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Palavras que trazem Luz
Como é a vida no plano espiritual.
Porque pensar e fazer o Bem.
As consequências dos sentimentos negativos.
A Mediunidade na evolução do homem
Conhecendo os dois planos da existência.
A vida depois da desencarnação.
A Sexualidade do ponto de vista espiritual!
Estudo da obra No Mundo Maior!
As conquistas no campo da renovação mental.
Estudando a mediunidade!
A semeadura é livre, porém a colheita é obrigatória!
Os trabalhadores da última hora!
A vida em dois mundos!
Produzido pelo
Lar Irmã Esther
Guaíba/RS
Desenvolvimento:
Marcelo Plocharski

Estudos sobre o Livro "Ação e Reação" de André Luiz com psicografia de Chico Xavier

Clique sobre o assunto que você quer estudar e vá direto para o texto:

Um lugar para onde vão os mortos* Evangelização nº 120/07 do LIE.

Como é para muitos a vida depois da morte * Evangelização nº 121/07 do LIE.

Ação e Reação * Evangelização nº 122/07 do LIE.

Resgate para os médicos que falham * Evangelização nº 123/07 do LIE.

Mecanismos de culpa e reparação * Evangelização nº 124/07 do LIE.

Quando as orações são aludidas? * Evangelização nº 125/07 do LIE.

Pessoas que plantam sementes do mal * Evangelização nº 126/07 do LIE.

Filosofia Moral acerca da vida, da morte e do destino que nós mesmos criamos * Evangelização nº 127/07 do LIE.

Espíritos Não-conhecidos que interferem por nós * Evangelização nº 128/07 do LIE.

Diálogo na hora da morte * Evangelização nº 129/07 do LIE.

O porque das mortes nos desencarnes coletivos * Evangelização nº 130/07 do LIE.

Episódios de sofrimentos coletivos * Evangelização nº 131/07 do LIE.

Como funciona a Lei de Ação e Reação * Evangelização nº 132/07 do LIE.


Um lugar para onde vão os mortos.* Evangelização nº 120 do LIE

Não há quem não queira saber para onde vão os recém desencarnados. A Doutrina Espírita nos mostra que cada pessoa, após a desencarnação, irá para o lugar que ela própria edificou para si. Quem viveu ao nível das paixões e dos instintos, fez a sua própria morada nas regiões inferiores e sem Luz. Aquele que se esforçou, lutou e despertou para a Luz Divina, este vai para as regiões iluminadas de Deus. Não foi debalde que Jesus nos revela: “Há muitas moradas na Casa de meu Pai.” Neste livro André Luiz nos relata e descreve as regiões e colônias de recuperação e refazimento onde estagiou no serviço de aprendizado. O trecho a seguir conta sobre a vida difícil e sofredora que acontece nessas regiões de aprendizado pela dor.
“São delinqüentes comuns ou criminosos acusados de grandes faltas? Encontraríamos por aí seres primitivos como os nossos indígenas, por exemplo? Os apontamentos do amigo não se fizeram esperar. Tais inquirições – disse ele, quando de minha vinda para cá, me assomaram igualmente à cabeça. Há cinqüenta anos sucessivos estou neste refúgio de socorro, oração e esperança. Penetrei os umbrais desta casa como enfermo grave, após o desligamento do corpo terrestre. Encontrei aqui um hospital e uma escola. Amparado, passei a estudar minha nova situação, anelando servir. Fui padioleiro, cooperador da limpeza, enfermeiro, professor, magnetizador, até que, de alguns anos para cá, recebi jubilosamente o encargo de orientar a instituição, sob o comando positivo dos instrutores que nos dirigem. Obrigado a pacientes e laboriosas investigações, por força de meus deveres, posso adiantar-lhes que às densas trevas em torno somente aportam às consciências que se entenebreceram nos crimes deliberados, apagando a luz do equilíbrio em si mesma. Nestas regiões inferiores não transitam as almas simples, em qualquer aflição purgativa, situadas que se encontram nos erros naturais das experiências primárias. Cada ser está jungido, por impositivos da atração magnética, ao círculo de evolução que lhe é próprio.
Os selvagens, em grande maioria, até que se lhes desenvolva o mundo mental, vivem quase sempre confinados à floresta que lhes resume os interesses e os sonhos, retirando-se vagarosamente do seu campo tribal, sob a direção dos Espíritos benevolentes e sábios que os assistem, e as almas notoriamente primárias, em grande parte, caminham aos influxos dos gênios beneméritos que as sustentam e inspiram, laborando com sacrifício nas bases da instituição social e aproveitando os erros, filhos das boas intenções, à maneira de ensinamentos preciosos que garantem a educação dessas almas. Asseguro-lhes, assim, que, nas zonas infernais propriamente ditas, apenas residem aquelas mentes que, conhecendo as responsabilidades morais que lhes competiam, delas se ausentaram, deliberadamente, com o louco propósito de ludibriarem o próprio Deus. O Inferno, a rigor, pode ser, desse modo, definido como vasto campo de desequilíbrio, estabelecido pela maldade calculada, nascido da cegueira voluntária e da perversidade completa. Aí vivem domiciliados, às vezes por séculos, Espíritos que se bestializaram, fixos que se acham na crueldade e no egocentrismo. Constituindo, porém, larga província vibratória, em conexão com a Humanidade terrestre, de vez que todos os padecimentos infernais são criações dela mesma, estes lugares tristes funcionam como crivos necessários para todos os Espíritos que escorregam nas deserções de ordem geral, menosprezando as responsabilidades que o Senhor lhes outorga.”

