– Como não? – falou-nos o Assistente, sorrindo
– o Senhor, que tem meios de instalar condignamente qualquer
dirigente de trabalho humano, ainda mesmo nas mais íntimas
experiências da vida social no Planeta, não relegaria
à intempérie os missionários da luz no
Plano Espiritual. Assim dizendo, Silas discretamente nos compelia
a caminhar na direção da porta de acesso ao pátio
exterior do templo. Alcançando a saída, notamos
que a claridade ambiente se apagava quase que de chofre, a poucos
metros do pórtico, dando-nos a idéia de sofrer
tremendo impacto das sombras circundantes. No enorme átrio,
adensava-se turba imensa... Grupos diversos conversavam em alta
voz... Havia quem chorasse, quem deprecasse, quem gemesse...
Nossa visão, ainda não adaptada, mal registrava
os contornos da grande multidão que ali se aglomerava;
entretanto, podíamos ouvir com precisão palavras
e gritos, rogativas ardentes e desconsoladores apelos...”
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Pessoas
que plantam sementes do mal.*
Evangelização
nº 126/07 do LIE
Há muitas pessoas que buscam na união conjugal
apenas prazeres e comodidade pessoal. Não dominam seu
egoísmo, não reeducam seus sentimentos e querem
que o cônjuge seja apenas um carregador de males. Passados
os primeiros tempos quando imperam os hormônios, se sentem
atraídos para vícios ou esquecimento dos compromissos
assumidos para o assentamento familiar. O autor André
Luís atrai nossa atenção contando a decadência
de uma dessas situações domésticas, quando
o esposo se envolve com outras mulheres que não a sua,
bem como a miséria moral que se abate sobre os três
filhos do Lar de Marcela. Leiamos o que aconteceu dentro desse
lar:
“Em atormentada vigília até
noite alta, agoniava-se-lhe o espírito, observando Ildeu,
estróina, alcançando o lar, tresandando a licores
alcoólicos e exibindo os sinais de aventuras inconfessáveis.
Se erguia a voz, lembrando alguma necessidade dos meninos, retorquia
ele, irritado: - Vida infame! Sempre você a recriminar-me,
a aborrecer-me, a perseguir-me com censuras e petitórios!...
Se quiser dinheiro, trabalhe. Se eu soubesse que o casamento
seria isso, teria preferido estourar os miolos a assinar um
contrato que me escraviza a existência inteira!... E gritando,
intemperante, mostrava-nos a tela das suas recordações,
em que Mara, a jovem sedutora, lhe surgia à mente, como
sendo a mulher ideal. Cortejava-a com a esmaecida figura da
esposa que as dificuldades acabrunhavam e, governado pela imagem
da outra, entregava-se a chocantes excitações,
ansiando fugir do lar. Marcela, em pranto, suplicava-lhe tolerância
e serenidade, acentuando que não desdenhava o serviço.
Despendia o tempo de que dispunha na cooperação
mal remunerada, em favor de lavanderia modesta, contudo, os
afazeres domésticos não lhe permitiam fazer mais.
– Hipócritas! – berrava o marido que a cólera
transtornava – e eu? Que pretende você de mim? Posso,
acaso fazer mais? Sou um homem dependurado em lojas e armazéns...
Devo a todos!... Não sei até quando poderei aturá-la.
Não será mais aconselhável regresse você
à terra que teve a infelicidade de vê-la nascer?
Seus pais estão vivos... A pobre criatura em lágrimas
emudecida, mas, sendo a voz dele estentórica, quase sempre
o pequeno Roberto acordava e acorria em socorro da mãezinha,
enlaçando-a, estremunhado. Ildeu avançava sobre
o miúdo interventor a sopapos, clamando com insofreável
revolta: - Saia daqui! Saia daqui!... E qual se o petiz lhe
não fora filho, mas adversário confesso, acrescentava
cerrando os punhos: - Tenho gana de matá-lo!... matá-lo!...
Todas as noites, esta mesma pantomima. Bandido! Palhaço!...
E o menino, agarrado ao colo materno, sofria pancadas até
recolher-se, de novo ao leito, em pranto convulsivo.