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Como é para muitos a vida depois da morte.* Evangelização nº 121/07 do LIE

Erra muito a atual civilização humana ao mostrar o mundo como conquista sucessiva de gozo e prazeres. Somos educados desde a infância, como se a felicidade fosse acima de tudo a posse daquilo que cobiçamos e usufruímos. De Deus e Jesus só superficialmente nos lembramos em etapas de dores, sofrimentos, quedas ou acontecimentos cruéis. Buscamos avidamente só o que agrada aos nossos sentidos. A frase que melhor condensa esse materialismo desvairado é: “Temos que aproveitar o máximo, por que o que se leva da vida é a vida prazerosa que a gente leva”. Embora a busca de prazeres sensatos não seja proibida por Deus, a verdade é que o sentido evolucionista da vida criada pela Providência Divina é bem outro. Aqui nós vamos transcrever um trecho do capítulo 2 desse livro que mostra sem enfeites o que acontece com aqueles que, tendo jogado fora às oportunidades superiores da vida, chegam do outro lado como réus condenados pela própria consciência a viverem como bichos adoentados em meio aos escombros do umbral que podemos chamar de inferno. Leiamos:
“Ao clarão de vários lampadários, podíamos observar, ao largo estrado em que nos instaláramos com o orientador, os semblantes disformes que, em maioria, ali se congregavam. Aqui e ali se acomodavam assistentes e enfermeiros, cuja posição espiritual era facilmente distinguível pela presença simpática com que encorajavam os sofredores. Calculei em duas centenas, aproximadamente, o número de enfermos que à nossa frente se reuniam. Mais de dois terços apresentavam deformidades fisionômicas. Quem terá visitado um sanatório de moléstias da pele, analisando em conjunto os doentes mais graves, poderá imaginar o que fosse aquele agregado de almas silenciosas e dificilmente reconhecíveis. Notando a quase completa quietude ambiente, indaguei de Druso quanto à tempestade que se contorcia lá fora, informando-me o generoso amigo que nos achávamos em salão interior da cidadela, exteriormente revestido de abafadores de som. Integrando a equipe dirigente, Hilário e eu passamos a conhecer companheiros agradáveis e distintos, os Assistentes Silas e Honório e a irmã Celestina, três dos mais destacados assessores na condução daquela morada socorrista.
Não nos foi possível qualquer entendimento, além das saudações comuns, por que o orientador, após indicar um dos enfermos para proferir a oração de início, que ouvimos emocionadamente, tomou a palavra e falou com naturalidade, qual se estivesse conversando numa roda de amigos: - Irmãos, continuemos hoje nosso comentário acerca do bom ânimo. Não me creiam separado de vocês por virtudes que não possuo. A palavra fácil e bem posta é, muita vez, dever espinhoso em nossa boca, constrangendo-nos à reflexão e à disciplina. Também sou aqui um companheiro à espera da volta. A prisão redentora da carne acena-nos ao regresso. É que o propósito da vida trabalha em nós e conosco, através de todos os meios, para guiar-nos à perfeição. Cerceando-lhe os impulsos, agimos em sentido contrário à Lei, criando aflição e sofrimento em nós mesmos.
No plano físico muitos de nós supúnhamos que a morte seria ponto final aos nossos problemas, enquanto outros muitos se acreditavam privilegiados da Infinita Bondade, por haverem abraçado atitudes de superfície, nos templos religiosos. A viagem do sepulcro, no entanto, ensinou-nos uma lição grande e nova – a de que nos achamos indissoluvelmente ligados às nossas próprias obras.”

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Ação e Reação* Evangelização nº 122/07 do LIE

Em “Ação e Reação” André Luiz põe em evidência como são aplicados e como funcionam as leis Divinas, também na outra dimensão da vida. As criaturas que ainda não despertaram, ou se recusam a despertar, sofrem muito mais do que os que entenderam e aplicam tais leis na sua conduta diária. Irmãos compreendamos isto: não há efeito sem causa nem ação sem reação. Temos que nos adaptar ao modo de viver com Deus inspirando nossa consciência e influindo em nossas ações diárias. A vida para além do túmulo mostra isso com amplo relevo porque lá já não temos um corpo físico, somos apenas recordações expostas à justiça do tribunal de Deus. Cada um se dirigirá automaticamente para o lugar que merece ou conquistou. Ninguém conseguirá mentir a si próprio nem a os outros. Ficaremos libertos pelo bem que fizermos na vida física ou algemados aos erros e transgressões que praticamos. Foi por isto que Jesus nos revelou com clareza: “Conhecereis a Verdade e a Verdade vos libertará”. Ou nos endereçamos para as regiões de Luz e bem-estar ou iremos mergulhar nas sombras do Umbral, lá onde há choro e ranger de dentes. Vamos ouvir aqui um trecho do capítulo 9 que estamos estudando: Leiamos.
“Paguemos nossas dividas, que respondem por sombras espessas em nossas almas, e o espelho de nossa mente, onde estivermos, refletirá a luz do Céu, a pátria da Divina Lembrança!...
Compreendemos que Silas auxiliava Clarindo e Leonel, identificando-os como irmãos de luta e aprendizado, no que discutivelmente, ampliaria os próprios méritos. Muitas inquirições explodiam, em pensamento, no meu acanhado mundo íntimo... Quem lhe seria o pai amigo? Onde viveria sua abnegada genitora? Esperava despender, ainda, longo tempo na procura da madrasta infeliz?... Entretanto, a grandeza espiritual do Assistente não nos favorecia qualquer pergunta indiscreta.
Apenas tive coragem para considerar, respeitoso: - Oh! Meu Deus, quanto tempo gastamos para refazer, às vezes, a inconseqüência de um simples minuto! – Você tem razão, André – comentou Silias, generoso -, a lei é de ação e reação... A ação do mal pode ser rápida, mas ninguém sabe quanto tempo exigirá o serviço da reação, indispensável ao restabelecimento da harmonia soberana da vida, quebrada por nossas atitudes contrárias ao bem... E, sorrindo: - Por isso mesmo, recomendava Jesus às criaturas encarnadas: - <<Reconcilia-te depressa com o teu adversário, enquanto te encontras a caminho com ele...>> É que Espírito algum penetrará o Céu sem paz de consciência, e, se é mais fácil apagar as nossas querelas e retificar nossos desacertos, enquanto estagiamos no mesmo caminho palmilhado por nossas vítimas na Terra, é muito difícil providenciar a solução de nossos criminosos enigmas, quando já nos achamos mergulhados nos nevoeiros infernais.
A ponderação era cabível e justa. Não nos foi possível, porém, prosseguir a conversa. Leonel, cuja impassibilidade reconhecíamos, com grande surpresa para nós tinha os olhos umedecidos... Silas ergueu os olhos para o Alto, agradecendo a benção da transformação que se esboçava e recolheu-o em seus braços. O desditoso irmão de Clarindo queria falar... Percebemos que tencionava referindo-se à morte de Alzira, no lago, mas o Assistente prometeu-lhe que voltaríamos na noite seguinte. Logo, após, voltávamos, mas nem Hilário nem eu nos animamos a conversar com o denodado companheiro, que entrara, melancólico, em expressivo silêncio.”

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Resgate para os médicos que falham* Evangelização nº 123/07 do LIE

Desde Hipócrates os médicos sempre ocuparam lugar de relevo na maioria das comunidades. Tendo também sido médico na Terra, André Luiz conta-nos, acerca de um Espírito de nome Assistente, o qual em vida física exercera muito mal a carreira médica no plano terrestre e então, via-se obrigado a providenciar o socorro na hora do parto difícil de uma das suas ex-vitimas quando estava encarnado. André fala também dos graves compromissos que os profissionais da medicina assumem perante a Consciência Divina principalmente quando se afastam do reto dever a cumprir. Outro detalhe explicado foi que o “Assistente”, por concessão da Misericórdia Divina voltaria a Terra para novamente ser médico e, dessa vez, não poderia cometer falhas ou iniciativas incompetentes ou irresponsáveis. E a indesviável lei de Causa e Efeito, de Ação e Reação diante das Leis Eternas. Leiamos com atenção um trecho desse longo capítulo. “Leonel, cuja inteligência aguda não perdia os nossos menores movimentos, perguntou a Silas, com ar respeitoso, se os trabalhos a que se dedicava exprimiam alguma preparação, diante do porvir ao que o Assistente respondeu sem pestanejar:
- Sem dúvida. Ainda ontem lhe falei dos meus erros de médico, que praticamente jamais o fui, e comentei o plano de abraçar a Medicina no futuro, entre os encarnados nossos irmãos. Todavia, para que eu mereça a ventura de tal reconquista, consagro-me, nas regiões inferiores que me servem de domicílio, ao ministério do alívio, criando causas benéficas para os serviços que virão...
- Causas? Causas? – murmurou Clarindo, algo espantado.
– Sim, procurando ajudar espontaneamente além dos deveres que me são impostos, na luta pela recuperação moral de mim mesmo, com a Bênção Divina alongarei a sementeira de simpatia em meu favor. E relanceando significativamente o olhar sobre nós, acentuou, em seguida a breve minuto de reflexão:
- Um dia, consoante às dívidas que me pedem resgate, estarei novamente entre as criaturas encarnadas e, para solver minhas culpas, também sofrerei obstáculo e dúvida, enfermidade e aflição... Que mãos caridosas e amigas me amparem daqui, em nome de Deus, porque isoladamente ninguém consegue vencer... E para que braços amorosos se me estendam, mais tarde, é imperioso movimente agora os meus no voluntário exercício da solidariedade. O ensinamento era precioso, não apenas para os dois perseguidores que o registravam, perplexos, mas também para nós que reconhecíamos, mais uma vez, a Infinita Bondade do Supremo Senhor, que, ainda mesmo nos mais tenebrosos ângulos da sombra, nos permite trabalhar pelo incessante engrandecimento do bem, como abençoado preço de nossa felicidade. Enquanto volitávamos de retorno, Hilário, antecipando-me na curiosidade, inclinou a conversação para o caso de Laudemira. Era conhecida de Silas, desde muito tempo? Assumira, assim, compromissos tão graves para com a maternidade? Que papel representavam os filhos junto dela? Credores ou devedores? Silas sorriu complacente para a argüição cerrada e explicou:
- Inegavelmente, creio que o processo redentor de nossa amiga serve por tema palpitante nos estudos de causa e efeito que vocês vão acumulando.
Entregou-se a longa pausa de consulta à memória e prosseguiu:
- Não podemos, assim de relance, mergulhar pormenorizadamente no pretérito que lhe diz respeito, nem posso de mim mesmo cometer qualquer indiscrição, abusando da confiança que a Mansão me outorga, no exercício de meus encargos.”

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Mecanismos de culpa e reparação.* Evangelização nº 124/07 do LIE

Quando praticamos o mal, em nenhum outro lugar haverá mais lembrança e remorso desse mal que na vida que segue após a morte. Leonel e Clarindo, desencarnados, que em vida anterior provocaram a morte de Alzira a caminho do arrependimento pelo ato praticado, juntos a um grupo socorrista, foram levados ao local do crime, num lago regional. Estava para acontecer ali uma patética cena de comoção espiritual e perdão de parte de sua vítima. Alzira haveria de perdoar-lhes e, numa iniciativa de nobre sacrifício e júbilo, iria recebê-los como filhos especiais de seu coração, em tempos de reencarnação para toda a ex-família. Agora, chegara o tempo do resgate, da redenção a caminho da Luz. Leiamos a seguir um trecho do capítulo acima citado, mostrando que o resgate na recapitulação do fato delituoso é sempre mais difícil do que ter evitado o mal antes que acontecesse o episódio trágico. Vejamos, pois:
“Leonel e Clarindo, porém, quase que de modo simultâneo, lamentaram-se quanto ao problema de Alzira... Em verdade, no desespero da própria causa, haviam aceitado as sugestões da loucura, gastaram anos a fio estendendo a crueldade nas trevas; entretanto, nada lhes doía tanto como a violência praticada contra a esposa de Antônio Olímpio que, horrorizada ante a perseguição deles, se havia arrojado naquelas águas de terríveis reminiscências... Mas e se Alzira lhes trouxesse em pessoa o abraço de entendimento e de auxílio? E como sorrissem de esperança, no turbilhão das próprias lágrimas, o Assistente afastou-se por alguns minutos e voltou, trazendo em sua companhia a generosa irmã que, envergando cintilante roupagem, lhes estendeu as mãos, a ofertar-lhes o colo maternal, resplendente de amor. Leonel e Clarindo, qual se fossem feridos de morte, caíram genuflexos, esmagados de medo e de júbilo... Alzira, no entanto, afagou-lhes as cabeças submissas e falou em tom comovente: - Filhos de minhalma rendamos graças a Deus por esta hora de bênção. E porque Leonel tentasse debalde pedir-lhe perdão, ensaiando monossílabos cortados pelos soluços, a genitora de Luís suplicou, humilde:
- Sou eu quem deve ajoelhar-se, implorando-lhes caridoso indulto!... O crime de meu esposo é também meu crime... Vocês foram espoliados dos mais belos sonhos, quando a mocidade terrestre começava-lhes a sorrir-lhes. Nossa desregrada ambição, contudo, furtou-lhe os recursos e as possibilidades, inclusive a existência... Perdoem-nos!... Pagaremos nossas dívidas. Ajudar-nos-á o Senhor na recuperação de nossa casa... Em breve, Antônio Olímpio e eu estaremos no plano físico e, com o apoio da Misericórdia Divina, restituiremos a vocês o sítio que não nos pertence... Permitam, meus filhos, possa honrar-se minha alma com o privilégio de ser-lhes amorosa mãe no mundo... Para restaurar-lhes a esperança e refazer-lhes o ideal, ofereço-lhes o meu coração... Conceder-me-á o Senhor a bênção de agasalhá-los em meu seio, criando-os com o hálito de meus beijos e com o orvalho de minhas lágrimas... Para isso, porém, é necessário que o olvido de nossos pesares nasça, puro, do amor que devemos uns aos outros... Esqueçamos ressentimentos e Deus nos suprirá de recursos para que venhamos a solver nossos débitos... Ergam-se, filhos queridos... Sabe Jesus que desejo conchegá-los de encontro ao meu peito e guardá-los nos meus braços!...”