Entretanto, se as filhas choramingassem, eis que o genitor se
desfazia em ternura, ainda mesmo quando embriagado, proferindo,
bondoso: - Minhas filhas!... Minhas pobres filhas!... Que será
de vocês no futuro? É por vocês que ainda
me encontro aqui, tolerando a cruz desta casa!... E, não
raro, ele próprio ia reacomodá-las no berço.
Silas e nós entrávamos em ação,
a benefício de Marcela e dos filhinhos. Do atormentado
lar, ameaçado de completa destruição, demandávamos
outros setores de serviço, sem que o Assistente encontrasse
oportunidade de administrar-nos esclarecimentos mais amplos.
Todavia, quase que diariamente, à noite, ali aplicávamos
alguns minutos em tarefas que nos falavam aos refolhos do coração.
Contudo apesar de nosso esforço, o chefe da família
mostrava-se, cada dia, mais indiferente e distante. Enfadado
e irritadiço, não concedia à esposa nem
mesmo a gentileza de leve saudação. Fascinado
pela outra, passara a odiá-la. Pretendia desobrigar-se
do compromisso assumido e trilhar nova senda...”.
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Filosofia
Moral acerca da vida, da morte e do destino que nós mesmos
criamos.*
Evangelização
nº 127/07 do LIE
Por que o Destino se apresenta tão cruel para certas
criaturas? Quais os direitos essenciais que um pai ou uma mãe
pode ter sobre os filhos gerados em meio à dor e o sofrimento?
Sobre quem recai a maior culpa quando um casamento se dissolve
pelo divórcio ou a separação? Quais os
compromissos futuros que assumimos com os filhos que foram criados
em meio a brigas e violência em lares desarmonizados pelo
contínuo desentendimento? O que disse Jesus no Evangelho
de Marcos capítulo 19, parágrafos 7 e 8. Todas
essas fundamentais questões são debatidas por
Silas e demais assistentes e monitores da equipe socorrista
que busca salvar o lar de Marcela, Ildeu e os três filhinhos
do casal quando surge um ataque de fúria e suicídio
na crise que se abate sobre essa atormentada família
que estava sendo atendida por tal equipe de Espíritos
benfeitores e orientadores. Leiamos o que está escrito
num trecho final do capítulo acima citado:
“E porque Marcela chorasse, receando
o porvir, em face das contingências materiais, Silas afagou-lhe
a cabeça e asseverou, prestimoso: - Para mãos
dignas jamais faltará trabalho digno. Contemos com a
proteção do Senhor e marchemos com desassombro.
Enxuga o pranto e ergue-te em espírito à Fonte
do Sumo Bem!... Nesse ínterim, parentes desencarnados
da jovem senhora assomaram carinhosamente ao recinto, estendendo-lhe
as mãos... E nosso orientador confiou-lhes Marcela, chorosa,
rogando-lhes ajuda para que víssemos restauradas. Retiramo-nos,
em seguida. Foi então que nossas perguntas explodiam,
insopitáveis: - Por que Marcela, meiga e honesta, era
odiada pelo esposo, assim tanto? Por que a preferência
de Ildeu pelas filhinhas, com tanto desdém pelo primogênito?
E a separação em perspectiva? Seria justo procurar
o nosso mentor fortalecer aquela mãezinha desventurada
para o desquite, ao invés de incentivá-la à
recuperação do amor e do devotamento do companheiro?