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Quando as orações são aludidas?* Evangelização nº 125/07 do LIE

Uma pergunta interessante foi feita por Hilário sobre se uma pessoa que julgamos santa e que teve deslizes na vida, se tal desencarnado recente pode ouvir e atender nossas preces, já que a julgávamos santa? A resposta do Assistente não se fez esperar, esclarecendo que, se momentaneamente o espírito invocado não tenha condições de atender, embora tenha deixado na Terra pegadas de luz, outros companheiros de jornada no bem se encarregarão de atender as preces dos seus entes queridos ou afins que permanecem no plano físico. André Luiz explica com um caso: Se o Benfeitor Bezerra de Menezes for invocado para obtenção de alguma graça, ele assiste pessoalmente a quem o está invocando ou então, designa companheiros mais chegados para fazê-lo. Vamos então ouvir com atenção o que nos narra André Luiz no trecho final do capítulo 11 deste livro. Leiamos:
“Silas interrompeu-lhe a reflexão, acentuando: - Segundo reconhecemos, o santuário, serve a oração digna, sem cultos especiais. Ali, alguém recorre ao amparo da monja de Lisieux, aqui um coração infortunado pede socorro ao notável companheiro dos espíritas do Brasil. Antes de desviar a minha atenção, fitei o semblante do grande médico, segundo as recordações da irmã que orava, confiante, anotando o primor da fotografia mental que ela exteriorizava. Víamos, ali, o retrato do Dr. Bezerra de Menezes, qual o conhecemos, sereno, simples, bondoso, paternal...
Precedendo-nos as interrogações costumeiras, o Assistente informou: - Com mais de cinqüenta anos consecutivos de serviço à causa Espírita, depois de desencarnado, Adolfo Bezerra fez jus à formação de extensa equipe de colaboradores que lhe servem à bandeira de caridade. Centenas de Espíritos estudiosos e benevolentes obedecem-lhe às diretrizes na lavoura do bem, na qual opera ele em nome do Cristo. – Desse modo – alegou Hilário -, é fácil compreendê-lo agindo em tantos lugares ao mesmo tempo...
– Perfeitamente – concordou Silas. – Como acontece na radiofonia, em que uma estação emissora está para os postos de recepção, assim qual uma só cabeça pensante para milhões de braços, um grande missionário da luz, em ação no bem, pode refletir-se em dezenas ou centenas de companheiros que lhe acatam a orientação no trabalho ajustado aos desígnios do Senhor.
Bezerra de Menezes, invocado carinhosamente, em tantas instituições e lares espíritas, ajuda em todos eles, pessoalmente ou por intermédio das entidades que o representam com extrema fidelidade. – Para isso – aduziu meu colega – terá o seu campo próprio de atividade, assim como um chefe de serviço humano possui a sede administrativa da qual distribui com os comandos o pensamento diretor da organização...
– Como não? – falou-nos o Assistente, sorrindo – o Senhor, que tem meios de instalar condignamente qualquer dirigente de trabalho humano, ainda mesmo nas mais íntimas experiências da vida social no Planeta, não relegaria à intempérie os missionários da luz no Plano Espiritual. Assim dizendo, Silas discretamente nos compelia a caminhar na direção da porta de acesso ao pátio exterior do templo. Alcançando a saída, notamos que a claridade ambiente se apagava quase que de chofre, a poucos metros do pórtico, dando-nos a idéia de sofrer tremendo impacto das sombras circundantes. No enorme átrio, adensava-se turba imensa... Grupos diversos conversavam em alta voz... Havia quem chorasse, quem deprecasse, quem gemesse... Nossa visão, ainda não adaptada, mal registrava os contornos da grande multidão que ali se aglomerava; entretanto, podíamos ouvir com precisão palavras e gritos, rogativas ardentes e desconsoladores apelos...”

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Pessoas que plantam sementes do mal.* Evangelização nº 126/07 do LIE

Há muitas pessoas que buscam na união conjugal apenas prazeres e comodidade pessoal. Não dominam seu egoísmo, não reeducam seus sentimentos e querem que o cônjuge seja apenas um carregador de males. Passados os primeiros tempos quando imperam os hormônios, se sentem atraídos para vícios ou esquecimento dos compromissos assumidos para o assentamento familiar. O autor André Luís atrai nossa atenção contando a decadência de uma dessas situações domésticas, quando o esposo se envolve com outras mulheres que não a sua, bem como a miséria moral que se abate sobre os três filhos do Lar de Marcela. Leiamos o que aconteceu dentro desse lar:
“Em atormentada vigília até noite alta, agoniava-se-lhe o espírito, observando Ildeu, estróina, alcançando o lar, tresandando a licores alcoólicos e exibindo os sinais de aventuras inconfessáveis. Se erguia a voz, lembrando alguma necessidade dos meninos, retorquia ele, irritado: - Vida infame! Sempre você a recriminar-me, a aborrecer-me, a perseguir-me com censuras e petitórios!... Se quiser dinheiro, trabalhe. Se eu soubesse que o casamento seria isso, teria preferido estourar os miolos a assinar um contrato que me escraviza a existência inteira!... E gritando, intemperante, mostrava-nos a tela das suas recordações, em que Mara, a jovem sedutora, lhe surgia à mente, como sendo a mulher ideal. Cortejava-a com a esmaecida figura da esposa que as dificuldades acabrunhavam e, governado pela imagem da outra, entregava-se a chocantes excitações, ansiando fugir do lar. Marcela, em pranto, suplicava-lhe tolerância e serenidade, acentuando que não desdenhava o serviço. Despendia o tempo de que dispunha na cooperação mal remunerada, em favor de lavanderia modesta, contudo, os afazeres domésticos não lhe permitiam fazer mais.
– Hipócritas! – berrava o marido que a cólera transtornava – e eu? Que pretende você de mim? Posso, acaso fazer mais? Sou um homem dependurado em lojas e armazéns... Devo a todos!... Não sei até quando poderei aturá-la. Não será mais aconselhável regresse você à terra que teve a infelicidade de vê-la nascer? Seus pais estão vivos... A pobre criatura em lágrimas emudecida, mas, sendo a voz dele estentórica, quase sempre o pequeno Roberto acordava e acorria em socorro da mãezinha, enlaçando-a, estremunhado. Ildeu avançava sobre o miúdo interventor a sopapos, clamando com insofreável revolta: - Saia daqui! Saia daqui!... E qual se o petiz lhe não fora filho, mas adversário confesso, acrescentava cerrando os punhos: - Tenho gana de matá-lo!... matá-lo!... Todas as noites, esta mesma pantomima. Bandido! Palhaço!... E o menino, agarrado ao colo materno, sofria pancadas até recolher-se, de novo ao leito, em pranto convulsivo.
Entretanto, se as filhas choramingassem, eis que o genitor se desfazia em ternura, ainda mesmo quando embriagado, proferindo, bondoso: - Minhas filhas!... Minhas pobres filhas!... Que será de vocês no futuro? É por vocês que ainda me encontro aqui, tolerando a cruz desta casa!... E, não raro, ele próprio ia reacomodá-las no berço. Silas e nós entrávamos em ação, a benefício de Marcela e dos filhinhos. Do atormentado lar, ameaçado de completa destruição, demandávamos outros setores de serviço, sem que o Assistente encontrasse oportunidade de administrar-nos esclarecimentos mais amplos. Todavia, quase que diariamente, à noite, ali aplicávamos alguns minutos em tarefas que nos falavam aos refolhos do coração. Contudo apesar de nosso esforço, o chefe da família mostrava-se, cada dia, mais indiferente e distante. Enfadado e irritadiço, não concedia à esposa nem mesmo a gentileza de leve saudação. Fascinado pela outra, passara a odiá-la. Pretendia desobrigar-se do compromisso assumido e trilhar nova senda...”.

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Filosofia Moral acerca da vida, da morte e do destino que nós mesmos criamos.* Evangelização nº 127/07 do LIE

Por que o Destino se apresenta tão cruel para certas criaturas? Quais os direitos essenciais que um pai ou uma mãe pode ter sobre os filhos gerados em meio à dor e o sofrimento? Sobre quem recai a maior culpa quando um casamento se dissolve pelo divórcio ou a separação? Quais os compromissos futuros que assumimos com os filhos que foram criados em meio a brigas e violência em lares desarmonizados pelo contínuo desentendimento? O que disse Jesus no Evangelho de Marcos capítulo 19, parágrafos 7 e 8. Todas essas fundamentais questões são debatidas por Silas e demais assistentes e monitores da equipe socorrista que busca salvar o lar de Marcela, Ildeu e os três filhinhos do casal quando surge um ataque de fúria e suicídio na crise que se abate sobre essa atormentada família que estava sendo atendida por tal equipe de Espíritos benfeitores e orientadores. Leiamos o que está escrito num trecho final do capítulo acima citado:
“E porque Marcela chorasse, receando o porvir, em face das contingências materiais, Silas afagou-lhe a cabeça e asseverou, prestimoso: - Para mãos dignas jamais faltará trabalho digno. Contemos com a proteção do Senhor e marchemos com desassombro. Enxuga o pranto e ergue-te em espírito à Fonte do Sumo Bem!... Nesse ínterim, parentes desencarnados da jovem senhora assomaram carinhosamente ao recinto, estendendo-lhe as mãos... E nosso orientador confiou-lhes Marcela, chorosa, rogando-lhes ajuda para que víssemos restauradas. Retiramo-nos, em seguida. Foi então que nossas perguntas explodiam, insopitáveis: - Por que Marcela, meiga e honesta, era odiada pelo esposo, assim tanto? Por que a preferência de Ildeu pelas filhinhas, com tanto desdém pelo primogênito? E a separação em perspectiva? Seria justo procurar o nosso mentor fortalecer aquela mãezinha desventurada para o desquite, ao invés de incentivá-la à recuperação do amor e do devotamento do companheiro?
O Assistente sorriu com manifesto desencanto e obtemperou: - Há nas anotações do Apóstolo Mateus certa passagem, na qual afirma Jesus que o divórcio na Terra é permitido a nós pela dureza de nossos corações. Aqui, a medida deve ser facultada à maneira de medicação violenta em casos desesperadores de desarmonia orgânica. Na febre alta ou no tumor maligno, por exemplo, a intervenção exige métodos drásticos, a fim de que a crise de sofrimento não culmine com a loucura ou com a morte extemporânea. Nos problemas matrimoniais, agravados pela defecção de um dos cônjuges ou mesmo pela deserção de ambos do dever a cumprir, o divórcio é compreensível como providência contra o crime, seja ele o assassínio ou o suicídio... Entretanto, assim como o choque operatório para o tumor e a quinina para certas febres são recursos de emergências, sem capacidade de liquidar as causas profundas da enfermidade, as quais prosseguem reclamando tratamento longo e laborioso, o divórcio não soluciona o problema da redenção, porque ninguém se reúne no casamento humano ou nos empreendimentos de elevação espiritual, no mundo, sem o vínculo do passado, e esse vínculo, quase sempre significa débito no espírito ou compromisso vivo e delongado no tempo. O homem ou a mulher, desse modo, podem provocar o divórcio e obtê-lo, como sendo o menor dos piores males que lhes possam acontecer... Ainda assim, não se libertam da dívida em que se acham incursos, cabendo-lhes voltar ao pagamento respectivo, tão logo seja oportuno.”