O Assistente sorriu com manifesto desencanto e obtemperou: -
Há nas anotações do Apóstolo Mateus
certa passagem, na qual afirma Jesus que o divórcio na
Terra é permitido a nós pela dureza de nossos
corações. Aqui, a medida deve ser facultada à
maneira de medicação violenta em casos desesperadores
de desarmonia orgânica. Na febre alta ou no tumor maligno,
por exemplo, a intervenção exige métodos
drásticos, a fim de que a crise de sofrimento não
culmine com a loucura ou com a morte extemporânea. Nos
problemas matrimoniais, agravados pela defecção
de um dos cônjuges ou mesmo pela deserção
de ambos do dever a cumprir, o divórcio é compreensível
como providência contra o crime, seja ele o assassínio
ou o suicídio... Entretanto, assim como o choque operatório
para o tumor e a quinina para certas febres são recursos
de emergências, sem capacidade de liquidar as causas profundas
da enfermidade, as quais prosseguem reclamando tratamento longo
e laborioso, o divórcio não soluciona o problema
da redenção, porque ninguém se reúne
no casamento humano ou nos empreendimentos de elevação
espiritual, no mundo, sem o vínculo do passado, e esse
vínculo, quase sempre significa débito no espírito
ou compromisso vivo e delongado no tempo. O homem ou a mulher,
desse modo, podem provocar o divórcio e obtê-lo,
como sendo o menor dos piores males que lhes possam acontecer...
Ainda assim, não se libertam da dívida em que
se acham incursos, cabendo-lhes voltar ao pagamento respectivo,
tão logo seja oportuno.”
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Espíritos
Não-conhecidos que interferem por nós.*
Evangelização
nº 128/07 do LIE
No
caso de Adelino acontecia o seguinte: ele estava encarnado,
era um homem caridoso e humilde, mas, no passado, tivera certas
complicações e causara lágrimas, em razão,
disto surgiram-lhe no rosto e no corpo, edemas e inchações,
embora ele continuasse praticando a caridade. Então,
no outro lado da vida, surgiram vários espíritos
afeiçoados à pessoas que Adelino continuava ajudando,
entre as quais sua falecida mãe e um outro Espírito
assistente que imploravam à Equipe do Instrutor Drusio,
que socorresse Adelino, minorando os sofrimentos orgânicos
do bondoso homem. Leiamos agora um trecho desse capítulo
16 para entendermos melhor a lei de causa e efeito que ilumina
o caminho de quem tem amor no coração:
“Cercado pelas vibrações
radiantes dos seus pensamentos, centralizados no santo objetivo
do bem, afigurava-se-nos um companheiro vestido de luz. Alguns
instantes após o afastamento da velhinha, apareceu-nos
simpático rapaz, igualmente já desenfaixado da
matéria física, que, depois de saudar-nos, rogou,
reverente, ao nosso orientador:
- Peço vênia para solicitar-lhe valioso obséquio...
– Fale sem receio. E o jovem recém-chegado explicou,
de olhos úmidos: Meu caro assistente, sei que o nosso
Adelino vem atravessando certa crise financeira... Pelo muito
que auxilia os outros, descura-se das suas próprias necessidades.
Pelo amparo que ele oferece constantemente a minha pobre mãe
encarnada, insisto no apoio de suas amizade para que seja favorecido.
Ainda na semana passada, ouvi as súplicas de minha genitora
viúva, em grande penúria para atender ao tratamento
de dois dos meus mansos enfermos, procurei-o, em lágrimas,
transmitindo-lhe apelos mentais para que nos protegesse e, sem
qualquer vacilação, acreditando obedecer aos seus
impulsos, visitou-nos a casa, entregando à minha sofredora
mãezinha a importâncias de que necessitava... O
meu Assistente, rogo-lhe por amor a Jesus!... Não deixe
em dificuldade quem tanto nos auxilia!...
Silas acolheu a petição com risonha benevolência
e disse: - Descansemos. Adelino permanece na rede de simpatia
fraternal que teceu para o asilo de si mesmo. Incumbem-se muitos
amigos de supri-lo com os recursos indispensáveis ao
fiel desempenho da tarefa a que se dedicou. As circunstâncias
na luta material harmonizar-se-ão em favor dele, atendendo-lhe
aos méritos conquistados. Efetivamente o serviço
espontâneo na afetuosa defesa do amigo que ali enxergávamos,
prestativo e confiante era uma tema de amizade e gratidão
a estudar. Dir-se-ia – observou Hilário, intrigado
– que todos os tarefeiros, em trânsito nesta casa,
são devedores do irmão sob nossa vista... - Sim
- aprovou Silas, paciente - , os créditos de Adelino
são realmente enormes, não obstante os débitos
a que ainda está preso... Cultiva, no entanto, a ventura
de substancializar a fé e os conhecimentos superiores
que os Mensageiros de Jesus lhe confiam em obras de genuíno
amor fraternal, a lhe granjearem larga soma de reconhecimento.