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Espíritos Não-conhecidos que interferem por nós.* Evangelização nº 128/07 do LIE

No caso de Adelino acontecia o seguinte: ele estava encarnado, era um homem caridoso e humilde, mas, no passado, tivera certas complicações e causara lágrimas, em razão, disto surgiram-lhe no rosto e no corpo, edemas e inchações, embora ele continuasse praticando a caridade. Então, no outro lado da vida, surgiram vários espíritos afeiçoados à pessoas que Adelino continuava ajudando, entre as quais sua falecida mãe e um outro Espírito assistente que imploravam à Equipe do Instrutor Drusio, que socorresse Adelino, minorando os sofrimentos orgânicos do bondoso homem. Leiamos agora um trecho desse capítulo 16 para entendermos melhor a lei de causa e efeito que ilumina o caminho de quem tem amor no coração:
“Cercado pelas vibrações radiantes dos seus pensamentos, centralizados no santo objetivo do bem, afigurava-se-nos um companheiro vestido de luz. Alguns instantes após o afastamento da velhinha, apareceu-nos simpático rapaz, igualmente já desenfaixado da matéria física, que, depois de saudar-nos, rogou, reverente, ao nosso orientador:
- Peço vênia para solicitar-lhe valioso obséquio...
– Fale sem receio. E o jovem recém-chegado explicou, de olhos úmidos: Meu caro assistente, sei que o nosso Adelino vem atravessando certa crise financeira... Pelo muito que auxilia os outros, descura-se das suas próprias necessidades. Pelo amparo que ele oferece constantemente a minha pobre mãe encarnada, insisto no apoio de suas amizade para que seja favorecido. Ainda na semana passada, ouvi as súplicas de minha genitora viúva, em grande penúria para atender ao tratamento de dois dos meus mansos enfermos, procurei-o, em lágrimas, transmitindo-lhe apelos mentais para que nos protegesse e, sem qualquer vacilação, acreditando obedecer aos seus impulsos, visitou-nos a casa, entregando à minha sofredora mãezinha a importâncias de que necessitava... O meu Assistente, rogo-lhe por amor a Jesus!... Não deixe em dificuldade quem tanto nos auxilia!...
Silas acolheu a petição com risonha benevolência e disse: - Descansemos. Adelino permanece na rede de simpatia fraternal que teceu para o asilo de si mesmo. Incumbem-se muitos amigos de supri-lo com os recursos indispensáveis ao fiel desempenho da tarefa a que se dedicou. As circunstâncias na luta material harmonizar-se-ão em favor dele, atendendo-lhe aos méritos conquistados. Efetivamente o serviço espontâneo na afetuosa defesa do amigo que ali enxergávamos, prestativo e confiante era uma tema de amizade e gratidão a estudar. Dir-se-ia – observou Hilário, intrigado – que todos os tarefeiros, em trânsito nesta casa, são devedores do irmão sob nossa vista... - Sim - aprovou Silas, paciente - , os créditos de Adelino são realmente enormes, não obstante os débitos a que ainda está preso... Cultiva, no entanto, a ventura de substancializar a fé e os conhecimentos superiores que os Mensageiros de Jesus lhe confiam em obras de genuíno amor fraternal, a lhe granjearem larga soma de reconhecimento. Logo após, o mentor amigo recomendou-nos aproveitar os minutos em atuação fraterna, no instituto evangélico em que nos abrigávamos, até que pudéssemos tomar contato mais amplo com o servidor, cuja existência atual se desdobrava sob os auspícios da Mansão que nos patrocinava os estudos.”

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Diálogo na hora da morte.* Evangelização nº 129/07 do LIE

Leo que padece de tuberculose terminal, com febre alta no leito de um hospital, está sendo visitado pela equipe socorrista dirigida pelo espírito Silas, no qual coopera o Espírito André Luiz. Todos naquele grupo socorrista constataram que Leo está com os últimos suspiros de vida. Com a permissão de Silas – André Luiz trova com o enfermo prestes a falecer um diálogo de “pensamento-a-pensamento”. Pergunta-lhe André Luiz: Leiamos:
“- Leo amigo, reconhece-se você no limiar da vida verdadeira? Sabe que deixará o corpo em breves horas?
O interpelado, crendo raciocinar por si mesmo, registrou-me a inquirição, palavra por palavra, qual se lhe fossem transmitidas ao cérebro por fios invisíveis. E, como se conversasse a sós consigo, falou pensando: - Oh! Sim, a morte!... Sei que, provavelmente esta noite, chegarei ao justo fim... Desdobrando o nosso diálogo, acrescentei: - Não tem receio? – Nada posso temer... – refletiu muito clamo. E, movendo os olhos com esforço, buscou fitar na alva parede da enfermaria uma pequena escultura do Cristo crucificado, refletindo de si para consigo: Nada posso recear, em companhia do Cristo, meu Salvador... Ele também foi vilipendiado e esquecido... Terá vomitado sangue na Cruz do martírio, Ele que era puro, varado pelas chagas da ingratidão... Por que não me resignar à cruz do meu leito, suportando, sem reclamar, as golfadas de sangue que de quando em quando me anunciam a morte, eu que sou pecador necessitado da complacência divina?!...
– Você é católico romano?
– Sim... Meditei na sublimidade do sentimento cristão, vivo e sincero, seja qual for à escola religiosa em que se exprima, e prossegui, afagando-lhe o peito opresso: - Nesta hora de tanta significação para o seu caminho, sinto a ausência de seus familiares humanos... – Ah! Meus familiares... meus afetos... – respondeu, falando mentalmente – meus pais teriam sido no mundo os meus únicos amigos... No entanto, demandaram o túmulo, quando eu era simplesmente um jovem enfermo... Separado de minha mãe, vi-me entregue aos desajustes orgânicos... Logo após, meu irmão Henrique não hesitou em declarar-me incapaz... Por direito a herança, cabiam-lhe grandes bens, contudo, prevalecendo-se do meu infortúnio o mano obteve da Justiça, com meu próprio assentimento, a documentação com que se fazia meu tutor... Bastou, porém, a consecução dessa medida, para que se transformasse para mim num verdugo cruel... Apossou-se-me de todos os recursos... Internou-me num hospício, em que amarguei longos anos de isolamento... Sofri muito... Alimentei-me com o pão recheado de fel, destinado pelo mundo aos que lhe penetram as portas como réprobos do berço, porque o desequilíbrio mental me perseguia desde a idade mais tenra... Quando algo melhorado, fui constrangido a deixar o manicômio. Recorri-lhe à porta, mas expulsou-me sem compaixão... Fiquei apavorado, vencido... Ó meu Deus, como escarnecer assim de um irmão doente e infeliz? De balde impetrei socorro à Justiça. Legalmente, Henrique era o único senhor dos haveres de nossa casa... Envergonhado busquei outros climas... Tentei o trabalho digno, mas apenas obtive, em meu favor, a profissão de vigia noturno, passando a rondar vasto edifício comercial, amparado por um homem caridoso, condoído da minha fome... O frio da noite, porém, encontrava-me ao desabrigo e, a breve tempo, adquiri uma febre insidiosa que passou a devorar-me devagarinho... Não sei quanto tempo estive, assim, chumbado a indefinível desânimo.... Certa feita, caí fatigado sobre a poça de sangue que se me derramava da boca e criaturas piedosas me angariaram o leito em que me refugio...”