Logo após, o mentor amigo recomendou-nos aproveitar os
minutos em atuação fraterna, no instituto evangélico
em que nos abrigávamos, até que pudéssemos
tomar contato mais amplo com o servidor, cuja existência
atual se desdobrava sob os auspícios da Mansão
que nos patrocinava os estudos.”
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Diálogo
na hora da morte.*
Evangelização
nº 129/07 do LIE
Leo que padece de tuberculose terminal, com febre alta no leito
de um hospital, está sendo visitado pela equipe socorrista
dirigida pelo espírito Silas, no qual coopera o Espírito
André Luiz. Todos naquele grupo socorrista constataram
que Leo está com os últimos suspiros de vida.
Com a permissão de Silas – André Luiz trova
com o enfermo prestes a falecer um diálogo de “pensamento-a-pensamento”.
Pergunta-lhe André Luiz: Leiamos:
“- Leo amigo, reconhece-se você no limiar da vida
verdadeira? Sabe que deixará o corpo em breves horas?
O interpelado, crendo raciocinar por si mesmo, registrou-me
a inquirição, palavra por palavra, qual se lhe
fossem transmitidas ao cérebro por fios invisíveis.
E, como se conversasse a sós consigo, falou pensando:
- Oh! Sim, a morte!... Sei que, provavelmente esta noite, chegarei
ao justo fim... Desdobrando o nosso diálogo, acrescentei:
- Não tem receio? – Nada posso temer... –
refletiu muito clamo. E, movendo os olhos com esforço,
buscou fitar na alva parede da enfermaria uma pequena escultura
do Cristo crucificado, refletindo de si para consigo: Nada posso
recear, em companhia do Cristo, meu Salvador... Ele também
foi vilipendiado e esquecido... Terá vomitado sangue
na Cruz do martírio, Ele que era puro, varado pelas chagas
da ingratidão... Por que não me resignar à
cruz do meu leito, suportando, sem reclamar, as golfadas de
sangue que de quando em quando me anunciam a morte, eu que sou
pecador necessitado da complacência divina?!...
– Você é católico romano?
– Sim... Meditei na sublimidade do sentimento cristão,
vivo e sincero, seja qual for à escola religiosa em que
se exprima, e prossegui, afagando-lhe o peito opresso: - Nesta
hora de tanta significação para o seu caminho,
sinto a ausência de seus familiares humanos... –
Ah! Meus familiares... meus afetos... – respondeu, falando
mentalmente – meus pais teriam sido no mundo os meus únicos
amigos... No entanto, demandaram o túmulo, quando eu
era simplesmente um jovem enfermo... Separado de minha mãe,
vi-me entregue aos desajustes orgânicos... Logo após,
meu irmão Henrique não hesitou em declarar-me
incapaz... Por direito a herança, cabiam-lhe grandes
bens, contudo, prevalecendo-se do meu infortúnio o mano
obteve da Justiça, com meu próprio assentimento,
a documentação com que se fazia meu tutor... Bastou,
porém, a consecução dessa medida, para
que se transformasse para mim num verdugo cruel... Apossou-se-me
de todos os recursos... Internou-me num hospício, em
que amarguei longos anos de isolamento... Sofri muito... Alimentei-me
com o pão recheado de fel, destinado pelo mundo aos que
lhe penetram as portas como réprobos do berço,
porque o desequilíbrio mental me perseguia desde a idade
mais tenra... Quando algo melhorado, fui constrangido a deixar
o manicômio. Recorri-lhe à porta, mas expulsou-me
sem compaixão... Fiquei apavorado, vencido... Ó
meu Deus, como escarnecer assim de um irmão doente e
infeliz? De balde impetrei socorro à Justiça.