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O porque das mortes nos desencarnes coletivos* Evangelização nº 130/07 do LIE

Em certa ocasião o médium Chico Xavier recebeu psicograficamente, dirigidas às mães dos jovens que desencarnaram coletivamente no incêndio do “Edifício Joelma”, no centro da cidade de São Paulo, mensagens consideradas daqueles filhos queridos que saíram da existência física como queimados vivos. Não só consolaram as mães como também explicaram a causa remota de tal acontecimento, explicando que todos eles participaram dos atos da Inquisição da Igreja Católica, alguns deles tendo servido de carrascos das pobres vítimas condenadas pelos tribunais eclesiásticos. É uma indagação que todos fazem: como podem perecer juntos velhos, mulheres e crianças inocentes? Acontece que, inocente ninguém é. Todos possuem débitos perante a Lei Divina, ao longo das vidas sucessivas. No trecho a seguir, André Luiz conta como foi o atendimento a um acidente aéreo, e qual as reflexões que os instrutores informaram. Leiamos então:
“Ciente de que o poderoso mentor poderia dispensar-nos mais tempo, aproveitamos o ensejo para versar a questão das provas coletivas. Hilário abriu campo livre ao debate, perguntando respeitoso, por que motivo era rogado o auxílio para a remoção de seis dos desencarnados, quando as vítimas eram catorze. Druso, no entanto, replicou em tom sereno e firme: - O socorro no avião sinistrado é distribuído indistintamente, contudo, não podemos esquecer que se o desastre é o mesmo para todos os que tombaram, a morte é diferente para cada um. No momento serão retirados da carne tão-somente aqueles cuja a vida interior lhes outorga a imediata libertação. Quanto aos outros, cuja a situação presente não lhes favorece o afastamento rápido da armadura física, permaneceram ligados, por mais tempo, aos despojos que lhes dizem respeito. – Quantos dias? – clamou meu colega, incapaz de conter a emoção de que se via possuído. –Dependente do grau de animalização dos fluidos que lhes retêm o Espírito à atividade corpórea – respondeu-nos o mentor. – Alguns serão detidos por algumas horas, outros, talvez, por longos dias... Quem sabe? Corpo inerte nem sempre significa libertação da alma.
O gênero de vida que alimentamos no estado físico dita as verdadeiras condições de nossa morte. Quanto mais chafurdamos o ser nas correntes de baixas ilusões, mais tempo gastamos para esgotar as energias vitais que nos aprisionam à matéria pesada e primitiva de que se nos constitui a instrumentação fisiológica, demorando-nos nas criações mentais inferiores a que nos ajustamos, nelas encontrando combustível para dilatados enganos nas sombras do campo carnal, propriamente considerado. E quanto mais nos submetamos às disciplinas do espírito, que nos aconselham equilíbrio e sublimação, mais amplas facilidades conquistaremos para a exoneração da carne em quaisquer emergências de que não possamos fugir por força dos débitos contraídos perante a Lei. Assim é que <<morte física>> não é o mesmo que <<emancipação espiritual>>. – Isso, no entanto – considerei - , não quer dizer que os demais companheiros acidentados estarão sem assistência, embora coagidos a temporária detenção nos próprios restos. De modo algum – ajuntou o amigo generoso - ninguém vive desamparado. O amor infinito de Deus abrange o Universo. Os irmãos que se demoram enredados em mais baixo teor de experiência física compreenderão, gradativamente, o socorro que se mostram capazes de receber.”

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Episódios de sofrimentos coletivos* Evangelização nº 131/07 do LIE