Legalmente, Henrique era o único senhor dos haveres de
nossa casa... Envergonhado busquei outros climas... Tentei o
trabalho digno, mas apenas obtive, em meu favor, a profissão
de vigia noturno, passando a rondar vasto edifício comercial,
amparado por um homem caridoso, condoído da minha fome...
O frio da noite, porém, encontrava-me ao desabrigo e,
a breve tempo, adquiri uma febre insidiosa que passou a devorar-me
devagarinho... Não sei quanto tempo estive, assim, chumbado
a indefinível desânimo.... Certa feita, caí
fatigado sobre a poça de sangue que se me derramava da
boca e criaturas piedosas me angariaram o leito em que me refugio...”
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O
porque das mortes nos desencarnes coletivos*
Evangelização
nº 130/07 do LIE
Em certa ocasião o médium Chico Xavier recebeu
psicograficamente, dirigidas às mães dos jovens
que desencarnaram coletivamente no incêndio do “Edifício
Joelma”, no centro da cidade de São Paulo, mensagens
consideradas daqueles filhos queridos que saíram da existência
física como queimados vivos. Não só consolaram
as mães como também explicaram a causa remota
de tal acontecimento, explicando que todos eles participaram
dos atos da Inquisição da Igreja Católica,
alguns deles tendo servido de carrascos das pobres vítimas
condenadas pelos tribunais eclesiásticos. É uma
indagação que todos fazem: como podem perecer
juntos velhos, mulheres e crianças inocentes? Acontece
que, inocente ninguém é. Todos possuem débitos
perante a Lei Divina, ao longo das vidas sucessivas. No trecho
a seguir, André Luiz conta como foi o atendimento a um
acidente aéreo, e qual as reflexões que os instrutores
informaram. Leiamos então:
“Ciente de que o poderoso mentor
poderia dispensar-nos mais tempo, aproveitamos o ensejo para
versar a questão das provas coletivas. Hilário
abriu campo livre ao debate, perguntando respeitoso, por que
motivo era rogado o auxílio para a remoção
de seis dos desencarnados, quando as vítimas eram catorze.
Druso, no entanto, replicou em tom sereno e firme: - O socorro
no avião sinistrado é distribuído indistintamente,
contudo, não podemos esquecer que se o desastre é
o mesmo para todos os que tombaram, a morte é diferente
para cada um. No momento serão retirados da carne tão-somente
aqueles cuja a vida interior lhes outorga a imediata libertação.
Quanto aos outros, cuja a situação presente não
lhes favorece o afastamento rápido da armadura física,
permaneceram ligados, por mais tempo, aos despojos que lhes
dizem respeito. – Quantos dias? – clamou meu colega,
incapaz de conter a emoção de que se via possuído.
–Dependente do grau de animalização dos
fluidos que lhes retêm o Espírito à atividade
corpórea – respondeu-nos o mentor. – Alguns
serão detidos por algumas horas, outros, talvez, por
longos dias... Quem sabe? Corpo inerte nem sempre significa
libertação da alma.
O gênero de vida que alimentamos no estado físico
dita as verdadeiras condições de nossa morte.
Quanto mais chafurdamos o ser nas correntes de baixas ilusões,
mais tempo gastamos para esgotar as energias vitais que nos
aprisionam à matéria pesada e primitiva de que
se nos constitui a instrumentação fisiológica,
demorando-nos nas criações mentais inferiores
a que nos ajustamos, nelas encontrando combustível para
dilatados enganos nas sombras do campo carnal, propriamente
considerado. E quanto mais nos submetamos às disciplinas
do espírito, que nos aconselham equilíbrio e sublimação,
mais amplas facilidades conquistaremos para a exoneração
da carne em quaisquer emergências de que não possamos
fugir por força dos débitos contraídos
perante a Lei. Assim é que <<morte física>>
não é o mesmo que <<emancipação
espiritual>>. – Isso, no entanto – considerei
- , não quer dizer que os demais companheiros acidentados
estarão sem assistência, embora coagidos a temporária
detenção nos próprios restos. De modo algum
– ajuntou o amigo generoso - ninguém vive desamparado.
O amor infinito de Deus abrange o Universo. Os irmãos
que se demoram enredados em mais baixo teor de experiência
física compreenderão, gradativamente, o socorro
que se mostram capazes de receber.”
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Episódios
de sofrimentos coletivos*
Evangelização
nº 131/07 do LIE
Terça-feira do dia 17/07/2007, às 14 horas, iniciamos
o estudo de um trecho inicial desse capítulo que estudava
os antecedentes e as implicações espirituais que
geraram um desastre aéreo ocorrido em época anterior
a 50 anos atrás. Talvez não só por acaso,
nesse mesmo dia, as 18:50 horas aconteceu o terrível
desastre com o avião Airbus, vôo 3054 da Empresa
de linhas aéreas TAM, em Congonhas, São Paulo.
Foi intensa e sofrida a comoção nacional pelas
circunstâncias do acidente que gerou mais de 190 vítimas
carbonizadas pela explosão contra um edifício
próximo ao aeroporto. Num acontecimento de tamanha magnitude
em que pereceram tantos jovens de promissoras existências,
inclusive um bebê no colo de sua mãe, surgem graves
perguntas, tais como? Que fizeram de mal para se envolverem
em tão cruel destino? Lembro aqui o incêndio do
edifício “Joelma”, no centro da Metrópole
de São Paulo, no qual pereceram várias dezenas
de jovens, crianças mulheres e idosos. Foi também
um episódio estarrecedor. Numa noite de sábado
da década de 1970-80, participavam da sessão 3
mães de jovens que foram vítimas do incêndio,
quando o médium Chico Xavier psicografou mensagens para
cada uma dessas desconsoladas mães, onde os jovens filhos
relatavam não só como foram socorridos no mundo
espiritual, mas constando também que os 3 foram antigos
julgadores dos tribunais da Inquisição da igreja
católica no século 14. Mas, voltando ao acidente
aéreo com a TAM, leiamos um trecho do livro “Ação
e Reação”:
“ - Mas, existem institutos especiais
que providenciem, por exemplo, as irregularidades orgânicas
pedidas para a reencarnação? – perguntou
meu colega, intrigado. O interlocutor generoso sorriu, significativamente
e acrescentou: - Sim, Hilário, a Bondade do Senhor é
infinita e permite-nos a graça de suplicar os impedimentos
a que nos referimos, porque o reconhecimento de nossas fraquezas
e transgressões nos faz imenso bem ao espírito
endividado. A humildade, em qualquer situação,
acende luz em nossas almas, gerando, em torno de nós,
abençoados recursos de simpatia fraterna. Entretanto,
ainda mesmo que não pedíssemos a aplicação
das penas de que necessitamos, nossa posição não
se modificaria, porquanto a prática do mal opera lesões
imediatas em nossa consciência, que entrando em condição
desarmônica, desajusta, ela própria, os centros
de forças em que se mantém. Desse modo, os nossos
institutos de trabalho para a reencarnação colaboram
para que todos venhamos a receber na ribalta terrestre a vestimenta
carnal merecida. – Então, de que vale a súplica,
rogando essa ou aquela medida, atinente à nossa reeducação?
– Oh! Não formule semelhante problema! –
falou Druso em voz grave. – A prece, no sentido a que
aludimos, é sempre um atestado de boa-vontade e compreensão,
no testemunho da nossa condição de Espíritos
devedores... Sem dúvida, não poderá modificar
o curso das leis, diante das quais nos fazemos réus sujeitos
a penas múltiplas, mas renova-nos o modo de ser, valendo
não só como abençoada plantação
de solidariedade em nosso benefício, mas também
como vacina contra reincidência no mal. Além disso,
a prece faculta-nos a aproximação com os grandes
benfeitores que nos presidem os passos, auxiliando-nos a organização
de novo roteiro para a caminhada segura.”
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Como
funciona a Lei de Ação e Reação.*
Evangelização
nº 132/07 do LIE
Das obras de André Luiz que temos estudado junto a vocês,
na minha avaliação, este é um dos livros
que mais têm me ensinado coisas essenciais a cerca da
existência tanto de encarnados como de desencarnados.