Terça-feira do dia 17/07/2007, às 14 horas, iniciamos o estudo de um trecho inicial desse capítulo que estudava os antecedentes e as implicações espirituais que geraram um desastre aéreo ocorrido em época anterior a 50 anos atrás. Talvez não só por acaso, nesse mesmo dia, as 18:50 horas aconteceu o terrível desastre com o avião Airbus, vôo 3054 da Empresa de linhas aéreas TAM, em Congonhas, São Paulo. Foi intensa e sofrida a comoção nacional pelas circunstâncias do acidente que gerou mais de 190 vítimas carbonizadas pela explosão contra um edifício próximo ao aeroporto. Num acontecimento de tamanha magnitude em que pereceram tantos jovens de promissoras existências, inclusive um bebê no colo de sua mãe, surgem graves perguntas, tais como? Que fizeram de mal para se envolverem em tão cruel destino? Lembro aqui o incêndio do edifício “Joelma”, no centro da Metrópole de São Paulo, no qual pereceram várias dezenas de jovens, crianças mulheres e idosos. Foi também um episódio estarrecedor. Numa noite de sábado da década de 1970-80, participavam da sessão 3 mães de jovens que foram vítimas do incêndio, quando o médium Chico Xavier psicografou mensagens para cada uma dessas desconsoladas mães, onde os jovens filhos relatavam não só como foram socorridos no mundo espiritual, mas constando também que os 3 foram antigos julgadores dos tribunais da Inquisição da igreja católica no século 14. Mas, voltando ao acidente aéreo com a TAM, leiamos um trecho do livro “Ação e Reação”:
“ - Mas, existem institutos especiais que providenciem, por exemplo, as irregularidades orgânicas pedidas para a reencarnação? – perguntou meu colega, intrigado. O interlocutor generoso sorriu, significativamente e acrescentou: - Sim, Hilário, a Bondade do Senhor é infinita e permite-nos a graça de suplicar os impedimentos a que nos referimos, porque o reconhecimento de nossas fraquezas e transgressões nos faz imenso bem ao espírito endividado. A humildade, em qualquer situação, acende luz em nossas almas, gerando, em torno de nós, abençoados recursos de simpatia fraterna. Entretanto, ainda mesmo que não pedíssemos a aplicação das penas de que necessitamos, nossa posição não se modificaria, porquanto a prática do mal opera lesões imediatas em nossa consciência, que entrando em condição desarmônica, desajusta, ela própria, os centros de forças em que se mantém. Desse modo, os nossos institutos de trabalho para a reencarnação colaboram para que todos venhamos a receber na ribalta terrestre a vestimenta carnal merecida. – Então, de que vale a súplica, rogando essa ou aquela medida, atinente à nossa reeducação?
– Oh! Não formule semelhante problema! – falou Druso em voz grave. – A prece, no sentido a que aludimos, é sempre um atestado de boa-vontade e compreensão, no testemunho da nossa condição de Espíritos devedores... Sem dúvida, não poderá modificar o curso das leis, diante das quais nos fazemos réus sujeitos a penas múltiplas, mas renova-nos o modo de ser, valendo não só como abençoada plantação de solidariedade em nosso benefício, mas também como vacina contra reincidência no mal. Além disso, a prece faculta-nos a aproximação com os grandes benfeitores que nos presidem os passos, auxiliando-nos a organização de novo roteiro para a caminhada segura.”

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Como funciona a Lei de Ação e Reação.* Evangelização nº 132/07 do LIE

Das obras de André Luiz que temos estudado junto a vocês, na minha avaliação, este é um dos livros que mais têm me ensinado coisas essenciais a cerca da existência tanto de encarnados como de desencarnados. Nesse capítulo 20, o sábio instrutor Druso, após dezenas de anos na direção da “Mansão da Paz” recebeu como exilada carente, uma de suas ex-esposas na Terra, que havia sido assassinada; ambos se reconhecem, estando juntos ao Assistente Silas, que era filho do coração de ambos na última encarnação terrestre, tendo os três se perdoando mutuamente pelos erros e reconhecendo como justas as inarredáveis leis Divinas. Então, no grande anfiteatro da “Mansão de Paz”, realiza-se uma reunião solene comemorando a volta do Administrador Druso e seus entes queridos à vida física. E eis que, no encerramento dessa solenidade, Druso levanta sua voz agradecendo a Deus por tudo, em comovente prece, que transcrevemos a seguir:
“ – Senhor Jesus! – clamou, humilde.
– Neste instante em que te oferecemos o coração, deixa que nossa alma se incline, reverente, para agradecer-te as bênçãos de luz que tua incomensurável bondade aqui nos concedeu em cinqüenta anos de amor... Tu, Mestre, que ergueste Lázaro do sepulcro, levantaste-me também das trevas para a alvorada remissora, lançando no inferno de minha culpa o orvalho de tua compaixão... Estendeste os laços magnânimos ao meu espírito mergulhado na lodosa corrente do crime. Trouxeste-me do pelourinho do remorso para o serviço da esperança. Reanimaste-me quando minhas forças desfaleciam... Nos dias agoniados, fostes o alimento de minhas ânsias; nas sendas mais escabrosas, eras, em tudo, o meu companheiro fiel. Ensinaste-me, sem ruído, que somente através da recuperação do respeito a mim mesmo, no pagamento de meus débitos, é que poderá empreender a reconquista de minha paz... E confiaste-me, Senhor, o trabalho neste pouso restaurador, como assistência constante de tua benevolência infinita, a fim de que eu pudesse avançar das sombras da noite para ao fulgor de novo dia!... Agradeço-te, pois, os instrutores que me deste, a cuja devoção afetuosa tão pesado tenho sido, os companheiros generosos que tantas vezes me suportaram as exigências e os irmãos enfermos que tantos ensinamentos preciosos me trouxeram ao coração!... E agora, Senhor, que a esfera dos homens me descerrará de novo as portas, acompanha-me, por acréscimo de misericórdia, com a graça de tua bênção. Não permitas que o conforto do mundo me faça esquecer-te e constranger-me ao convívio da humildade para que o orgulho me não sufoque. Dá-me a luta edificante por mestra do meu resgate e não retire o teu olhar de sobre os meus passos, ainda que para isso, deva ser o sofrimento constante a marca de meus dias. E, se possível, deixa que os irmãos desta casa me amparem com os seus pensamentos em orações de auxílio, para que, no pedregoso caminho da regeneração de que careço, não me canse de louvar-te o excelso amor para sempre!...
Calou-se Druso, em pranto. No recinto, choviam pequenos flocos luminescentes, à maneira de estrelas minúsculas que se desfaziam, de leve, em nos tocando a fronte... Lá fora, gritava a tempestade em convulsões terríveis. Cá dentro, todavia, reinava em nós a certeza de que, além de faixa das trevas, o céu ilimitado resplendia eternamente em luz... Reunimo-nos a Silas e, juntos, abeiramo-nos do abnegado Instrutor para as últimas saudações, porque também nós, Hilário e eu, deveríamos partir, já que a nossa tarefa estava encerrada. Druso enlaçou-nos paternalmente e, talvez porque nos demorássemos no abraço carinhoso, tentando definir-lhe o nosso imenso afeto, pousou em nós o olhar, falando comovido: - Deus nos abençoe, meus filhos!... Um dia reencontrar-nos-emos de novo... Com a voz embargada de emoção, beijamos-lhe a destra em profundo silêncio, porque somente as lágrimas poderiam algo dizer de nossa gratidão e de nosso enternecimento, no adeus inesquecível...”

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