Nesse capítulo 20, o sábio instrutor Druso, após
dezenas de anos na direção da “Mansão
da Paz” recebeu como exilada carente, uma de suas ex-esposas
na Terra, que havia sido assassinada; ambos se reconhecem, estando
juntos ao Assistente Silas, que era filho do coração
de ambos na última encarnação terrestre,
tendo os três se perdoando mutuamente pelos erros e reconhecendo
como justas as inarredáveis leis Divinas. Então,
no grande anfiteatro da “Mansão de Paz”,
realiza-se uma reunião solene comemorando a volta do
Administrador Druso e seus entes queridos à vida física.
E eis que, no encerramento dessa solenidade, Druso levanta sua
voz agradecendo a Deus por tudo, em comovente prece, que transcrevemos
a seguir:
“ – Senhor Jesus! –
clamou, humilde.
– Neste instante em que te oferecemos o coração,
deixa que nossa alma se incline, reverente, para agradecer-te
as bênçãos de luz que tua incomensurável
bondade aqui nos concedeu em cinqüenta anos de amor...
Tu, Mestre, que ergueste Lázaro do sepulcro, levantaste-me
também das trevas para a alvorada remissora, lançando
no inferno de minha culpa o orvalho de tua compaixão...
Estendeste os laços magnânimos ao meu espírito
mergulhado na lodosa corrente do crime. Trouxeste-me do pelourinho
do remorso para o serviço da esperança. Reanimaste-me
quando minhas forças desfaleciam... Nos dias agoniados,
fostes o alimento de minhas ânsias; nas sendas mais escabrosas,
eras, em tudo, o meu companheiro fiel. Ensinaste-me, sem ruído,
que somente através da recuperação do respeito
a mim mesmo, no pagamento de meus débitos, é que
poderá empreender a reconquista de minha paz... E confiaste-me,
Senhor, o trabalho neste pouso restaurador, como assistência
constante de tua benevolência infinita, a fim de que eu
pudesse avançar das sombras da noite para ao fulgor de
novo dia!... Agradeço-te, pois, os instrutores que me
deste, a cuja devoção afetuosa tão pesado
tenho sido, os companheiros generosos que tantas vezes me suportaram
as exigências e os irmãos enfermos que tantos ensinamentos
preciosos me trouxeram ao coração!... E agora,
Senhor, que a esfera dos homens me descerrará de novo
as portas, acompanha-me, por acréscimo de misericórdia,
com a graça de tua bênção. Não
permitas que o conforto do mundo me faça esquecer-te
e constranger-me ao convívio da humildade para que o
orgulho me não sufoque. Dá-me a luta edificante
por mestra do meu resgate e não retire o teu olhar de
sobre os meus passos, ainda que para isso, deva ser o sofrimento
constante a marca de meus dias. E, se possível, deixa
que os irmãos desta casa me amparem com os seus pensamentos
em orações de auxílio, para que, no pedregoso
caminho da regeneração de que careço, não
me canse de louvar-te o excelso amor para sempre!...
Calou-se Druso, em pranto. No recinto, choviam pequenos flocos
luminescentes, à maneira de estrelas minúsculas
que se desfaziam, de leve, em nos tocando a fronte... Lá
fora, gritava a tempestade em convulsões terríveis.
Cá dentro, todavia, reinava em nós a certeza de
que, além de faixa das trevas, o céu ilimitado
resplendia eternamente em luz... Reunimo-nos a Silas e, juntos,
abeiramo-nos do abnegado Instrutor para as últimas saudações,
porque também nós, Hilário e eu, deveríamos
partir, já que a nossa tarefa estava encerrada. Druso
enlaçou-nos paternalmente e, talvez porque nos demorássemos
no abraço carinhoso, tentando definir-lhe o nosso imenso
afeto, pousou em nós o olhar, falando comovido: - Deus
nos abençoe, meus filhos!... Um dia reencontrar-nos-emos
de novo... Com a voz embargada de emoção, beijamos-lhe
a destra em profundo silêncio, porque somente as lágrimas
poderiam algo dizer de nossa gratidão e de nosso enternecimento,
no adeus inesquecível...”
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